<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Pato &#8211; ONFIRE Surf | Portugal</title>
	<atom:link href="https://www.onfiresurfmag.com/tag/pato/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.onfiresurfmag.com</link>
	<description>by surfers, for surfers</description>
	<lastBuildDate>Wed, 27 Jul 2022 14:59:09 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.5</generator>
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">38738743</site>	<item>
		<title>O Mestre do Mergulho &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/o-mestre-do-mergulho-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jul 2022 06:53:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[DuckDive]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Pato]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.onfiresurfmag.com/?p=66959</guid>

					<description><![CDATA[Olhos nos olhos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sempre tive curiosidade em saber quem foi a pessoa que se lembrou de chamar <em>duckdive</em> (bico de pato) à técnica de passar debaixo de uma onda com a prancha. Com toda a certeza foi uma expressão baseada em horas de observação e conhecimento desta espécie de ave aquática. Que ideia genial! Se há um animal que domina o mergulho nas ondas de uma forma sábia, é mesmo o pato que por ali anda, tantas vezes, junto à zona de rebentação. Sempre que vejo um, procuro não o perder de vista e tenho uma lição gratuita de como nos devemos comportar em situações menos confortáveis no mar. Observo a calma perante os quebra-cocos, o deslizar entre correntes, o mergulho perfeito e no <em>timing</em> certo. Já muitas vezes temi pela sua vida,<br><br>“este não se vai safar com as ondas que aí vêm.”<br><br>E é vê-lo a desaparecer e a surgir uns bons metros à frente, para mergulhar de seguida antes da explosão da onda mesmo em cima das rochas. É tudo tão suave, tão natural, ele segue o rio de água salgada, não o contraria. Eles são um só.<br><br>Ontem tive um encontro com essa espécie. Olhos nos olhos. Deu para sentir a sua alma. Eu conto-vos como foi, preciso desse desabafo.<br><br>Depois de uma grande caminhada pela falésia, quis dar um mergulho numa pequena enseada portuguesa, longe das multidões e que ganha aos pontos a algumas praias de postais do Caribe. Ele olhava para mim e para mais um grupo de pessoas que tentavam uma aproximação. Vi o medo no seu olhar. Medo de mim, medo deles, medo da situação de vulnerabilidade. Ali estava um Ser, parado, em cima de uma rocha, quem sabe a ganhar alguma energia e a pedir vida ao universo. Talvez em pânico ou, simplesmente, à espera da sua hora…<br><br>Tinha a asa direita totalmente presa por um anzol e uma pequena boia das redes de pesca. Percebi que dificilmente alguém daquele grupo de pessoas chegaria aquela rocha de arestas pontiagudas e de bivalves com unhas afiadas, que agora se transformava em ilha com a maré a encher. Trepei-a com a ajuda de todos anos de experiência por terrenos costeiros que só um marisqueiro ou um surfista pode ter. Sem vaidade perante o grupo de leigos e apenas com a missão de salvar o Mestre do Mergulho. Eu aproximava-me e ele afastava-se. Pedi uma camisola a uma senhora estrangeira que escalava com dificuldade mas com a coragem de quem queria salvar uma vida. Dei mais um passo e olhei os seus pés, de pato pois então, que máquinas de nadar, que pés de bodyboarder selvagem. Percebi nesse momento que ia lançar-se ao mar, a sua zona de conforto. Após uma descida em que os meus pés se rasgaram como manteiga amolecida perante uma faca de barrar, segui-o em natação suave por cerca de 100 metros. Chegámos à outra ponta da enseada, olhámo-nos uma vez mais, desta vez mais longe, não houve permissão para aproximações e, quase que o ouvi dizer,<br><br>Posso morrer aqui na minha casa, mas a mim não me apanhas.<br><br>Voltei a nado para o pequeno areal com algas, procurando encontrar optimismo na situação. É um pato de mar, não é uma gaivota, nada e mergulha como ninguém mesmo estando em sofrimento, pode caçar e quem sabe soltar-se daquele maldito anzol.<br><br>Enquanto limpava os meus pés com a toalha amarela, agora salpicada com sangue da caminhada inesperada, a senhora da camisola passou por mim e perguntou:<br><br><em>Are you a local?</em><br>Timidamente, respondi que sim.<br>Que resposta estúpida, pensei. Se havia alguém local, era ele.<br></p>



<p>Sobre o Autor:<br>João “Flecha” Meneses | Com três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul surfer&#8221;. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há duas décadas e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta foi mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">66959</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
