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	<title>Pioneiro &#8211; ONFIRE Surf | Portugal</title>
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		<title>Conrad Canha &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/conrad-canha-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Mar 2021 10:13:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[Conrad Canha]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Pioneiro]]></category>
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					<description><![CDATA[Um campeão havaiano com sangue lusitano...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ó Canha, não sei se o teu bisavô ou o teu avô alguma vez conheceram a perfeição das ondas da Madeira, ali em frente ao engenho da cana-de-açúcar que pertencia ao Morgado do Jardim do Mar. Não sei se endureceram as mãos a trabalhar neste ou noutro cultivo da terra, mas com toda a certeza sabiam tudo sobre essa profissão antiga. Sabes melhor do que eu que há séculos que os madeirenses percebem dessa arte como ninguém. Imagino os festejos dos economistas do reino sempre que saía um barquinho cheio do nosso produto docinho. Equilibrava a balança comercial, era exportar para todo o lado. Bons tempos, bons tempos!</p>
<p>Também deves saber melhor do que eu, que no final do século XIX a concorrência mundial era forte. Os americanos já nos estavam a passar a perna. A Indústria do açúcar entrou em declínio na Madeira, mas a sabedoria iria ser exportada para outras ilhas a milhares de quilómetros de distância. E eram os homens e as mulheres que levavam essa sabedoria. Ó Canha, então a malta pensava que só levávamos o cavaquinho (braguinha da Madeira) para o Havai? Ai Jesus! Pensavam que íamos para lá tocar o bailinho, sem suar e sem fazer crescer a economia das Ilhas?</p>
<p>Tenho aqui algumas curiosidades que me intrigam. Gostava de saber se o teu avô fez a viagem de barco que durava mais de três meses ali entre 1878 e 1887. Esse período de 10 anos foi forte na emigração para o Havai. Na tua biografia percebo que ele foi com os seus pais. Ainda devia ser um rapazinho pequeno, será que já tinha trabalhado nos campos da Madeira? Já estou a querer saber muito da tua família, mas fiquei curioso. Desculpa Canha, mas é que a tua história agarrou-me a sério. Mas vamos lá à grande viagem. Primeiro foram vocês, depois os açorianos e só depois a malta aqui do continente, mas esses só abalaram no início do séc. XX. Vocês foram os primeiros. Rijos, corajosos e sedentos de uma vida melhor. Quem conhece a ilha dos teus antepassados rapidamente percebe que aquelas paisagens são bonitas de se ver, mas para trabalhar nos campos a coisa dói. Imagino os músculos para construir aquelas levadas, era a abrir caminho por ali adentro e só paravam para atacar o farnel. A força está-vos nos genes!</p>
<p>Mas ó Canha, estamos aqui para falar de ti. Quero partilhar com os surfistas portugueses as tuas performances nas ondas do Pacífico. Em relação à nossa história, tão fascinante e cheia de aventuras, tenho a certeza que irão encontrar estudos muito interessantes de historiadores, sobre a vossa (nossa) chegada às ilhas e os vossos (nossos) contributos para a sociedade havaiana. Sabes que 10 % da população é luso-descendente? O teu pai já nasceu no Havai e chamava-se Louis Canha, mas vou escrever Luís, deixemo-nos de americanismos, por essa altura as ilhas ainda não eram um Estado Americano. O Luís Canha casou com a Rose Ventura da ilha de Maui e nasceste tu, em 1932, o único dos 4 filhos do casal que se apaixonou a sério pelo mar. Ó Canha, como eu gostava de te ter mostrado as ondas da Madeira e que tu me guiasses pelas ondas das tuas ilhas do pacífico! Contigo ao meu lado tenho a certeza que era só Aloha na nossa direcção.</p>
<p>Vou tratar-te por Tio Canha. Sei que é um termo carinhoso no Havai. A experiência e a idade encarnam a palavra Uncle. É uma questão de respeito. Aqui a palavra tio sem ser em contexto familiar, tem outro significado. Mas isso era outra conversa. Estive aqui a ler a tua biografia escrita pela Francine Park Palama, que acabou por ser a tua mulher e deixa-me dizer-te que fiquei tão orgulho de ti. Em 1956 ganhas a Makaha International Surfing Competiton e depois ganhas o campeonato mundial em Lima, no Peru. Eram três categorias. Ondas pequenas, ondas grandes e remada. E tu vais lá e limpas as duas primeiras. Imagino o melão dos peruanos, já experientes nessas andanças.</p>
<p>Voltando um bocado atrás, cresces em Maui e tens uma infância cheia de liberdade nas plantações de cana-de-açúcar. Um pouco depois do final da II Guerra Mundial foste com a tua família para a Ilha de Oahu à procura de melhores condições de vida e é por ali, na praia de Waikiki, que começas a pescar, a fazer bodysurf e a nadar que nem um peixe. Só mais tarde começas a deslizar nas ondas de pranchão. Antes de seres surfista já eras um waterman, está-se mesmo a ver. É assim mesmo!</p>
<p>Gostei de uma frase que o teu pai te disse quando desististe da escola:</p>
<p>“Filho, não envergonhes o nome da família e vê lá se trazes algum peixe para casa.”</p>
