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	<title>Ribeira d&#8217;Ilhas Surf Camp &#8211; ONFIRE Surf | Portugal</title>
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		<title>Ciclo Vicioso das Verdades (In)Convenientes &#124; by Pedro Jervis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Jervis]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Aug 2012 13:55:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Estou baralhado. Não consigo perceber o que se passa nesta carambola sobre o Ribeira Surf Camp de Ribeira d’Ilhas na Ericeira. Ouve-se falar, comentar, protestar, mal-dizer e contestar. Ouvem-se contradições, desdizeres, gritos de revolta e choros de tristeza. Ouvem-se os contestadores, ouvem-se os contestados. Há quem defenda em prol da criação das infra-estruturas, há quem [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Estou baralhado. Não consigo perceber o que se passa nesta carambola sobre o Ribeira Surf Camp de Ribeira d’Ilhas na Ericeira. Ouve-se falar, comentar, protestar, mal-dizer e contestar. Ouvem-se contradições, desdizeres, gritos de revolta e choros de tristeza. <span id="more-1256"></span>Ouvem-se os contestadores, ouvem-se os contestados.</p>
<p>Há quem defenda em prol da criação das infra-estruturas, há quem defenda a estabilização das arribas. Há quem conteste a “expropriação” do terreno, há quem comente que a onda se perderá.</p>
<p>E a verdade? Quem contesta sobre a verdade? Ou protesta com a ausência dela? A confusão embrulha-me os neurónios num dilema sem saída. Quem tem razão? Quem está em falta? Quem não cumpriu e quem fez a sua parte? Opto por registar as incoerências das duas partes em vez de tomar partidos.</p>
<p>Quando se falou nesta notícia pela primeira vez, foram feitas acusações de expropriação de propriedade. Foi dito&#8230; não! Foi exclamado que a polícia chegou sem aviso prévio, fechou a estrada e mandou despejar tudo. No início dizia-se que o Tiago Oliveira (alguém que eu respeito) não tinha sido contactado pela Câmara de forma a chegarem a um acordo, “a Gentleman’s Agreement” como alguém me disse. Mas agora já se diz (inclusive o Tiago Oliveira na sua resposta ao “Saca”) que a Câmara é que rejeitou um acordo. E então? Em que ficamos?</p>
<p>Como pode a Câmara rejeitar um acordo sobre o uso de um terreno privado ao qual não tem o mínimo direito? Como pode ir a Polícia fechar um espaço privado com uma ordem judicial? A corrupção das Câmaras tem um alcance tão grande que chega aos tribunais? E o que é que se dá a um juiz? Um escritório em Ribeira, na praia?</p>
<p>E a onda? Vai ser prejudicada pela criação de estruturas que beneficiem o único rendimento com saldo positivo que Portugal tem: o Turismo?! Sim, se calhar em termos de localismo, talvez afecte. 1000 pessoas por dia parece muita gente para pessoas com palas nos olhos que não olham para lá do que se vê. Mas tenhamos em consideração dois pontos: Mesmo que passem 1000 pessoas (?) por dia ali quantas dessas, farão surf? E dessas, quantas ficarão a surfar naquela praia com uma multidão dentro de água e quantas irão procurar outra alternativa com menos crowd como tanta gente faz? Mas o mais importante é: em que medida é que a onda em si será afectada e destruída? Com um apoio de praia bem necessitado construído fora de água? Fora do raio de acção da onda e do seu fundo?</p>
<p>Por outro lado, todos sabemos como funcionam as Câmaras Municipais neste país. É um facto que a Ericeira veio a perder um pouco do seu brilho com tantos prédios e condomínios a serem construídos em tão pitoresca vila. E se é certo que o progresso existe e temos que andar para a frente, porque não fazê-lo com classe e encaixando-o na cultura existente do espaço, vila ou cidade? O “Saca” realça com razão, o absoluto pesadelo que é a estrada de Ribeira. O apoio parece-me útil também, mas porque é que no início só se falava em betão e agora já se fala em madeira na construção eminente? Afinal qual é a decisão da Câmara? Parece-me um factor importante.</p>
<p>E aos Srs. da Câmara envolvidos nesta questão: Não seria, por ventura, melhor para o nosso país estarmos todos unidos e a arranjar soluções que consigam agradar uma maioria (visto que não se podem agradar Gregos e Troianos)? Mas mais uma vez, acumulam-se mais perguntas do que respostas. Parece-me que até o Tiago Oliveira tornar pública essa tentativa de acordo com a Câmara, até virem à tona d’água (brilhante expressão para usar no mundo do surf) os documentos judiciais da expropriação, até conseguirmos saber todos os pormenores desta carambola por nós próprios em vez de pelo o que os outros dizem, não me parece justo tomar um partido.</p>
<p>Parece-me mais relevante o que não sabemos, do que o que sabemos.</p>
<p>Pedro Jervis<strong></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Notas Finais:</strong><br />
&#8211; As opiniões expressas nesta texto não são necessariamente as mesmas que as da ONFIRE ou pessoas relacionadas com o autor;<br />
&#8211; O autor não segue o novo acordo ortográfico por opção própria (aliás, como o staff da ONFIRE).<em></em></p>
<p><strong>Sobre o autor (um dos mais recentes blogger da ONFIRE):</strong><br />
<em>Pedro Jervis, 23 anos, surfista desde os seus 12. Actualmente a viver em Inglaterra, a estudar Engenharia de Som, dá aulas de surf regularmente em S. Torpes, onde aprendeu a surfar, onde surfa e onde tirou o Curso de Professor de Surf &#8211; Nível 1. Apaixonado pela leitura desde os 7 anos de idade, Pedro Jervis, irmão do surfista profissional Filipe Jervis, já devorou mais livros do que ondas!</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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