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	<title>João &#8220;Flecha&#8221; Meneses &#8211; ONFIRE Surf | Portugal</title>
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		<title>A Travessia &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Aug 2026 19:33:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Arran Strong]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
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					<description><![CDATA[À coragem do Arran Strong e do José Maria Pyrrait...]]></description>
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<p>Há muitos anos escrevi um texto que falava sobre as amizades de mar e sobre a dor de ver partir um dos nossos. </p>



<p>Terminava desta maneira:<br>Vejam apenas mulheres e homens de mãos dadas, sentados nas suas pranchas, desenhando uma roda no mar. Oiçam o silêncio, cessado com palavras de emoção. Sintam as lágrimas mas espreitem mais os sorrisos. E não estamos perante a mais bela celebração de uma vida?</p>



<p>Hoje, a Praia de Ribeira D´Ilhas abraçou a mais bela celebração de uma vida. A vida de Arran Strong! Um miúdo que inspirou, e continuará a inspirar, dentro e fora de água. Pelo seu sorriso, pela sua força, pela sua vontade de viver em sintonia com os seus sonhos, mesmo com uma doença que lhe podia dizer baixinho: « não sei se consegues dropar essa onda…» Arran dropou-a e surfou-a como poucos conseguem: com coragem, talento, mestria e, mais do que tudo, sempre sorrindo ao mundo. Se era louco, não sei. O que é a loucura? O que é a cobardia?</p>



<p>A sua história é inspiradora. Faz-me chorar e sorrir. Faz-me acreditar que a vida é isto. Um caminho verdadeiro, com altos e baixos, que nunca sabemos quando vai acabar. A do Arran acabou cedo demais mas foi mais rica do que tantas…</p>



<p>Em relação ao Pyrrait, e à sua travessia de SUP&#8230; é sem dúvida a viagem de uma vida. Tenho partilhado algumas palavras com ele e sinto que a cada etapa está mais forte e resiliente, mais perto de realizar o seu sonho. Sinto-me muito próximo deste guerreiro do mar e explico-vos porquê: há cerca de 4 anos percorri a costa portuguesa a pé, e durante 43 dias vivi com o Atlântico ao meu lado. Senti medo de não chegar ao fim, passei por muitos desafios, mas cheguei! Trouxe na bagagem experiências que tento transformar todos os dias em analogias para a minha vida. E agora assisto à viagem dele, exactamente a mesma rota mas com o Atlântico a abraçá-lo. O Pyrrait já não vai sozinho. Leva com ele a alma do Arran. E depois do que vivi hoje nas águas da Ericeira, acho que leva também a magia de toda esta nossa tribo do MAR.</p>



<p>Continua Pyrrait!</p>



<p>Por ti.</p>



<p>Por nós.</p>



<p>Pelo ARRAN STRONG!</p>



<p></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Despedida a Arran Strong. Emocionante paddle out em Ribeira d&#039;Ilhas." width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/i6_YrdcfDh4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Arte &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/arte-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 May 2022 08:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Ishka Folkwell]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Torren Martyn]]></category>
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					<description><![CDATA[O surf é, acima de tudo, arte...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“E o que foi não volta a ser, mesmo que muito se queira.”</p>



<p>É bem verdade, o que foi não volta a ser, mas é possível continuar a acontecerem coisas bonitas, mágicas e com muito <em>feeling</em>, então no que se refere à arte, podemos sempre escrever numa página branca. Mas se essa página já tiver uns rabiscos de genialidade que nos inspirem, melhor ainda. Acrescentamos e damos continuidade a esse caminho livre.</p>



<p>O surf é, acima de tudo, arte. É isso que nos diferencia de outros desportos. Dançamos com a natureza. Quem não perceber isso nunca será um bom surfista, mesmo que seja atleta das 9 às 5 e sem comer carnes vermelhas.</p>



<p>Ultimamente tenho andado mergulhado no surf dos anos 70 e atribuo essa responsabilidade a 4 pessoas. A história é simples e mostra que a passagem de testemunhos entre gerações dá os seus resultados. O Simon foi falar com o Alby e o Alby disse que sim. O Simon foi falar com o Torren e o Torren disse que sim. O Ishka e o Torren falaram os dois e disseram em coro, embora lá! E a arte aconteceu.</p>



<p>Eu explico melhor. O Simon Jones, habilidoso shaper e crente em pranchas com alma, foi falar com uma das figuras mais marcantes do surf mundial, o Alby Falzon, realizador do filme Morning of the Earth (década de 70) e perguntou-lhe se podia dar o nome do filme às suas pranchas. O Alby disse que sim. E se as pranchas do Simon já eram mágicas, mais mágicas ficaram com o nome Morning of the Earth. Caraças, que ideia brilhante!</p>



<p>Depois temos o Torren Martyn, surfista australiano de gabarito internacional e o seu amigo Ishka Folkwell, realizador e também surfista, ambos de Byron Bay, esse hub criativo Resumindo, o Simon fez as pranchas, o Torren mergulhou nas twins fins e lançou-se às ondas com um estilo e uma leveza que une passado com modernidade, o Ishka gravou tudo e acrescentou imagens e banda sonora de altíssima qualidade, e o Falzon, esse guru de 77 anos que ainda hoje surfa quase diariamente, esteve sempre presente de uma forma Kármica. No fundo ele foi a inspiração para os outros 3.</p>



<p>Não vou escrever mais. Têm que ver. Desliguem o telemóvel e sentem-se em frente a um bom ecrã. A magia vai acontecer.<br>Boa Viagem!</p>



