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	<title>entrevista &#8211; ONFIRE Surf | Portugal</title>
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	<description>by surfers, for surfers</description>
	<lastBuildDate>Mon, 19 Jan 2026 15:35:24 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Shaper Talk &#124; Britt Merrick fala sobre Portugal, Stab in the Dark e mais&#8230;</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/shaper-talk-britt-merrick-fala-sobre-portugal-stab-in-the-dark-e-mais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 14:38:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Britt Merrick]]></category>
		<category><![CDATA[Channel Islands]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Shaper Talk]]></category>
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					<description><![CDATA[Master shaper de segunda geração...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A marca que muitos conheceram como &#8220;Al Merrick&#8221;, mas que hoje em dia já responde mais pelo nome de Channel Islands, o seu verdadeiro nome, é liderada há mais de uma década não por Al, que já se reformou, mas pelo seu filho Britt. Este ser humano de quase dois metros herdou alguns dos &#8220;sapatos mais difíceis de preencher&#8221; de toda a indústria do surf, já que as pranchas do seu pai dominaram o circuito mundial durante décadas através de surfistas como Tom Curren, Kelly Slater, Rob Machado e muitos outros. Hoje podemos assumir que Britt Merrick não só correspondeu às expectativas como as superou. Apesar de lhe faltar um título mundial no curriculum, Merrick venceu algo que poderá ter praticamente o mesmo valor, o teste de pranchas mais conhecido da indústria do surf, Stab in the Dark. Britt não só venceu, como venceu três vezes, sendo o recordista de vitórias do SITD, e está na disputa neste momento por mais um. Curiosamente, este shaper não só já tinha estado em Portugal como já tinha shapeado no nosso país, uma história caricata mas especial que partilhou com a ONFIRE numa das suas passagens recentes pelo nosso país.</p>



<p><strong>Sabemos que já tinhas estado em Portugal e que inclusive tinhas feito algumas pranchas por cá há algumas décadas…</strong><br>Sim, nos anos 90 eu estava em França e o Tom Curren e ele convidou-me para ir com ele a Portugal e Espanha porque ele ia competir em algumas provas. Na altura ele estava a surfar de Maurice Cole mas teve um heat muito mau numa delas e, quando saiu do heat, em vez de dar autógrafos deu as pranchas a uns miúdos e disse que agora eu tinha que lhe fazer uma prancha. Encontrou-me uma sala de shape algures em Peniche num celeiro. Nem era uma sala de shape mas tinha umas ferramentas e <em>racks</em> então fiz-lhe uma prancha lá e ele adorou e usou-a o ano todo. Encontrei-o recentemente em Peniche e ele disse-me que gostava de ainda ter essa prancha. Eu era muito jovem quando isso aconteceu por isso foi algo especial para mim, estar cá com ele, fazer aquela prancha que ele gostou. Faz de Portugal um sítio especial para mim.</p>



<p><strong>O quão importante é um evento como o (teste de pranchas) Stab in The Dark para uma marca? É algo que se transforma em vendas ou apenas mais notoriedade?</strong><br>Não é assim tão importante para a marca a nível de vendas, não gera um aumento relevante, mas é importante para nós como pessoas. E quando digo nós, quero dizer toda a gente na Channel Islands que trabalha nas pranchas, design, fibragem, lixa, meter as quilhas. Para nós uma uma validação sobre o bom trabalho que fazemos, e a paixão que temos pelo que fazemos. Para mim, como shaper, vencer o Stab in The Dark é o equivalente a vencer um título mundial mas tem muito mais valor a nível pessoal que em termos de negócio.</p>



<p><strong>Qual é o modelo mais popular da actualidade para a CI?</strong><br>O nosso <em>best seller</em> dos últimos anos tem sido o Happy Every Day. É uma prancha fácil de surfar, que funciona bem em muitos tipos de ondas, para a maior parte dos surfistas, na maior parte das condições. Também temos a CI 2. Pro e a CI Pro que são o topo de alta performance dentro da nossa marca. É o que a maior parte da equipa está a usar, e a dumpster diver 2.0, que fizemos com o Dane Reynolds, é um modelo que tem tido sucesso.</p>



<p><strong>O que os surfistas do team CI estão a usar é muito diferente do que o que o surfista “vulgar” está a encontrar nas lojas?</strong><br>Os surfistas de topo estão a usar coisas bastante “únicas”, altamente refinado para o que lhes fazem. É o que devia ser. Na formula 1 os pilotos não estão a usar carros que qualquer pessoa conseguiria guiar. Tudo o que se aprende nessas pranchas para os surfistas de topo é adaptada para o surfista normal. Aprendemos muito sobre rocker, curvas, rail, foil, e aproveitamos tudo o que aprendemos nesse nível de &#8220;formula 1&#8221; e aplica-se a tudo o que fazemos nos modelos que produzimos. Não será igual ao que eles estão a usar, mas terá os “ingredientes mágicos” que retiramos da experiência que os melhores surfistas têm com as nossas pranchas.</p>



<p><strong>Sendo o filho e sucessor do que é possivelmente o melhor shaper da história, quando foi o momento que sentiste que estavas realmente a dar continuidade ao trabalho que já vinha detrás na Channel Islands?</strong><br>Eu acho que me vou sempre sentir um pouco na sombra do meu pai. Penso que nunca haverá outro Al Merrick, não sei se alguma vez alguém irá vencer mais títulos que ele ou inovar como ele. Mas para mim o momento que me senti digno de dar continuidade ao trabalho dele foi quando venci o Stab in the Dark, três vezes. Foi uma grande validação do meu trabalho, foi com designs que eu desenvolvi.</p>



<p><strong>Para terminar, o que achas que pode ser a próxima grande mudança no mundo do shape? Já foi tudo inventado e agora é só uma questão de refinar ou ainda poderá acontecer algo drástico?</strong><br>Já me fazem esta pergunta desde 1990 e o que é certo é que pouco mudou desde aí. Na realidade pouca coisa mudou desde 1955 até hoje. Ainda estamos a usar os mesmos materiais que usávamos nessa altura. Epoxy não é uma coisa nova. E em 1955 estávamos a usar PU com stringer de madeira, como resina poliéster. É a mesma coisa. Houve apenas algumas grandes alterações. De longboard para shortboard, de single para twin fin e depois para trifin. A partir daí foi só refinar. Eu adorava dizer, sim, sim vai haver uma enorme mudança na tecnologia ou design, mas muito honestamente, não acredito. Não há dinheiro na produção de pranchas de surf. Ninguém tem um milhão para desenvolver um foam novo, um fibra nova ou resina. Vamos apenas refinar o que tem sido feito.</p>



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<iframe title="Happy Everyday - Britt Breakdown" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/soxdn5xci6A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Shaper Talk &#124; Paulo do Bairro fala sobre a viagem que faz dele um dos shapers com mais conhecimento a nível Europeu&#8230;</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/exclusivos/paulo-do-bairro-fala-sobre-a-viagem-que-faz-dele-um-dos-shapers-com-mais-conhecimento-a-nivel-europeu/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Feb 2023 16:37:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Jon Pyzel]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo do Bairro]]></category>
		<category><![CDATA[Polen]]></category>
		<category><![CDATA[Shaper Talk]]></category>
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					<description><![CDATA[PB &#038; Pyzel na Waialua Suger Mill]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Havaí não é apenas o “ultimate proving ground” para surfistas profissionais, é também onde estão baseados muitos dos melhores shapers do mundo. Uma figura de topo entre os shapers baseados no Havaí é Jon Pyzel, shaper da marca Pyzel Surfboards, fabricante das pranchas do surfista que a grande maioria considera como o melhor da actualidade, John John Florence.</p>



<p>Paulo do Bairro, shaper da Polen Surfboards, marca que produz as pranchas Pyzel Surfboards para a Europa, esteve recentemente na famosa Waialua Suger Mill com Jon Pyzel. O objectivo era desenvolver um trabalho em conjunto para o mercado Europeu, tornando-se num dos shapers Europeus com mais conhecimento na área, o que já se reflecte nas pranchas que são produzidas na fábrica da Polen e na performance dos atletas na água.</p>



<p><strong>Depois de várias passagens pelo North Shore como surfista, qual foi o objectivo da tua mais recente viagem?</strong><br>O objectivo era o mesmo que nas outras viagens, receber informação de um dos nossos parceiros e aumentar o meu conhecimento como shaper.</p>



<p><strong>Como era o contacto com o Pyzel anteriormente a esta viagem, e o que mudou?</strong><br>Devido ao covid houve um interregno de partilha de informação presencial. Tem havido partilha sim, por exemplo informação de todos os modelos novos, como o <a href="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/9163/pyzel/highline" data-type="URL" data-id="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/9163/pyzel/highline" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Highline</a>, <a href="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/12560/pyzel/mini-ghost" data-type="URL" data-id="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/12560/pyzel/mini-ghost" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mini Ghost </a>e <a href="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/15131/pyzel/wildcat" data-type="URL" data-id="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/15131/pyzel/wildcat" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Wildcat</a>, entre outros.</p>



<p><strong>Como foi a troca de conhecimentos?</strong><br>Foi muito a nível de shape e detalhes, e não tanto design ou tempo passado ao computador. O Jon tem uma capacidade muito boa de falar com as pessoas e de as deixar à vontade. É uma pessoa também bastante ocupada por isso muitas vezes as coisas são feitas em passo acelerado. Muitas vezes tirei notas ou fiz vídeos dele a falar, porque era a melhor maneira que eu tinha de captar mais informação.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="728" height="382" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2023/02/PYZEL_2-copy-728x382.jpg" alt="" class="wp-image-69325" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2023/02/PYZEL_2-copy-728x382.jpg 728w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2023/02/PYZEL_2-copy-300x157.jpg 300w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2023/02/PYZEL_2-copy-768x403.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2023/02/PYZEL_2-copy.jpg 1140w" sizes="(max-width: 728px) 100vw, 728px" /></figure>



