O round que mudou por completo a corrida do título mundial

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Brett Simpson foi responsável pela grande eliminação do dia 2, a de Matt Wilkinson.
Brett Simpson foi responsável pela grande eliminação do dia 2, a de Matt Wilkinson.

O round 2 do Hurley Pro foi absolutamente devastador para parte do top 10 do CT, e mudou por completo a intensidade da corrida pelo título mundial!

Que 2016 ia ser o ano, desde há muito, onde a probabilidade de chegar a Pipeline com vários candidatos ao título mundial era elevada já todos sabíamos mas depois dos resultados do dia de ontem durante o round 2 do Hurley Pro na onda mais performance do mundo, o “guião” para Pipe anteve-se cada vez mais intenso.

Isto pois foram vários os surfistas do top 10 que no dia 1 viram-se a ter de surfar no round 2, e desses alguns caíram ontem, garantindo que acabarão o ano com resultados menos positivos. Isto só abre, ainda mais, portas para surfistas que tinham que ter uma recta final do ano brilhante, como Slater!…

Tudo começou quando Matt Wilkinson, que teve, como todos sabemos, um arraque do ano que até ao próprio o deixou incrédulo, sucumbiu perante o vencedor dos trias, ex-surfista do CT, e local de Tresltes, Brett Simpson! Foi um heat muito renhido, tão renhido que deixou as redes sociais com duras opiniões sobre o resultado final. Até os próprios comentadores da WSL concordaram que foi um heat estranho no que a notas disse respeito, mas não tecendo opiniões sobre o vencedor. Muitos defendem que a última onda de Wilko lhe deveria ter dado o 6.87 que merecia (teve um 6.63 graças a uma combinação de manobras de backside com direito a um claim antes de entrar no inside e encaixar mais 3 ou 4 rasgadas).

Wilko rasgou e bateu na sua última onda mas essa não conveceu o júri, deixando a ex-camisola amarela visivelmente frustrado. Photo by WSL I Kirstin

Wilko rasgou e bateu na sua última onda mas essa não conveceu o júri, deixando a ex-camisola amarela visivelmente frustrado. Photo by WSL | Kirstin

Por outro lado, muitos defendem que o 6.87 de Simpson deveria ter sido a melhor nota do heat pois o californiano entre uma abusada paulada blow tail com rotação para 270, um aéreo reverse, um carve e algumas rasgadas mereceria certamente uma nota mais alta. Como dissemos, foi um daqueles heats estranhos de notas e tão renhido que o vencedor poderia ser quaquer um. Simpson foi o “sortudo” mas este resultado para Wilko, que já vinha de um mau resultado de na etapa passada e que o fez perder a camisola amarela, foi o pior que lhe podia ter acontecido pois a gigantesca distância que já levou dos restantes adversários é agora nula.

Julian Wilson provavelmente esfregava as mãos ao ouvir o som da buzina do heat de Wilko pois sabia que poderia ganhar muito terreno. Mas o actual número 5 do mundo não contava que Alex Ribeiro fizesse o seu primeiro heat à séria no CT! O rookie usou as esquerdas de Trestles para voar e garantiu a vitória num heat que mais uma vez foi dos mais renhidos do evento até ao momento.

Adriano de Souza foi outra eliminação supresa, sucumbindo para . Photo by WSL | Rowland

Adriano de Souza foi outra eliminação supresa, sucumbindo para Kai Otton. Photo by WSL | Rowland

 

Adriano de Souza só não esgrefaria as mãos depois de ver o resultado de Wilko e Wilson pois deve ter percebido que a manhã estava marcada para a desgraça dos top seed. Actual número 7, De Sousa tinha também uma excelente oportunidade de se posicionar melhor no ranking mas Kai Otton, que necessita urgentemente de um bom resultado para se manter na elite, dizimou com o seu backside attack as perfeitas direitas de Trestles, que neste dia fizeram justiça ao porquê desta onda desta ser considerada como a mais performace do mundo.

