Derek O’Neill não é muito conhecido entre os praticantes de surf, mas na indústria é um nome incontornável. Durante anos ocupou a posição de presidente da Billabong na Europa, cargo que deixou de ocupar em 2012. Recentemente este veterano da indústria lançou-se noutro projecto, com outro ex-funcionário da Billabong, Paul Naude, as marcas V/SSLA e D’Blanc. Foi durante a apresentação das marcas em Portugal que a ONFIRE teve a oportunidade de ficar a conhecer este surfista australiano e as suas marcas.

Derek, qual é a ideologia por detrás da marca V/SSLA?
A V/SSLA é uma marca de roupa moderna e virada para a juventude. É uma nova aproximação ao que o surf é hoje, que é muitas coisas diferentes. Inspiramo-nos muito no que vemos pelo mundo fora, miúdos a surfarem com pranchas diferentes, que há 5 ou 6 anos atrás iriam parecer muito estranhas. Pranchas retro, shapes novos, adaptação a modelos do passado mas com um toque moderno e mudanças nas quilhas também. Acho que se pode agarrar numa técnica antiga e dar-lhe um “aproacch” moderno, e pode divertir-se muito no processo. E basicamente isso é o que a V/SSLA é, divertires-te a surfar. Hoje em dia há mais surfistas do que em qualquer outra época da história e as boas notícias são que, apesar de conseguires retirar das máquinas de shape pranchas perfeitas no que toca à performance, também te podes divertir nas pranchas mais loucas que já viste. E isso é óptimo para o surf.

De onde vem o nome V/SSLA?
Hoje em dia um dos grandes desafios numa marca nova é o nome pois muitos dos melhores nomes já estão a ser usados. V/SSLA é um nome inventado, gostamos muito dele porque tem uma ligação com os sete mares (Seven Seas /SS), algo que é muito importante para nós e este nome fazia alusão a isso. Não queríamos que tivesse significado a mais, apenas que fosse um nome que as pessoas não se esquecessem, sendo um pouco diferente.

Para o consumidor final, qual serão as grandes diferenças neste produto em comparação ao que já há no mercado do surf?
As pessoas compram roupa de marcas especificas por razões diferentes. Pode ser o design, a cor, os materiais, a forma. A V/SSLA vai ter muita qualidade, é algo muito importante neste produto, estamos orgulhosos de conseguir apresentar um produto desta qualidade desde o início. É uma marca com bom feeling, não será agressiva nem é “hipster” ou virada para a moda, é “just about surfing”! Inspirada no surf e na razão pela qual as pessoas fazem surf.

Sei que têm algumas iniciativas bastante amigas do ambiente, quais são os materiais que estão a usar?
Além de estarmos a utilizar garrafas de plástico recicladas, na nossa linha, estamos também a usar casca de coco na produção dos nossos calções. Milhões de cascas de coco são deitadas fora e vão parar à terra, enquanto que tudo o resto é utilizado. Faz parte da filosofia da nossa empresa, contribuir para um melhor meio ambiente, usando, por exemplo, materais que não iriam ter outra utilização.

Quais são os planos da marca para Portugal?
Ainda estamos no início, a empresa tem cerca de 8 meses, e ainda só lançámos uma colecção. Estamos em vias de entregar a colecção de Inverno e vamos começar a vender a de primavera de 2015. Estaremos ligados a eventos e surfistas em Portugal, parte do nosso futuro passará por aí. Quando lançámos a marca na Europa os mercados importantes para nós eram os de Inglaterra, França, Espanha e Portugal. Seria fácil de investir num país como a Alemanha, que é muito forte financeiramente, e tirar bons resultados. Mas queríamos focarmo-nos nos países “de surf” e é aí que estamos a ver os melhores resultados, principalmente em Espanha e Portugal, apesar de serem os que estão a sofrer mais com a crise.

Além da V/SSLA estão a lançar a marca de óculos de sol D’Blanc, que parece ter uma filosofia diferente…
Sentimos que as marcas de óculos estão a produzir produtos que não são de topo e acreditamos que são os italianos que produzem os melhores óculos do mundo, por isso optamos por produzir lá. Estamos contentes com o produto, é ligeiramente mais “fashion” e menos surf que a V/SSLA, mas sentimos que as marcas resultam bem juntas.

O que devemos esperar destas marcas no futuro?
Uma coisa é certa, não estamos a tentar fazer delas as maiores marcas do mercado. Queremos trabalhar com pessoas que gostamos, que têm o surf como inspiração e não estamos preocupados com objectivos financeiros altos. Queremos um empresa “sustentável”, em que os nossos trabalhadores se estejam a divertir e estejam inspirados.

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