<p><strong>Como tem sido o teu contacto com os modelos da Pyzel Surfboards, e quais são os que mais se destacam para ti?</strong><br>Os meus modelos preferidos sempre foram a <a href="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/316/pyzel/pyzalien" data-type="URL" data-id="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/316/pyzel/pyzalien" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pyzalian</a>, a <a href="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/1106/pyzel/padillac" data-type="URL" data-id="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/1106/pyzel/padillac" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Padillac</a> e a <a href="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/3952/pyzel/radius" data-type="URL" data-id="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/3952/pyzel/radius" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Radius</a>, porque se encaixam bem nas minhas características como surfista. Mas lá tive a oportunidade de surfar com a <a href="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/1175/pyzel/ghost" data-type="URL" data-id="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/1175/pyzel/ghost" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ghost</a> e adorei. É uma prancha mais refinada no tail e que eu pensei que fosse ficar um bocado mais debaixo de água mas que tem uma viragem de rail para rail muito boa. Talvez por estar no Havaí, e as ondas terem um bocadinho mais de força, encaixou-se bem. Mas a maior surpresa talvez tenha sido a <a href="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/9163/pyzel/highline" data-type="URL" data-id="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/9163/pyzel/highline" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Highline</a>. Usei uma prancha um bocado maior do que aquilo que eu uso no dia a dia, de stock, mais larga e mais grossa, e provou ter uma viragem fácil de rail para rail incrível.</p>



<p><strong>Quais foram as áreas em que sentes que mais te desenvolveste?</strong><br>O Pyzel dá-nos bastante informação. Fornece-nos os designs todos, feitos por tamanhos, marcação das quilhas, tudo para podermos ter esse guia quando fazemos as pranchas. Nesta viagem ele passou-me informação do porquê que ele gosta assim, a lógica e funcionalidade por detrás de alguns detalhes.</p>



<p><strong>Havia algo mais específico dos shapes do Pyzel que querias muito receber informação?</strong><br>Sim, o que eu tinha mais curiosidade era sobre as <a href="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/1106/pyzel/padillac" data-type="URL" data-id="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/1106/pyzel/padillac" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Padillac</a>, que é a prancha que eu mais aprecio entre os modelos do Pyzel. É uma prancha de ondas grandes e que as linhas são lindas e perfeitas. Basta dizer que, no North Shore, sejas quem tu fores, independentemente do teu patrocínio de pranchas, toda a gente tem uma <a href="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/1106/pyzel/padillac" data-type="URL" data-id="https://www.polensurfboards.com/surfboards/details/1106/pyzel/padillac" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Paddilac</a> no seu quiver para surfar ondas grandes.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="728" height="382" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2023/02/PYZEL_1-copy-728x382.jpg" alt="" class="wp-image-69326" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2023/02/PYZEL_1-copy-728x382.jpg 728w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2023/02/PYZEL_1-copy-300x157.jpg 300w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2023/02/PYZEL_1-copy-768x403.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2023/02/PYZEL_1-copy.jpg 1140w" sizes="(max-width: 728px) 100vw, 728px" /></figure>



<p><strong>Como foi conviver com ele durante estes dias?</strong><br>O Pyzel é muito diferente do que encontrei até agora em outros shapers. Tudo na vida dele revolve à volta de fazer surf. Ele vê o surf sempre de manhã e o forecast, planeia a surfada dele, e tudo à volta encaixa-se nisso. O que achei bastante interessante é que, normalmente os shapers são sempre muito ocupados, estão sempre na sala de shape, mas ele faz as coisas de maneira diferente do que eu tinha visto até agora. Só tenho a agradecer ao Jon pela forma como me recebeu, e pela partilha de informação e conhecimento.</p>



<p><strong>Para terminar, tiveste a oportunidade acompanhar a ligação dele com o John John Florence…</strong><br>Tive alguns momentos em que foi possível ver essa ligação. Ele falava-me das pranchas do John John e houve vezes em que eu estive na sala de shape com ele quando shapeava pranchas para o John John e dizia-me o que estava a fazer, o que.o levou a fazer essa prancha. Uma das coisas que ele me disse é que o John John é uma pessoa muito meticulosa, muito “self aware”. Ele sente pequenos detalhes e pormenores nas pranchas, basta haver 1/16 a mais de grossura que era o suficiente para ele ligar a perguntar se tinha engrossado as pranchas dele. Porque ele é assim tão sensível.</p>



<p></p>



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<p></p>



<p></p>
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		<title>João Maria Girão fala sobre o evento &#8220;Collect Culture 58 Surf Edition&#8221;</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/joao-maria-girao-fala-sobre-o-evento-collect-culture-58-surf-edition/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 May 2022 12:48:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Dia 21 de Maio, na Ericeira!!!]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>João Maria Girão é uma referência no mundo da música electrónica em Portugal, não só como artista mas também como empreendedor. Antes da música João já mostrava muito talento tanto no skate como no surf, sendo um dos destaques de uma das mais marcantes gerações de surfistas algarvios, na companhia de nomes como João Mealha, Badoga, Miguel Neto, Pargana, Valagão, Fernando Fontainhas, Didi, Estaca, entre outros. Recentemente este embaixador da marca RVCA juntou-se à 58 Surf para organizar um evento que junta o surf, skate e a música e promete dar que falar. Fica a saber um pouco mais sobre João Maria Girão e os seus projectos&#8230;</p>



<p><strong>Sabemos que tens uma longa ligação tanto com o surf como com o skate, fala um pouco sobre as tuas origens…</strong><br>A minha relação com o surf e com o skate começa desde que me lembro de ser alguém. Quando era muito miúdo comecei a skatar com os meus amigos, em Faro. Tínhamos um grupo grande, era uma cena mesmo old school a descer grandes avenidas e a fazer alguns truques da altura. Passávamos a vida a ver filmes de skate, e depois íamos para a rua tentar fazer a mesma coisa. Depois disso, lá para os meus 11/12 anos, entrei a fundo no surf, também com esse grupo de amigos. E nunca mais parei. Aí larguei um bocado o skate, passei a surfar todos os dias e fiz algumas competições, os esperanças da Lightning Bolt e alguns nacionais.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="400" height="267" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2022/05/joao-maria.jpg" alt="21 de Maio de 2022..." class="wp-image-65556" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2022/05/joao-maria.jpg 400w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2022/05/joao-maria-264x176.jpg 264w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></figure>



<p><strong>E quando voltaste ao skate mais a sério?</strong><br>A certa altura fui para Londres, por volta de 97, e aí dediquei-me completamente ao skate de uma forma que nunca tinha feito antes. Tive a sorte de partilhar uma casa com o Jocke Olsen, quando ele ainda competia em vert. Evoluí bastante com ele na cena da mini-rampa e half pipe pois durante os 5/6 anos que tive em Londres skatava todos os dias. Cheguei a entrar num campeonato nacional que houve em Lisboa e ganhei nos amadores e o Gui (Rodrigo Pimentão), um dos meus melhores amigos, ganhou os profissionais.</p>



<p><strong>E a música, quando surgiu?</strong><br>Ainda enquanto estive em Londres, na mesma altura em que me agarro ao skate, agarro-me à música. Antes de ir tinha tido uma banda de punk rock, e quando lá chego comecei a sair mais à noite e a ir a clubes ouvir DJ’s a tocar. Depois conheci uma espanhola que era DJ e que me ensinou a tocar, comecei a tocar música e nunca mais parei. E foi assim, o surf, a música e o skate são a minha vida, sempre foram desde criança e felizmente tenho a sorte de aos 45 anos viver de tudo isto. </p>



<p><strong>Como foi o processo até à música se transformar numa profissão para ti?</strong><br>Entre 98 ou 99 consegui a minha primeira residência em Londres, tocava todas as semanas lá num clube e nunca mais parei. Já em Portugal, no início dos 2000, comecei a tocar um bocadinho por todo o país. Na altura havia uma promotora e editora de discos, que era a Kaos e era gerida pelo António Cunha, que já faleceu, e ele começou-me a convidar para tocar nos eventos deles e na Kadok, que era um dos melhores clubes a nível nacional. A certa altura, percebi também que a minha vida poderia mesmo passar pela música a nível profissional, mas também percebi que tinha que fazer mais coisas à volta disto, dentro da indústria da música e não ficar só pelo DJing, porque sempre foi difícil viver só disso. Há poucos artistas em Portugal que conseguem viver só a pôr música se realmente quiserem ter uma vida estável, que era o que eu queria, e comecei a procurar dentro da indústria outras coisas para fazer. Comecei a organizar festas, a fazer bookings para festivais e para clubes e a contratar artistas estrangeiros e nacionais para tocarem em festivais e clubes. Criei editoras, montei lojas de discos, programas de rádio&#8230; Acho que já fiz um bocadinho de tudo dentro da indústria da música, mais especificamente da música electrónica. E continuo a fazer, na verdade é o que me dá pica. Tem sido uma viagem grande, uma experiência de altos e baixos mas, ao mesmo tempo, muito completa e que me preenche bastante. Tenho muito orgulho em dizer que vivo da música.</p>



<p><strong>Como surgiu o espaço Collect?</strong><br>A Collect nasce de um sonho, juntamente com o meu irmão Bernardo e com a Mariana Barosa, de criar uma estrutura onde pudéssemos trabalhar os três juntos a fazer aquilo que mais gostamos de fazer na vida. O meu irmão mais na restauração, área onde trabalha há muitos anos, e eu e a Mariana dentro da música. São 20 e tal anos nessa área, a fazer um bocadinho de tudo, e pensámos que estava na altura de criar o nosso próprio espaço, onde pudéssemos por em prática a nossa experiência. Quisemos criar uma marca, a Collect, e um conceito e tivemos a sorte de ter a possibilidade de agarrar este espaço no Cais do Sodré, onde antigamente era o restaurante duplex. Aqui dentro temos restaurante, bar, loja de discos, fazemos rádio online e um livestream de segunda a sexta. Vêm tocar bandas e temos DJs todos os dias, de segunda a segunda, não fechamos nenhum dia. É mais um sonho que foi para a frente e que, felizmente, mesmo com a pandemia e tudo mais, conseguimos dar a volta e está a correr bem. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="428" height="428" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2022/05/collect-culture-428x428.jpeg" alt="" class="wp-image-65554" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2022/05/collect-culture-428x428.jpeg 428w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2022/05/collect-culture-176x176.jpeg 176w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2022/05/collect-culture-768x768.jpeg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2022/05/collect-culture.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 428px) 100vw, 428px" /></figure>



