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	<title>Pedro Soeiro Dias &#8211; ONFIRE Surf | Portugal</title>
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		<title>Qual vale mais, o mensageiro ou a mensagem? &#124; By Pedro Soeiro Dias &#124; Blog Post</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/blog/qual-vale-mais-o-mensageiro-ou-a-mensagem-by-pedro-soeiro-dias-blog-post/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Dec 2016 00:55:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Almada]]></category>
		<category><![CDATA[Garrett McNamara]]></category>
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					<description><![CDATA[Recentemente ficámos a saber que Garrett McNamara &#8220;apoia&#8221; a candidatura de Almada a “Cidade Europeia do Desporto 2018”. Rapidamente choveram manifestações positivas e negativas acerca desta opção de representação, sendo natural, até porque Garrett McNamara não é português, o que desafia desde logo a condição patriota dos portugueses, é também lógica, afinal já representou a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente ficámos a saber que Garrett McNamara &#8220;apoia&#8221; a candidatura de Almada a “Cidade Europeia do Desporto 2018”. <span id="more-35211"></span>Rapidamente choveram manifestações positivas e negativas acerca desta opção de representação, sendo natural, até porque Garrett McNamara não é português, o que desafia desde logo a condição patriota dos portugueses, é também lógica, afinal já representou a Nazaré, Portugal, pelo meio marcas e agora Almada.</p>
<p>Já há algum tempo que tinha vontade de escrever acerca deste fenómeno, agora penso ter chegado a altura certa. Desde já, por questões profissionais, sendo marketer e tendo colegas a tomar estas decisões (de escolhas sobre endorsement), apraz-me perceber que todos fizeram excelentes opções ao escolher McNamara como representante daquilo que queriam comunicar. O alcance que conseguiram foi excepcional e por si só, sendo que estamos a falar de bens de consumo (café) ou locais (país, cidade e vila), o critério de segmentação predefinido é bastante alargado, logo os resultados só podem ter sido mais do que conseguidos.</p>
<p>Recuando um pouco no tempo, e de forma a sustentar esta opinião (não querendo entrar em pormenores técnicos de surf), quando a Câmara Municipal da Nazaré procurou explorar a especificidade da Praia do Norte, recorrendo a um surfista estrangeiro disponível para desbravar as condições únicas desta zona, de forma a dar a conhecer, logo explorar economicamente, esta vantagem (reforço a exclusão da questão técnica de surf), essa escolha provou ter sido perfeita. Os intentos da autarquia, na minha opinião, foram mais do que conseguidos. A Nazaré beneficiou de um alcance sem igual, de extensão mundial, percorrendo todo o tipo de meios e de reconhecimento autêntico, já que a zona apresentava-se como tendo ondas específicas e o surfista explorou essa especificidade no seu expoente máximo. Assim, podemos concluir que o objectivo era claro e o resultado superou esse objectivo. Hoje a Nazaré está no mapa (reconhecimento) e evoluiu economicamente no sector privado.</p>
<p>Pegando nos percursores (CMN) e levando esta estratégia para todas as outras relações representativas &#8211; Portugal, Café Boundi, Lion of Porches e agora Almada, podemos assumir que foram opções válidas, até porque os valores de representatividade (é publico) são interessantes e os resultados imediatos &#8211; a constante opção pelo mesmo personagem faz com que o reconhecimento se mantenha em alta, foram também bastante inteligentes já que todas estas marcas tentavam ir buscar algo aspiracional ao &#8220;Surf&#8221; &#8211; com reconhecimento evidente e duradouro. Portanto, parece não haver espaço para grandes críticas negativas às ligações das marcas com este indivíduo, não me parece sequer discutível que as estratégias acima descritas fossem erradas, os resultados provaram ser certeiros.</p>
<p>Todavia, há efeitos colaterais neste tipo de estratégias longas no tempo e comuns na génese. A médio prazo e quando a temática exposta é especifica, neste caso &#8211; Surf e Ondas, o alcance per si, sem critério e sem sustentação, não só não converte, como o investimento fica disperso. Senão vejamos, a Nazaré neste momento ficou conhecida, mas, além de projectos privados de imobiliário (não hotelaria), o investimento que aparece, aparece para investir no Garrett McNamara e não na Nazaré. O que me parece natural, já que o reconhecimento está no indivíduo e não a marca/produto/serviço. Este fenómeno está de facto a acontecer, tendo a Câmara local voltado a investir no reconhecimento da zona por outras vias, não no surf actividade, mas na zona turística como um todo.</p>
<p>A credibilidade também fica beliscada a médio prazo, ou seja, se o objectivo foi apenas alcance/reconhecimento (awareness) o proveito é total a curto prazo, porem a médio prazo a mensagem global de curta duração, torna-se de média duração pelo target conhecedor, o que define como negativa a mensagem se esta for inócua. O que é o caso, já que o mensageiro neste caso não transporta apenas a mensagem, ele próprio representa-a.</p>
<p>Volto à primeira frase e de lançamento deste tema &#8211; Almada, na minha humilde opinião, escolheu muito bem se o objectivo é angariar votos no exterior, o que me parece lógico. Todavia, não geriu pelos vistos o target conhecedor e detentor de opinião qualificada, o que em casos como este são fundamentais ter em conta. Não só pela relação social com a edilidade, mas também pela relevância que o target &#8220;core&#8221; tem a longo prazo numa zona tão especifica e tão importante para Almada como a Costa de Caparica.</p>
<p>Em jeito de conclusão, deixando uma opinião menos mercantilista mas largamente mais eficiente &#8211; Algo de muito errado se passa quando se continua a achar que é dinheiro bem gasto disparar &#8220;cartuchos&#8221; indiscriminadamente de forma a acertar em alguém, sem ter a mínima capacidade de analisar e apontar ao alvo certo para o produto certo. Já não é nesse tempo em que vivemos.</p>
<p>As administrações já não podem ficar contentes apenas com cadernos de valorização hiperbolizados, a conversão real de tal investimento tem que ser tangível e de preferência deixando um legado de credibilidade e reputação gerível. Será sempre fácil de apresentar resultados inócuos, mas cobertos de um valor imenso percepcionado (o alcance e reconhecimento).</p>
<p>Pedro Soeiro Dias</p>
<p>Sobre o Autor:<br />
<em>Pedro Soeiro Dias | Individualista, enigmático, muito atento e crítico em relação a tudo o que rodeia. A convicção e a solidez com que defende os seus pontos de vista transmitem muitas vezes a ideia de arrogância.</em><br />
<em> Tem 38 anos e desde os 16 que tem prancha.</em><br />
<em> É realizador de formação e no início do século ainda explorou a indústria, mas a celeuma do mercado, fez com que se dedicasse à escrita.</em><br />
<em> As viagens marcaram o seu processo de maturação e, recentemente, viajou até ao Havai, cumprindo um dos seus sonhos.</em><br />
<em> Vive, trabalha e surfa na Ericeira.</em><br />
