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	<title>Zulmiro &#8211; ONFIRE Surf | Portugal</title>
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		<title>Zulmiro, a história do professor de surf que não quer ser surfista &#124; Parte 5</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Jan 2019 11:22:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Por João "Flecha" Meneses ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A página do facebook criada pelos alunos de Zulmiro tinha sido um sucesso. Já ultrapassava os 1.000 seguidores e continuavam a pingar likes salgados e comentários com muita tinta. O pior é que no decorrer dos conteúdos postados, a ingenuidade dos administradores da página foi diminuindo. O intuito do<a href="https://www.onfiresurfmag.com/destaques/zulmiro-a-historia-do-professor-de-surf-que-nao-quer-ser-surfista-parte-4/" target="_blank" rel="noopener"> lançamento deste tema</a> tinha como propósito convencer o professor a participar numa sessão de free surf. Queriam vê-lo em acção, sem ser apenas no aplauso e no empurrão. Viam-no como um ídolo, como um lobo-do-mar, um homem de coragem! Mas surgiam comentários que contrariavam essa tese e eram quase todos proferidos por ex alunos. Paralelamente a comunidade de surfistas começou a questionar o nível de alguns instrutores e, de conversa em conversa, no tema corriqueiro do <em>conheces este ou aquele, onde surfa e como surfa, </em>chegava-se à conclusão que Zulmiro era uma farsa, um paraquedista no meio aquático. Havia um ou outro elogio ao seu nível de surf, mas deixem-me confessar-vos… tratava-se do próprio Zulmiro que tentava salvar a sua pele, criando perfis de falsos alunos.</p>
<p>Desistir era uma palavra que este artista não conhecia. Bem… desistira de aprender a surfar, mas não iria desistir de ser professor. Fez uma pesquisa de filmes de surf hollywoodescos e encontrou o<a href="https://www.onfiresurfmag.com/noticias/keanu-reeves-corta-se-ao-point-break-2/" target="_blank" rel="noopener"> Point Break (<em>Ruptura explosiva). </em>Identificou-se</a><em> com Bodhi (personagem interpretada por Patrick Swayze), </em>surfista e líder de um grupo que assaltava bancos para financiar o seu <em>lifestyle</em>. Zulmiro não assaltava bancos, limitava-se a assaltar a carteira dos seus alunos. Viu o filme vezes sem conta e apercebeu-se que o ator era substituído por duplos nas cenas dentro de água. Aí estava a solução! Era preciso encontrar um duplo e figurantes para substituir os seus alunos, de seguida contratar uma equipa de filmagens para produzir as imagens e depois era só divulgá-las de forma certeira nas redes sociais e na Associação de <em>WaxNhurfers</em>, onde tinha um amigo que era especialista no ensino de saltos acrobáticos em piscina a celebridades de revistas cor-de-rosa. Um contacto importante nos dias de hoje! Em simultâneo criava uma lista de espera para os seus alunos.</p>
<p>Uma espera eterna… pois nunca iriam ser premiados. Esses, só mesmo empurrados!</p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses| Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma excelente colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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		<title>Zulmiro, a história do professor de surf que não quer ser surfista &#124; Parte 4</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/zulmiro-a-historia-do-professor-de-surf-que-nao-quer-ser-surfista-parte-4/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Nov 2018 08:42:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Por João "Flecha" Meneses ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Verão tinha acabado! Para um surfista que ganha a vida a ensinar a arte das ondas é sempre uma fase de reflexão e um período onde se espera que haja mais tempo para poder surfar. Zulmiro não pensava assim. Tinha acabado de regressar de um<em> tour</em> de 1 mês e alguns dias por vários países da Europa. Noruega, Finlândia, Suécia, Alemanha e Holanda tinham sido alguns dos destinos escolhidos. O objectivo não se enquadrava no lado cultural e na sede de conhecimento, de importância vital para qualquer individuo que queira ser mais do que um bacalhau salgado. Zulmiro tinha levado a cabo um projecto ambicioso, um programa de ensino da sua autoria, designado de <em>curso personalizado de take offs em terra firme</em>. E nada como um quarto nórdico bem aquecido e preparado para o Inverno em substituição de uma sala de aula com água fria e vento gelado a gritar <em>sou o offshore.</em></p>