<p><strong>Fala um pouco sobre o evento Collect Culture 58 Surf Edition…</strong><br>A Collect é um spot que acaba por ser um ponto de encontro para artistas e muitos destes artistas estão ligados também ao skate e ao surf. O pessoal que vem cá é malta da música, portanto respiramos muito isso aqui dentro. Daí até ter pensado num evento que esteja ligado aos três foi muito rápido. É algo que eu tinha já pensado na minha cabeça há alguns anos e em conversa com o Pedro Soeiro Dias (director de marketing da Despomar), quando ele me quis apoiar com a RVCA, comecei-lhe a falar desta minha ideia, do que eu gostava de fazer, e ele achou perfeito e pois era algo que já queriam fazer e fazia todo o sentido com a 58. A RVCA vai estar a apoiar o evento do surf, o<a rel="noreferrer noopener" href="https://www.onfiresurfmag.com/noticias/rvca-apresenta-single-fin-ahead/" data-type="URL" data-id="https://www.onfiresurfmag.com/noticias/rvca-apresenta-single-fin-ahead/" target="_blank"> Single Fin Ahead</a>. O evento começa na Praia de Ribeira D’Ilhas, por volta das 10:30 e vai ser uma coisa completamente descomprometida, em que as pessoas vão para dentro de água surfar de single fin e dar azo à imaginação. O critério de avaliação vai ser o style, aquele que se adaptar melhor a esse tipo de surf vai ser o vencedor mas, na verdade, o importante é irmos todos para dentro de água e estarmos ali a viver um grande momento. A partir das três da tarde vamos para a 58, onde temos um evento de skate com o Gustavo Ribeiro, <a rel="noreferrer noopener" href="https://www.onsk8.com/noticias/cariuma-apresenta-o-no-push-lines-com-gustavo-ribeiro/" data-type="URL" data-id="https://www.onsk8.com/noticias/cariuma-apresenta-o-no-push-lines-com-gustavo-ribeiro/" target="_blank">o Skate Jam &#8211; No Push Lines</a>, que também vai ser brutal porque ele vai convidar alguns amigos para disputarem o best trick nos bancos de cimento que vão ser criados. E depois temos dois palcos de música, um no relvado, e outro no primeiro andar, numa varanda a dar para o mar, que é uma coisa brutal, com uma vista incrível. Temos na parte de baixo, onde vai ser o palco principal, bandas, que vão desde o disco ao soul, funk, hip hop, e temos os slum village, que é uma banda icónica de hip hop de Detroit, que são os cabeça de cartaz deste evento. Vai ser uma cena muito especial. Será das 3 da tarde às 4 da manhã, uma granda festa com bares e food trucks, tudo muito bem organizado e será com a mesma equipa de produção que uso para outros eventos e festivais que produzo. Vai ser uma coisa mesmo à séria, muito bem organizado, um evento para ficar.</p>



