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	<title>Energia Tropical &#8211; ONFIRE Surf | Portugal</title>
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		<title>O regresso às origens de uma prancha 20 anos depois do seu desaparecimento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Sep 2013 17:30:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Enquanto que nos dias de hoje um surfista profissional pode chegar a usar várias dezenas de pranchas por ano, nos anos 80 e 90 esse número era ligeiramente mais reduzido. Mesmo assim eram produzidas muitas pranchas anualmente por cada atleta mas&#8230; onde vão elas parar? Não sendo um produto muito “reciclável”, será que muitas estão [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto que nos dias de hoje um surfista profissional pode chegar a usar várias dezenas de pranchas por ano, nos anos 80 e 90 esse número era ligeiramente mais reduzido. Mesmo assim eram produzidas muitas pranchas anualmente por cada atleta mas&#8230; onde vão elas parar? <span id="more-12923"></span> Não sendo um produto muito “reciclável”, será que muitas estão guardadas em garagens e arrecadações à espera de voltarem a ver a luz do dia? De tempos em tempos algumas reaparecem e se pudessem falar provavelmente teriam boas histórias para contar.</p>
<p>Gonçalo Lopes “Ratinho” foi um dos melhores e mais carismáticos surfistas portugueses entre os anos 80 e 90. Actualmente continua a surfar com regularidade e é um dos responsáveis pela marca Hurley em Portugal. Enquanto foi profissional de surf, nos anos embrionários dessa profissão em Portugal, Gonçalo viajou bastante e foi numa das suas viagens mais invulgares que aconteceu este episódio. Encontrámo-lo depois de uma sessão no Guincho e à saída de água contou-nos a incrível história desta prancha que lhe tinha desaparecido em 1988 em Israel.</p>
<p>“<em>Nesse ano encomendei um quiver ao Alvinho Pereira, shaper da Energia Tropical, especificamente para uma viagem a Israel pois tinha recebido um convite para ir lá fazer surf.</em></p>
<p><em>Era um quiver de três pranchas, uma delas era uma 6´0” linda, tinha sido feita com uma pintura escolhida por mim e logótipos novos que tinham acabado de sair. As outras eram mais pequenas, 5’10” e 5’11”. Chegando lá é obvio que usei sempre a mais pequena pois o mar estava sempre mínimo e com grandes períodos entre os ondulações.</em></p>
<p><em>O que aconteceu foi que um dos dois israelitas que me tinha convidado, e com quem fiquei inicialmente, o Arnaut, era completamente alucinado. Ele tinha inclusivamente sido expulso das tropas especiais israelitas, o que dá uma ideia do tipo pessoa que era. Ele revelou-se ser um dos maiores dealers de Israel. Vivia no limite, e era só festa e álcool todas as noites e eu a ver minha vida a andar para trás. Como não houve surf praticamente nenhum nesses dias as noites eram passadas em grande maluqueiras e eu como nunca fui de drogas cheguei a um ponto em que tive de me pôr a andar dali.</em></p>
<p><em>Entretanto ele tinha posto de parte essa 6’0”, que ainda não tinha sido usada, e um casaco de cabedal, como pagamento da minha estadia na casa dele. Aproveitei que ele e os primos, que dormiam lá todos em casa, estavam com uma “granda” moca e fugi a meio da noite. Apanhei o autocarro e fui ter com o outro israelita que me tinha feito o convite e que morava a 150 quilómetros dali, em Haifa. Antes de sair ainda consegui recuperar o casaco de cabedal mas não consegui encontrar a prancha. Assim saí de Tel Aviv e ele nunca mais soube de mim. Uns anos mais tarde soube que tinha sido morto à facada por uns islâmicos.</em></p>
<p><em>Em Haifa tive uma estadia fantástica, o único problema é que se ouvia sempre os canhões e os mísseis durante a noite. Era o lado de lá a mandar rockets para o lado de cá e os Israelitas do lado de cá a responderem com mísseis. Isso e a miudagem andava toda de metralhadora nos cafés e em todo o lado.<br />
</em></p>
<p><em>A melhor surfada que dei em Israel foi lá, um swell de um metro onde estive no meu melhor devido à pica que tinha acumulado, foi uma surfada fantástica. De resto ambiente lá é fantástico, as mulheres são muito bonitas e as praias lindíssimas.</em></p>
<p><em>Antes de ir embora tentei recuperar a prancha através deste amigo de Haifa mas a única coisa que soubemos é que passado uns tempos tinha sido vendida.</em></p>
<p><em>Até que, no ano passado, liga-me o Xenico, da marca de pranchas XCult (fabrica/loja onde anteriormente estava situada a marca Energia Tropical) a dizer que tinha chegado lá uma prancha antiga com o meu nome. Depois de me ler o que dizia no stringer percebi que era essa a prancha que tinha ficado em Israel. A única coisa que soubemos mais foi que um israelita tinha passado lá na fábrica e tinha comprada material todo novo. À saída, como viu que ele tinha pranchas de surf penduradas no tecto da fábrica, perguntou se queria uma prancha antiga que tinha no carro. Mas deixou-a à porta e quando o Xenico a viu já ele estava a arrancar, acabámos por não saber o resto da história..</em>.”</p>
<p>O mais curioso desta história é que, passado tantos anos, a prancha foi mesmo parar à fabrica onde era a Energia Tropical, de onde saiu!</p>
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