<p>Durante o verão o artista tinha angariado muitas alunas para o curso e a lista era enorme. A previsão era de turmas cheias até ao inverno de 2020. Esta decisão de hibernação para bem longe das ondas era a melhor forma para evitar que fosse desmascarado pelos seus alunos numa qualquer sessão de <em>free surf</em>. E era precisamente esse assunto que o atormentava. Alguns dos seus alunos estrangeiros tinham adquirido casa em Portugal e já marcavam presença de forma assídua nas praias onde ele se passeava com as suas pranchas fofinhas. Surgiam convites a toda a hora para que os acompanhasse nas surfadas de inverno. Zulmiro sentia calafrios quando o abordavam com essas propostas. Chegava a ter pesadelos em que embicava vezes sem conta a sua prancha numa onda mole e era alvo de chacota de uma praia inteira, repleta de cabeças loiras e corpos com curvas. Curvas era coisa que Zulmiro não sabia fazer com a sua prancha. Havia dias que sonhava que era um homem do mar, mas lá pelas 12h, quando acordava, percebia que era um delírio provocado por mais uma noitada no inverno português.</p>
<p>Entretanto, os seus alunos criaram uma página no facebook com a mensagem &#8211; <em>queremos surfar com o nosso professor! </em></p>
<p>E tu? Já criaste a tua?</p>
<p><em>To be continued…</em></p>
<p><em>João “Flecha” Meneses</em></p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses vista o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses| Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma excelente colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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		<title>Zulmiro, a história do professor de surf que não quer ser surfista &#124; Parte 3</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/zulmiro-a-historia-do-professor-de-surf-que-nao-quer-ser-surfista-parte-3/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Aug 2018 08:59:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Por João "Flecha" Meneses]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Zulmiro era uma homem de acção e a vaga de calor fê-lo avançar para o terreno. Chegavam à cidade milhares de turistas por dia e o sentido de oportunidade para ganhar dinheiro antecipou o início da sua carreira como professor. Desistiu rapidamente das aulas de surf em que estava inscrito e nem arriscou tentar o curso de monitores, a nova Lei dos desportos náuticos tinha entrado em vigor e iria dificultar-lhe a vida com a exigência de requisitos credíveis.</p>
<p>O logótipo estava acabado e bem coladinho na carrinha cinzenta, onde se lia <em>Zulmiro Surf Schoo</em>l &#8211; <em>25 anos de experiência</em>. O acordo com o restaurante estava a ser cumprido, os bifes com batatas fritas e a sangria barata aguardavam diariamente pelos alunos <em>lixivia neoblanc</em>, que descansavam entre a aula da manhã e a da tarde. No <em>sunset </em>a coisa aquecia. Bebida à descrição com medronho da pior qualidade e acabava-se o dia a treinar o <em>take-off</em> nas dunas, “são como divãs”, enquanto Zulmiro disparava:</p>
<p><em>-Se conseguirem fazer o drop, já com um jarro de sangria, amanhã será mais fácil na água. </em></p>
<p>Aproveitava, ainda, para se aproximar das miúdas do grupo com a sua “lábia” de bandido:</p>
<p>&#8211; <em>Sabes que o surf exige muito de mim, saio poucas vezes à noite, quero apanhar a melhor maré e pouco vento. Gosto de um jantar tranquilo com vista mar. Sou um homem simples. O mar é a minha vida!</em></p>
<p>E assim ia coleccionando amantes do norte da Europa. E assim construía um currículo em terra e no mar. E assim, mergulhado na mentira, seguia um caminho que acreditava ser de verdade, porque a visão empreendedora falava mais alto e a escola de surf era o seu futuro!</p>