<em> A paixão por “marcas” aliada a traços de personalidade que lhe conferem extrema sensibilidade para o marketing redesenharam o seu percurso profissional. Hoje é um marketeer apaixonado.</em></p>
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		<title>Pedro Soeiro Dias – Director de Marketing da Despomar – Fala sobre o estado da Indústria &#124; Mini-Entrevista &#124; Parte 2</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/pedro-soeiro-dias-director-de-marketing-da-despomar-fala-sobre-o-estado-da-industria-mini-entrevista-parte-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jun 2016 13:33:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Mini-Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Soeiro Dias]]></category>
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					<description><![CDATA[Pedro Soeiro Dias, Director do Departamento de Marketing da Despomar, partilha a sua visão sobre o estado do mercado de surf em Portugal, e não só… (Continuação da Parte 1) A Despomar tem tido um percurso de grande sucesso em Portugal, o que achas que fez desta empresa um sucesso tão distinto? A palavra que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pedro Soeiro Dias, Director do Departamento de Marketing da Despomar, partilha a sua visão sobre o estado do mercado de surf em Portugal, e não só…<span id="more-32079"></span></p>
<p>(Continuação da <a href="https://www.onfiresurfmag.com/destaques/pedro-soeiro-dias-director-de-marketing-da-despomar-fala-sobre-o-estado-da-industria-mini-entrevista-parte-1/">Parte 1</a>)</p>
<p><strong>A Despomar tem tido um percurso de grande sucesso em Portugal, o que achas que fez desta empresa um sucesso tão distinto?</strong><br />
A palavra que melhor define este trajecto, é a mesma que define as pessoas (Paulo Martins, Artur Fernandes e Luís Alves) que estão por detrás desta organização &#8211; Seriedade.<br />
Só com muita seriedade, empenho, energia e visão é que se consegue chegar até aqui e continuar a olhar para o futuro. A gerência tem sabido entender os desafios, criar soluções, adaptar-se e consecutivamente acrescentar valor ao mercado.<br />
A Despomar é um dos maiores empregadores do conselho de Mafra e largamente o maior na Ericeira, valoriza as suas parcerias e olha para a sua origem (o surf) como mote para o futuro.</p>
<p><strong>O que é sustentável e não sustentável neste momento?</strong><br />
Esta é uma pergunta muito difícil e de análise pessoal, penso ser impossível alguém afirmar com toda a certeza o que é ou não sustentável na industria do Surf&#8230;<br />
Acredito muito no valor emocional do Surf e da experiência que ele promove. É uma actividade que tem definido vidas, mas como em tudo neste mundo, tem a sua dimensão limite e penso que essa já foi ultrapassada. Se pensarmos numa qualquer estancia de neve, toda as propostas comerciais estão limitadas à dimensão da própria estancia. O número de camas não aumentará, porque a estancia não comportará mais pessoas nas pistas. O mesmo acontece com o Surf, tem uma determinada dimensão.<br />
Mesmo a nível comercial e sendo uma proposta aspiracional, a sua dimensão será sempre definida pelo mercado e o passado recente provou que não era sustentável pensar num mercado crescente e sem limite. Infelizmente com efeitos negativos e sem retrocesso.<br />
Todavia, e também como em tudo na vida, os ajustes são feitos e a sustentabilidade aparece.</p>
<p><strong>O que tens a dizer sobre as apostas do mercado em geral?</strong><br />
O Surf, a sua indústria e, por sua vez, o mercado viveram um período de transição e adaptabilidade durante o ano de 2011. Correspondeu ao período em que a crise mundial teve a sua máxima expressão na nossa indústria, a qual teve repercussões enormes, foi o descobrir de fraquezas que não eram de todo perspectivadas, muito menos foram antecipadas… Toda a indústria teve que sofrer reformas profundas, o que naturalmente mexeu na forma como se expressava e se explorava.<br />
A trilogia eventos, surfistas e meios, sofreu ainda mais, porque estavam sobrevalorizados. Esta é uma opinião polémica, mas se fizermos uma análise fria, percebemos que haviam surfistas assalariados a mais, eventos explorados por promotores em défice e muitos meios com as mesmas propostas nas mesmas regiões e canais. Reforço ainda que, a qualidade estava longe da quantidade e a médio prazo os efeitos são sempre de ajuste, no limite foi isso que acabou por acontecer, a própria indústria adaptou-se.<br />
As opções de investimento ocupam muito da minha analise diária, e acredito que estes são os pilares da nossa proposta, todavia é fundamental perceber qual o valor que está inerente ao projecto, seja ele o indivíduo, o evento ou o meio de comunicação, e segundo esse valor, qual o investimento justo e possível.<br />
Há algo muito obvio, as marcas endémicas não têm, nem vão ter, os argumentos que outros players tem para intervir ao nível de investimento. Isto é claro.<br />
Assim, o desafio é entender e explorar outras formas de continuar a contribuir e investir no mercado endémico, valorizando-o.</p>
<p><strong>Há uns tempos escreveste que &#8211; “<a href="https://www.onfiresurfmag.com/blog/a-culpa-e-dos-surfistas-by-pedro-soeiro-dias/" target="_blank">A culpa é dos surfistas…</a>” ainda acreditas nisso?</strong><br />
Essa frase foi apenas o título de uma crónica, na qual fundamento essa opinião. Foi apenas um título impactante, todavia acredito que a componente emocional inerente ao Surf teve um peso na indústria insustentável e que abriu as portas a outras estruturas profissionalizadas, as quais, hoje, tem mais sucesso operando na indústria do Surf.<br />
Há 10 anos ouvi um comentário de Kelly Slater num webcast, na altura em amena cavaqueira com Shaun Thomson, que nunca mais me esqueci, dizia a propósito do comentariado das provas de surf &#8211; “forget the bros, bring the pros…”. Em 2011 esta frase passou a fazer todo o sentido na indústria do Surf.<br />
O Surf é uma actividade que teve um impacto profundo na minha vida e ainda hoje a primeira coisa que faço é olhar para a aplicação da Nixon para ver as condições de mar, no entanto, o Surf também é um negócio e aí a parte emocional tem que ser colocada em perspectiva, e esse é um exercício fundamental. Pegando no titulo da crónica, nem sempre os “surfistas” estão disponíveis para isso.</p>
<p>(Mais conteúdos de <a href="https://www.onfiresurfmag.com/author/pedro-soeiro-dias/" target="_blank">Pedro Soeiro Dias AQUI</a>)</p>
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		<title>Pedro Soeiro Dias &#8211; Director de Marketing da Despomar &#8211; Fala sobre o estado da Indústria &#124; Mini-Entrevista &#124; Parte 1</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/pedro-soeiro-dias-director-de-marketing-da-despomar-fala-sobre-o-estado-da-industria-mini-entrevista-parte-1/</link>
					<comments>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/pedro-soeiro-dias-director-de-marketing-da-despomar-fala-sobre-o-estado-da-industria-mini-entrevista-parte-1/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jun 2016 09:53:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Mini-Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Soeiro Dias]]></category>