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]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Shaper Talk &#124; Entrevista com Johnny Cabianca, shaper do surfista número 1 do mundo</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/entrevista-com-johnny-cabianca-shaper-do-surfista-numero-1-do-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antonio Nielsen]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Dec 2021 18:21:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Johnny Cabianca]]></category>
		<category><![CDATA[Shaper Talk]]></category>
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					<description><![CDATA[Cabianca Surfboards]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando se fala em Cabianca, muitas vezes fala-se em Medina, o tri-campeão mundial que usa as suas pranchas quase exclusivamente. Mas, muito antes de Gabriel Medina sequer se ter iniciado no surf já Johnny trabalhava na área, evoluindo prancha a prancha até aos seus caminhos se cruzarem e, em conjunto, fazerem história. Fica a conhecer a história de Johnny Cabianca, um shaper de personalidade humilde e um talento fora de série nas mãos&#8230;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Como começou o seu percurso como surfista?</strong><br />
Eu sou de uma família da cidade de São Paulo que frequentava muito o litoral, Guarujá e Santos, aquela área da costa de São Paulo. E claro, o surf começou ainda em criança e com 12 ou 13 anos já surfava com pranchas de fibra. Pouco depois, com 14 ou 15 anos, já fazia os remendos na prancha do meu irmão, e depois nas dos nossos amigos.</p>
<p><strong>Quando começou a trabalhar com pranchas?</strong><br />
Em 1980 um amigo meu de São Paulo, também apaixonado pelo surf, criou uma marca chamada Summer Birds e começámos a fazer pranchas. O que mais fazíamos era remendos mas, depois, fizemos uma prancha inteira e, claro, a primeira foi para o meu irmão. Mais tarde, entre 82 e 84, a coisa começou a crescer e mudámo-nos para um espaço maior para aumentar a produção. Ainda me lembro que, quando fizemos pela primeira vez 9 pranchas num mês comemoramos muito. Foi uma época boa, de muito aprendizado, no Brasil não se encontrava nenhum tipo de informação de como fazer e naquela época não existia google. Era chegar a uma loja e comprar resina “cristal”, nem se dizia poliéster, a fibra de vidro era o que vinha, só descobrimos o que eram onças mais tarde, e o bloco de PU da época, que eram da Clark Foam expandidos no Brasil. Fazíamos pranchas com polimento, quilhas fixas, pigmento ou pinturas de airbrush, fazíamos o que víamos nas revistas e aprendíamos com os erros.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-63228" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Medina_G_21Finals_Heff_TYH0536.jpg" alt="" width="1140" height="760" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Medina_G_21Finals_Heff_TYH0536.jpg 1140w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Medina_G_21Finals_Heff_TYH0536-264x176.jpg 264w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Medina_G_21Finals_Heff_TYH0536-768x512.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Medina_G_21Finals_Heff_TYH0536-642x428.jpg 642w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /></p>
<p><strong>Como foi o percurso a partir daí?</strong><br />
Em 1990 o meu sócio na Summer Birds decidiu seguir outro caminho e eu continuei, a fazer as pranchas e a shapear. Até aí tinha sido laminador apenas, mas peguei na plaina e comecei a fazer pranchas para o meu irmão e os nossos amigos. Nessa altura frequentava a Praia de Maresias e aí consegui ter uma expressão maior, dentro dessa comunidade. Tinha ali o meu grupo de amigos e fazia pranchas para eles em meu nome. Foi quando um grande amigo meu, o Dr. Luciano Leão, o inventor da máquina DSD, me chamou para trabalhar com ele, em 1993. O plano era ele afastar-se da fábrica que ele tinha, a Surface, e eu ia ficar como a pessoa responsável por ela porque ele teria que desenvolver o software e a máquina. Em 95 a máquina já estava pronta e foi feita a primeira venda, para o Jeff Bushman no Havai. E assim começou tudo, comecei a aprender informática e o programa DSD e assim passei a ter contacto com vários shapers e fabricantes de pranchas de fora do Brasil, pois eles vinham atrás dessa tecnologia. Foi quando surgiu o primeiro convite para ir conhecer a Europa. Eu vim parar à fábrica da Full&amp;Cas, em 2000, depois fui para a Pukas, onde estive três semanas a montar a máquina, e de seguida fui para Portugal, montar a máquina da SPO com o Hugo Cartaxana em Santa Cruz. O Hugo, é um grande amigo e uma grande pessoa e estive por lá até 2002. Em junho de 2002 apareceu o Jeff Bushman, que tinha estado a trabalhar na fábrica da WatSay em Sopelana, e passou em Santa Cruz à minha procura para me fazer um convite para ir para o Havai. Em julho de 2002 mudei-me para lá.  Trabalhei no Havai até julho de 2003 que foi quando o Ignacio, o gerente da Pukas, me convidou para voltar à Europa e dar uma ajuda nos cortes e também trabalhar como shaper e back shaper, então eu voltei para a Europa.</p>
<p><strong>Esteve quanto tempo na Pukas?</strong><br />
Foram 11 anos, em San Sebastian, foi um tempo de crescimento, a ver como funcionam grandes produções, a conviver com grandes nomes que passaram pela fábrica, onde eu ajudava a desenhar e na adaptação ao sistema DSD. Fiz o meu trabalho, sempre muito conectado com toda a produção a tentar melhorar sempre durante a minha passagem pela Pukas. Passaram também muitos atletas, foi uma época muito boa onde eu trabalhei com o falecido Leo Neves, e atrás dele já veio o Sunny Garcia, o que me trouxe muita exposição no meio dos surfistas.</p>
<p><strong>E como surgiu a ligação com Gabriel Medina?</strong><br />
Como sou praticamente de Maresias, tenho um grande amigo meu que fazia parte da minha “quadrilha”, o Charles, que é o padrasto do Gabriel Medina. A gente sempre estava junto quando eu voltava ao Brasil e eu fui vendo ele crescer, a evolução dele no surf, nas competições de base no Brasil e ele foi sempre muito diferenciado, muito bom. Quando, com 15 anos, ganhou um campeonato 6 estrelas na Praia Mole, em Santa Catarina, ele seguiu para a Europa e ficou na minha casa, em Setembro de 2009. Foi uma época “divisora de águas”, na minha vida, na vida do Gabriel, no surf em geral, foi o ano em que ele veio e conquistou muito, fez <a href="https://www.onfiresurfmag.com/noticias/king-of-the-groms-2009-o-debut-internacional-de-gabriel-medina/" target="_blank" rel="noopener">aquela apresentação no King of the groms</a>, 5 notas 10 durante o campeonato, duas na final e o nome dele começou a aparecer no cenário mundial. A partir de 2009 até 2014 foram anos de muito trabalho com o Gabriel até ao título mundial. Nesse ano, depois de uma série de divergências com a Pukas, vi-me obrigado a sair, quis voltar para o Brasil com a minha esposa e o meu filho recém nascido, algo que considero positivo pelo meu filho, por ele ter estado perto da minha família, mas negativo por eu ter voltado ao Brasil. É um país muito complicado, muito difícil, tinha passado muito tempo aqui pela Europa. Mesmo tendo um atleta campeão do mundo apanhei muito e vi-me forçado a voltar para a Europa já com a ideia de querer montar um negócio meu, ter uma fábrica minha e, claro, Zarautz foi uma opção boa, é onde estou até hoje.</p>
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<p><iframe loading="lazy" title="Quiksilver - King of the Groms 2009 - France" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/z8rya5HccCA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Na altura em que começaram a trabalhar já tinha a percepção que o Gabriel tinha potencial de se transformar num dos melhores surfistas de todos os tempos?</strong><br />
Sempre vi muitos atletas do Brasil a aparecerem e desaparecerem. Eu achava que era mais um “garoto” que estava vindo de São Paulo com um potencial grande, mas não se sabia o que ia acontecer no futuro. Claro, ele vinha com atitude para ganhar, ele entrava sempre com uma postura muito diferenciada em cima de qualquer atleta que fosse com ele numa bateria. E o que acontecia é que ele ganhava, sempre. Se vamos falar do trabalho com o Gabriel, claro, foi um começo tímido da minha parte, e foi uma coisa que eu, mesmo duvidando, passei a acreditar e ver que o meu trabalho estava a dar um efeito positivo. A principio eu achava que ele devia usar outras pranchas (de outros shapers). A cada lugar que ele ia, por eu ter contacto com outros shapers, tanto na Austrália como na América, eu sempre deixava preparada alguma prancha para ele, uma Lost ou uma DHD ou Tokoro. Mas o <em>feedback</em> era sempre que as minhas pranchas funcionavam melhor. Fomos trabalhando em cima disso, e a partir daí ficou quase exclusivamente comigo. Eu fui acompanhando a evolução do corpo dele, fui diferenciando os meus desenhos e mantive algumas linhas antigas como eu tenho até hoje. Tenho modelos dele como o <a href="https://cabiancasurfboards.com/surfboards/dfk/" target="_blank" rel="noopener">DFK, The Freak Kid</a>, que tem esse nome porque o Martim Potter estava a fazer de speaker no King of groms, ficou assombrado com a apresentação e quando ele entrava na bateria dizia, “look, the freak kid”. Então eu tive que fazer um modelo que existe desde essa época até hoje, o DFK, e quando encontro o Potter a gente dá muita risada disso.</p>
<p><strong>Como tem sido trabalhar com um surfista deste calibre ao longo dos anos? </strong><br />
O Gabriel é uma pessoa que, além de um grande amigo, é um atleta que botou o meu nome dentro do cenário mundial. Apesar de todos os problemas pessoais, acabei virando um confidente, tentando entender a situação também que ele passa. Mas é uma pessoa que a gente quando está junto dá muita risada, sempre celebrando todas as vitórias, eu acho que ele está na metade da sua carreira, vai ganhar muita coisa ainda.</p>
<p><strong>Quantas pranchas o Gabriel Medina encomenda por ano?</strong><br />
O Gabriel sempre foi uma pessoa muito correcta com as pranchas, ele nunca pediu a mais do que ele necessita. Na época da Pukas ele era um atleta que usava poucas pranchas, acho que ele chegava a fazer só 25 por ano, usava uma prancha em três campeonatos, nunca foi exagerado nesse sentido. A partir de 2014 tivemos um acerto, muitas marcas apareceram oferecendo mundos e fundos para ele, empresas grandes do meio da fabricação de pranchas mas ele decidiu continuar comigo. Falou comigo, e disse, “Johnny, preciso de pranchas para treino, para pré-temporada, preciso de variação de modelos, de curvas, para ondas grandes e ondas pequenas”. Eu “botei” um número, são 10 etapas por ano, se fizermos 10 por etapa seriam 100 pranchas num ano, mais pré-temporada e treino, 100 a 120 pranchas, e a gente manteve isso até antes da pandemia. Agora no ano da pandemia não teve campeonatos, foram pouquíssimas as pranchas que eu fiz, e para 2021 também, não foram muitas pranchas e veio o 3º título. Mas ele sempre foi muito tranquilo, nunca se preocupou com o que ele tinha, estava sempre bem confortável, bem atendido. Graças a Deus, tudo funcionando, e estamos aí, até hoje.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-63229" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/gabrielmedina_by_kaiquephoto.jpg" alt="" width="1500" height="985" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/gabrielmedina_by_kaiquephoto.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/gabrielmedina_by_kaiquephoto-268x176.jpg 268w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/gabrielmedina_by_kaiquephoto-768x504.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/gabrielmedina_by_kaiquephoto-652x428.jpg 652w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Que modelos de prancha ele usa mais?</strong><br />
Ele não gosta de confusão, tem o modelo dele DFK, algumas <a href="https://cabiancasurfboards.com/surfboards/the-medina/" target="_blank" rel="noopener">The Medina</a>, que é uma prancha mais reta, com menos concave que dá para dias piores.</p>
<p><strong>Sente que os shapers brasileiros não são tão bem aceites a nível mundial como os australianos ou norte-americanos? </strong><br />