<p>Semanas antes da inauguração da sua Instituição de Ensino, com a presença do seu amigo Presidente da Junta (sócio maioritário do restaurante da sangria rasca), que cortou a fita e disse umas palavras já com um cheirinho a álcool, Zulmiro tinha passado uma semana a estudar minuciosamente algumas escolas de surf. Nessa exaustiva observação reparou que nenhum professor exemplificava como se fazia um <em>take-off</em> dentro de água e jamais arriscava mostrar a técnica de cortar o verde da onda. Apercebeu-se e convenceu-se, de uma forma empírica, que não era preciso ser surfista para ensinar a arte das ondas. O professor empurrava, gritava e aplaudia. Ou aplaudia, gritava e empurrava. Os alunos não eram ensinados a remar, a ler o mar, mesmo que fosse na secção de espuma branca. Era o carrossel da Feira Popular, valia tudo. Zulmiro constatou isso com os seus próprios olhos e, através desse registo, ganhou ainda mais energia para continuar o seu percurso profissional. Afinal não seria o único aldrabão na praia!</p>
<p>Percebeu que estes turistas nunca o questionariam sobre a sua experiência e dificilmente se iriam aperceber de que o nível do professor era inferior ao do aluno. Se não exemplificasse não caía da prancha e também não mostrava a sua remada tosca, comparável à do Patrick Swayze, no filme Ruptura Explosiva.</p>
<p>Zulmiro era um homem realizado. Mas com o passar do tempo, já não sabia quem era. Se actor, surfista ou apenas Zulmiro, mentiroso compulsivo. Um dia dizia que tinha sido competidor no circuito mundial, outro dia <em>big rider</em> no Havai e que detinha o recorde nacional de apneia. O leque de mentiras estava em roda-viva, já não havia controlo, dominavam este individuo que precisava de ganhar dinheiro para beber o verdadeiro e caríssimo medronho algarvio, acessível a poucas bolsas.</p>
<p>O futuro agora era o surf! Se a aldrabice ficasse fora do controlo e estoirasse o mercado turístico, logo se arranjava um novo caminho. O importante é que a mentira proporcionava-lhe uma boa vida. Sol, praia, dinheiro, mulheres e, <strong>nada de surf</strong>!</p>
<p>A sua mão desceu levemente para as curvas da bela sueca. Empurrou-a com um toque prolongado… gritou e aplaudiu. Saiu da água como se fosse o dono do mundo e dirigiu-se ao bar, ainda de fato vestido.</p>
<p>&#8211; Dá-me mais uma mini fresquinha que hoje o dia está a correr bem!</p>
<p><em>To be continued…</em></p>
<p><em>João “Flecha” Meneses</em></p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Menses vista o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses| Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma excelente colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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		<title>Zulmiro, a história do professor de surf que não quer ser surfista &#124; Parte 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jul 2018 14:07:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ Por João "Flecha" Meneses ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Conselho de Ministros reuniu-se de urgência, o assunto não era para brincadeiras e estava a pôr Portugal nas bocas do mundo pelas piores razões. Nas últimas semanas tinham surgido alguns casos de professores de surf que tinham passado algumas dificuldades em agueiros nas praias da costa ocidental portuguesa. Felizmente não houve vítimas a registar, graças à rápida intervenção dos nadadores salvadores de serviço e de outros surfistas e professores de surf (que também eram surfistas…).</p>
<p>O debate sobre como ensinar os <em>take offs</em> de forma correcta, ou a importância do conhecimento de manobras de <em>rail</em> e de <em>lip</em> para dar bitaites dentro e fora de água, já não era prioritário para a discussão. Agora o caso era mais grave. Dezenas de comentadores da TV, mesmo sem saberem da importância de um <em>bottom turn</em>, inflamavam o discurso que nem papagaios e diziam que só os indivíduos com uma larga experiência de mar podiam ser habilitados a leccionar…pelo menos enquanto Portugal não tivesse uma rede nacional de piscinas de ondas. Aí o cenário mudava e podia haver duas categorias profissionais, os instrutores de mar e os instrutores de piscina.</p>
