A relação entre surfistas profissionais e shapers nem sempre é baseada na “fidelidade”. São poucos os que surfam exclusivamente com uma marca durante toda a carreira e, mesmo os que se mantêm na mesma marca durante longos períodos vão testando pranchas de outros shapers.
Algumas das relações mais longas foram as de Kelly Slater com a Channel Islands/Al Merrick, bem como as de Mick Fanning e Stephanie Gilmore com a DHD. Ainda assim, Kelly ocasionalmente usava pranchas de Simon Anderson, principalmente em Jeffreys Bay e Fanning recorria a Matt Biolos quando andava pela Califórnia.
Mais recentemente temos os casos de John John Florence, Filipe Toledo e Gabriel Medina. Florence surfa com a Pyzel desde muito novo, tendo usado na adolescência algumas Lost (de Matt Biolos), mas nunca se afastou muito dos “foguetes” de Jon Pyzel, sendo atualmente sócio da Pyzel Surfboards. Também Toledo, que ajudou a lançar as Sharp Eye de Marcio Zouvi para a “estratosfera”, acabou por se tornar sócio da marca.
Gabriel Medina está numa posição diferente em relação a JJ e Filipe. O tricampeão do mundo teve uma prancha de Johnny Cabianca aos quatro anos e os dois reencontraram-se cerca de dez anos mais tarde, na Europa. Gabriel recebeu algumas pranchas de Cabianca, que na altura era shaper da Pukas, e a sua carreira explodiu a partir daí. Medina nunca mais largou os shapes de Cabianca e seguiu-o (para fora da Pukas) quando este criou a sua própria marca, a Cabianca Surfboards.
Três títulos mundiais depois, Medina faz um muito aguardado regresso ao Championship Tour, sendo desde já um dos grandes favoritos ao título. No entanto, algo está diferente. Além de não ter autocolante no bico da prancha, Medina tem sido visto a surfar com Channel Islands.
Num vídeo recente da série Stab in the Dark, Britt Merrick, filho do mítico Al Merrick — provavelmente o melhor shaper de todos os tempos — comentou que, apesar de ter vencido este evento por três vezes, deseja muito conquistar um título mundial. E mesmo com uma equipa muito forte no Championship Tour, não tem um candidato verdadeiramente sólido ao título. É aí que entra o brasileiro, que pode ser a sua melhor hipótese de concretizar esse objetivo.
Por outro lado, Medina e o seu “mentor” e padrasto, Charles, mostram uma ligação muito forte a Johnny Cabianca — e, claro, um longo historial de sucesso. No entanto, o que é certo é que, apesar de continuar a aparecer regularmente com Cabianca nos pés, tem surgido cada vez mais com CI.
Muda ou fica? Descobriremos em breve…










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