Não são muitos os shapers brasileiros com reconhecimento a nível mundial, podemos considerar como nomes de ponta o Xanadu, o Márcio Zouvi, eu e algum outro. Alguns bons shapers ainda estão escondidos por detrás de nomes de marcas, ou de outros shapers. Mas o mercado, para ser bem sincero, é um mercado complicado, tanto no Brasil como na Europa. O mercado pertence a americanos e australianos, hoje em dia você tem uma marca que nem a Channel Islands, que não tem shaper, teve na época o Al Merrick, e segue vendendo um montão. Líderes de mercado hoje, com produções massivas, são marcas australianas e americanas. A gente vai seguindo o fluxo, seguindo o que conseguimos vender, é difícil a gente se manter no mercado. Hoje você vê o Márcio Zouvi até bem posicionado a nível mundial, a fazer um bom trabalho, e, claro está há mais de 40 anos na América, praticamente ele é considerado um nome americano.</p>
<p><strong>Como tem sido a implementação da Cabianca Surfboards pelo mundo?</strong><br />
Eu, com a minha imagem de brasileiro e com um atleta número 1 do mundo, brasileiro, é mais difícil, tem uma aceitação mínima. Estamos bem, estamos a vender um número bom de pranchas, eu tenho muito a agradecer à perseverança do Pedro Gonçalves da Dr. Ding, porque abraçou a minha ideia e tem “botado” as minhas pranchas aí no mercado português, um mercado que é um termómetro Europeu muito forte, a costa portuguesa é muito procurada pelo mundo inteiro. Ele tem feito um trabalho excelente, o Pedro é um grande amigo, desde a época ainda da SPO, uma pessoa super positiva, dinâmica, “o bicho é fera”. Agora, é uma batalha, dia e noite, não se pode descansar nem um minuto, a minha aceitação depende muito da gente tentar inventar alguma maneira de conseguir aparecer no mercado. Brincando com a situação, se o surfista que é um bom surfista entra numa surfshop com Channel Islands, JSs, DHDs e Firewires, ele vai encher os olhos. E vai estar lá Cabianca até por um preço mais acessível e vai ser talvez a última prancha que ele olha. Mas está lá, e tem saído, e eu tenho muito a agradecer ao Pedro isso. Estando aqui na Europa, em Espanha, a gente sofre muito com o preço. Para ser competitivo a nível mundial de trabalho, ou seja, para você fazer uma exportação, já é mais complicado com o preço que pratica. Todo o nosso material tem que atravessar o oceano, o bloco, fibra, resina. Quando você vê o preço da prancha não é talvez competitivo, mas a gente tem aberto novos mercados, Coreia, Israel, Austrália e EUA, mas com vendas muito &#8220;tímidas&#8221; exportando daqui. Na Austrália hoje eu tenho que agradecer muito ao pessoal da Surfboards Empire, lá da Gold Coast. O Dave Tarentino faz um trabalho muito bom também, mas devagar porque eu não estou lá. Ele faz a minha marca lá na Austrália e vende mas foi muito ruim com a pandemia, porque eu não me pude deslocar à Austrália. Estamos a começar, é um embrião que está a começar a crescer, estamos indo para a frente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe loading="lazy" title="The Best of Gabriel Medina… ARE YOU NOT ENTERTAINED!! - WSL Highlights" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/_a8MFyKSc1s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Shaper Talk &#124; Marcello Zani &#124; O shaper por detrás das marcas Sequoia e Aloha</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/keeping-up-com-marcello-zani-o-shaper-por-detras-das-marcas-sequoia-e-aloha/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Jun 2021 19:47:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Aloha Surfboards]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Keeping up]]></category>
		<category><![CDATA[Marcello Zani]]></category>
		<category><![CDATA[Sequoia Surfboards]]></category>
		<category><![CDATA[Shaper Talk]]></category>
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					<description><![CDATA[Um fabricante de pranchas italiano...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Marcello Zani é um shaper natural de Cesena, Itália, que dedicou grande parte da sua vida ao automobilismo, como piloto profissional. Nas corridas Marcello desenvolveu uma mentalidade focada em alcançar o máximo desempenho através de pesquisa, análise, atenção aos detalhes e grande determinação. Enquanto criança Zani era fascinado pela cultura do skate punk e o seu amor pelo mar levou-o a começar a fazer surf. Em 2014 começou a envolver-se no design e produção de pranchas de surf sob a marca Sequoia Surfboards. Em apenas dois anos conheceu e trabalhou com alguns dos mais relevantes fabricantes de pranchas da Europa e América do Norte e em 2016 iniciou uma colaboração com o professor Riccardo Rossi, que desenvolveu uma tecnologia dedicada às pranchas de surf utilizando simulação computacional. Marcello investiu nessa tecnologia e tornou-se no primeiro shaper no mundo a usar CFD, (Computational Fluid Dynamics), no design de pranchas de surf. Fica a saber mais sobre este carismático shaper&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Podes falar um pouco sobre o teu percurso como surfista?</strong><br />
Comecei a surfar aos 30 anos, muito tarde, mas desde pequeno costumava de andar de skate. Foram 27 anos a praticar, ainda hoje ando nos skateparks e nos bowls de minha cidade natal. A minha abordagem ao surf é tentar fazer sempre power surf, principalmente de shortboard, e adoro surfar em Supertubos, por isso a minha marca aposta muito em pranchas para esse tipo de condições.</p>
<p><strong>A Itália é tão inconsistente como se pensa?</strong> <strong>Conta-nos sobre a experiência italiana de surf&#8230;</strong><br />
Na Itália temos bons spots, mas raramente há boas condições. Toscana e a Ligúria são bastante consistentes, em outro lado é mais difícil encontrar um surf decente. Temos que viajar muito e fazer muitos surf checks, desnecessários e muito frustrantes e muitas vezes voltamos sem entrar na água. As ondas têm pouco power, com certeza é uma grande diferença para Portugal e Peniche.</p>
<p><strong>Quando te começaste a envolver com o mundo do shape?</strong><br />
Comecei a shapear apenas um ano depois de começar a surfar, e foi algo muito mágico porque foi um tempo de mudança na minha vida, naquele período, e encontrei algo que realmente me completou. Trabalhar na Itália é muito difícil em tudo. Encontrar materiais, aprender e desenvolver shapes, é muito complicado. Decidi viajar muito, principalmente para a Califórnia, onde aprimorei a minha técnica e aprendi muito. Portugal foi uma consequência normal, está perto de Itália e existir uma grande cultura de surf, muitas fábricas de pranchas e o ambiente perfeito para testar e desenvolver as minhas pranchas. Aqui encontrei muitos amigos que me ajudaram muito, como o pessoal da Vulture Surfboards.</p>
<p><strong>O que te fez investir em materiais mais “</strong><strong>state of the art” na construção de pranchas</strong><strong>? </strong><br />
Um dos pontos fortes da Sequoia é mesmo a construção <em>high performance</em>. Na minha experiência no automobilismo aprendi como é importante usar tecnologia avançada e sou apaixonado por materiais. Desde o início da Sequoia, temos uma construção personalizada. Passei muito tempo a pesquisar e projectar a construção e design de pranchas.</p>
<p><strong>Podes falar um pouco dos teus modelos com mais sucesso?</strong><br />
O meu <em>best seller</em> é sem dúvida a <a href="https://www.sequoiasurfboards.com/shop/surfboards/enzo-x/" target="_blank" rel="noopener">Enzo, que é um shape de <em>high performance</em> híbrido</a>. Normalmente, ondas pequenas e pranchas de verão flutuam bastante, mas nem sempre são muito divertidas de surfar. A Enzo combina <em>power surf</em> com uma prancha muito fácil de surfar e acessível também para condições fracas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-61033" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/06/DSC_7777.jpg" alt="" width="728" height="485" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/06/DSC_7777.jpg 728w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/06/DSC_7777-264x176.jpg 264w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/06/DSC_7777-642x428.jpg 642w" sizes="auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Fala um pouco sobre os surfistas que usam as tuas pranchas&#8230;</strong><br />
Não tenho muitos <em>team riders</em> na equipe, prefiro mostrar a <em>performance</em> das minhas pranchas e evoluir com o <em>feedback</em> dos meus clientes. As pranchas são para as pessoas comuns e trabalho muito para dar a melhor performance também aos surfistas medianos. Tenho alguns competidores na equipe, o que também é muito importante. Marcelo Nunes é um ex-top do CT brasileiro e um surfista ultra experientes, perfeito para o desenvolvimento das pranchas. O Max Doucet é um team rider americano que vive em Portugal, também é muito bom em testes de pranchas. Também estou a trabalhar com o <a href="https://www.onfiresurfmag.com/exclusivos/stu-kennedy-junta-se-ao-team-aloha-surfboards/" target="_blank" rel="noopener">Stu Kennedy, da Austrália</a>. Ele competiu este ano no CT de Rottnest Island em Maio. Eles dão-me muita confiança quando lanço um design algo novo.</p>
<p><strong>Por falar em Stu Kennedy, como surgiu uma <a href="https://www.sequoiasurfboards.com/sequoia-x-aloha/" target="_blank" rel="noopener">parceria com uma marca de pranchas </a>tão icónica como a Aloha? </strong><br />
A Aloha estava à procura de jovens shapers para fazer colaborações. Sou o primeiro shaper no mundo a usar a tecnologia CFD para o design de pranchas de surf e todo o mercado a nível mundial está interessado em alta tecnologia. A Aloha acredita no meu trabalho e vão usar três dos meus shapes, a nova <a href="https://www.sequoiasurfboards.com/shop/sequoia-x-aloha/cfd-fish-sequoia-x-aloha/" target="_blank" rel="noopener">CFD FISH</a>, a <a href="https://www.sequoiasurfboards.com/shop/sequoia-x-aloha/toro-sequoia-x-aloha/" target="_blank" rel="noopener">Toro</a> e a <a href="https://www.sequoiasurfboards.com/shop/sequoia-x-aloha/twin-peaks-sequoia-x-aloha/" target="_blank" rel="noopener">Twin Peaks</a>.</p>
<p><strong>Qual é o futuro de Sequoia e Aloha? </strong><br />
Como italianos, temos uma vasta experiência em design de desempenho. Misturado com a experiência de uma marca estabelecida como a Aloha, tenho certeza que podemos fazer grandes shapes.</p>
<p><strong>Como se pode encomendar uma prancha? </strong><br />
Temos a nossa loja principal em Peniche, podem visitar-nos e tomar uma cerveja ou fazer uma encomenda <a href="https://www.sequoiasurfboards.com/" target="_blank" rel="noopener">através do nosso site</a>!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Enzo explained by Marcello Zani" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/ogXYrrKbqlc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Guilherme Ribeiro fala sobre objetivos para o futuro e mais&#8230; &#124; Entrevista</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/guilherme-ribeiro-fala-sobre-objetivos-para-o-futuro-e-mais-entrevista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antonio Nielsen]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Oct 2020 07:25:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Ribeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[Photos by Matreno / ANS &#038; Evans / ISA]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A transição como competidor de júnior para sénior é uma das fases mais difíceis da carreira de qualquer surfista em ascensão, mas alguns parecem &#8220;sair&#8221; já prontos para atacar esse desafio. É o caso de Guilherme Ribeiro, que fechou esse ciclo recentemente com a &#8220;chave de ouro&#8221; e mostrou-se mais que pronto para fazer frente aos &#8220;big boys&#8221; dos circuitos mais importantes. A ONFIRE falou um pouco com este talento da Costa da Caparica para saber mais sobre o seu percurso até aqui e os seus objetivos para o futuro&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Guilherme, apesar de estar a ser um ano com menos competições tens estado em grande destaque. Como passaste a época do confinamento e como foi o teu treino para te preparares para os eventos que estavam pela frente?</strong><br />
A época do confinamento foi muito complicada, não só para mim, mas também para toda a comunidade do surf. Foi um período em que quase não se fez surf e o treino fora de água passou a ser o meu dia a dia. Desta forma, assim que deram luz verde para a pratica do surf sentia-me muito bem fisicamente e o meu treino para os eventos que estavam pela frente acabou por ser feito dentro de água, a trabalhar alguns aspetos técnicos que não estavam no &#8220;pé&#8221;.</p>
<p><strong>Quem é a tua equipa?</strong><br />
Neste momento estou a trabalhar com o meu Pai e o Manuel Gameiro que juntamente com o meu grupo de treino (José Champalimaud, João Vidal, Teresa Bonvalot, Gabriel Ribeiro, Martim Ferreira, Lourenço Gomes, Rodrigo Lebre e Diogo Horta) me ajudam diariamente na minha evolução.<br />