<p>Nos relatórios da Policia Marítima constavam alguns pormenores surpreendentes sobre alguns náufragos:</p>
<p>&#8211; Utilizava braçadeiras de criança debaixo da licra de instrutor;</p>
<p>&#8211; Largou a prancha e pôs-se a nadar à cão;</p>
<p>&#8211; Chorou durante o salvamento e disse que só estava a tentar ganhar a vida;</p>
<p>&#8211; Agarrou-se ao bikini de 1 sueca e disse-lhe <em>Save me please I am not Zézé;</em></p>
<p>E a notícia com mais impacto dessa semana destacava, espantem-se, o Sr. Presidente da República, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, exímio nadador, como o grande protagonista num salvamento a um homem alcoolizado que esbracejava com a água pelos joelhos e pedia socorro insistentemente. Constava no relatório das autoridades que o individuo em causa estava de cuecas e tinha sido atingido pelas quilhas de uma prancha, provocando-lhe um pequeno corte na nádega esquerda. Ao mesmo tempo que gritava de dor aproveitava os agudos para se dirigir ao <em>cameraman</em> que acompanhava o Presidente na <em>Acção Férias de Verão, </em>dizendo-lhe em forma de insulto:</p>
<p><em>&#8211; Não me filme seu lentinhas, eu só queria ajudar na aula. </em></p>
<p>Esse homem era Zulmiro! Ele mesmo, aquela personagem da primeira parte da história. O futuro professor de surf que não queria ser surfista tinha tido esta aventura naquela tarde em que decidira que a praia seria o seu local de trabalho e, assim, começava a sua nova etapa profissional, coleccionando cicatrizes para creditar o seu currículo brilhantemente falso.</p>
<p>Na manhã seguinte, Zulmiro inscreveu-se por email numa escola que sabia ter os melhores professores da praia. Tinha como objectivo aprender o básico e de forma rápida para se poder inscrever no curso de instrutor antes que fossem exigidos pré-requisitos sérios que eliminassem na primeira fase os falsos homens do mar. Era uma luta contra o tempo; a proposta de Lei já tinha sido discutida e aprovada na Assembleia da República e aguardava a promulgação por parte do Presidente da República. Marcelo podia ainda propor uns ajustes à Lei, mas era garantido que seria sempre para aumentar a exigência nos pré-requisitos, jamais para facilitar, pois ele próprio testemunhara a inexperiência de alguns instrutores.</p>
<p>Entretanto, Zulmiro conseguia a grande custo <em>sacar</em> os primeiros <em>take offs</em> e sempre que caía na parede da onda, embrulhando-se “na espuma branca que lhe lembrava neve fria”, levantava-se animado e perguntava ao Professor:</p>
<p>Eu mandei um túnel, não mandei?</p>
<p>Os professores não queriam acreditar no que viam e ouviam, mas de uma coisa tinham a certeza, se Zulmiro quisesse tornar-se num verdadeiro surfista, tinha que mergulhar num túnel de humildade, dedicação e responsabilidade para que pudesse vislumbrar alguma luz pelo longo caminho de aprendizagem que o esperava.</p>
<p><em>To be continued…</em></p>
<p><em>João “Flecha” Meneses</em></p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Menses vista o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses| Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma excelente colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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		<title>Zulmiro, a história do professor de surf que não quer ser surfista &#124; Parte 1</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/zulmiro-a-historia-do-professor-de-surf-que-nao-quer-ser-surfista-parte-1/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jul 2018 12:50:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Por João "Flecha" Meneses]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nos últimos meses Zulmiro andava ansioso. A profissão das 9h às 18h que outrora lhe dava estatuto e lhe pagava as férias no Algarve e a viagem anual aos <em>resorts </em>tudo incluído, estava a escorregar dos seus planos para o futuro. O seu chefe, um miúdo com 30 anos, 10 primaveras mais novo e formado numa das melhores universidades de Inglaterra, estava a criar-lhe algumas dificuldades no dia-a-dia. Primeiro chamou-o à atenção pelas longas horas de almoço bem regadas com o melhor vinho alentejano e depois reduziu-lhe o <em>budget</em> no cartão de crédito destinado às despesas com os clientes. A coisa estava a ficar difícil, a gama do mercedes era a mais baixa de sempre e os tempos adivinhavam-se de muito aperto.</p>