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					<description><![CDATA[Pedro Soeiro Dias, Director do Departamento de Marketing da Despomar, partilha a sua visão sobre o estado do mercado de surf em Portugal, e não só&#8230; Como dirias que está o indústria portuguesa de Surf neste momento? Essa pergunta terá que ser desconstruída com outra pergunta &#8211; Como se caracteriza a indústria de surf? Digo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pedro Soeiro Dias, Director do Departamento de Marketing da Despomar, partilha a sua visão sobre o estado do mercado de surf em Portugal, e não só&#8230;<span id="more-32066"></span></p>
<p><strong>Como dirias que está o indústria portuguesa de Surf neste momento?</strong><br />
Essa pergunta terá que ser desconstruída com outra pergunta &#8211; Como se caracteriza a indústria de surf?<br />
Digo isto porque, e com toda a naturalidade, aquilo que era uma indústria com um forte cariz endémico, nos últimos anos tem diversificado a sua composição, tornando-se muito complexo definir onde começa e termina esta indústria.<br />
Mas assumindo que a pergunta incide na base da indústria, diria que, ao contrário do que transparece, não está nos melhores dias. Acrescentaria que, com a excepção dos centros de experiências de surf (vulgo escolas), não vislumbro qualquer segmento desta indústria que se encontre estável.</p>
<p><strong>Porque achas que a indústria do Surf perdeu fôlego?</strong><br />
A indústria do surf perdeu fôlego, acima de tudo, porque não soube gerir a sua dimensão e o valor percepcionado vs valor real.<br />
Talvez a comparação com o Golfe ajude a explicar o meu ponto de vista &#8211; ambos são desportos/actividades aspiracionais, com um tremendo valor intrínseco, os seus praticantes correm o mundo para desfrutar desta forma de estar, moldam vidas… Ao traduzirmos estes valores emocionais para o mercado, rapidamente percebemos que as marcas de golfe continuam a inspirar, desenvolver, inovar, conseguindo manter o valor percepcionado pelo consumidor em sintonia com o valor proposto, acrescento, desejado. Pelo contrário, as marcas de surf ambicionaram elevar a sua proposta aspiracional a um nível global (dissolvendo a vertente emocional dessa aspiração), bem como perderam o valor percepcionando pelo consumidor. Aliás, este é talvez o maior desafio da indústria &#8211; como voltar a ganhar valor junto do consumidor, de forma a conseguir ganhar o espaço perdido para todas as outras marcas (não endémicas) que operam com preços muito mais baixos e estruturas muito mais profissionalizadas.</p>
<p><strong>E que marcas são essas que ocuparam espaço no mercado do Surf?</strong><br />
São inúmeros os exemplos, possivelmente parecerá estranho, mas é considerável todas as marcas de têxtil que trabalhem o segmento jovem. Qualquer marca que queira comunicar com um jovem, activo, urbano e informado, utiliza o surf regularmente. Mais, propõe surf no interior das suas lojas, a preços extremamente competitivos e com design tendencial.<br />
Esta realidade está a redefinir profundamente a opção de compra do consumidor e ao mesmo tempo está a tirar investimento do surf, já que, não só, estão a tirar capacidade às marcas endémicas (vendem menos), bem como não têm a mínima necessidade de reinvestir no mercado do Surf.<br />
É curioso, mas essas marcas aproveitaram tão bem o lifestyle/moda criado pelas marcas endémicas, que os surfistas cada vez sentem menos necessidade ou aproximação ao universo tribal do surf.</p>
<p><strong>O que na tua opinião podia ser melhorado a curto, médio e longo prazo?</strong><br />
Penso que tudo na vida, seja em que momento for, pode sempre ser melhorado e o Surf, como produto, também.<br />
Em primeira análise e numa perspectiva de curto prazo, é fundamental que se perceba que o valor intrínseco ao Surf está em queda, ou seja, aquilo que foi um motor robusto (o Surf como modo de vida) que fez crescer o mercado, está a perder força devido à desvalorização da sua cotação em valor no mercado. O Surf como actividade é ainda extremamente desejado, mas a percepção de valor inerente a esse desejo decresceu para níveis, diria, insustentáveis para a indústria endémica. Como exemplo, há mais pessoas dentro de água, mas as marcas endémicas vendem menos do que antes.<br />
Esta análise tem que ser feita já, para a médio prazo, passarmos para o patamar seguinte. Este processo só é possível voltando atrás no tempo e colocando a questão fundamental &#8211; Quanto vale o Surf? E aqui, na minha opinião, reside o grande erro do momento. Estamos consecutivamente a validar o Surf negócio pelo número de praticantes e não pelo seu valor concreto. Acrescento, tem havido alguma irresponsabilidade nos números que são colocados na &#8220;rua&#8221; sobre o valor do Surf.<br />
Hoje, falar em alcance, é muito diferente de falar em conversão. De forma directa, volto a acrescentar, o mercado está mais pequeno do que antes. Quando reavaliarmos o mercado, em dimensão e valor, quando valorizarmos (novamente) o Surf, em valor percepcionado, naturalmente a longo prazo entramos em fase positiva e consistente.</p>
<p><strong>Quais são as grandes limitações do mercado português?</strong><br />
O mercado português tem duas enormes limitações: dimensão e poder de compra.<br />
Eu acrescentaria outra limitação (não portuguesa, mas global), não no mercado, mas na pratica do Surf. O Surf é finito. Tanto o território, como as ondas (na sua cadência) são finitas, têm limite. E esta é outra análise que não se tem feito.<br />
A nível económico, existe um balizamento conhecido como &#8211; capacidade de carga. No Surf, e em particular em determinadas zonas, este valor está em larga escala desajustado.<br />
Esta é talvez das situações mais graves do Surf actualmente, em particular ao nível da sustentabilidade ambiental, económica e social.</p>
<p><strong>E vantagens?</strong><br />
Felizmente, são mais do que as limitações.<br />
Uma costa única, um sol delicioso, projectos fabulosos; turismo, não regulado, mas florescente (não em dimensão, mas em qualidade); propostas comerciais de excelente nível; marcas nacionais com imenso valor; os melhores eventos do mundo&#8230;</p>
<p><strong>Quais são os exemplos que se deviam seguir?</strong><br />
Eu acredito que muito pouca coisa há para inventar e há todo o mundo para reinventar, assim penso que há muito bons exemplos a seguir.<br />
Particularizando, e dando como exemplo os centros de experiências de surf (vulgo escolas), França teve o mesmo processo de exploração máxima, ultrapassando largamente a capacidade de ocupação. Posteriormente criaram regulamentos e organizaram-se. Penso que deveríamos seguir o exemplo deles.</p>
<p><a href="https://www.onfiresurfmag.com/destaques/pedro-soeiro-dias-director-de-marketing-da-despomar-fala-sobre-o-estado-da-industria-mini-entrevista-parte-2/">Parte 2</a></p>
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		<title>Despomar nomeia novo Director de Marketing: Pedro Soeiro Dias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2015 17:28:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Indústria]]></category>