<p>Essa frase foi de homem e de bom chefe de família. O nome é para ser honrado e fica a saber que na minha opinião não envergonhaste ninguém. E assim seguiste a tua paixão pelas ondas, conheceste os surfistas do King Surf Club, que eram os Beach boys de Waikiki. Fogo Tio Canha, conheceste o Duke Kahanamoku! Ouvi dizer que ele foi um dos responsáveis por arranjar financiamento para a tua viagem ao Peru. E tu lá foste representar o Havai, a tua terra. Que orgulho pá.</p>
<p>Gostavas das ondas fortes de Makaha, mas eras rei em Ala Moana. Um beach boy tinha que dominar aquela zona. Diziam que dropavas bem lá atrás, davas aquele toque de magia com o tail/rail, que eu gosto de chamar, em linguagem tosca, o “cutback de atraso” para entrar no tubo. E depois andavas lá dentro como água que desce em torpedo pela levada e que dá energia ao moinho para esmagar a cana-de-açúcar.</p>
<p>Quem te viu, dizia que esbanjavas estilo! Viajavas numa espiral no tempo e no espaço, onde o Havai e a Madeira se uniam na tua linha de surf.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Devia ser bonito de se ver!</p>
<p>Aloha, Tio Canha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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		<title>&#8220;Angel&#8221; &#124; By João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/exclusivos/angel-by-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Feb 2021 09:57:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Jose Angel]]></category>
		<category><![CDATA[Pioneiro]]></category>
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					<description><![CDATA[O maior waterman de todos os tempos...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Vou falar-vos do maior <em>waterman</em> de todos os tempos. Um homem que nasceu para nos ensinar que há actos de bravura que não podem ser explicados de forma racional. Vou falar-vos de um homem que se tornou lenda no Havai. Vou falar-vos de um professor, de um mergulhador, de um trapezista das ondas. Vou falar-vos de Jose Angel!</p>
<p>A sua história daria um filme de aventura, de drama, de romance. A vida de Jose Angel, tal como ela foi, curta mas intensa. Filho de pai filipino e mãe canadiana, desde cedo que percebeu que o seu caminho seria com desafios permanentes e que a vida é uma encruzilhada de viagens, com encontros e desencontros e sangue de todos os mundos.</p>
<p>Cresceu em São Francisco e durante o liceu praticou natação, pólo aquático e tantas outras actividades físicas que o moldaram por dentro e por fora. Chegou ao Havai na década de 50 com a sua namorada para um ano de sonho, tendo como colchão um barco ancorado e como teto o céu do pacífico. Surfaram, pescaram e pensaram num futuro nas ilhas. E foi por lá que Jose se licenciou em educação física e decidiu criar raízes. Família, amigos, trabalho, impostos ao Estado e ondas. Muitas e grandes!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="Jose Angel Legendary Surfer at Waimea Bay North Shore - Oahu in Hawaii" src="https://player.vimeo.com/video/307929558?dnt=1&amp;app_id=122963" width="500" height="281" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Jose fazia parte de um grupo de audazes e privilegiados surfistas que largaram a vida no continente americano e rumaram à Meca do surf. Um grupo pequeno e unido de exímios nadadores que não viravam costas a uma grande ondulação. Peter Cole, Buzzy Trent e Greg Noll eram alguns dos nomes mais sonantes em Waimea e Sunset, mas era Jose Angel o mais ambicioso quando se tratava de dropar no sítio mais difícil. Entre descidas vertiginosas de <em>backside</em> ou cambalhotas propositadas onde ninguém desejava cair, foi construindo ao longo do tempo uma reputação de guerreiro. Era admirado pela comunidade havaiana não só no mar, mas também em terra, como professor e director de uma escola no North Shore de Oahu. Imaginem os seus alunos (alguns deles tornaram-se sufistas profissionais) ao verem o seu professor nas primeiras páginas dos jornais locais, a descer ondas gigantes. Um verdadeiro professor! Em 1960 faz a capa da primeira edição da Surfer Magazine.</p>
<p>Uma das outras paixões de Jose Angel era o mergulho. Mais tarde seria a segunda forma de sustentar a sua família, através das suas incursões às ilhas de Maui e de Kauai em busca de coral negro. Um mergulho mal sucedido deixou-o com problemas de mobilidade numa perna. Continuou a surfar, mas entraria numa fase depressiva, ao perceber que já não tinha as mesmas capacidades físicas. Dois anos depois do acidente, desapareceu ao largo da Ilha de Maui, numa descida que dizia ser a última da sua carreira de mergulhador.</p>
<p>Viveu a vida de forma intensa e deixa-nos um legado de purismo e de honestidade.</p>
<p>Aloha Jose</p>
<p>*Stuart Holmes Coleman, no livro Eddie Would Go, investiga com alguma profundidade uma parte da vida de Jose Angel. Uma leitura obrigatória para quem quiser conhecer melhor este waterman.</p>
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<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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