<p>Numa das últimas almoçaradas com uma das 3 namoradas que não sabiam da sua tendência para a poligamia, mesmo ali à beira mar, numa praia da Linha de Cascais, Zulmiro reparou numa espécie de “desembarque militar ao contrário”, com soldadinhos de prancha que entravam para a água. Eram às dezenas, acompanhados por algumas pessoas que vestiam umas licras florescentes onde se lia, “instrutores”. Sabia que o surf era agora uma nova tendência de desporto e de negócio. Lembrava-se vagamente do mundo das ondas nos anos 90 e de alguns nomes sonantes como o <em>Dapin</em> ou o Marcos Anastácio. Costumava frequentar a praia nas manhãs de inverno quando decidia tomar o pequeno-almoço depois de uma noite de arromba na discoteca mais badalada da capital. Lembrava-se de gozar com aquela malta que acordava cedo e carregava um pedaço de fibra de vidro dentro de uma capa mendiga. Olhava com desprezo para os cabelos compridos e as peles bronzeadas que lhe lembravam homens da construção civil ou hippies sem casa.</p>
<p><em>“Estes vagabundos não vão longe.</em> “</p>
<p>Pensava tantas vezes…</p>
<p>Tinham passado mais de 20 anos e Zulmiro estava a mudar de opinião em relação ao desporto das ondas. Não que tivesse vontade de se tornar um homem do mar. Já tinha experimentado o choque térmico provocado pela água fria nas madrugadas de grandes bebedeiras e nem queria imaginar o que seria prescindir das manhãs no quentinho dos seus lençóis nórdicos, para se meter em pé numa prancha e ser engolido pela espuma branca que lhe lembrava neve fria. Aprender a fazer surf a sério não queria. Era ponto assente! Mas algo o chamava para a vida de praia. As suas amigas trintonas achavam um piadão e a pele mais escura podia funcionar a seu favor, disfarçando os dentes amarelos que eram resultado daquele vício tramado de puxar fumo para dentro dos pulmões. E o dinheiro, claro! Era um forte fator para um caminho com mais sal e areia nos sapatos, ainda engraxados…. O ponto de viragem foi quando ouviu falar de um holandês campeão de ciclismo, que aprendera a nadar há 3 anos e após 2 temporadas numa escola de pranchas coloridas, tornara-se professor de surf e até já tinha sido medalhado pelo Presidente da Câmara Municipal da zona, como um excelente exemplo de um empreendedor de sucesso.</p>
<p>Parecia uma loucura esta ideia, um professor de surf sem saber surfar. Mas já lhe tinham dito que não era preciso saber fazer para ensinar. Achou estranho, mas começou a gostar da ideia. Também não sabia nada da sua área de trabalho e tinha sido chefe durante vários anos na empresa onde era efetivo. Afinal, no surf as coisas não eram diferentes. Para quê esperar 10 ou 15 anos, ganhando experiência como surfista para depois poder ensinar? Levar pancada do mar, vestir o fato de borracha em dias frios e ganhar, a muito custo, o reconhecimento dos surfistas experientes nas praias e baías rochosas mais conhecidas de Portugal? Para quê aprender a ser surfista se podia ser professor de surf e ganhar umas belas <em>massas</em> no verão com turistas de pele avermelhada?</p>
<p>Zulmiro pediu mais um copo, acendeu o cigarro e cambaleou em direção à areia molhada. A tarde prometia. Já não ia voltar ao escritório e decidira, ali mesmo, que a praia seria o seu próximo local de trabalho.</p>
<p><em>To be continued&#8230;</em></p>
<p><em>João “Flecha” Meneses</em></p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Menses vista o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses| Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma excelente colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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