		<category><![CDATA[Despomar]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Soeiro Dias]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma reestruturação profunda do Departamente de Marketing da Despomar levou à nomeação de Pedro Soeiro Dias como novo Director de Marketing. A Despomar é uma das maiores e mais antigas empresas do surf português e que representa marcas como a Billabong, Dakine, FCS, RVCA, Element, VonZipper, Xcel, Nixon, Gorilla e Mrs. Palmers. Além disso, é [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma reestruturação profunda do Departamente de Marketing da Despomar levou à nomeação de Pedro Soeiro Dias como novo Director de Marketing.<span id="more-26651"></span></p>
<p>A Despomar é uma das maiores e mais antigas empresas do surf português e que representa marcas como a Billabong, Dakine, FCS, RVCA, Element, VonZipper, Xcel, Nixon, Gorilla e Mrs. Palmers. Além disso, é também a proprietária da maior cadeia de lojas de surf e skate nacional, a Ericeira Surf &amp; Skate.</p>
<p>Pedro Soeiro Dias, <a href="https://www.onfiresurfmag.com/blog/o-pagamento-da-discordia-by-pedro-soeiro-dias-blog-post/">bloger</a> do site da ONFIRE, lida com pranchas desdo os 16 anos, é realizador de formação e no início do século ainda explorou a indústria, mas a celeuma do mercado, fez com que se dedicasse à escrita. As viagens marcaram o seu processo de maturação e já viajou pelo Havai, cumprindo um dos seus sonhos. Há muito que vive, trabalha e surfa na Ericeira. A sua paixão por “marcas” aliada a traços de personalidade que lhe conferem extrema sensibilidade para o marketing redesenharam o seu percurso profissional, entrando para a Despomar em 2008. Um marketeer apaixonado, formado em Gestão de Marketing, Comunicação e Multimédia pelo INDEG / ISEG, e que é a partir de agora o novo Director do Departamento de Marketing da Despomar.</p>
<p>Este departamento, que divide a sua actuação entre as áreas de Retalho e Distribuição, conta com várias marcas de peso na indústria dos desportos de acção, e Pedro Soeiro Dias será um novo líder responsável pela definição da estratégia de marketing de todas as marcas e toda a coordenação departamental.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O pagamento da discórdia &#124; By Pedro Soeiro Dias &#124; Blog Post</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/blog/o-pagamento-da-discordia-by-pedro-soeiro-dias-blog-post/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Soeiro Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 May 2015 12:04:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Soeiro Dias]]></category>
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					<description><![CDATA[Confesso que nos últimos tempos, diria nos últimos 3 anos, já não acompanho em directo o circuito mundial online (em streaming). Não encontro uma razão óbvia, talvez o facto de haver transmissões em broadcast, talvez fique aborrecido com os 27 minutos que sobram para os surfistas remarem à procura das ondas&#8230; Todavia, nem que seja [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Confesso que nos últimos tempos, diria nos últimos 3 anos, já não acompanho em directo o circuito mundial online (em streaming). <span id="more-24637"></span>Não encontro uma razão óbvia, talvez o facto de haver transmissões em broadcast, talvez fique aborrecido com os 27 minutos que sobram para os surfistas remarem à procura das ondas&#8230; Todavia, nem que seja porque faz parte da minha profissão, mantenho-me atento, informado e, aqui e ali, exploro as opções e encontro as minhas opiniões.</p>
<p>Assim, e até porque, recentemente tem aumentado o número de críticas em relação às transmissões online da WSL (ex-ASP para os mais distraídos) sobre aquilo que possa vir a ser um serviço de streaming pago (pay per view), não quis deixar de reflectir sobre o assunto.</p>
<p>Este é um tema que na minha opinião, e apesar de o surf ter sido pioneiro nesta proposta (streaming grátis), deixou de ser assunto há muito tempo. Quero dizer, deixou de ser assunto na sua perspectiva comercial, porque no perspectiva legal, deveria estar a ser discutida até à exaustão.</p>
<p>E as razões são simples &#8211; comercialmente o serviço de streaming/webcast (fundamental esta distinção. Já que são dois serviços distintos…) deverá ser pago ou viabilizado pelas marcas que pagam os eventos, ou talvez até um elemento de negociação em exclusividade com uma qualquer marca/serviço como o são os vários suportes de comunicação dos eventos (ainda recentemente foi apresentado pela WSL o apoio da Tag Heuer para o “relógio&#8221; oficial do Circuito de Ondas Grandes). Porém, há um factor decisivo nos valores que deveriam estar imputados às transmissões online e que não tem sido tidos em conta, muito menos tem sido discutidos ou sequer analisados, que são os valores inerentes aos direitos de exploração de imagem e que devem ser acautelados.</p>
<p>Naturalmente, a WSL estará precavida desta temática, sendo que nas clausulas contratuais dos surfistas do tour, acredito eu, constará a devida permissão para a exploração dos direitos intelectuais e imagem. Todavia, é fundamental, que este tema seja explorado pelos mais diversos intervenientes, principalmente pelos surfistas, já que são eles os mais prejudicados, bem como, curiosamente, a WSL.</p>
<p>As razões são várias, mas além das legais, (apesar de estarem contratualmente contempladas, são “frágeis”…) existem as financeiras, e aqui entram os valores pagos aos surfistas, claramente insuficientes, e os valores gastos pela WSL na realização das provas, também claramente insuficientes. Ou seja, se por um lado temos um baixo valor pago aos profissionais para cederem a sua imagem, por outro temos um promotor que o único suporte financeiro que tem é o operacional e prize money, sendo este último, o único valor pago aos surfistas (em muitos casos não há prize money). Sendo esta uma situação completamente incompreensível, aliás, diria ultrajante, já que um qualquer surfista com baixo ranking, ainda a explorar o QS de baixa premiação, aparece online para um numero de IPs não monitorizado por ele e sem receber o retorno de tal exposição. Adiciono ainda o facto, de que os tempos mudaram e que hoje a grande maioria dos surfistas não tem patrocínios, logo não estão a comunicar nada, nem ninguém, apenas eles próprios.</p>
<p>Em suma, estamos perante um “sem-fim”, no qual a única solução é o pagamento do serviço que fornece a imagem dos protagonistas, nem que seja porque desta forma o mercado está a colocar valor directo nos indivíduos que cedem a imagem, bem como há um impacto imediato entre pagante/serviço, ou seja, os surfistas estarão a receber o valor real do numero de pessoas reais que os estão a ver. Negócio justo portanto.</p>
<p>Curiosamente, no meio das várias criticas, há uma que parece ter mais força, que é o facto de ser grátis há muito tempo, logo haverá uma negatividade no pagamento. Talvez seja verdade numa primeira fase, mas a internet já não é necessariamente significado de grátis e se houver a oferta dos dois serviços, grátis e pagante, facilmente encontram-se formas de dinamizar a escolha entre uma oferta e outra.</p>