<p>Sobre o Autor:<br>João “Flecha” Meneses | Com três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há quase duas décadas e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta foi mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</p>
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		<title>(RIP) Peter Cole, o Surfista Nadador &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/rip-peter-cole-o-surfista-nadador-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Feb 2022 08:39:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Peter Cole]]></category>
		<category><![CDATA[RIP]]></category>
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					<description><![CDATA[12.10.1930 - 07.02.2022 ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os verdadeiros homens do mar não procuram fama desmedida nem atenções forçadas. Fazem-no, em primeiro lugar, pela sensação de uma total sintonia com o Oceano. É nele que encontram energia para viverem as suas vidas <em>normais</em>. O reconhecimento da comunidade vem com o tempo, sem pressas e sem vaidades histéricas. Vem com os invernos, nos dias difíceis e nas sessões clássicas. O anonimato é uma realidade para muitos. Outros, mais expostos pela opção de viverem em Santuários de Surf, não têm escapatória às lentes das máquinas fotográficas que fazem o que só elas sabem fazer. Registar! As imagens amplificam os actos, mas serão sempre as palavras que, transmitidas de <em>boca em boca</em>, de geração em geração, transformam homens em lendas.</p>
<p>Já conhecia o Peter Cole através de imagens e de palavras. Conheci-o melhor através do livro de Stuart Holmes Coleman que fala sobre a vida (curta) do lendário Eddie Aikau, famoso <em>waterman</em> havaiano. Peter começa a surfar nos anos 40 em Malibu, Califórnia, e muda-se para o Havai para ensinar matemática no liceu. Corrijo, muda-se para as Ilhas para surfar as melhores ondas do mundo financiando-se com o seu emprego de professor. Esta figura mítica faz parte de um grupo de corajosos que surfavam dias de grandes ondulações no North shore da ilha de Oahu. Pioneiros na famosa onda de Waimea Bay e exímios surfistas de Sunset Beach. São heróis involuntários e famosos neste subgrupo da sociedade.</p>
<p>Peter Cole ainda surfou mares de meter medo até bem perto de completar 80 anos e sem recorrer ao leash. Excelente nadador, era comum vê-lo a dar aos braços entre as fortes correntes havaianas para resgatar a sua prancha e voltar a remar para o outside. Nos seus últimos anos já se tinha deixado dessas aventuras mas guarda em si uma caderneta de recordações que merece ser partilhada.</p>
<p>Rest in Peace Peter Cole &#8211; 12.10.1930 &#8211; 07.02.2022 &#8211; Artigo retirado e adaptado de <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/2017/12/29/peter-cole-o-surfista-nadador/" target="_blank" rel="noopener">https://cadernetademarblog.wordpress.com</a>&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com cerca de três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta foi mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="Peter Cole 2016 Rocky Point Interview Part 1" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/_5hxOHd-lPo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Rui Vasco Cruz “Ratos” &#8211; Um Senhor dos Tubos &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/rui-vasco-cruz-ratos-um-senhor-dos-tubos-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Dec 2021 12:55:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
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		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Ratos]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma referência da Praia de Carcavelos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Quem faz surf descobre o ouro. Não precisas de ser bom, ganhas uma alegria que só depende ti.”</p>
<p>É impossível falar da Praia de Carcavelos sem falar na mítica onda do Calhau. E para falarmos dessa onda temos de falar de tubos. E para falarmos de tubos temos de falar do Rui Cruz, o Ratos. Arriscaria dizer que nas próximas linhas vão ficar a conhecer melhor o surfista que mais minutos passou naqueles salões mágicos. Uma lenda viva do surf português, com 54 anos de idade e mais de 40 dentro de água.</p>
<p><strong>De onde vem a alcunha Ratos? </strong><br />
Aconteceu por causa de uma música do Sérgio Godinho: &#8220;Tem ratos, tem ratos nos  sapatos&#8230; “ ao qual o grandíssimo surfista do Calhau já falecido, Lítri, começa a cantar &#8220;Tem ratos, tem ratos nos sapatos do Rui Vasco” e começa assim&#8230;</p>
<p><strong>Tempo de surf?</strong><br />
A minha primeira prancha foi em 1979 e desde aí foi dentro de água todo o dia até 2000/2005. Vivi só para o mar, de manhã à noite. O mais importante era ser um acérrimo defensor dos valores do Calhau: uma grande exclusividade, um espaço que era teu e um culto real desta atitude que nós tão bem conhecemos. Lembro-me de ir para a praia com 12,13 anos fazer surf, com 10, 20 amigos que se iam juntando só no caminho para a praia e em que no início havia uma ou duas pranchas para todos.</p>
<p><strong>Ondas preferidas</strong><strong>?</strong><br />
Esquerda Calhau /Outside Santo Amaro e todas as outras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-63204 alignleft" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/cartao.jpg" alt="" width="1500" height="963" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/cartao.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/cartao-274x176.jpg 274w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/cartao-768x493.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/cartao-667x428.jpg 667w" sizes="(max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Melhor memória de um tubo</strong><strong>?</strong><br />