Já fora de água, treino no Caparica Performance com o Hugo Falcão e o Gonçalo Arneiro. E tenho algumas sessões de psicologia com o Zé Seabra.</p>
<p><strong>És um dos surfistas da tua geração mais dedicados e mais bem sucedidos nos estudos. Sentiste alguma pressão para dar mais prioridade ao surf?</strong><br />
Durante estes 12 anos de escola, o surf sempre foi uma segunda prioridade. Os meus pais sempre me deram a entender que a escola era a prioridade, uma vez que nunca se sabe o dia de amanhã. Assim, visto que durante estes anos me &#8220;portei bem&#8221; na escola, os meus pais deram-me a oportunidade de me dedicar as 100% ao surf nos próximos anos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-57969" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/10/guilherme-ribeiro-1.jpg" alt="" width="1500" height="1000" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/10/guilherme-ribeiro-1.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/10/guilherme-ribeiro-1-264x176.jpg 264w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/10/guilherme-ribeiro-1-768x512.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/10/guilherme-ribeiro-1-642x428.jpg 642w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Sabemos que congelaste a tua matricula na faculdade, quais são os teus objectivos para os próximos anos e, caso voltes aos estudos, qual será o teu curso e profissão a seguir?</strong><br />
Nos meus próximos anos vou ter a oportunidade de fazer algo que nunca consegui fazer, vou dedicar todo o meu tempo ao surf e tentar alcançar o sonho de entrar no WCT. O facto de ter entrado na FCT em Matemática Aplicada à Gestão do Risco dá-me um grande conforto para iniciar esta longa e dura caminhada, pois sei que tenho um Plano B muito forte.</p>
<p><strong>Como era a tua relação de tempo para surfar/estudos e outras prioridades e como ficará agora a tua rotina?</strong><br />
Sendo a escola a prioridade, é óbvio que houve muitos dias sem treinar e muitos dias de altas ondas sem conseguir surfar, mas tive a sorte de durante todos estes anos estudar Colégio Guadalupe que me ajudaram imenso a conciliar os estudos com o surf. Mas agora que o meu dia a dia vai andar à volta do surf e do ginásio, olho para trás e vejo que todos surfes perdidos vão ser agora compensados e que a dedicação que tive na escola valeu a pena!</p>
<p><strong>Como estás de patrocínios nesta fase em que cada vez há menos apoio aos surfistas?</strong><br />
É verdade, cada vez são mais os surfistas de topo que não têm patrocínios, e o Covid-19 veio complicar ainda mais as coisas. Quanto a mim, posso dizer que já renovei contratos com alguns dos meus patrocinadores para 2021, mas em tempos como este qualquer ajuda é bem vinda!</p>
<p><strong>Sabemos que tens o mesmo patrocínio de pranchas desde o início, algo raro na actualidade. Fala-nos da ligação com o Nuno Matta&#8230;</strong><br />
É o facto de ser tão raro que torna esta relação tão especial. Tive a minha primeira prancha feita pelo Nuno aos 9 anos e pouco tempo depois ele integrou-me no seu team. Por isso são quase 10 anos com este patrocínio que acredita muito em mim e que me ajudou a concretizar os meu objetivos!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-57970" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/10/guilherme-ribeiro-8.jpg" alt="" width="1500" height="1000" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/10/guilherme-ribeiro-8.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/10/guilherme-ribeiro-8-264x176.jpg 264w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/10/guilherme-ribeiro-8-768x512.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/10/guilherme-ribeiro-8-642x428.jpg 642w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Como é a tua postura perante a competição, é um desafio de que gostas ou preferias ser free surfer?<br />
</strong>Desde miúdo que prefiro a competição ao free surf. Adoro o nervosinho antes dos heats, a pressão, competir com os melhores&#8230; é uma série de coisas que só existem quando se está a competir e é por isso que quero fazer da competição a minha carreira.</p>
<p><strong>Quem são as tuas inspirações no surf?</strong><br />
As minhas inspeções são o meu grupo de treino, os meus amigos, o meu pai, o meu irmão&#8230;são todos eles que me ajudam e me dão pica para ir surfar todos os dias!</p>
<p><strong>A Caparica tem um longo historial de grandes surfistas, sentes alguma pressão para continuar a elevar esse legado?</strong><br />
Não chamaria de pressão, mas sim uma grande responsabilidade, pois para onde quer que eu vá, não estou somente a representar o meu pais&#8230;estou também a representar o lugar onde treino e surfo todos os dias. Viva a Costa!</p>
<p><strong>A fase júnior da tua carreira chegou ao fim recentemente, cumpriste todos os objectivos que tinhas definido? </strong><br />
Penso que sim, os títulos de Campeão Nacional, as representações do meu país em campeonatos da Europa e da ISA, e agora à pouco tempo consegui finalmente demonstrar o meu surf no Pro Júnior Europeu&#8230; são uma série de conquistas que me dão uma enorme confiança para os futuros campeonatos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(Guilherme Ribeiro em 2018&#8230;)</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Meet Guilherme Ribeiro aka GUI" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/Bi-GBlx5MsI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Vasco Ribeiro fala sobre a sua vitória em Pantin, e mais&#8230; &#124; Entrevista</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/vasco-ribeiro-fala-sobre-a-sua-vitoria-em-pantin-e-mais-entrevista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Sep 2020 10:18:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Vasco Ribeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[Photos by Pedro Mestre / Portuguese Waves]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Consistência tem sido o maior problema de Vasco Ribeiro, pois já mostrou por diversas vezes que tem potencial para estar entre os melhores do mundo. Recentemente o único português com um título mundial de surf voltou a encontrar a sua melhor forma e mostrou-se imparável. O seu arranque de ano no circuito QS foi o melhor de sempre, tendo ficado dentro da bolha da qualificação antes da pandemia e, mais recentemente, provou que quando está no seu melhor não tem adversários. Falámos com o surfista de São João depois da sua vitória em Pantin para saber algumas novidades sobre o evento e o conhecer o seu estado de espírito no momento que atravessa&#8230;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Vasco, conseguiste um grande triunfo em Pantin, a tua <a href="https://www.onfiresurfmag.com/competicao/vasco-ribeiro-vence-o-abanca-pantin-classic-galicia-pro/" target="_blank" rel="noopener">primeira vitória internacional</a> fora da categoria júnior, como te sentes?´</strong><br />
Foi óptimo ter a minha primeira vitória internacional na categoria Open, realmente foi um grande campeonato. Foi óptimo ter conseguido isso logo a seguir ao <a href="https://www.onfiresurfmag.com/competicao/vasco-ribeiro-e-teresa-bonvalot-imparaveis-e-vencedores-no-allianz-sintra-pro/" target="_blank" rel="noopener">campeonato da Praia Grande</a>, estou a sentir-me super bem!</p>
<p><strong>Estiveste acima da média tanto no <em>free surf</em> como em competição durante toda a semana, sentiste que era só manter o ritmo e a vitória seria tua?</strong><br />
Desde o início da semana que realmente estava a sentir-me super bem, quer no <em>free surf</em>, quer nos primeiros heats, portanto sabia obviamente que se consegue manter a mesma consistência, o mesmo surf, iria conseguir um bom resultado. Mas pronto, cada heat era um heat diferente e foi isso que eu mantive na cabeça. Não pensei muito além de cada heat que tinha à frente e esse foi um bocado o segredo.</p>
<p><strong>Quem foram os teus adversários mais temíveis?</strong><br />
Sinceramente, nenhum assim em especial. Estava a sentir-me bem, todos eles surfam muito bem, o campeonato teve um grande nível, portanto tinha que estar preparado para enfrentar qualquer um deles. Todos os heats foram difíceis e eu só tive que fazer o que sei e estar nas melhores ondas.</p>
<p><strong>A que se deve este ritmo impressionante que te garantiu duas vitórias consecutivas com grande destaque, estás a fazer alguma coisa de diferente?</strong><br />
Por acaso não, tenho andado a surfar mais e a treinar. Realmente esta fase foi um bocado mais parada e agora temos mais campeonatos seguidos dá para voltar a ter o ritmo de antigamente. E estou com umas pranchas muito boas que contribuiu para subir o nível. De resto foi treinar e surfar, passar muitas horas na água.</p>
<p><strong>Usaste sempre a mesma prancha? </strong><br />
No dia maior usei uma 6’2”, uma prancha nova que nunca tinha usado. Usei directo no heat e realmente a prancha era incrível. Nos outros dois dias usei a 6’0” com que competi na Praia Grande. É a minha “prancha mágica” e realmente tem sido incrível, tenho estado sempre a usar essa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-57315" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/09/DSC_0970Mestre.jpg" alt="" width="1140" height="760" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/09/DSC_0970Mestre.jpg 1140w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/09/DSC_0970Mestre-264x176.jpg 264w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/09/DSC_0970Mestre-768x512.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/09/DSC_0970Mestre-642x428.jpg 642w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Sendo uma prova que não contava para nenhum ranking, chegaste a hesitar em ir?</strong><br />
Estive quase para não ir mas depois da vitória na Praia Grande fiquei com vontade de competir outra vez e manter o ritmo. Também vi que a previsão era de ondas incríveis e não perdi esta oportunidade de ir a um sítio que eu adoro.</p>
<p><strong>Como foi o ambiente ao longo da prova?</strong><br />
O ambiente foi incrível, foi óptimo rever os meus amigos todos, franceses, espanhóis, e estar com a malta toda. Foi super giro, sempre com cuidado, obviamente, mas foi óptimo.</p>
<p><strong>Pantin parecia um <em>point break</em> neste evento, que onda te ajudou a preparar para aquelas condições?</strong><br />
Não houve assim nenhuma onda em especial, eu cheguei cedo e estive a semana toda a treinar lá. Mesmo nos <em>beach breaks</em> mais ao lado as ondas estavam muito parecidas e no fundo só entrei na sexta, estive desde segunda a treinar, o que me deixou super à vontade com aquelas ondas, são condições que gosto muito e onde me sinto bem.</p>
<p><strong>Como foram as medidas implementadas nesta prova devido ao Covid, alguma digna de nota?</strong><br />
As medidas são bem diferentes daqui, uma pessoa tem que ter máscara o tempo inteiro na rua, tínhamos que ir de máscara até entrarmos dentro de água. Guardávamos a máscara dentro do fato e mal saímos tinhas que voltar a meter.</p>
<p><strong>Entretanto estavas à porta do top10 do QS, sentias que este poderia ser o teu ano?</strong><br />
Eu acho que todos os anos eu senti que podia ser o meu ano. Realmente este eu comecei bastante melhor e agora é esperar mais um ano, esperar que as coisas voltem a acontecer e voltem mais ou menos à normalidade para poder dar tudo outra vez!</p>
<p><strong>Quais são os teus objectivos para este ano?</strong><br />
Para este ano sinceramente não tenho objectivos nenhuns. É mais tentar manter o ritmo e o surf, continuar a treinar. Eu adoro competir e este ano realmente não temos competições, é o que é. Assim aproveito para estar mais com a família e amigos e fazer coisas que eu geralmente não tinha tempo para fazer.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Vasco Ribeiro and Teresa Bonvalot Win 2020 Pantin Classic Galicia Pro" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/eVuBd01p-jU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<item>
		<title>&#8220;Neco&#8221; Pyrrait fala sobre os seus resultados recentes e mais&#8230; &#124; Entrevista</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/neco-pyrrait-fala-sobre-os-seus-resultados-recentes-e-mais-entrevista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antonio Nielsen]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2020 12:58:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Pyrrait]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.onfiresurfmag.com/?p=56755</guid>