<p>Uma coisa é certa, este é um caminho sem retorno, e se numa determinada altura o Surf foi pioneiro, neste momento é fundamental que se pense porque outros desportos com muito mais impacto financeiro nunca optaram por serviços online grátis.</p>
<p>Pedro Soeiro Dias</p>
<p>Sobre o Autor:<br />
<em>Pedro Soeiro Dias | Individualista, enigmático, muito atento e crítico em relação a tudo o que rodeia. A convicção e a solidez com que defende os seus pontos de vista transmitem muitas vezes a ideia de arrogância.</em><br />
<em> Tem 36 anos e desde os 16 que tem prancha.</em><br />
<em> É realizador de formação e no início do século ainda explorou a indústria, mas a celeuma do mercado, fez com que se dedicasse à escrita.</em><br />
<em> As viagens marcaram o seu processo de maturação e, recentemente, viajou até ao Havai, cumprindo um dos seus sonhos.</em><br />
<em> Vive, trabalha e surfa na Ericeira.</em><br />
<em> A paixão por “marcas” aliada a traços de personalidade que lhe conferem extrema sensibilidade para o marketing redesenharam o seu percurso profissional. Hoje é um marketeer apaixonado.</em></p>
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		<title>A culpa é dos surfistas… &#124; By Pedro Soeiro Dias</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/blog/a-culpa-e-dos-surfistas-by-pedro-soeiro-dias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Soeiro Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2014 07:26:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Desde o primeiro dia que se sente algo mais do que apenas o dever cumprido, fadiga, suor, ritmo cardíaco… Há algo mais, sempre houve. Definiu percursos, moldou vidas e criou negócios. Este é um resumo frio, mas assertivo do caminho de muitos surfistas de sempre. Desde o início da crise que recriou toda esta industria, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde o primeiro dia que se sente algo mais do que apenas o dever cumprido, fadiga, suor, ritmo cardíaco…<span id="more-21685"></span> Há algo mais, sempre houve. Definiu percursos, moldou vidas e criou negócios. Este é um resumo frio, mas assertivo do caminho de muitos surfistas de sempre.</p>
<p>Desde o início da crise que recriou toda esta industria, que explorei o tema, não a filosofia inerente a esta actividade, até porque sou muito pouco dado a essas coisas, mas procurei respostas, argumentos que me indicassem como é possível que uma indústria, bem dentro da sua maturação, perde completamente a noção do seu mercado e de todos os pilares básicos de um negócio viável.</p>
<p>Apesar de ser assunto cansado e de não ter uma justificação única, até porque a este nível a complexidade estrutural e dimensão do negócio determina que todos os dados são poucos para ruir a pirâmide, ousei chegar a uma pequena e simplória conclusão, dura até &#8211; A culpa do estado da indústria é dos surfistas que trabalham na indústria.</p>
<p>Não pela técnica, a performance na água está melhor do que nunca; não pela emoção, a competitividade está ao rubro; não pela criatividade, cada vez há projectos mais interessantes e diferenciadores. Tudo isto define a condição de surfista, revela toda uma existência, impossível de explicar, mas claramente visível.</p>
<p>Volto a dizer que a culpa é nossa, e é nossa porque, de certa forma, não estamos disponíveis para ir mais além, não nos preparamos academicamente, o surf está sempre primeiro do que as responsabilidades, tornou-se sempre mais importante entubar mais uma vez do que ver o crescimento de um qualquer movimento urbano, recriamos projectos onde já existem os mesmos projectos porque queremos ter o pé na areia, elogiamos o nosso escritório na praia, quando os escritórios não são na praia, não queremos ser profissionais, porque já o somos surfando… a impreparação é gritante e temos uma tamanha preguiça pela responsabilidade, agarramo-nos a uma tal intangível ideia de uma vivência única de que apenas quem faz surf sente… É duro dizer isto, injusto talvez, mas palpável, fácil de provar.</p>
<p>Os resultados de outras marcas, com estruturas profissionais e muito pouco ligadas à arte das ondas, estão a ser gritantes num tão curto espaço de tempo. Companhias que sabem como se faz e definem como se faz. Estruturas onde a organização, formação, proposta de valor e acima de tudo a exigência está muito acima das empresas core do passado. Algumas empresas públicas core perceberam isso a tempo e colocaram em cargos estratégicos pessoas que não distinguem o tail do nose, e o que é engraçado nesta observação é que, de facto, não precisam de distinguir. Simplesmente, porque estamos unicamente a falar de negócio, mercado, produto, oportunidade, tudo elementos que se obtém da observação do mercado, de dados, comentários, conselhos, discussões que, curiosamente, podem ser alimentadas por surfistas, mas que porem nunca podem ter o ponto final. Simplesmente porque nunca será consistente a opinião.</p>
<p>Grande parte da culpa da redefinição deste mercado é dos surfistas e esta não é uma afirmação avulso, é lógica, profissional e sensata. E a justificação, para tamanha injúria, está no que referi anteriormente &#8211; o surf fornece uma qualquer substância aditiva, que adormece qualquer momento de discernimento, alienando da dureza de um mercado em constante mutação e que requer uma dedicação e resiliência, que muito pouco tem a ver com <span class="_5yl5" data-reactid=".15.$mid=11416302300004=24191c537a8429f8835.2:0.0.0.0.0"><span data-reactid=".15.$mid=11416302300004=24191c537a8429f8835.2:0.0.0.0.0.0"><span data-reactid=".15.$mid=11416302300004=24191c537a8429f8835.2:0.0.0.0.0.0.$end:0:$0:0">“feeling”, porque esse, às vezes, trai-nos.</span></span></span>.</p>
<p><strong>Sobre o Autor</strong>:<br />
<em>Pedro Soeiro Dias | Individualista, enigmático, muito atento e crítico em relação a tudo o que rodeia. A convicção e a solidez com que defende os seus pontos de vista transmitem muitas vezes a ideia de arrogância.</em><br />
<em>Tem 35 anos e desde os 15 que tem prancha.</em><br />
<em>É realizador de formação e no início do século ainda explorou a indústria, mas a celeuma do mercado, fez com que se dedicasse à escrita.</em><br />
<em>As viagens marcaram o seu processo de maturação e, recentemente, viajou até ao Hawai, cumprindo um dos seus sonhos.</em><br />
<em>Vive, trabalha e surfa na Ericeira.</em><br />
<em>A paixão por “marcas” aliada a traços de personalidade que lhe conferem extrema sensibilidade para o marketing redesenharam o seu percurso profissional. Hoje é um marketeer apaixondado.</em></p>
