A Liga MEO Surf, principal competição de surf nacional, que define os títulos de campeões nacionais de Surf, fez história em Junho ao tornar-se no primeiro evento de surf a ser retomado em todo o Mundo, após a eclosão da pandemia da Covid-19. Com duas etapas já disputadas, os melhores surfistas portugueses preparam-se agora para dar continuidade à luta pelo título nacional, de 31 de Julho a 2 de Agosto, com o Allianz Sintra Pro. O campeonato decorre na Praia Grande, em Sintra.

A Liga MEO Surf é o único título oficial em disputa pelos surfistas portugueses, assumindo assim máxima importância nas suas carreiras desportivas em 2020 assim como nos compromissos contratuais com os seus patrocinadores.

Com a World Surf League (WSL) a comunicar o cancelamento da temporada de 2020, a Liga MEO Surf reforça um estatuto já de si especial e positivo para os surfistas portugueses.
“Poder estar a competir, mesmo nestas circunstâncias todas, acaba por ser um privilégio. Tenho amigas estrangeiras que adorariam estar na minha posição, a poder competir”, frisa Teresa Bonvalot, atual vice-líder do ranking nacional e uma das principais surfistas nacionais no panorama internacional.

“Com tudo o que aconteceu este ano no cenário internacional, a Liga MEO Surf tornou-se numa enorme mais-valia, uma grande oportunidade para me manter ativa e a evoluir”, reforça Carolina Mendes, líder do ranking feminino. A mesma ideia é defendida por Miguel Blanco, atual bicampeão nacional em título: “É sempre bom podermos manter a consistência de campeonatos. Revalidar o título nacional já era um dos meus objetivos do ano e assim torna-se um objetivo ainda maior”.

O único bónus da temporada

Os principais surfistas portugueses redobram agora atenções única e exclusivamente na Liga MEO Surf. É perante este cenário que todos os grandes nomes do surf português rumam ao Allianz Sintra Pro com o foco a 100 por cento na luta pelo triunfo final e pelo jackpot que pode daí resultar. Os surfistas poderão ter acesso a bónus financeiros previstos nos contratos com os seus patrocinadores, indexados a títulos, vitórias ou classificações de destaque em competições oficiais.

“Ganhar a liga tem sempre um grande peso”, começa por dizer Mafalda Lopes, uma das representantes da nova geração do surf feminino, que já assalta frequentemente os pódios da Liga MEO Surf. “Ser campeã é um objetivo bem difícil de alcançar, mas que quando cumprido, é muito valorizado por todos, principalmente pelos patrocinadores”, sublinha com o enfoque num prémio contratual. A mesma ideia é transmitida por Teresa Bonvalot: “Qualquer bom resultado é ótimo para nós, para a nossa imagem e, por sua vez, para os patrocinadores”.
Já Miguel Blanco salienta a importância do retorno que é dado por parte dos surfistas e que sem a Liga MEO Surf, neste momento, seria inexistente. “É sempre bom os patrocinadores verem que há movimento e coisas a acontecerem. Normalmente, andamos sempre a viajar. Assim, com as provas a acontecerem em Portugal, vamos estar mais tempo por cá e passamos mais tempo com os patrocinadores, que terão um retorno mais positivo. É bom isso acontecer”, admite.

Balanço internacional

O facto de serem, por agora, os únicos surfistas a competir ao mais alto nível em todo o Mundo – em França já houve um evento especial, mas apenas para um lote muito restrito de surfistas e na Austrália decorreram competições locais –, poderá servir de vantagem na hora do regresso à competição internacional. Para a campeã nacional em título Yolanda Hopkins isso é quase uma certeza. “É muito bom não estarmos parados, porque quando tudo regressar penso que vou estar mais preparada que as surfistas do resto do Mundo”, defende.

“Com o nível que a Liga MEO Surf tem é uma boa forma de nos prepararmos para as provas internacionais. O facto de não termos estado um ano parados, pode dar-nos alguma vantagem quando tudo regressar à normalidade”, argumenta, por sua vez Miguel Blanco. O mesmo pensa Carolina Mendes: “Tento sempre ver as coisas pelo lado bom e o facto de sermos os únicos a competir pode ser uma vantagem para os atletas portugueses”.

A todos estes candidatos ao título juntam-se ainda nomes como Vasco Ribeiro, Tomás Fernandes, Afonso Antunes, Camilla Kemp ou Frederico Morais, na disputa pelos lugares mais altos dos respetivos rankings.

Frederico chega à Praia Grande na liderança do ranking, em igualdade com o jovem Afonso Antunes, e garante estar totalmente focado no triunfo, mesmo que, ao contrário dos outros surfistas, o futuro para ele ainda seja uma incógnita. “Ainda não sei se a WSL me vai dar autorização para fazer a Liga MEO Surf na totalidade. Neste momento, o meu objetivo está apenas na Praia Grande e é a única coisa que posso garantir”, assumiu o único português que pertence à elite do surf mundial.

Em termos de troféus laterais, para além da etapa derradeira a pontuar para o Allianz Triple Crown com 8.000€ a repartir equitativamente entre os vencedores masculino e feminio, acrescem a luta pela melhor manobra na Renault Expression Session e pela Somersby Onda do Outro mundo (ambos com 2.500€ anuais), a continuação da disputa do Santander Award, a definir no final do ano com ponderação entre a performance desportiva e aproveitamento escolar, e ainda a designação dos melhores surfistas locais (masculino e feminino) com uma premiação de 1.500€ por via da Câmara Municipal de Sintra. Destaque ainda para o Bom Petisco Girls Score, o primeiro prémio exclusivamente dedicado às senhoras, com 2.500€ anuais para a melhor pontuação combinada no quadro de competição feminino.

Comentários