Há seis anos que há uma tradição na abertura do verão: o Softboard Heroes. De edição para edição, este evento solidário leva até Santa Cruz aquele que é, para muitos, o campeonato de surf mais good vibes realizado em Portugal. A edição de 2026 voltou a ser um sucesso e, para fazer o balanço desta edição e perceber o que o futuro reserva ao evento, estivemos à conversa com Tiago Pires. Para além de ser o G.O.A.T. do surf nacional, é também um dos organizadores do Softboard Heroes, através da sua empresa, a TwinFin.
Tiago, o Softboard Heroes foi, mais uma vez, um sucesso. Que balanço fazes da edição deste ano?
O balanço do Softboard Heroes é muito positivo. Este foi o nosso sexto ano e conseguimos aumentar o donativo em 2.500 euros face à edição anterior. Acima de tudo, esta edição veio reforçar a ideia de que o evento está consolidado. Temos parceiros que acreditam no projecto, alguns dos quais estão connosco desde o primeiro dia e fizeram todo este percurso de seis anos ao nosso lado. Ao mesmo tempo, conseguimos trazer novas marcas para apoiar o evento, como foi o caso da MG. Em termos de convidados e figuras públicas, mantivemos um nível muito elevado. Tivemos também condições de mar e de tempo bastante favoráveis, por isso acabou por correr tudo de feição. Mais uma vez, o evento provou que o espírito de solidariedade e a forma de estar na vida que une a comunidade do surf são valores que vale a pena partilhar. É muito gratificante ver tantas pessoas disponibilizarem o seu tempo e o seu apoio, de forma totalmente pro bono, para ajudar estas instituições.
Quais têm sido os principais desafios para reinventar o evento ao longo dos anos?
Todos os anos queremos aumentar o valor dos donativos e, naturalmente, isso faz com que os custos do evento também aumentem. Um dos grandes desafios passa por conseguir trazer mais marcas que acreditem no projecto e queiram fazer este caminho connosco. Depois há também o desafio dos participantes. Tentamos ao máximo não repetir atletas, embora isso já tenha sido inevitável em alguns casos. Mas a maior dificuldade acaba por estar nas figuras públicas, nos nossos friends que surfam. Em primeiro lugar, porque já convidámos muitas pessoas ao longo destes seis anos e não há assim tantas que ainda não tenham participado e que surfem suficientemente bem para entrar numa prova deste género. Em segundo lugar, porque há sempre a questão das agendas. Nem sempre conseguimos ter connosco as pessoas que gostaríamos, simplesmente porque não têm disponibilidade. Esses são os principais desafios. Depois, todos os anos há sempre factores que não controlamos, como as condições do mar ou do tempo. Mas isso faz parte de qualquer evento de surf e aprendemos a lidar com essa realidade.No final, foi uma edição muito bem conseguida e da qual saímos extremamente satisfeitos.
Mesmo sendo um evento de cariz solidário, realizado em sofboards e muito focado na diversão, é um facto que se torna muito competitivo, principalmente nas fases finais. Era algo que estavam à espera quando idealizaram este evento?
Sim, é algo que sempre pensámos que iria acontecer. Obviamente que por um lado temos pessoas que são amadoras no desporto, os nossos friends, figuras públicas que fazem surf, mas a verdade é que todos, quando encarnam o papel de defensor da sua instituição de caridade que estão a representar para quem precisam de angariar ao máximo todos eles viram uns diabinhos competitivos, todos eles querem ganhar e angariar o máximo possível, e o espirítio competitivo vem sempre ao de cima quando o evento começa. Em termos do que é o habitual para os nossos surfistas profissionais, os juniores, as ladies e os men acaba por ser mais do mesmo, eles vêm e querem todos ganhar. Obviamente têm a vida um bocado dificultada porque não podem trazer as suas pranchas e têm que quase sortear a prancha com que vão surfar e isso complica um pouco a vida deles mas também é giro ter um campeonato por ano que os obrigada soltar fora um bocadinho daquilo que é a normalidade, no final do dia acaba por ser um evento competitivo entre os atletas.
Ao longo destes anos, quais foram os momentos que mais se destacaram para ti?
Ao longo destes anos, os momentos que mais se destacaram acabam por ser, curiosamente, muito semelhantes. No final de cada edição, ficamos sempre com um enorme sentimento de satisfação e de missão cumprida. É isso que nos dá motivação para continuar e para querer fazer ainda mais. O nosso grande objectivo é continuar a aumentar o valor dos donativos. Não queremos que o evento cresça em termos de estrutura física, porque temos uma política de manter uma pegada ambiental praticamente nula, e isso também nos dá muito orgulho. O que queremos é que cresça pelo impacto que tem: no valor que conseguimos angariar, na importância que tem para o país e, claro, para a região de Torres Vedras, onde o evento acontece. A verdade é que todos os anos terminamos com a sensação de que valeu a pena. Mal acaba uma edição, já estamos a pensar na seguinte. Esse entusiasmo e essa vontade de continuar são, sem dúvida, o melhor sentimento que levamos connosco todos os anos.
E os surfistas que mais te impressionaram a surfar de soft?
Todos os anos temos grandes surfistas a participar e o nível de surf nas softboards é sempre impressionante. Este ano, sem dúvida, destacou-se o Arran Strong, que venceu tanto o formato Todos Contra Todos como a final da categoria Open. Deu um verdadeiro espectáculo desde o início. Surfou com pranchas de várias marcas, experimentou diferentes modelos e conseguiu manter sempre um nível muito elevado. Na categoria de juniores, também fiquei muito impressionado com o Martim Fortes. Acho que surfou muito bem e demonstrou um nível enorme. No geral, todos os surfistas acabam por impressionar. Depois, há sempre um bocadinho de adaptação à prancha que lhes calha. Algumas marcas têm modelos mais volumosos ou com características diferentes, e nem sempre é fácil adaptarem-se de imediato. Mas, ainda assim, o nível de surf é sempre muito alto. O mais interessante é precisamente ver surfistas habituados ao seu material de competição a terem de adaptar o estilo, experimentar linhas diferentes e fazer uma leitura da onda de outra forma. Acho que isso traz um interesse acrescido à prova e torna o espectáculo ainda mais divertido para quem está a assistir.
O que é que o futuro reserva para o Softboard Heroes?
O futuro do Softboard Heroes passa, acima de tudo, por continuar a crescer. Como disse anteriormente, gostava que conseguíssemos chegar a um patamar em que pudéssemos entregar mais de 50 mil euros em donativos às instituições. Acredito que também podemos evoluir um pouco o conceito. Se calhar faz sentido deixar de ter apenas quatro surfistas por equipa e trazer mais convidados e mais atletas. Acho que o formato está muito bem pensado e tem provado que funciona, mas há margem para crescer, tanto em dimensão como em importância e relevância a nível nacional. Gostava que o Softboard Heroes fosse cada vez mais visto como um evento de referência em Portugal. Apesar de ser um evento relativamente pequeno em termos de estrutura, a verdade é que já reúne atletas de todo o país. Muitas vezes essa dimensão não é percebida por quem está de fora, mas acredito que temos todas as condições para afirmar o evento à escala nacional. O objectivo é que o Softboard Heroes continue a ganhar notoriedade e se torne cada vez mais um dos eventos solidários de referência em Portugal.










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