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		<title>A Califórnia fica do outro lado &#124; By Pedro Soeiro Dias</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/blog/a-california-fica-do-outro-lado-by-pedro-soeiro-dias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Soeiro Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Sep 2014 14:17:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Recentemente, apesar de já ter alguns meses, ouvi uma peça da jornalista Marta Pacheco na Antena 1 sobre Surf (podem ouvir aqui), ou melhor sobre o panorama da actividade lúdica/desportiva &#8211; Surf. Não só me parece uma excelente peça (apesar de algumas limitações e inverdades) como se revelou a ancora que procurava para falar de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente, apesar de já ter alguns meses, ouvi uma peça da jornalista Marta Pacheco na Antena 1 sobre Surf (podem ouvir <a href="http://www.rtp.pt/antena1/?t=Na-Onda-do-Surf.rtp&amp;article=7592&amp;visual=11&amp;tm=12&amp;headline=13">aqui</a>), ou melhor sobre o panorama da actividade lúdica/desportiva &#8211; Surf. <span id="more-19943"></span>Não só me parece uma excelente peça (apesar de algumas limitações e inverdades) como se revelou a ancora que procurava para falar de um paralelismo que, pelos vistos, é o novo cartão de visita ou se preferirem o novo mote para vender o Surf em Portugal.</p>
<p>Na peça são abordados temas tão vastos como: escolas de surf, protecção da orla costeira, potencial das ondas, alguns números sobre o “valor” económico do Surf, competição, surfistas, ambiente, o turismo do surf, a Nazaré e o famigerado Mcnamara, que por sua vez se tornou embaixador de Portugal além fronteiras, entre muitos outros temas.</p>
<p>De facto, não sendo novo, estamos perante uma actividade com uma riqueza existencial única e que naturalmente tem sido explorada de uma forma crescente. Todavia, desde há algum tempo que constato uma consecutiva comparação de Portugal à Califórnia, assim nem mais nem menos, compara-se 900 km de costa com 5.500 km, o numero de surfistas em Portugal é somente 1/6 do numero de surfistas na Califórnia (apesar da Califórnia ter apenas mais 3 milhões de habitantes do que Portugal), 70 anos de surf mais coisa menos coisa e uma industria a rondar os 6 biliões de dólares anuais contra “apenas” alguns milhões, ainda assim, isto são apenas dados estatísticos, pouco valem para tamanha ousadia, isto porque é incomparável culturalmente o caminho que trilhamos e aquele que amadureceu na Califórnia nos últimos… repito 70 anos.</p>
<p>É fundamental que se comece a não questionar a inerente subjectividade desta actividade, que não se fecha no plano desportivo e que tem uma componente cultural e turística bem mais rica e sustentável do que a competitiva. Para justificar esta percepção, volto à peça jornalística e acrescento mais alguns números &#8211; mais de 3/4 da peça aborda a componente turística, inerente ao crescimento económico neste segmento, nesse espaço são explorados os negócios de alojamento, recriação, ensino e venda de produtos, reduzindo os eventos competitivos a 10% do valor económico do Surf anualmente. Portanto, numa analise imediata e razoavelmente ponderada percebemos o valor residual da competição nas linhas orientadoras do crescimento económico do Surf em Portugal.</p>
<p>Naturalmente, a competição tem uma importância decisiva na evolução técnica e material do Surf, todavia, neste momento em Portugal está claramente avaliada “por cima”. E é por isso que não posso concordar, aliás discordo em absoluto, com esta comparação regional, não pela competição, mas pela culturalidade, pela aceitação e exploração do evidente “ouro”, pelo consumo assumido e pelo lifestyle subjacente e respeitado, viciante e com bom aspecto que só as marcas deste meio criaram, uma industria com mais feiras de trade do que o resto do mundo, uma heterogenia que vai para lá da idade ou estrato social.</p>
<p>Em contra ponto está Portugal, ultra competitivo, com mais eventos internacionais do que a própria Califórnia, com uma rede de escolas insustentável (Portugal é o pais do mundo com mais escolas de surf per capita), com um reduzido nível de consumo de produtos de surf e um nível técnico (numa relação directa com o numero de praticantes) muito baixo. Um Portugal que é comparável ao sudoeste de França de há 10 anos (curiosamente ajustaram a forma como encaravam o Surf Industria), ignorando o verdadeiro valor subjectivo da actividade lúdica, apostando todo o discurso na vertente economicista desgarrada e de um outro desporto qualquer.</p>
<p>Não ouso pensar que um caminho seja melhor que outro, apenas é evidente que a comparação simplesmente não pode existir… pelo menos por enquanto!</p>
<p><strong>Sobre o Autor</strong>:<br />
<em>Pedro Soeiro Dias | Individualista, enigmático, muito atento e crítico em relação a tudo o que rodeia. A convicção e a solidez com que defende os seus pontos de vista transmitem muitas vezes a ideia de arrogância.</em><br />
<em>Tem 35 anos e desde os 15 que tem prancha.</em><br />
<em>É realizador de formação e no início do século ainda explorou a indústria, mas a celeuma do mercado, fez com que se dedicasse à escrita.</em><br />
<em>As viagens marcaram o seu processo de maturação e, recentemente, viajou até ao Hawai, cumprindo um dos seus sonhos.</em><br />
<em>Vive, trabalha e surfa na Ericeira.</em><br />
<em>A paixão por “marcas” aliada a traços de personalidade que lhe conferem extrema sensibilidade para o marketing redesenharam o seu percurso profissional. Hoje é um marketeer apaixondado.</em></p>
<p>(4 portugueses a absorver a cultura Californiana)</p>
<p>http://vimeo.com/76329181</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Qual é o negócio nuclear? By Pedro Soeiro Dias</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/blog/qual-e-o-negocio-nuclear-by-pedro-soeiro-dias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Soeiro Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Nov 2012 14:53:41 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
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					<description><![CDATA[A última semana foi fértil em movimentações no mercado do surf. Assistimos a propostas de compra e venda consecutivas das maiores marcas do segmento, contratações e despedimentos, desenvolvimento e inovação num contraste directo com a tendência retro, tudo isto acontece de uma forma vigorosa e bastante veloz, mostrando o crescimento insustentável de um negócio do [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A última semana foi fértil em movimentações no mercado do surf. Assistimos a propostas de compra e venda consecutivas das maiores marcas do segmento, contratações e despedimentos, desenvolvimento e inovação num contraste directo com a tendência retro<span id="more-5453"></span>, tudo isto acontece de uma forma vigorosa e bastante veloz, mostrando o crescimento insustentável de um negócio do qual ainda não se tem noção de até onde pode chegar.</p>
<p>Das muitas notícias que vieram à baila, a mudança de estratégia da Nike, foi a que suscitou mais burburinho. Depois de perspectivar um valor de mercado de 380 milhões de “dollars”, assumindo a sua duplicação em 5 anos, era esperado que a Nike tivesse vindo para ficar. Todavia, este é um paradigma novo na indústria dos sonhos, no mundo real os cêntimos investidos tem que ser convertidos em ganhos reais e se assim não for refunda-se a estratégia &#8211; como o outro diz. Ainda não foram tornados públicos os resultados do investimento da Nike do último ano fiscal, mas com certeza que esta opção não foi feita sem escrutínio profundo de um cenário vindouro. É importante referir, que a Nike divide as suas operações em vários segmentos (futebol, fitness, atletics, etc) e que os action sports são os únicos onde existe margem clara de crescimento, tanto em mercado, com em notoriedade global da marca.</p>