Seguia-se Slater, e tudo o que até aqui tinha acontecido não poderia ter sido melhor desenhado para a campanha do americano. Depois de três surpresas fulminantes, já ninguém conseguiria saber o que se avizinhava pois a manhã era, sem dúvida, dos low seed do CT. Slater, no final do heat, quebrou o feitiço que pairava sobre os top seed mas ninguém pense que foi fácil. O 11x campeão do mundo mostrou, desde o round 1, que o seu surf performance está ao nível que sempre nos habituou e que, principalmente, no power surf e em manobras onde a elastecidade é determinante, é um dos melhores do mundo (se não o melhor), com 44 anos!

Slater foi o úncio top seed que sobreviveu à raiza deste dia! Photo by WSL | Kirstin

Slater foi o úncio top seed que sobreviveu à raiza deste dia! Photo by WSL | Kirstin

Slater destruiu duas direitas com carves poderorosos, blow tails, floaters, lay backs com recuperaçãoes milagrosas, sempre com a velocidade e fluidez que o fizaram conquistar 11 títulos mundiais. Tudo parecia correr bem, até Ryan Callinan fazer aquela que foi a sua melhor onda no CT, aquela em que realmente, pela primeira vez, mostrou como é o seu surf! Uma explosão contínua de pauladas e rasgadas de backside deram-lhe um 8.27, e Slater viu-se obrigado a passar os últimos minutos do heat a fazer um jogo táctico com a sua prioridade. Slater venceu, e a emoção do título mundial ganhou ainda mais força!

Fanning disse que esta seria a sua última etapa do CT este ano mas mostrou que tem surf para estar mais 10 anos na elite! Photo by WSL | Rowland

Fanning disse que esta seria a sua última etapa do CT este ano mas mostrou que tem surf para estar mais 10 anos na elite! Photo by WSL | Rowland

 

Tanta emoção e decisões importantes neste arranque do dia 2 poderiam levar a que o resto do round fosse mais morno! Errado! Fanning simplesmente mostrou que estar fora do circuito o leva a competir num nível superior ao que nos habituou quando o fazia a tempo inteiro, e Kolohe Andino e Jeremy Flores tiveram uma batalha épica de deixar qualque um agarrado aos cabelos – com vitória para Andino.

Kolohe Andino, com um forte apoio local, teve um combate de titãs com Jeremy Flores mas saiu vencedor graças a manobras destas! Photo by WSL | Rowland

Kolohe Andino, com um forte apoio local, teve um combate de titãs com Jeremy Flores mas saiu vencedor graças a manobras destas! Photo by WSL | Rowland

Os restantes heats viram as condições piorarame por causa do vento mas não deixaram de ser boas “batalhas”. Vitoriosos saíram Josh Kerr, Caio Ibelli, Conner Coffin (que eliminou o surfista da casa, Nat Young) e Miguel Pupo. Também Italo Ferreira e Jadson André garantiram a sua presença no round 3, que começara daqui a umas horas e que podes ver ao vivo AQUI. Os heats que nos esperam são os seguintes:

Round 3 Hurley Pro at Trestles
Heat 1: Jordy Smith x Kai Otton
Heat 2: Michel Bourez x Miguel Pupo
Heat 3: Kelly Slater x Jack Freestone
Heat 4: Kolohe Andino x Conner Coffin
Heat 5: Caio Ibelli x Filipe Toledo
Heat 6: John John Florence x Brett Simpson
Heat 7: Gabriel Medina x Tanner Gudauskas
Heat 8: Joel Parkinson x Wiggolly Dantas
Heat 9: Mick Fanning x Stuart Kennedy
Heat 10: Italo Ferreira x Jadson Andre
Heat 11: Josh Kerr x Kanoa Igarashi
Heat 12: Ace Buchan x Alex Ribeiro

 

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