1983.Melhor dia de surf da minha vida. final de dia em Carcavelos, 2,5/3 metros  offshore /glass, maré vazia, grande, perfeito, single-fin Gordon &amp; Smith branca, linda com um pin-line azul. Dentro de água estava o Kiko Rocha, o maior surfista de ondas grandes de Carcavelos. Aquele dia fica gravado na minha vida como um dia único. Na minha primeira onda&#8230; Calhau, mesmo Calhau, já mais perto do Moinho, drop, bottom e deslizar com os braços para trás até entrar num “túnel” durante metros e metros até decidir mergulhar&#8230;onda atrás de onda. Nunca na vida senti algo assim. Quando saí perguntei-me sem parar, <em>o que é que me aconteceu?</em><br />
Algo se passou. Foi provavelmente o dia mais especial no que ao surf diz respeito e o surf tem muitos dias. Estava enorme e eu lidava com a força do mar com uma naturalidade que procurei e continuo a procurar passados estes anos todos. Como aquele dia nunca mais vivi, mas acredito que tamanha revelação pode sempre acontecer, mas é difícil.</p>
<p><strong>Cheguei a ver-te a no Calhau a entubar, tinhas um estilo em total sintonia com a onda. Até hoje elogiam a tua habilidade para os tubos. Queres falar de alguns surfistas que te inspiravam ao nível internacional?</strong><br />
O estilo do Mark Richards, os tubos do Shaun Tomson e do Gerry Lopez, Qual é a diferença entre um grande tubo dessa altura e agora? É apenas nas pranchas, que se comportam de forma diferente.<br />
O tubo é um espaço no tempo, tu paras no tempo. Eu comecei-me a aperceber que dentro do tubo não levava porrada nenhuma. Eu na prática cultivei o oposto do Dapin. Passei anos a cair e a adorar. A treinar a técnica de cair. O meu culto era o da linha, cortar e ficar dentro do tubo. Eu entrava no Calhau e quanto mais <em>close out</em> mais eu gostava.</p>
<p><strong>Que pranchas usavas?</strong><br />
Surfei muitos anos de single fin. Também me lembro de dias incríveis de twin fin. Os primeiros 6 anos andei com pranchas portuguesas feitas pelo João Lopes, as I&amp;L (Inocentes e Lopes), depois mais tarde as Semente e as Star Model, entre outras, como as Gordon &amp; Smith e as Town &amp; Country.</p>
<p><strong>É verdade que o Rodrigo Herédia aprendeu a entubar com a tua influência?</strong><br />
Penso que ele disse isso numa revista. Já muitos anos tinham passado e apareceu a geração do Rodrigo. Com dedicação transformou-se num super surfista com power e mentalidade forte. O Rodrigo é um bom homem, cresceu no estatuto mas é um gajo fixe!</p>
<p><strong>E memórias de momentos com grandes surfistas estrangeiros que apareceram em Carcavelos?</strong><br />
O primeiro campeonato em Carcavelos que terminou na Praia da Torre com a vitória do Nigel Semmens, na altura campeão inglês. Ainda tive a prancha dele, amarela single-fin. A vinda do Team Safari, com manobras de outro mundo e bicos de pato? Bicos de pato que ninguém fazia&#8230;<br />
A chegada do Rory Russell à praia com outro excelente goofy &#8211; Peter McCabe. O Rory era tubo atrás de tubo. Também me lembro de um brasileiro filho de um Cônsul, Eraldo Gueiros e o seu surf super evoluído. O grandíssimo Picuruta Salazar e o irmão Almir que foi campeão em 1991 e causou alguma polémica junto dos surfistas portugueses.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-63206 alignleft" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/onda.jpg" alt="" width="1500" height="1049" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/onda.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/onda-252x176.jpg 252w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/onda-768x537.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/onda-612x428.jpg 612w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Descreve-me a mítica onda do Calhau&#8230;</strong><br />
A Nazaré tem a “Big Mama”. Essa onda no Calhau é em frente do Bar dos Gémeos, com swell de noroeste, linda na formação e tubular com secções atrás de secções até em frente ao Narciso. A Maior onda da praia de Carcavelos enviada pelo Cachopo Sul (baixio existente em frente á praia do Moinho a cerca de 2 Km para Sul), directamente para a praia do Moinho que pela profundidade na entrada da foz do rio, faz com que as maiores esquerdas comecem aí e depois com vários picos, Calhau, Narciso, Windsurf Café, e por último o Veleiro, façam parte da mesma onda.</p>
<p><strong>Quem eram os surfistas que dominavam o pico?</strong><br />
A fotografia da memória é situada num dia de 1980: primeira e segunda gerações na água, o domínio é uma palavra forte. Os maiores e nomes mais fortes e que dominavam pelo arrojo e coragem e depois pela perícia, são os Rocha com o Kiko Rocha à cabeça, o Topê e o João Rocha, O Paulo Inocentes, os irmãos Portas, o Chori, o Tó Banheiro, o Peixe (embaixador do surf que recebia centenas de australianos e ingleses que aportaram por estas bandas) o Asterix, o Paulinho do Baleal e, num surf de evolução o genial Luís Narciso. Volto a frisar, domínio é uma palavra forte, na altura não se disputavam ondas mas coragem.</p>
<p><strong>Alguma vez pensaste em dedicar-te ao surf de uma forma profissional?</strong><br />
O meu culto era o free surf, até me assustava só de ouvir o nome no altifalante. Cheguei a dar dois ou três nomes possíveis que conseguimos formar com o nosso nome só para ouvir diferente. Quase que era negativo falares num campeonato, em suma, sempre na paródia! E perguntas, e se? E eu respondo: o tempo falou e na altura o meu foco era mesmo o anti-herói, como continua a ser.</p>
<p><strong>Se tivesses 20 anos imaginavas-te a ter uma carreira de free surfer?</strong><br />
Sem dúvida, quem não?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-63211 alignleft" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/carrapateira.jpg" alt="" width="1500" height="1000" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/carrapateira.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/carrapateira-264x176.jpg 264w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/carrapateira-768x512.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/carrapateira-642x428.jpg 642w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Fala-me do triângulo mágico&#8230;</strong><br />