<p>Este é um dos primeiros cenários de abrandamento de uma marca não endémica que procurou no surf o que encontrou no skate há uns anos atrás, uma abordagem que foi extraordinariamente trabalhada, aliás à semelhança do surf, e que obteve resultados não imediatos, mas consistentes.</p>
<p>Sendo o skate e o seu mercado tão específicos e únicos, porque será que os resultados são tão positivos? Tendo o surf atingindo a sua maturidade e seguramente a sua globalidade, porque é que não há uma perspectiva de crescimento a longo prazo como marca que intervêm em todos os segmentos (técnico, vestuário, acessórios, etc)?</p>
<p>Estas perguntas tem a mesma resposta, e que se resume ao negócio nuclear da Nike &#8211; o calçado. A base de sustentação do negócio do gigante americano anda nos pés de todos nós, o resto são propostas de valor acrescentado para a marca. Assim, e numa perspectiva de desenvolvimento de mercado, a estratégia da marca apontou para a proposta directa ao consumidor, envolvendo a marca com o desporto de uma forma transversal e profunda ao nível do investimento em promoção, o que se revela inconsequente neste altura do campeonato. Em contraponto temos o skate, em que um dos objectos de maior desgaste e alvo de paixões e estatutos é por si só o produto principal da Nike &#8211; o calçado, ao contrário do surf em que os praticantes não usam peças de vestuário no momento de estarem a usufruir do seu ambiente natural, o mar.</p>
<p>Parece redutor, todavia, ao longo destes últimos três anos temos assistido ao crescimento galopante do consumo de material técnico, demonstrativo do aparecimento de novos surfistas, porem a mesma linha de crescimento é inversa no que diz respeito ao consumo de &#8220;lifestyle&#8221;. Este é mais um indicativo claro, de que o mercado não cresceu neste segmento, acima de tudo dispersou-se, não se envolvendo particularmente com as marcas endémicas.</p>
<p>Este é, aliás, talvez o maior desafio das marcas de surf (endémicas) &#8211; como poderão continuar a propor produtos que não são necessários para a prática daquilo que deixou de ser uma forma de estar?</p>
<p>Esta é a maior factura a pagar por parte das marcas que um dia ousaram não proteger o seu negocio, logo o seu mercado, acenando de forma vigorosa para consumidores desatentos e pouco interessados, apostando num mercado maior, é verdade, mas global, demasiadamente heterogéneo e sem desejo pelo sonho.</p>
<p>Não há surpresa portanto, a Nike continuar a apoiar os seus embaixadores, assumindo-se claramente como uma marca de calçado, sabendo que com este &#8220;desinvestimento&#8221; não vai boicotar em nada aquilo que é o seu negócio nuclear e a sua imagem.</p>
<p><strong>Sobre o Autor</strong>:<br />
<em>Pedro Soeiro Dias | Individualista, enigmático, muito atento e crítico em relação a tudo o que rodeia. A convicção e a solidez com que defende os seus pontos de vista transmitem muitas vezes a ideia de arrogância.</em><br />
<em> Tem 33 anos e desde os 15 que tem prancha.</em><br />
<em> É realizador de formação e no início do século ainda explorou a indústria, mas a celeuma do mercado, fez com que se dedicasse à escrita.</em><br />
<em> As viagens marcaram o seu processo de maturação e, recentemente, viajou até ao Hawai, cumprindo um dos seus sonhos.</em><br />
<em> Vive, trabalha e surfa na Ericeira.</em><br />
<em> A paixão por “marcas” aliada a traços de personalidade que lhe conferem extrema sensibilidade para o marketing redesenharam o seu percurso profissional. Hoje é um marketeer apaixondado.</em></p>
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		<title>A minha onda&#8230; e talvez a tua! &#124; By Pedro Soeiro Dias</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/blog/a-minha-onda-e-talvez-a-tua-by-pedro-soeiro-dias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Soeiro Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Sep 2012 10:47:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
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		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Localismo]]></category>
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					<description><![CDATA[O sentimento de pertença existe desde sempre em todos os segmentos da nossa existência, a sobreposição de poderes é avaliada por parâmetros hierárquicos ou locais. É desta forma que flutuamos por cima de subjugados ou nos encolhemos perante superiores momentâneos ou por outro lado, também podemos tentar contornar toda a lógica (como se houvesse uma [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O sentimento de pertença existe desde sempre em todos os segmentos da nossa existência, a sobreposição de poderes é avaliada por parâmetros hierárquicos ou locais. <span id="more-2783"></span>É desta forma que flutuamos por cima de subjugados ou nos encolhemos perante superiores momentâneos ou por outro lado, também podemos tentar contornar toda a lógica (como se houvesse uma lei universal) e seja em que situação for ou com quem for passamos por visionários oportunistas.</p>
<p>A minha opinião em relação ao localismo, no que ao surf diz respeito, é bastante clara e presumo, parecida com a grande maioria &#8211; Se existirem surfistas existe localismo. Em situações bem menos complexas temos alguns ataques de possessão desmedida, seja naquele determinado lugar de estacionamento em frente à porta de casa, o poiso na faculdade ou o canto da pista da discoteca lá da terra &#8211; casos em que existe pseudo-localismo. Já a apropriação legítima de tal pedaço de costa, é feita por aqueles que, por inerência do tempo que passam de molho no pico, mostram cara feia quando são confrontados com a invasão do forasteiro, ditam as regras do bom comportamento e… apanham umas à tua frente.</p>
<p>Em determinados sítios, o localismo tornou-se um utensílio de filtragem e orientação perante as mais diversas atitudes e/ou excesso de à vontade perante o próximo. É frequente ver, em alguns dos line-ups mais congestionados da nossa costa, a atitude do “deixa ver se pega”, ou a aquela “sou daqui desde pequeno”. É por estas e por outras que os guardiões do pico passam muitas vezes por maus da fita.</p>
<p>O localismo é um dado adquirido, não é algo que se possa construir ou desconstruir. Está inerente ao processo de maturação dos surfistas e demais utilizadores constantes do pico. O que se pode e deve fazer, é educar e procurar a melhor forma de gerir os pontos mais cinzentos existentes na batalha das prioridades.</p>
<p>Muitas vezes, até o próprio desconhecimento serve para criar problemas em momentos de descontracção. É por isso que regular o local onde se surfa é algo que acaba por ser útil e vantajoso para todos. Se não vejamos, não havendo localismo iria sempre imperar a lei do mais forte, por outro lado, se houver algum “alcaide” bem intencionado, consegue gerir-se a coisa de forma a que até o mais “maçarro” consiga pelo menos apanhar uma no rabo da mais pequena do set.</p>
