Nos últimos 30 anos, desde que surgiu a divisão QS/CT, apenas 12 surfistas diferentes conquistaram o título mundial masculino. Outros, como Shane Beschen, Rob Machado e Taj Burrow, chegaram a liderar o circuito mas, mesmo sem ter conseguido garantir o título, continuam com reconhecimento do público pelos seus resultados do passado.

Mas alguns caíram no esquecimento pouco depois de saírem do tour. Fica a conhecer 5 surfistas que a certa altura lideraram o mais importante circuito de surf do planeta..

 

Danny Wills (& Mick Campbell) – 1998

Entre todos os ex-líderes esquecidos do Championship Tour mencionados neste artigo, Danny Wills foi provavelmente o mais bem sucedido tanto na disputa pelo título como na sua carreira. Wills era o “menino de ouro” da Austrália e da Quiksilver, tendo aparecido ao lado de Tom Carroll em filmes de surf desde os seus 13 anos. Depois de alguns anos de pouco sucesso no tour, Danny venceu duas etapas de seguida no Japão, as únicas de pontuação mais elevada num ano em que o tour tinha 11 provas. Os pontos que arrecadou nestas etapas ofereceram-lhe uma liderança destacada, mas não conseguiu manter a competitividade o resto do ano. Kelly Slater começou a “morder-lhe os calcanhares” com resultados consistentes mas foi o seu melhor amigo, Mick Campbell, quem lhe roubou a liderança a uma prova do fim e Slater quem ficou com o título no fim do ano depois de uma prova desastrosa para ambos os australianos em Pipeline. Em 2001, o ano em que os acontecimentos de 11 de Setembro reduziram o tour a 5 etapas, Danny chegou a liderar novamente quando foi finalista na primeira etapa do ano, o Rip Curl Pro Bells Beach. O vencedor da prova foi o wildcard Mick Fanning numa época em que os “convidados” não mantinham os pontos, o que deixou o segundo classificado com a liderança. Logo na etapa seguinte era Cory Lopez quem passava para a frente mas no fim do ano CJ Hobgood conquistou um título que será sempre acompanhado de um asterisco. Danny retirou-se do tour em 2008 e, apesar da sua longa ligação com uma das grandes marcas de surf, optou por não se manter ligado à indústria e caiu no esquecimento do público fora da Austrália.

 

 

Beau Emerton – 1999

Poucos se lembram disto hoje, mas Kelly Slater reformou-se do tour em 1998, quando superou o recorde de Mark Richards ao conquistar 5 títulos mundiais consecutivos, ficando com 6 no total. Era então a oportunidade para todos aqueles que tinham “batido na trave” ao longo dos anos mas, para surpresa de muitos, foi um dos surfistas mais improváveis do tour quem arrancou na frente. Beau Emerton surgiu entre duas fortes gerações australianas, sendo mais novo que Shane Powell, Jake Sponner, Todd Prestage e companhia, e mais velho que a geração que iria dominar num futuro próximo, com Taj Burrow e mais tarde Joel Parkinson, Mick Fanning, entre outros. Emerton, que até aí não tinha feito qualquer resultado expressivo, fez o campeonato da sua vida na prova de abertura do ano, o Billabong Pro na Gold Coast, batendo Kalani Robb, Rob Machado, Cristiano Spirro, Ross Williams e Taj Burrow para encontrar, e derrotar, Nathan Webster na final. Beau segurou a liderança por mais uma etapa, depois de ter ficado em 5º lugar em Bells Beach mas perdeu-a em Manly Beach, onde Taj Burrow venceu e passou para a frente. Emerton acabou o ano em 8º lugar enquanto que Mark Occhilupo se sagrou campeão mundial. Eventualmente Beau reformou-se do tour mas continua ligado à indústria do surf…

 

 

Dean Morrison – 2003

Em tempos, quando se falava de Mick Fanning e Joel Parkinson, falava-se também de Dean Morrison. Era o trio de Coolangata, tão coeso que deu origem a um dos melhores filmes da época, 3 degrees. Nele ficou registada a evolução do trio ao longo dos anos e era visível que a certa altura “Dingo” foi o melhor dos três. Entre eles Morrison foi o primeiro a vencer um título mundial, conquistado em 1998 na categoria júnior no ISA World Surfing Games de Portugal, e o primeiro a liderar o circuito mundial da ASP (actual WSL). Foi, como Beau Emerton, graças a uma vitória na prova de abertura do ano, o Quiksilver Pro na Gold Coast, em que Dean bateu surfistas como Danny Wills, Kelly Slater, Jake Paterson e Mick Fanning a caminho da final em que derrotou Mark Occhilupo. Mas o sucesso não durou já que Dean perdeu na prova seguinte no round 3 para Neco Padaratz, enquanto que Joel e Mick ficaram em 2º e 3º lugares na prova. “Dingo” ainda se aguentou no tour até 2010, totalizando 9 temporadas no tour e hoje ainda é um dos destaques em picos como Snapper Rocks e outros da zona.

 

 

Mick Lowe – 2004

Mesmo sendo um dos mais pesados surfistas do tour, Mick Lowe teve uma longa carreira no circuito, com várias finais e algumas vitórias. 1999 foi o ano em que fez um sério ataque ao título, com muitos resultados sólidos e uma vitória impressionante. Nesse ano a vitória ficou com outro peso pesado australiano, Mark Occhilupo, enquanto que Lowe liderou o tour anos mais tarde. Foi uma liderança semelhante à de Beau Emerton em 1999, com uma vitória sobre Andy Irons na primeira etapa do ano, o Quiksilver Pro Gold Coast. Logo na prova seguinte Mick perdeu cedo e passou o resto do ano a “derrapar”, acabando por se reformar do tour no fim de 2007, aceitando um trabalho na área da gestão logo de seguida.

 

 

Trent Munro – 2005

O ano de 2005 foi histórico por diversas razões. Foi o ano em que Kelly Slater finalmente conseguiu superar Andy Irons e conquistou o título mundial, 7 anos depois do seu sexto título. Foi também um ano em que Mick Fanning fez um dos melhores regressos da história do surf, vencendo a primeira prova do ano, depois de estar um ano a recuperar de uma lesão que para muitos teria sido o fim da carreira. Foi também o primeiro e único ano que em que um surfista ganhou a mais antiga prova do tour, o Rip Curl Pro Bells Beach, a surfar para a esquerda. A falta de ondas em Bells obrigou a que a prova fosse deslocada para Woolamai Beach, em Phillip Island, onde os melhores surfistas do mundo encontraram boas esquerdas de meio a um metro. Trent Munro era conhecido pelo seu hack (um snap poderoso) de frontside, mas o seu backside estava perfeito e facturou a segunda vitória da sua carreira, batendo Andy Irons na final. Juntando o 3º lugar da primeira etapa Munro passou para a liderança do tour, mas logo na etapa seguinte ficou em 9º lugar e perdeu a pole position. Kelly Slater venceu a etapa e mais tarde sagrava-se campeão mundial, enquanto que Trent acabou em 6º lugar no ranking final. Actualmente o australiano divide o seu tempo entre a gestão da sua escola de surf e as viagens regulares para locais como a Indonésia.

 

 

Menção honrosa
Shane Herring – 1992

A “resposta australiana a Kelly Slater” teve sucesso antes do actual 11x campeão mundial, com uma vitória no Coke Classic e a liderança do tour por alguns meses. A pressão e o álcool foram os seus inimigos e em 1994 este super talento já estava fora do tour e nunca tentou regressar. Ainda hoje o seu nome é referenciado como o maior “talento perdido” da história do circuito mundial.

 

 

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