Triângulo mágico é São Julião da Barra é Santo Amaro de Oeiras, Praia da Torre e Carcavelos. Estas são as três praias que constituem este espaço, com realidades distintas e bem definidas pela geografia natural deste promontório que alberga o maior forte setecentista, o Forte de São Julião da Barra, que separa o mar do rio.</p>
<p><strong>Fala de localismo&#8230;</strong><br />
Da tua casa ao Calhau é um caminho que é teu, os campos são teus e a praia é tua. Era assim. Eu lembro-me de entrar e as pessoas afastarem-se. E eu pensava, deixa-me cá tirar partido disto, mas se fosse preciso seria a primeira pessoa a ajudar-te na água. Nunca fui agressivo. Era normal baterem-me à porta. E às vezes era o gajo que tinha sido roubado e lá ia eu fazer a ponte, tentar resolver o problema.</p>
<p><strong>Mas havia cavalaria na praia?</strong><br />
Havia cavalaria, havia infantaria, havia brigada de minas e armadilhas e eu tirava partido dessa má imagem de alguns dos meus amigos. O bairro da Medrosa mandava no Calhau, de uma forma natural.</p>
<p><strong>E para além das ondas, havia festas na praia à “Big Wednesday”?</strong><br />
Passei anos a acabar os dias na praia a tocar congas. Fogueira e chouriço, que noites alucinantes. Tudo a dançar e a cantar. O surf foi um meio social fortíssimo.</p>
<p><strong>Aventuras fora do triângulo.</strong><br />
Uma vez na Praia azul estávamos a surfar e assistimos à queda de uma avioneta. Eu, o Pinóquio, o Canelas e mais um bodyboarder da zona resgatámos os tripulantes. Houve uma senhora que morreu no embate. Mais tarde saiu um anúncio no jornal à procura das pessoas que tinham feito o salvamento e fomos à Câmara Municipal de Torres Vedras receber uma medalha de mérito, com um salão nobre cheio de Vereadores, Presidente, etc.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-63205" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Backside-com-prancha-semente.jpg" alt="" width="1500" height="1082" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Backside-com-prancha-semente.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Backside-com-prancha-semente-244x176.jpg 244w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Backside-com-prancha-semente-768x554.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Backside-com-prancha-semente-593x428.jpg 593w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Durante a nossa conversa o Ratos contou-me tantas histórias, que o difícil mesmo foi ter que escolher as que ficavam nesta entrevista. Os Verões em Peniche onde foi nadador salvador no meio da baía, entre 1988 e 1990, as temporadas no sul em Vale da Telha, surfando as ondas da região, Amoreira, Monte Clérigo, Arrifana.</p>
<p>Faltava-me uma pergunta e fi-la de uma forma rápida.</p>
<p><strong>E hoje, ainda vais ao mar?</strong><br />
Neste momento não tenho muito tempo, mas quando vou ao mar levo um Malibu. Mas mandei fazer uma prancha ao Lacrau, exactamente como eu queria, amarela e vermelhinha com um pin line, tri fin 6.7, só que o surf é <em>paddling</em> e não tenho tido actividade suficiente para estar lá com ela. O surf é o momento em que tu tens braços para remar à velocidade da onda e tens o momento em que te pões em pé e que te permite dropar. Se não tens esse momento estás sempre a cair.</p>
<p>Impossível não ter a sensação de que esta lenda do surf português tem uma sensibilidade rara e está sempre pronto para um elogio ao próximo. Encontra facilmente adjectivos que engrandecem os homenageados. Foi para o Dapin, para o Saca, para o Narciso, para o Paulo Inocentes, para o Peixe, para os Rocha e até para o Pecas, que apelidou carinhosamente de “Pequinhas”. Foi preciso dizer-lhe, constantemente, que eu estava ali para escrever sobre ele, pois o seu discurso era um elogio permanente aos outros surfistas.</p>
<p>Fiquei, ainda, com a certeza de que estava perante um soul surfer mas também de um filósofo.</p>
<p>O Surf somos nós e estas histórias, não são só as marcas e estes interesses (também são, mas depois das pessoas).</p>
<p>O surf muda a vida de uma pessoa.</p>
<p>O surf é como o relógio estar parado. É como se fosse sempre a primeira vez.</p>
<p>Quem faz surf descobre o ouro. Não precisas de ser bom, ganhas uma alegria que só depende ti.</p>
<p>Aloha Rui!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-63207" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/IMG_20211221_100243-1.jpg" alt="" width="1500" height="1010" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/IMG_20211221_100243-1.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/IMG_20211221_100243-1-261x176.jpg 261w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/IMG_20211221_100243-1-768x517.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/IMG_20211221_100243-1-636x428.jpg 636w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Trabalha esse paddling, pois queremos ver-te de novo nos tubos de Carcavelos!</p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog “Caderneta de Mar”.</p>
<p>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com cerca de três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</p>
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		<title>Carrossel &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/exclusivos/carrossel-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Dec 2021 08:22:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[António Neto]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
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					<description><![CDATA[Um surfista que mergulha e outro que rema...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há muito tempo que duas fotografias não me diziam tanto. Um surfista que mergulha e outro que rema, separados por alguns metros. A onda serve como tela para uma pintura e cabem no seu corpo todas as cores e sensações. Estes momentos, registados por um artista e aqui colocados num quadro sequencial, servem para tantas analogias nas nossas vidas. No surf, como em tantas áreas, já se vai sentindo falta de música de qualidade ou de silêncio. De honestidade e de amor à causa. De poesia e de humildade. Falta tanta coisa. Ir! Ir pelo chamamento, sem dinheiro e sem fama. E voltar! Voltar apenas com um sorriso.</p>