<p><strong>Sobre o Autor</strong>:<br />
<em>Pedro Soeiro Dias | Individualista, enigmático, muito atento e crítico em relação a tudo o que rodeia. A convicção e a solidez com que defende os seus pontos de vista transmitem muitas vezes a ideia de arrogância.</em><br />
<em> Tem 33 anos e desde os 15 que tem prancha.</em><br />
<em> É realizador de formação e no início do século ainda explorou a indústria, mas a celeuma do mercado, fez com que se dedicasse à escrita.</em><br />
<em> As viagens marcaram o seu processo de maturação e, recentemente, viajou até ao Hawai, cumprindo um dos seus sonhos.</em><br />
<em> Vive, trabalha e surfa na Ericeira.</em><br />
<em> A paixão por “marcas” aliada a traços de personalidade que lhe conferem extrema sensibilidade para o marketing redesenharam o seu percurso profissional. Hoje é um marketeer apaixondado.</em></p>
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		<title>O esboço do Olimpismo &#124; By Pedro Soeiro Dias</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/blog/o-esboco-do-olimpismo-by-pedro-soeiro-dias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Soeiro Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Aug 2012 10:08:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[blog onfire]]></category>
		<category><![CDATA[Jogos Olimpicos]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Soeiro Dias]]></category>
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					<description><![CDATA[A grande diferença entre o desporto amador e profissional está nos momentos de liberdade proporcionado por cada um deles. Não a liberdade ganha pelo dinheiro nas competições, possibilitando a alguns a sua subsistência e independência, mas a liberdade do sorriso, da independência, do suor verdadeiro e do sentimento de conquista e proveito, proporcionado pela vitória. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A grande diferença entre o desporto amador e profissional está nos momentos de liberdade proporcionado por cada um deles.<span id="more-1461"></span> Não a liberdade ganha pelo dinheiro nas competições, possibilitando a alguns a sua subsistência e independência, mas a liberdade do sorriso, da independência, do suor verdadeiro e do sentimento de conquista e proveito, proporcionado pela vitória.</p>
<p>Na sua génese, os Jogos Olímpicos foram desenvolvidos para dar espaço aos atletas amadores das mais diversas modalidades, mostrar a sua destreza e ambição perante os seus oponentes. Rapidamente, o conceito amador do evento, passou para uma grandeza inigualável, onde os desportistas passaram a ser o elemento garante de recordes e conquistas heróicas. Ainda hoje, os jogos olímpicos são a maior manifestação desportiva do mundo e de 4 em 4 anos, uma cidade no mundo passa a ser o alvo de todos os olhares, que este ano estiveram postos em Londres.</p>
<p>Apesar de toda a tradição, proposta mediática e desportivismo, a linha que separa os Jogos Olímpicos do Surf é bem mais densa do que se pinta.</p>
<p>Senão vejamos, na perspetiva comercial a possibilidade de uma aposta “surfística” no programa olímpico era de sobre maneira interessante para as marcas pioneiras, todavia essas jamais teriam qualquer capacidade, financeira ou estrutural, para estarem diretamente envolvidas no investimento. Talvez pudessem estar indirectamente, via patrocinados. Porém, este cenário é algo completamente impossível no panorama actual de investimento publicitário, em que é totalmente aniquilada a presença de marcas que não patrocinem oficialmente o evento. Consequentemente, as pranchas que habitualmente vemos apetrechadas de autocolantes, apresentariam-se de um branco imaculado.</p>
<p>Assim, colocam-se em vantagem as marcas endémicas, com capacidade financeira para  um investimento coincidente à proporção de tamanho evento, que per si já estão na linha da frente em termos de grandeza e de proposta de valor no panorama atual e encontrariam aqui a possibilidade de criar mais mercado (primeiro artificialismo).</p>
<p>Curiosamente os maiores defensores, no que ao “negócio” diz respeito, são talvez aqueles que têm responsabilidades institucionais, possivelmente procurando algum lobby mais vantajoso, para um qualquer “negócio” mais chorudo. Diria que na linha da frente encontramos nomes como Fernando Aguerre (fundador da Reef e actual presidente da ISA), Wayne “Rabbit” Bartholomew (ex-presidente da ASP) ou Rainos Hayes (treinador da seleção Havaiana). Reforço a ideia com algumas palavras de Steve Hawk (antigo editor da Surfer) “Tudo o que é negativo no Surf vem à superfície quando as pessoas procuram explorá-lo e esta questão dos Jogos Olímpicos está a ser alimentada por exploradores”.</p>
<p>Na perspectiva desportiva, o assunto não suscita manifestações, nem que seja pela ambiguidade das opiniões. Por um lado, estão aqueles que se consideram “atletas” acima de qualquer dúvida, conceito ou juventude. Do outro, estão aqueles que são simplesmente “livres”. O profissionalismo é evidente e a luta por um lugar ao sol também, logo o crescimento da performance, o desenvolvimento físico e motor tornou-se um requisito lógico. No fim da linha fica o que motiva cerca de 85% dos que vivem o sonho: viajar e encontrar a onda perfeita.</p>
<p>Termino com a análise deste assunto, com a perspetiva de João Macedo, na sua visão do que se está a passar na praia de Ribeira D’Ilhas: a cultura &#8211; inerente aos desportos de prancha &#8211; é a denominação correcta para descrever uma experiência única, inexplicável e simplesmente diferente. Citando Matt Warshaw (jornalista da Surfer) “Podemos apenas estar de acordo uma única vez? E aceitar que o Surf é algo diferente?”.</p>
<p>Não pegando no cliché do lifestyle, poderemos sempre justificar esta “cultura” com o local onde é praticado o surf: o mar é algo inconstante, diversificado, imprevisível, origem de muitas descobertas e paixões. Não é uma baliza com redes cosidas milimetricamente e com determinado tamanho, universalmente semelhante, onde o objetivo é único e comum.</p>
<p>O Surf não tem um objetivo.</p>
<p><strong>Sobre o Autor</strong>:<br />
<em>Pedro Soeiro Dias | Individualista, enigmático, muito atento e crítico em relação a tudo o que rodeia. A convicção e a solidez com que defende os seus pontos de vista transmitem muitas vezes a ideia de arrogância.</em><br />
<em> Tem 33 anos e desde os 15 que tem prancha.</em><br />
<em> É realizador de formação e no início do século ainda explorou a indústria, mas a celeuma do mercado, fez com que se dedicasse à escrita.</em><br />
<em> As viagens marcaram o seu processo de maturação e, recentemente, viajou até ao Hawai, cumprindo um dos seus sonhos.</em><br />
<em> Vive, trabalha e surfa na Ericeira.</em><br />
<em> A paixão por &#8220;marcas&#8221; aliada a traços de personalidade que lhe conferem extrema sensibilidade para o marketing redesenharam o seu percurso profissional. Hoje é um marketeer apaixondado.</em></p>
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