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	<title>João &quot;Flecha&quot; Meneses &#8211; ONFIRE Surf | Portugal</title>
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		<title>O Mestre do Mergulho &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/o-mestre-do-mergulho-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jul 2022 06:53:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
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		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Pato]]></category>
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					<description><![CDATA[Olhos nos olhos]]></description>
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<p>Sempre tive curiosidade em saber quem foi a pessoa que se lembrou de chamar <em>duckdive</em> (bico de pato) à técnica de passar debaixo de uma onda com a prancha. Com toda a certeza foi uma expressão baseada em horas de observação e conhecimento desta espécie de ave aquática. Que ideia genial! Se há um animal que domina o mergulho nas ondas de uma forma sábia, é mesmo o pato que por ali anda, tantas vezes, junto à zona de rebentação. Sempre que vejo um, procuro não o perder de vista e tenho uma lição gratuita de como nos devemos comportar em situações menos confortáveis no mar. Observo a calma perante os quebra-cocos, o deslizar entre correntes, o mergulho perfeito e no <em>timing</em> certo. Já muitas vezes temi pela sua vida,<br><br>“este não se vai safar com as ondas que aí vêm.”<br><br>E é vê-lo a desaparecer e a surgir uns bons metros à frente, para mergulhar de seguida antes da explosão da onda mesmo em cima das rochas. É tudo tão suave, tão natural, ele segue o rio de água salgada, não o contraria. Eles são um só.<br><br>Ontem tive um encontro com essa espécie. Olhos nos olhos. Deu para sentir a sua alma. Eu conto-vos como foi, preciso desse desabafo.<br><br>Depois de uma grande caminhada pela falésia, quis dar um mergulho numa pequena enseada portuguesa, longe das multidões e que ganha aos pontos a algumas praias de postais do Caribe. Ele olhava para mim e para mais um grupo de pessoas que tentavam uma aproximação. Vi o medo no seu olhar. Medo de mim, medo deles, medo da situação de vulnerabilidade. Ali estava um Ser, parado, em cima de uma rocha, quem sabe a ganhar alguma energia e a pedir vida ao universo. Talvez em pânico ou, simplesmente, à espera da sua hora…<br><br>Tinha a asa direita totalmente presa por um anzol e uma pequena boia das redes de pesca. Percebi que dificilmente alguém daquele grupo de pessoas chegaria aquela rocha de arestas pontiagudas e de bivalves com unhas afiadas, que agora se transformava em ilha com a maré a encher. Trepei-a com a ajuda de todos anos de experiência por terrenos costeiros que só um marisqueiro ou um surfista pode ter. Sem vaidade perante o grupo de leigos e apenas com a missão de salvar o Mestre do Mergulho. Eu aproximava-me e ele afastava-se. Pedi uma camisola a uma senhora estrangeira que escalava com dificuldade mas com a coragem de quem queria salvar uma vida. Dei mais um passo e olhei os seus pés, de pato pois então, que máquinas de nadar, que pés de bodyboarder selvagem. Percebi nesse momento que ia lançar-se ao mar, a sua zona de conforto. Após uma descida em que os meus pés se rasgaram como manteiga amolecida perante uma faca de barrar, segui-o em natação suave por cerca de 100 metros. Chegámos à outra ponta da enseada, olhámo-nos uma vez mais, desta vez mais longe, não houve permissão para aproximações e, quase que o ouvi dizer,<br><br>Posso morrer aqui na minha casa, mas a mim não me apanhas.<br><br>Voltei a nado para o pequeno areal com algas, procurando encontrar optimismo na situação. É um pato de mar, não é uma gaivota, nada e mergulha como ninguém mesmo estando em sofrimento, pode caçar e quem sabe soltar-se daquele maldito anzol.<br><br>Enquanto limpava os meus pés com a toalha amarela, agora salpicada com sangue da caminhada inesperada, a senhora da camisola passou por mim e perguntou:<br><br><em>Are you a local?</em><br>Timidamente, respondi que sim.<br>Que resposta estúpida, pensei. Se havia alguém local, era ele.<br></p>