<p>Nestas imagens, perpetuadas num ficheiro informático e que irão certamente passar a papel de fotografia, vejo as perspectivas todas. Vejo o querer ir e vejo a vontade. Vejo um mergulho fundo e uma remada forte. Vejo uma descida!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-63137" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/António-Neto-1.jpg" alt="" width="1140" height="731" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/António-Neto-1.jpg 1140w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/António-Neto-1-274x176.jpg 274w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/António-Neto-1-768x492.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/António-Neto-1-667x428.jpg 667w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O António Neto é o surfista que se levanta na prancha e desce a onda. Simples! Remar, levantar e descer. Mas há tanta história antes deste momento. Tanta superação. Tantos mergulhos e braçadas. É assim o caminho, feito de curvas e subidas para se encontrar a descida. Um esforço permanente que dá mais sentido à vida.</p>
<p>É assim neste carrossel!</p>
<p>Surfista: António Neto<br />
@antonioneto901</p>
<p>Fotografia: Chris Saunders<br />
@chrissaundersart<br />
“Collector of life experiences”</p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog “Caderneta de Mar”.</p>
<p>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com cerca de três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</p>
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		<title>Os braços do Saca &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/exclusivos/os-bracos-do-saca-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Dec 2021 16:58:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Tiago Pires]]></category>
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					<description><![CDATA[Aloha Saca! Aloha Dapin!]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na última quarta-feira, o Tiago Pires protagonizou um dos momentos mais bonitos da história do surf português, ao lançar flores em homenagem ao nosso Dapin, na Praia de Carcavelos. Foi um momento de virar a página e dizer entre fronteiras e fora delas, que nós já temos uma história que merece ser contada e partilhada. Nós somos Portugal e caminhamos para a terceira geração de surfistas. Nós não somos a Califórnia da Europa. Nós somos o que somos! Um País bonito, com todos os seus problemas e com uma costa cheia de ondas perfeitas, capaz de fazer inveja a qualquer australiano da costa oeste, ou havaiano do North Shore. Mas eu não queria falar da nossa costa. Lá ia eu disparado. Quando começamos a falar de ondas somos picaretas falantes, sem relógio e com todo o tempo do mundo. Que nos perdoem os não surfistas. Eu queria falar do “Saca” e queria falar de uma forma parcial. Queria falar através do meu olhar sobre este gigante do surf mundial.</p>
<p>Eu vi o Saca a surfar pela primeira vez no Circuito de Esperanças Lightning bolt. Era um circuito que se estendia até aos sub21 e tinha diversas categorias. Na altura em que eu competia, ele devia estar nos sub14 e depois nos sub16. Eu andava por lá completamente despercebido, surfista de meia tabela, com um único resultado “expressivo”, uns quartos-de-final numa etapa com muitas faltas de comparência. Esse anonimato permitia-me observar sem ser observado. Os observados, os ídolos, as vedetas do circuito, à excepção do André Pedroso da Praia Grande, do David Luís, do Francisco Rodrigues (ainda um bebé) e do Hugo Lemos da Caparica, eram os surfistas da Linha, como o Ruben Gonzalez, o David Raimundo, o Xaninho, o Pecas, o Carlos Bakker, entre tantos outros, que se destacavam perante a multidão.</p>
<p>Da Ericeira, vinha sempre um grupo muito pequeno, composto pelo Saca, Gil, Liliana, o puto Xico e mais um ou outro. A futura reserva de surf já era um campo de treinos para os melhores, mas não produzia campeões em massa. O grupo vinha acompanhado por um surfista mais velho responsável pelo clube, que metia os putos em ordem e como o grupo era de dimensão reduzida, por vezes também queria meter na ordem os miúdos dos outros grupos. Lembro-me de uma cena punk, em que a turma da Caparica, onde eu estava incluído, fez uma “obra de arte” na parede de uma casa em Leça da Palmeira, onde dormiam outros competidores. Bananas maduras, uvas e maçãs foram lançadas para um alvo&#8230; A parede do quarto! O desperdício alimentar teve como resultado uma pintura genial que podia até ser avaliada por um crítico de arte, mas o resultado resumiu-se apenas a um sermão desse adulto e, ainda, um “ide lamber os co!hõe$ do vosso padrasto, seus filhos da p…”, pela dona da casa. Grande mulher do Norte!</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-62947" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/20141020_9995.jpg" alt="" width="1140" height="757" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/20141020_9995.jpg 1140w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/20141020_9995-265x176.jpg 265w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/20141020_9995-768x510.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/20141020_9995-645x428.jpg 645w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Tiago assistiu à reprimenda do nosso grupo, caladinho, ao lado do adulto que nos dizia, “vocês assim não vão ser ninguém.”</p>
<p>Em parte, acertou. Daquele trio de atiradores de fruta (Tobias, Gonçalinho e eu), ninguém virou surfista profissional.</p>
<p>Durante os anos que se seguiram nunca mais quis saber do puto Saca, porque me vinha sempre à memória aquele momento. Bem sei que ele ainda era uma criança, mas eu tinha preferido que ele não estivesse ali ao lado daquele adulto, durante o sermão. Parecia que nós éramos a ralé, os surfistas perdidos e ele era a realeza do surf, com apenas 12 ou 13 anos. Doeu!</p>
