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	<title>Blog &#8211; ONFIRE Surf | Portugal</title>
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		<title>Quando a diversão se perde&#8230; &#124; BLOG</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/blog/quando-a-diversao-se-perde-blog-post/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antonio Nielsen]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Nov 2017 14:27:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
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		<category><![CDATA[surf4fun]]></category>
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					<description><![CDATA[Surf for fun...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Fazer surf tem que ser uma das melhores sensações do mundo. Se não for, como explicamos que uma onda pode mudar toda a nossa existência? Pode acontecer a qualquer idade mas o que é certo é que, quando te tornas surfista, quando apanhas “o bichinho”, tudo pode mudar. Os tempos livres passam a ser quase inteiramente direcionados para fazer surf, o dinheiro para material, gasolina ou passe para ir para a praia e certamente que muito do tempo que passas fora de água estás a pensar em surf. Foi o que aconteceu comigo e hoje, mais de 25 anos depois da primeira onda, é bem visível o quanto o surf moldou a minha vida.</p>
<p>Recentemente tive a sorte de uma das minhas filhas ter sido “infectada pelo vírus do surf”. Estava a tentar &#8220;contagiá-la&#8221; quase desde que nasceu mas acabou por acontecer recentemente, aos 7 anos. Aos 3, 4 e 5 anos admito que “forcei a barra”, insisti tanto que criou uma resistência. A partir fui tentando uma vez por ano e foi pouco antes do verão passado que o “bicho” mordeu. Curiosamente foi na primeira aula numa escola de surf que tudo aconteceu e ao fim de um mês passou a ser uma rotina de pai e filha, ir ao mar juntos duas ou três vezes por semana. Admito que para mim o surf passou para segundo plano e muitas das visitas ao <em>windguru</em> são para confirmar se o mar vai estar perfeito para ela, condições essas que estão longe do que procuro para mim. Está a ser uma fase de regresso às raízes, aquela altura em que uma surfada boa era aquela em que tinhas apanhado ondas, simples, só isso, sem ter a expectativa de acertar aquela manobra, ou encher uma onda de manobras para sair contente<em>. Surf for fun</em>, nada mais, fazer umas ondas até bater com as quilhas na areia e tudo o que vier a mais é “lucro”. Isso sim, é o espírito do surf, estar na água a divertirmo-nos com esta prenda da natureza que são as ondas, independentemente de estarem grandes ou pequenas.</p>
<p>A rotina tem-se mantido e, há menos de 24 horas, para acabar o feriado em grande, fomos procurar umas ondinhas. Como a expectativa é baixa fomos recompensados. A surfada estava a ser divertida mas tornou-se ainda mais quando chegou uma amiga, igualmente “mordida” pelo bichinho do surf. As duas riam-se às gargalhadas, trocavam ondas e ao fim de um bocado, num fim de tarde com um por do sol majestoso por detrás, expulsaram os respectivos pais da água e ficaram sozinhas a divertir-se, incentivando-se sem qualquer indício de competitividade entre elas. Foi difícil tirá-las da água, algo que só aconteceu com a promessa de que, dentro de uns dias, repetia-se a combinação. Para mim, isso é o principal a retirar do surf, diversão, o resto é o menos importante.</p>
<p><em>Fast Forward</em> uns anos, para uma realidade que espero que nunca venha a ser a sua. Vejo miúdos na água que há pouco tempo tinha visto no mesmo registo, aquele<em> stoke</em>, contentes por estar ali. Mas agora já não se vê a alegria. Nos olhos deles vê-se foco, nos pés vê-se surf cada vez “melhor”, mas parece que a diversão ficou enterrada bem lá no fundo! Muitos deles têm autocolantes nas pranchas, outros ambicionam ter e estão em constante treino e insatisfação. Miúdos que deviam estar contentes por não estarem fechados em casa a fazer trabalhos da escola ou a ver desenhos animados. Mas não, estão na água, eléctricos atrás de ondas, a dizer palavrões quando perdem uma ou quando falham uma manobra. Acabam as ondas com uma linguagem corporal que confirma a minha teoria que a diversão já ficou bem para trás. No início deste ano assisti a uma “super session” dessas nos Coxos. Dentro de água estavam os melhores surfistas da nova geração portuguesa e enquanto me preparava para entrar estava deliciado com o nível de surf a que estavam a fazer. No entanto, quando entrei, fiquei desiludido.</p>