					<description><![CDATA[Photos by Jorge Matreno / ANS]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Liga MEO Surf demorou a arrancar em 2020 por razões óbvias mas, quando arrancou, veio cheia de surpresas. Uma delas é um surfista da Ericeira, Henrique “Neco” Pyrrait, que é o actual 4º classificado do ranking ao fim de duas etapas. Filho do mítico José Pyrrait, Neco cresceu em Ribeira D’Ilhas e vive do, e para o, surf. Falámos um pouco com este surfista logo depois do seu 3º lugar na prova da Ericeira&#8230;</p>
<p><strong>Neco, acabaste de conseguir dois resultados muito expressivos na Liga MEO Surf, como te sentes?</strong><br />
Sinto-me muito bem e muito feliz por finalmente estar a conseguir mostrar o meu surf em competição! E sinto-me muito motivado para continuar a treinar para que estes resultados comecem a ser algo habitual.</p>
<p><strong>Já corres a Liga há algum tempo mas este ano é que o resultados realmente estão a aparecer. Sentes que é uma evolução natural do teu trabalho ou tens feito alguma coisa de diferente nos últimos tempos?</strong><br />
Acho que é uma mistura da evolução natural do meu trabalho com uma grande mudança de mentalidade da minha parte! Estou a conseguir soltar-me e estou a conseguir divertir-me imenso enquanto estou a competir! Acho que esta paragem me fez bem para organizar a cabeça e para me conhecer um pouco melhor.</p>
<p><strong>Bateste alguns dos nomes mais “míticos” de Ribeira D’Ilhas, como o Tiago Pires e o Tomás Fernandes. Podes “dissecar” um pouco os teus melhores heats?</strong><br />
Foi sem dúvida muito especial vencer a dois surfistas que são sempre considerados favoritos no que toca a campeonatos em Ribeira D’Ilhas! Com o Tomás foi um dos heats mais disputados do round, com algumas ondas boas e com um ambiente muito bom. Mas tenho que admitir que o heat com o Tiago Pires “Saca” foi dos heats mais especiais da minha vida, pois o Saca para mim sempre foi uma inspiração e uma referência. Eu cresci a ver o Saca a surfar, eu chorava de tristeza quando ele perdia e vibrava como poucos quando ele vencia, e além disso ele é um amigo, ele andou comigo ao colo quando era bebé! E quando a carreira de surfista profissional era apenas um sonho eu dizia “um dia vou ganhar ao Saca”, e consegui! Pode não ter sido no auge da sua carreira, mas o Saca é sempre o Saca, então em Ribeira&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-56758" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/neco-pirayt.jpg" alt="" width="1500" height="1000" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/neco-pirayt.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/neco-pirayt-264x176.jpg 264w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/neco-pirayt-768x512.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/neco-pirayt-642x428.jpg 642w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Estás com um <em>backside</em> muito forte, sentes que o <em>frontside</em> se equipara?</strong><br />
O meu<em> backside</em> é mais forte do que o meu <em>frontside</em>, sem sombra de dúvida! Mas cada vez me sinto mais confortável e confiante com o meu<em> frontside</em>, e sei que com treino e empenho também posso fazer estragos para a esquerda! Aqui na Ericeira as esquerdas estão em minoria, e as que há estão sempre dependente da maré certa, do swell certo, etc. Mas tenho treinado, e cada treino que passa me sinto mais confiante!</p>
<p><strong>Poucos surfistas cresceram em Ribeira D’Ilhas como tu, podes contar quais são as tuas memórias mais antigas de surf nesse pico, tanto da tua iniciação como do surf competitivo?</strong><br />
As minhas memórias deste pico são tantas que fica muito difícil falar de algum momento em específico! Foi em Ribeira, com o meu pai que tudo começou. Ele na altura tinha a escola de surf no antigo surf camp e para mim sempre foi algo natural estar dentro de água a surfar, a nadar ou a brincar. Passava quase 24 horas do meu dia naquela praia, rodeado de surfistas e de pessoas do meio. Quase que seria estranho não surfar (Ahahah).<br />
Já o meu início na competição foi meio lento, as condições não eram as melhores e nem sempre era fácil conseguir ir aos campeonatos! Aproveitava muito os campeonatos do Ericeira Surf Clube, pois era o mais perto e o mais barato! Até que lá para os 16 anos comecei a empenhar-me mais e a começar a ganhar aquele bichinho pela competição.</p>
<p><strong>Sentes que tens uma forte vantagem competitiva nesse pico ou nem por isso?</strong><br />
Sem dúvida que sim, Ribeira D’Ilhas é uma onda muito técnica e muito difícil de surfar! Por isso quanto mais horas de surf tivermos neste pico, melhor a vamos surfar! E tenho a certeza que não há surfista da Liga com mais horas de Ribeira do que eu!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-56759" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/neco-pirayt-2.jpg" alt="" width="1500" height="1000" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/neco-pirayt-2.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/neco-pirayt-2-264x176.jpg 264w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/neco-pirayt-2-768x512.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/neco-pirayt-2-642x428.jpg 642w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Fazes parte de uma geração que praticamente trabalha para ter a oportunidade de competir. O que te motiva a investir numa carreira onde cada vez há menos retorno?</strong><br />
É verdade, 98% do que ganho invisto na minha carreira! Tenho um retorno gigante de tudo aquilo que gasto, recebo em felicidade! É o surf que me motiva, é o gosto por este desporto, é o saber que com a experiência , e como surfista profissional consigo mudar e melhorar a vida de muito gente! E sempre me ensinaram a lutar e a seguir os meus sonhos, e é o que faço!</p>
<p><strong>Qual é o teu trabalho no dia a dia e como fazes para conciliar com o teu percurso como surfista?</strong><br />
Eu sou professor de surf, trabalho em Ribeira D’Ilhas! Sou um professor muito orgulhoso dos meus meninos, pois tenho uma relação muito especial com os meus alunos, o que faz com que ame o meu trabalho e que seja tudo muito melhor! Nem sempre é fácil de conciliar, mas há sempre tempo para surfar! Embora o cansaço, e a fadiga por vezes compliquem! Mas por vezes quando surfamos quando podemos e não quando queremos também nos dá uma motivação extra para aproveitarmos melhor o momento!</p>
<p><strong>Tens competido bastante no circuito QS, quais são os teus objectivos aí? </strong><br />
Sinceramente, eu antes da quarentena tinha decidido que em 2020 não ia competir no QS, é uma vida dura e MUITO cara e precisava de um ano de pausa para me organizar e para me preparar! Mas agora que já passamos a primeira metade do ano, estou cheio de saudades de competir no QS!<br />
Mas para 2021, o meu objetivo é surfar bem, mostrar o meu surf nos heats, mostrar que tenho nível para lutar e para passar</p>
<p><strong>Fala um pouco dos teus patrocinadores e o trabalho que desenvolves com eles&#8230;</strong><br />
Eu tenho uma grande sorte com todos os meus patrocinadores. Tenho uma relação muito saudável e muito forte com todos. No ano passado entrei para a Oslo, marca portuguesa, com um estilo de roupa muito original e que me identifico muito! Debaixo dos meus pés conto com a POLEN Surfboards, provavelmente as pranchas é dos factores mais importantes na carreira de um surfista! Uma boa prancha pode mudar a nossa vida, e eu e a POLEN temos desenvolvido várias! Temos feito um trabalho muito positivo nos últimos anos, que aproveito já, para agradecer a TODOS os trabalhadores da fábrica pelo trabalho!<br />
Ericeira Surf Clube, Jam Traction, Future Fins, Pizza Mobile, O Pescador, E Nche são as outras marcas que estão ao meu lado! Todas estas marcas e pessoas que estão por detrás são quem me apoiam e são um pilar muito importante na minha carreira!<br />
E nunca esquecendo algumas pessoas fundamentais. A minha mãe, o meu pai, (que é o meu treinador) que estão ao meu lado desde sempre, e sem eles nada seria possível!<br />
O Carlos Andrade e o Ruben Francisco, que são os dois treinadores físicos que mudaram a minha vida física, e que me ajudam muito!<br />
E por último, à minha namorada, que me apoia em todos os momentos, que acorda as 6 da manhã para me filmar, que vê os meus treinos, que vibra com as minhas vitórias como ninguém e que sofre com as minhas derrotas como se fossem as suas!<br />
A todas estas pessoas e mais algumas que não referi mas que sabem quem são, OBRIGADO!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-56760" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/henrique-pyrrait-2.jpg" alt="" width="1500" height="1000" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/henrique-pyrrait-2.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/henrique-pyrrait-2-264x176.jpg 264w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/henrique-pyrrait-2-768x512.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2020/07/henrique-pyrrait-2-642x428.jpg 642w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Quem são as tuas referencias (no surf e na vida)?</strong><br />
Tenho várias referências mas a principal é o meu pai! O meu pai é uma grande inspiração para mim! Por mil e uma razões que nem preciso mencionar! E no surf há duas pessoas que se destacam para mim, a primeira é o Tiago Pires, por todas que razões que já mencionei em cima! E por último o Ítalo Ferreira, pelo surfista e pela pessoa que aparenta ser!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe loading="lazy" title="After Quarantine" src="https://player.vimeo.com/video/433525231?dnt=1&amp;app_id=122963" width="500" height="281" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write"></iframe></p>
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		<title>Marcos Anastácio fala sobre a nova realidade para as escolas de surf, os seus directos e mais&#8230; &#124; Entrevista</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/exclusivos/marcos-anastacio-fala-sobre-a-nova-realidade-para-as-escolas-de-surf-os-seus-directos-e-mais-entrevista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antonio Nielsen]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2020 12:40:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Marcos Anastácio]]></category>