<p>O Saca foi crescendo, ganhou braços fortes para remar nas ondas mais desafiantes do mundo e traçou objectivos claros, que passavam por uma carreira fora de Portugal e, um dia, chegou a Sunset Beach, com muita vontade de vencer. E foi aí que mostrou todo o seu lado punk aos surfistas mais poderosos e agressivos do Havai. Não mostrou cá fora, com cara de mau ou com frutas na parede, como nós. Mostrou lá dentro. O miúdo tímido, que conhecera em Leça da Palmeira, mostrava agora nas ondas poderosas do Pacífico toda a sua raiva, força, irreverência e rebeldia. Mostrava o seu lado selvagem. Era um gladiador pronto a morrer na arena. Ali estava o Saca, no ano de 2000, ainda muito jovem e já a trucidar ondas e adversários, rumo à final, onde venceu Andy Irons e só não trouxe o caneco para Portugal, porque encontrou um surfista ainda mais selvagem e conhecedor de todos os cantos daquele reef. O Sunny Garcia! O guerreiro luso ficou com o 2º lugar, mas para mim foi o grande vencedor! Nem a sua entrada no CT me trouxe tanta emoção. Aquele foi o momento mais alto que um surfista português podia atingir! O Saca inundou-me de orgulho, tal como o Dapin que foi vice-campeão europeu, mas bem sabemos que foi sempre o melhor nos 80 e 90. Sempre!</p>
<p>É coisa para dizer, que às vezes ser segundo é muito melhor do que ser primeiro.</p>
<p>Aloha Saca! Aloha Dapin!</p>
<p>Obrigado por me fazerem chorar!</p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com cerca de três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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		<title>Big Wednesday, A mais bela celebração da Vida &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/exclusivos/big-wednesday-a-mais-bela-celebracao-da-vida-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Dec 2021 12:52:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Big Wednesday]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
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					<description><![CDATA[“Éramos amigos da praia”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Big Wednesday é para mim um dos filmes mais fascinantes que o mundo do surf já testemunhou. Reina na minha pobre videoteca e sinto-me na obrigação de falar dele a qualquer curioso deste nosso estilo de vida.</p>
<p>Retrata o surf na forma mais pura. Década de 60, Califórnia! Fala de amizades na juventude, de fogueiras na praia, de união em torno das ondas. Mas também de crescimento, de mudança, de vida e de morte, de saudade. É, no mínimo, uma obra de arte. E que bonita homenagem aos homens do mar! Lembro-me de uma cena em particular, em que o surfista Matt Johnson (um dos personagens principais e representado pelo actor Jan-Michael Vincent) assiste ao funeral do seu amigo Waxer, morto em combate na guerra do Vietname. Há um momento em que se dirige ao pai do falecido, dando-lhe as mais sinceras condolências. Este pergunta-lhe de onde conhecia o seu filho.</p>
<p>“Éramos amigos da praia”, responde.</p>
<p>O Homem enlutado ignora a resposta e continua o seu caminho na marcha fúnebre.</p>
<p>Difícil entender que os amigos da praia possam tornar-se das pessoas mais importantes da vida de alguém. Difícil perceber que há sentimentos sinceros que crescem ao ritmo das ondas, que se agasalham com o frio do inverno e que se enraízam nos fundos de rocha e nas bancadas de areia. Difícil compreender que há amizades de mar!</p>
<p>Para muitos, é difícil imaginar que o nome de família, a ideologia política ou os objectivos profissionais, sejam irrelevantes para o barómetro que define sentimentos.</p>
<p>Difícil perceber quem gosta de ser chamado pela alcunha do baptismo de mar, quem grita com entusiasmo com a aproximação de uma onda perfeita e se sente criança em pleno recreio escolar. Difícil perceber que há pessoas que não sabem qual o número de euros da conta bancária dos seus amigos, mas sabem de cor o número de tubos que estes completaram na mais intensa sessão de surf do ano.</p>
<p>Viver! Sentir a magia no jogo das ondas, ignorando o jogo feio que a sociedade joga.</p>
<p>Por duas vezes percebi, da forma mais dura, a importância dos amigos do mar. Percebi com dor! Percebi que eles também partiam… tal como o Waxer, mesmo sem guerras do Vietname.</p>
<p>E foi com muita dor, que tive o privilégio de mergulhar numa celebração intensa e, simples.</p>
<p>Com todo o respeito pelas religiões, peço-vos que esqueçam Igrejas Cristãs, Templos Hindus ou Budistas, Mesquitas e Sinagogas. Vejam apenas mulheres e homens sentados nas suas pranchas de mãos dadas, fazendo uma roda no mar. Oiçam o silêncio cessado com palavras de emoção. Sintam as lágrimas mas espreitem mais os sorrisos.</p>
<p>E não estamos perante a mais bela celebração da vida?</p>
<p>João Meneses</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Big Wednesday (1978) - Remembering Waxer Scene (7/10) | Movieclips" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/2WJjBuXiXK0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>O melhor surfista português de todos os tempos &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/exclusivos/o-melhor-surfista-portugues-de-todos-os-tempos-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Sep 2021 23:18:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[João Alexandre "Dapin"]]></category>
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					<description><![CDATA[Da best?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Lembro-me, como se fosse hoje, de uma conversa que tive há 20 anos no Panamá, com o Felipe Silveira, um ex-surfista profissional brasileiro e que já por essa altura tinha transitado para uma carreira de gestor na indústria do mar.</p>
<p>O Filipe dizia-me,</p>
<p><em>Viajei durante uma temporada pela Austrália, onde competi, apanhei altas ondas e conheci um surfista português fora de série que se chamava…</em></p>
<p>Esperem aí por mais umas linhas. Queriam já saber o nome?</p>