<p>Este <em>groms </em>mostraram uma postura deplorável, davam voltas no pico, roubavam ondas, gritavam, diziam palavrões e não mostravam respeito uns aos outros ou mesmo aos restantes surfistas que estavam na água, alguns com o dobro ou o triplo das suas idades e anos de surf, muitos dos quais simplesmente queriam fazer as suas ondas depois de uma semana de trabalho. Não vou dizer que o <em>line up</em> dos Coxos num dia de ondas pequenas (1 metro) seja um sítio tranquilo ou que dê propriamente para apanhar ondas à vez. Mas havia muitas ondas, dava para todos. Dava, na teoria, mas não deu&#8230;</p>
<p>Para piorar, e não quero generalizar e dizer que todos os pais e treinadores destes jovens surfistas os incentivam a não respeitar os outros surfistas na água, mas neste dia foi o caso. Adultos agiam quase que como guarda costas, em vez de promoverem o respeito, educação e bom ambiente na água, faziam o oposto. Entrando no tema dos pais, sinto que entramos num “cliché” em que muitos pais projectam nos filhos um desejo de ser algo que quiseram ser mas nunca conseguiram. No passado aconteceu com o futebol (e o <em>ballet</em> no caso das meninas?!?!) e agora é no surf. Talvez devido aos casos de sucesso como o Tiago Pires, Vasco Ribeiro e Frederico Morais, pode sonhar-se em realmente fazer uma grande e lucrativa carreira no surf. Mas, foram apenas três entre muitos que não chegaram lá. A caricatura do “<em>Little league dad</em>” norte-americano, com os pais fanáticos aos gritos nas bancadas durante os jogos, já se vê nos circuitos juniores em Portugal. Será que era isso que pretendiam quando os meteram pela primeira vez numa prancha de surf? Há pais a investirem muito nos filhos, para que eles possam ter uma hipótese de serem surfistas profissionais. É um direito que têm e é de louvar  paixão e dedicação. Mas será que não estão a colocar “todos os ovos na mesma cesta”, deixando em segundo plano o futuro académico e o desenvolvimento dos filhos num ambiente normal?</p>
<p>Com isto tudo não quero dizer que sou contra campeonatos, patrocínios, treinadores de surf e muito menos acompanhamento dos pais. Acho que em muitos casos pode ser saudável e quem não gostaria de ver os seus filhos (ou alunos) a atingirem o máximo do seu potencial?</p>
<p>Mas a que custo?</p>
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		<title>Quando morreu o Amor&#8230; by João Kopke &#124; Blog</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/blog/quando-morreu-o-amor-by-joao-kopke-blog/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Kopke]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Oct 2017 11:17:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[João Kopke]]></category>
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					<description><![CDATA[Surfista profissional, músico de excelência, enciclopédia humana, storyrider e, pelos vistos, o rapaz também sabe escrever... E bem! Este é o primeiro post de João Kopke no site da OF. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Esta foto esteve escondida do mundo até hoje. O objetivo era guardá-la bem guardada até ao momento da sua grandiosa publicação em alguma revista de surf num futuro próximo, já que todos concordávamos em que seria um desperdício dar-lhe aquelas curtas 6 horas de fama que todas as coisas têm nas redes sociais, antes de desaparecerem para sempre num <em>scroll down</em>.</p>
<p>Revistas de surf eram uma espécie de lugar mágico. Tinham o poder de fazer com que qualquer surfista se sentisse como um miúdo a ver o seu desenho animado preferido sempre que passávamos os olhos pelas colunas cheias de erros ortográficos que se escreviam sobre uma viagem qualquer à Indonésia.</p>