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					<description><![CDATA[Opinion leader...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No início dos anos 90 uma geração de surfistas “tomou posse” do surf nacional, acabando por dominar durante muito tempo e lançar uma nova realidade no nosso país, a possibilidade de se ser surfista profissional. Um dos melhores e mais carismáticos dessa geração era Marcos Anastácio, que em 1995, <a href="https://www.onfiresurfmag.com/destaques/25-anos-de-campeoes-nacionais-de-surf-em-portugal-parte-1-os-anos-90/" target="_blank" rel="noopener">um dos anos mais competitivos da história do surf profissional português</a>, foi campeão nacional. Mais de duas décadas passaram mas o reconhecimento de Marcos não desapareceu, mantendo-se como uma referência principalmente na praia que o viu crescer e onde montou a sua escola, <a href="https://www.onfiresurfmag.com/noticias/angels-surf-school-apresenta-modalidade-performance-training/" target="_blank" rel="noopener">Angels Surf School</a>, Carcavelos. Durante esta época de quarentena este surfista tem-se mantido ocupado a fazer entrevistas em directo através do <a href="https://www.instagram.com/angelsurfschool/" target="_blank" rel="noopener">instagram da sua escola </a>e a ONFIRE aproveitou a ocasião para falar com sobre o seu &#8220;<em>live</em>&#8221; mais polémico, e mais alguns temas&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Marcos, sabemos que foste dos primeiros a fechar a escola de surf, tens alguma data na tua cabeça de quando achas que será possível voltar a abrir?</strong><br />
Não tenho a certeza , mas mesmo que abra vai ser muito devagarinho pois apesar de ser ao ar livre vamos ter muitas condicionantes.</p>
<p><strong>Quais são as consequências para as escolas ao fim de apenas um mês de “quarentena”?</strong><br />
Como todos os negócios, são devastadoras. Teremos que começar do início, um desafio.</p>
<p><strong>Como te tens ocupado em casa, além de fazer os directos no instagram?</strong><br />
Tenho feito umas caminhadas aqui na rua, tenho lido e ajudado os miúdos na escola.</p>
<p><strong>Como tem sido o feedback dos directos?</strong><br />
Comecei os directos com dois intuitos, passar o tempo e manter o contacto com os nossos alunos. No início entendi logo que em monólogo era bastante difícil, principalmente nos dias mais negativos. Iniciei os directos com convidados, que é muito mais fácil de fluir uma conversa e uma boa história. Falando com alguns amigos tenho recebido <em>feedback</em> de onde foi bom ou foi mal e assim consigo melhorar. Mas de uma forma geral tem sido positivo.</p>
<p><strong>O que achaste deste último, mais polémico, com o Rui Bessone?</strong><br />
Polémico???? Acho que é muito pelo contrário, acho que 97% das pessoas estão de acordo com o que o Rui disse. Não existe polémica quando uma maioria absoluta concorda. Apesar de concordar com o Rui, que ninguém devia surfar, acho que não nos cabe a nós apontar nomes. Isso cabe às autoridades e às identidades que têm essa função. Mas acho que devemos passar à frente, os surfistas têm que estar todos unidos neste momento, sejam surfista de lazer, notáveis do surf, competidores, escolas de surf, surf camps, indústria do surf, todos os que estão relacionados com o surf, para defender as futuras regras da classe. Se não formos nós a indicar aos nossos governantes e presidentes de Câmaras em que condições podemos ir ao mar, e ao mesmo tempo defender a nossa saúde e dos outros praticantes, corremos o risco de alguém o fazer por nós sem conhecimento de causa.</p>
<p><strong>Mudando de assunto, a tua geração era muito diferente das mais recentes. O que dirias que são as diferenças mais visíveis?</strong><br />
É difícil fazer está comparação porque os tempo e os meios eram outros. Acho que acima de tudo, com mais dinheiro os surfistas deixaram de ser surfista e tornarem-se atletas, o que é perfeitamente normal. O profissionalismo mais intenso permitiu a esta geração evoluir muito mais e passar para um patamar muito mais alto que o da minha geração. Na minha altura era impossível pensar que o nível ia estar onde está. Daqui a 20 anos vais perguntar ao Kikas a mesma pergunta e ele vai fazer a mesma analogia com a geração que na altura vai dar cartas. Acho que nos éramos mais surfistas na essência primordial do surf, e agora são mais atletas, mais “Ronaldos”.</p>
<p><strong>O que é que a tua geração viveu que estas mais recentes não vão viver?</strong><br />
Nós fomos uma escada para esta nova geração e eles vão ser para outra geração. Nunca vão saber o que é dormir na praia, chegar a uma etapa de transportes públicos e comer enlatados. Nunca vão saber como é chegar ao sítio da prova e não saber onde vão ficar, ter que fazer as inscrições por fax&#8230;</p>
<p><strong>Sempre foste um surfista conhecido pela sua pica de surfar, aos 48 anos, com trabalho e família, mantens essa vontade de surfar?</strong><br />
Claro, principalmente quando o mar está bom. O meu grau de exigência é que desceu, desci as expectativas e tenho curtido muito mais. Mas sempre que posso lá estou eu a dizer “oi oi oi oi”, esta é minha.</p>
<p><strong>Outra coisa que sempre te caracterizou foi o teu conhecimento de música. Que banda sonora recomendas para este tempo de quarentena?</strong><br />
Música é um estado de espírito, que reflecte o espírito quando estás a ouvir. Infelizmente perdi o hábito de ouvir música em casa, só mesmo no carro e como ando muito, ou andava de carro, através do Spotify tenho ouvido muita música. Mas não em quarentena, onde prefiro podcast. Por isso, como estamos de quarentena, fica aqui a minha lista de podcasts&#8230;<br />
&#8211; <a href="https://podcasts.apple.com/pt/podcast/aint-that-swell/id1161622586" target="_blank" rel="noopener">AIN&#8217;T THAT SWELL</a>;<br />
&#8211; <a href="https://podcasts.apple.com/pt/podcast/disgraceland/id1275172907" target="_blank" rel="noopener">DISGRACELAND</a>;<br />
&#8211; <a href="https://podcasts.apple.com/pt/podcast/27-club/id1492134933" target="_blank" rel="noopener">27 Club</a>;</p>
<p><strong>Para terminar, quem te influência ou inspira hoje em dia?</strong><br />
As pessoas felizes a minha volta.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Podes assistir aos directos de Marcos Anastácio pelas 18 horas <a href="https://www.instagram.com/angelsurfschool/" target="_blank" rel="noopener">AQUI</a>!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Carcavelos Barrels" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/gcE2Etp_eyY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Entrevista com um surfista “fura quarentenas” &#124; Descobre as suas razões e justificações…</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/entrevista-com-um-surfista-fura-quarentenas-descobre-as-suas-razoes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2020 22:26:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[Um de muitos que não têm estado a cumprir...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A grande maioria dos portugueses têm estado em casa a cumprir o estado de emergência decretado pelo governo. Com as praias interditas, também nós surfistas temos estado em casa, a aguardar por dias melhores. Mas nem todos, largas dezenas de praticantes de norte a sul do país, não esquecendo as ilhas, têm estado a furar a quarentena aproveitando para surfar com pouco crowd. Entrevistámos um desses “dissidentes” que pediu para se manter no anonimato, sobre as suas razões para estar a quebrar a quarentena.</p>
<p><strong>(Nota- A ONFIRE e todos os seus colaboradores são totalmente contra a pratica do surf durante a interdição</strong>)</p>
<p><strong>Sabemos que tens surfado quase todos os dias desde o início do estado de emergência, onde tens surfado?</strong><br />
Nos primeiros dias surfei na Linha, Carcavelos, Bafureira, mas quando o <em>swell</em> baixou passei a ir ao Guincho, Praia Grande, Ericeira e Costa. Inicialmente ia muito cedo no dia mas depois vi que não há grande controle e passei a ir nas marés boas.</p>
<p><strong>Como tem sido dentro de água a nível de crowd?</strong><br />
Já surfei sozinho, mas o normal é estarem uns 10 ou 15 na água. Acho que houve um dia no Guincho que éramos praí 30&#8230;</p>
<p><strong>Como está o ambiente na água?</strong><br />
Pá, como é normal há gente que está a evitar o contacto com os outros na água, alguns deles não assumem que o estão a fazer e até demonstram outra coisa nas redes sociais. Outros estão-se a c@gar pois sabem que não estamos a fazer nada de mal.</p>
<p><strong>Quem são os surfistas que tens visto na água?</strong><br />
Não vou dizer nomes, mas há de tudo. Surfistas da velha guarda, putos, bifes e pessoal de todas as idades. Alguns bem famosos&#8230;</p>
<p><strong>Disseste que não estavas a fazer nada de mal, mas tens noção de que estar a quebrar a lei, além de estares a prejudicar todos os outros que estão a cumprir a quarentena?</strong><br />
Estou a quebrar a lei como? Explica-me? Qual é a diferença entre ir fazer surf e ir correr ou andar de bicicleta? O surf é o meu exercício!</p>
<p><strong>A diferença é que os outros tipos de exercício podes fazer sem que haja aglomerado de pessoas enquanto que no mar, se todos os surfistas que estão em casa neste momento fossem surfar estaria o maior crowd da história e era um perigo para a sociedade. Já para não dizer que só se pode sair para deslocações de curta duração, não acreditamos que moras perto de todos esses picos&#8230;</strong><br />
Isso é relativo. Sobre a quantidade de pessoal que poderia ir surfar, a costa é grande e os dias são longos, dá para todos surfarem, a horas diferentes e em locais diferentes.</p>
<p><strong>Não achas que isso é um bocado uma utopia? Na pratica isso era impossível de organizar&#8230;</strong><br />
Olha que não era. De qualquer maneira, cada um sabe por si, eu estou consciente que não estou a fazer nada de mal e que ninguém nos pode proibir de surfar.</p>
<p><strong>Se achas isso, porque pediste para permanecer no anonimato?</strong><br />
Epa o pessoal está muita agressivo sem razão, devia era estar tudo mais calmo e preocuparem-se mais com a vida deles e não as dos outros.</p>
<p><strong>Ultimamente não tem havido um maior controle da polícia marítima?</strong><br />
Sim mas eu ainda não tive nenhum stress, mas sei que eles andam mais em cima.</p>
<p><strong>Como é a tua situação laboral neste momento?</strong><br />
Estou em <em>layoff</em>.</p>
<p><strong>Achas que a teu trabalho está em risco?</strong><br />
Epa, mais ou menos. Se isto continuar vai ser complicado&#8230;</p>
<p><strong>E não achas que, ao estares a furar a quarentena, podes fazer com que a situação se arraste?</strong><br />
Acho que não tem nada a ver. Acho que o pessoal devia poder surfar, ia fazer bem a todos para esquecer um bocado esta situação toda.</p>
<p><strong>Mas lá está, se toda a gente for surfar vai ser uma grande aglomeração e colocam-se todos em risco&#8230;</strong><br />
O que queres que te diga? Não concordo, acho que há ondas para todos, dá na boa. Eu vou continuar a surfar. Mas olha, a conversa fica por aqui&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
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