<p>Deixem-me mudar de assunto. Há uma frase que sempre me fez confusão e que era usada de forma recorrente. “ O melhor surfista português de todos os tempos.” Nunca gostei dessa expressão. Expliquem-me o que é ser o melhor surfista? É o que ganha mais campeonatos? O que entra na elite mundial? O mais radical? O melhor em freesurf? O mais consistente? O que tem mais estilo? O mais completo? O melhor tube rider?</p>
<p>E o que é ser o melhor de todos os tempos”? Aquele que foi muito bom no passado? Aquele que foi muito bom no passado e continua a ser bom no presente? Ou aquele que foi tudo isso e, pelo andar da carruagem, continuará a ser bom no futuro? “Todos os tempos” também pode significar a projecção de um futuro, com todas as condicionantes do tempo, como a idade e as dores nas costas, mas a vontade intrínseca de continuar a ser bom e o prazer genuíno de fazer o que se gosta, apenas porque sim. Pode, não pode?</p>
<p>Desculpem-me, mas este sobressalto linguístico sempre me inquietou, porque para mim se houvesse um surfista que fosse considerado o melhor de todos os tempos era precisamente esse que viajou pela Austrália com Filipe e que se destacou no mundo dos melhores. E chamava-se…</p>
<p>Embora lá, será que é desta que vou escrever? Aqui vai, respirem fundo, tomem balanço. Partida! Velocidade, velocidade e zzzzzzzzzzzzzzzzzááássss, ataque de Samurai.</p>
<p>João Alexandre.</p>
<p><em>Dapin</em>!!!</p>
<p>Não me digam que nunca ouviram falar dele? Se não ouviram, é como se fossem surfistas australianos sem saberem quem foi o Michael Peterson, ou sul-africanos e não conhecerem o Shaun Tomson. E não se desculpem porque começaram a fazer surf há pouco tempo ou ainda são novinhos. Vá lá, deixem-se de merdas.</p>
<p>O Dapin foi durante muitos anos o melhor surfista português! Por tudo! Pela radicalidade, pela irreverência, pelo estilo e pela visão progressista de como abordar uma onda. vvshhhhhhhhhhhh velocidade e arte. Podia ser um sniper, um fotógrafo de guerra um especialista em artes marciais ou um guitarrista sem fronteiras. Era um surfista rock star, com uma legião de fãs que se sentava na praia para vê-lo surfar. Poucos surfistas portugueses conseguiram esse feito. Parar a praia fora de uma competição! Até o gajo das bolas de Berlim parava. Imagino a malta no restaurante Narciso a entornar vinho nas camisas e a engasgarem-se a cada tubo ou tail slide do homem.</p>
<p>Perdoem-me a honestidade e a liberdade de dizer alguma coisa com que podem até não concordar, mas acabaram de me enviar um vídeo do mestre a surfar em 2021 com a energia de antigamente, por isso vou escrever mas vocês podem exclamar.</p>
<p>O Dapin é “o melhor surfista português de todos os tempos”.</p>
<p>(Vídeo de 2016)</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Dapin" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/WNIcHnOtb6s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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		<item>
		<title>Peregrinação a Pavones  &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/peregrinacao-a-pavones-por-joao-flecha-meneses/</link>
					<comments>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/peregrinacao-a-pavones-por-joao-flecha-meneses/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jul 2021 08:15:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[Costa Rica]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Pavones]]></category>
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					<description><![CDATA[Dois a favor, um contra...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sabíamos que a aldeia existia. Sabíamos que tinha ondas de perder de vista, sabíamos que era rodeada de verde e banhada por azul, sabíamos que tinha cavalos que corriam pela praia, mas não sabíamos que muito em breve estaríamos por lá!</p>
<p><em>&#8211; Sim! Vamos à Costa Rica!</em></p>
<p>Acabáramos de votar! Dois contra um! Os vencedores argumentavam que seria uma aventura com uma bagagem cheia de ondas.</p>
<p>Estávamos há cerca de 15 dias na aldeia de S. Catalina, em plena selva do Panamá, mergulhando diariamente as nossa pranchas pelas ondas do Pacífico. A estadia estava a corresponder às nossas elevadas expectativas de jovens surfistas. Surf todos os dias, ondas de excelência em água quente, comida saudável, amigos novos, conversas sobre o mundo e uma varanda de bungalow suíço plantado em zona tropical com a melhor vista das redondezas!</p>
<p>O que podíamos pedir mais?</p>
<p>Como jovens sedentos de conhecimento e vontade de seguir em frente, podíamos pedir mais um país, mais uma cultura, uma estrada, uma aventura, uma onda perfeita! Podíamos pedir Pavones!</p>
<p>O surfista que saíra perdedor (mais tarde agradeceria a derrota), falava em muitas horas de viagem, uma fronteira instável pelos recentes ataques do 11 de Setembro e, por fim, jogava a cartada final que de nada lhe serviria perante a motivação dos 2 vencedores na busca de mais uma onda.</p>
<p><em>&#8211; E o dinheiro? Não temos dinheiro para os transportes, fica fora do nosso orçamento.</em></p>
<p>Em poucos minutos esvaziaram-se as carteiras e juntaram-se os trocos (mais tarde, na cidade de Sona fez-se um levantamento das únicas notas de uma <em>conta jovem</em> com sede em Portugal), arrumaram-se as pranchas, mochilas fechadas e por fim uns abraços aos amigos panamenhos, troca de contactos e frases sentidas que quase sempre falham na previsão do futuro.</p>
<p><em>&#8211; Dentro de um ano voltamos! Está prometido!</em></p>
<p>E lá fomos nós, selva fora em direcção à Costa Rica!</p>
<p>Com o sol a pôr-se e já com longas horas de viagem, repartidas em vários autocarros com paragens em cidades e aldeias de estrada, percorríamos agora os últimos kms numa estrada de terra batida tendo como vizinha uma baía mágica de águas azuis. O pequeno táxi transportava-nos desde a fronteira do Panamá, não tínhamos informação de que algum autocarro fizesse este percurso. A estrada enlameada dificultava a vida a qualquer veículo motorizado sem tracção às 4 rodas. Autocarros por ali, não!</p>