<p>Sobre o Autor:<br>João “Flecha” Meneses | Com três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul surfer&#8221;. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há duas décadas e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta foi mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</p>
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		<title>Expectativa / realidade &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/expectativa-realidade-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Mar 2022 08:24:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Mittermayer]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
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					<description><![CDATA[Encaixar 2 manobras bonitas em vez de tentar 3 de bengala...]]></description>
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<p>Tenho um assunto que ando a remoer há tempo demais. Tem a ver com expectativa/ realidade, e já agora, em jeito de letra de música, acrescento maturidade.<br><br>Estava aqui a reler uns textos antigos neste dia de chuva. Há quem opte por ir ao arquivo e fazer uns<em> posts</em> de dias de sol, mas a mim deu-me para isto, confrontar-me com o que escrevi há uns anos e perceber se ainda estou de acordo comigo. Fui parar, propositadamente, a um texto que escrevi sobre o estilo do surf português. Ao relê-lo, não mudava uma única palavra. O texto foi um claro elogio a alguns surfistas portugueses e uma chamada de atenção para algumas instituições. Apenas isso.<br><br>Passaram-se alguns anos e há um tema que é recorrente e mais do mesmo. Quem será o próximo surfista português na elite mundial? Parece aquela conversa de café ou de elevador, que anda ali à volta dos preços dos combustíveis ou da chuva que não aparece.<br><br>Em primeiro o tema é sempre discutível, o que é a elite mundial? Mas vamos partir do pressuposto que a conversa de café se refere à WSL. Para mim alguns dos melhores surfistas não estão no tour da WSL, mas admitamos que uma grande parte está lá. Agora vamos perceber como é que eles lá chegaram. Vieram numa nave espacial, quase sempre de países com uma grande tradição de surf e com muitas gerações no calendário solar. Pois bem, chegaram naturalmente, porque vêm de um planeta diferente do nosso. Eu diria que uma significante percentagem dos freesurfers desses países é melhor que qualquer surfista português que ande pelos pódios dos campeonatos regionais e nacionais. E era aí mesmo que eu queria chegar. A competição! Competir é das melhores formas para evoluir. É nessa arena das licras coloridas que a superação surge aos minutos e aos segundos, onde técnica, resistência e cabeça, precisam de se abraçar para poderem festejar a cada toque de buzina, anunciando o final da bateria. Acho que estamos todos de acordo em relação a isso. Mas se não estiverem, continuem a ler, é sempre bom percebermos através das palavras dos outros, o quão estamos certos e eles errados.<br><br>Estilo, fluidez, suavidade, sintonia com o mar e leitura de ondas. Como se consegue? Com dedicação, humildade, muitas horas dentro de água, experiência, visualização de filmes a babar a almofada no sofá numa tarde de chuva, mergulhos na cultura do surf nacional e mundial e também um pouco de sorte, pois o estilo não é para qualquer um. </p>



<p>E é precisamente nestas áreas que temos ainda muito por escalar. Vou ser mais específico, vou dar exemplos claros. Embora lá.<br>Tocou a buzina:<br>Voar com um simples aéreo, clean, em vez daqueles tiques com “reverses” automáticos de quem não sabe mandar um cutback;<br>Encaixar 2 manobras bonitas em vez de tentar 3 de bengala e já quase a mandar a toalha ao chão;<br>Saber ganhar velocidade e “atacar” a onda com bottoms eficazes, sem grandes interrupções da 2ª para 3ª mudança, para não estragar a caixa de velocidades. Fluidez na condução;<br>Deixar de surfar de forma robótica, sem personalidade, sem criatividade e imitando o inimitável;<br>Convidar o “treinador” para surfar, com o objectivo de perceber se ele é um Zulmiro ou é mesmo um surfista que sabe do que está a falar. É que a transmissão do capital cultural é tão ou mais importante que o talento natural;<br></p>



<p>Saber deslizar dentro de um tubo e usufruir do momento à surfista, saindo com um sorriso enquanto se é varrido pela “baforada” de espuma;<br></p>



<p>Surfar todo o tipo de mares e estar lá dentro porque sim.<br>E por fim, sem invejas e dores de cotovelo, observar o Francisco Mittermayer, que não sei o que será no futuro, se um grande competidor, um free surfer talentoso, ou apenas mais um gajo feliz dentro de água. Apenas sei, que por agora, é um puto que nos deve inspirar pela mestria, suavidade, técnica, estilo e sintonia com a onda. Tem cabelo loiro e não se veste de preto mas podia ser um Ninja a saltar do telhado.<br><br>E é isso que se quer para uma nação que tem como aspiração ter mais um surfista na elite mundial.</p>



<p></p>



<p>Sobre o Autor:<br>João “Flecha” Meneses | Com três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há quase duas décadas e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta foi mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</p>
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