<p>Chegámos à aldeia das ondas perfeitas ao final do dia. O mar estava pequeno mas conseguíamos visualizar as linhas de espuma branca a correr a baía de uma forma incrivelmente perfeita. As ondas viviam ali em simetria poética.</p>
<p>Ficámos instalados numas <em>cabinas</em> em quartos simples, com vista para uma imensidão de verde, numa das poucas opções para albergar forasteiros e tendo como vizinhos vários esquilos curiosos. Na mesa da pequena tasquinha saboreávamos o primeiro jantar de <em>Pura Vida</em>, um prato de arroz com feijão preto e ovo estrelado, intervalado com a cerveja local “imperial Costa Rica”, nossa cúmplice nas gargalhadas por este País.</p>
<p>Acordámos com ondas “perfeitas” e sem ninguém por aquelas bandas! A onda percorria uns bons 100 metros, nada de especial para os surfistas assíduos de Pavones habituados a uma onda quilométrica. E foi por essa razão que tivemos Pavones só para nós! Nessa manhã surfámos cerca de 5 horas sem absolutamente ninguém. Dividir aquela onda com amigos, mesmo não estando nos seus melhores dia, foi o melhor que Pavones nos poderia ter oferecido.</p>
<p>Os dias foram passando e após as sessões de surf, a nossa presença na aldeia fazia-se sentir. Descalços no campo de futebol com relvado natural, representávamos Portugal nas “jogatanas” de futebol com os locais, entre golos e suor, lá íamos pensando nas ondas da manhã seguinte e no privilégio de vivenciarmos o quotidiano deste pequeno paraíso. Outras deambulações pela felicidade eram os passeios pela boca do rio. E depois vinham os finais de tarde passados na mesa de matraquilhos, com belos petiscos no pequeno café do final da baía que tinha o privilégio de ver a onda adormecer. Estávamos a sentir a aldeia e sabíamos que ela gostava de nos sentir. Como todos os surfistas que viajam, há sempre a vontade de marcar a sua passagem por uma onda, por um lugar. Desejam ser lembrados quando um dia regressarem.</p>
<p>O surfista que tinha perdido na votação (agora agradecia a derrota), rejeitando a viagem até à aldeia isolada, redimia-se com o seu surf. Sendo <em>goofie,</em> era o que melhor surfava aquela bela parede azul que rolava para a esquerda da baía, estando em perfeita sintonia com o mar. Em cada manobra de <em>lip </em>ou de <em>rail</em>, pensava no triste erro que seria se tivesse optado por não seguir mais além na viagem. Sentia que tinha que se dedicar aquela onda como quem tem a ultima oportunidade para amar uma mulher. Sem mais erros! Tocá-la de uma forma delicada, senti-la, respeitá-la, compreende-la. Uma viagem só deles. E assim o fez! Surfou a onda da aldeia perdida com toda a sua experiência de surfista, com toda a admiração que um homem do mar sente por uma onda que o preenche. Nas secções rápidas fluía com entusiasmo e nas partes moles, enquanto a onda descansava, esperava por ela, abraçava-a curvando os rails da sua prancha em direcção à espuma branca (chamar cutback seria uma palavra bruta perante tamanha harmonia), daí partiam novamente os dois em velocidade, percorrendo a baía até se despedirem um do outro, umas vezes com um sorriso, outras com gritos de alegria, como crianças em hora de recreio. Bem, não se tratava de uma despedida, era apenas um até já, pois em poucos minutos estariam outra vez abraçados</p>
<p>O surfista perdedor da aposta acabara de ganhar um novo amor. A onda de Pavones!</p>
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<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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<p>João Kopke, quase 20 anos mais tarde, também fez a peregrinação&#8230;</p>
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		<title>Nollismo &#8211; Um tributo a Greg Noll &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/nollismo-um-tributo-a-greg-noll-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jun 2021 09:57:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[Greg Noll]]></category>
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					<description><![CDATA[RIP]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Morreu um grande homem, morreu um grande surfista. Mas não morreu uma lenda! Greg Noll será lembrado para sempre e os seus actos de coragem serão transmitidos às próximas gerações através da escrita, das imagens e das palavras de boca em boca. Assim se fazem heróis!</p>
<p>Este homem que nos deixa, fisicamente, aos 84 anos, não se vai embora sem nos deixar uma mala de viagem com um legado de coragem, de audácia e de perseverança, numa época em que nunca precisámos tanto de alicerces sólidos para seguirmos um caminho honesto, respeitando as nossas paixões e o nosso chamamento para um percurso de vida em sintonia com os nossos sonhos. Vivemos numa fase que nos contentamos com a felicidade dos outros, ou que simulamos essa fazedora de sonhos numa qualquer rede social com uma foto estática que queria ser movimento. Vivemos sem querer esfolar joelhos e sem subir às árvores para apanhar frutos. Vivemos com medo de tudo. Vivemos com medo de viver.</p>
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<p><iframe loading="lazy" title="Talk Story: Greg Noll" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/5XDxYVSY4SQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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<p>Greg Noll viveu! Greg Noll vive! Será lembrado como um dos pioneiros em Waimea e Makaha nos anos 50 e em Pipeline, já nos anos 60, desbravando o desconhecido do North Shore Havaiano. Será lembrado como um shaper experiente, um patriarca e um homem de negócios, mas sobretudo, será lembrado como um jovem que saiu do continente americano para procurar mais qualquer coisa nas ilhas… E o resto é história. História do surf e história de uma vida preenchida, cheia de aventuras e de ondas na sua caderneta de recordações.</p>
<p>Aloha Noll. Precisamos de mais gajos como tu.</p>
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<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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