<p>Lá as líamos, mas era só porque sim. Na verdade, o que interessava eram as fotos. Faziam-nos sentir um pouquinho mais perto daqueles lugares que não tínhamos dinheiro para visitar. Mas, acima de tudo, elas representavam a oportunidade de tocar com os dedos naqueles momentos de surf, sempre que quiséssemos. Estavam guardados para sempre. Não havia casa de surfista que não albergasse debaixo da cama ou algures na casa de banho (e, não havendo smartphones na altura…) um molho de revistas com ondas na capa. Era como se pudéssemos estar mais perto de tudo, no centro de tudo. No dia seguinte, a edição deste mês seria tópico de conversa no bar da praia ou na escola de surf – Toda a gente sabia quem tinha apanhado altos tubos nos Coxos ontem e toda a gente sabia quem tinha ganho os sub 12 na semana passada. Toda a gente sabia quem era toda a gente. E todos estávamos “dentro da cena”. Não havia o orgulho de hoje em dizer: “não tenho andado muito dentro do mundo do surf”. Ser surfista não era fazer surf. Era uma espécie de estado metafísico – fazia-se parte de uma ideia, de uma gente. De uma comunidade que desapareceu sem deixar rastro – morreu para sempre quando deixámos de falar sobre a última capa. Quando as últimas marcas partiram do surf em busca de bloggers em bikini no Instagram.</p>
<p>O dia chegou em que também eu comecei a fazer parte de páginas nas revistas. A ansiedade ao procurar o meu <em>shot</em> na última edição foi a mesma na primeira vez que tive uma micro foto num cantinho de uma SurfPortugal, aos 11, e na última, há dois anos, na derradeira edição da ONFIRE.</p>
<p>Para um fanático de surf, as revistas eram uma forma de estar perto. Para um surfista profissional (muito mal pago, mas um profissional) elas eram uma razão de ser. Era na esperança de conseguir “aquela” fotografia que nos levantávamos a horas estúpidas, num frio de rachar e à chuva, para surfar aquele <em>wedge</em> manhoso que tinha a cidade como pano de fundo. Era o objetivo de todos – aquela página, aquela dupla… aquela capa.</p>
<p>Eu nunca fiz a capa. Duplas com fartura. Entrevistas de 10 páginas, grandes artigos… Num ano, apareci em todas as edições da ONFIRE. Mas nunca a capa.</p>
<p>No início deste Verão, algo aconteceu: Era um daqueles fins de dia típicos de uma má temporada como a que passou: nortada e um frio de rachar, na Ericeira. Fui tentar me esconder do vento para a Crazy Left. Aquele “metrão” e quase ninguém na água. Por algum motivo que me escapa, estava um fotógrafo na água, o Tim, um alemão que trocou a fotografia de marcas e a cidade por uma caravana e a vida de nómada. Nessa noite, recebo uma mensagem com uma fotografia. Mostrei-a ao Director da ONFIRE e a resposta automática foi ”Yup, temos capa”. Mas já não há capas.</p>
<p>Onde é que eu quero chegar com tudo isto? Bem, a lado nenhum, na verdade. Contos de fadas existem, mas só quando estamos sob o efeito de substâncias alucinogénias ou num barco na Indo. O papel está a morrer (e tu também!) e ninguém o pode salvar. É uma coisa boa – sites até são porreiros, fazer o belo do <em>scroll down</em> pelo Instagram da Surfing Mag é giro e salvam-se árvores e cenas.</p>
<p>Mas às vezes é bom deixar a mente voltar a esse tempo em que vivíamos o surf fervorosamente. Esse lugar do passado onde o coração batia mais depressa em função de uma maré e não pensávamos duas vezes sobre se dormiríamos cedo ou não porque Carca ia estar épico amanhã. Uma era onde era “cool” ser-se completamente doido por conversas de ondas e manobras, mesmo que não se fosse surfista.</p>
<p>E, para mim, sempre haverá aquele amor platónico – aquela capa que nunca fiz, aquele sonho que morreu quando uma parte do surf morreu.</p>
<p>JK</p>
<p>Para leres mais textos de João Kopke visita o site <a href="http://joaokopke.com">joaokopke.com</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:</em><br />
<em>João Kopke /orgulhoso detentor de um carro moribundo e cheio de areia. Surfista sim, mas cantor lírico e estudante de ciência política e relações internacionais. Estilo &#8211; Bem enquadrado socialmente mas que denote algum sentido de rock&amp;roll: t-shirt slim fit &#8211; furada no ombro. Boas notas na faculdade &#8211; aparece de chinelos. Aulas de contrabaixo &#8211; sempre descalço.</em><br />
<em>22 anos. Desde os 8 que o seu braço está formatado para carregar pranchas de surf. Desde os 10, os seus ouvidos treinados para encontrar a sensível. Desde sempre, os seus olhos muito abertos para ver todas as coisas.</em><br />
<em>Uma serrada convicção na ideia de que possuir serradas convicções e tecer juízos de valor é para lá do ponto – belo é escrever sobre a decadência do mundo sem lhe apontar o dedo.</em><br />
<em>A arte &#8211; vídeo, fotografia, música e escrita – é para ele a caneta com que se escrevem as histórias dos caminhos por onde nos leva uma prancha de surf.</em></p>
<div id="attachment_41190" style="width: 738px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-41190" class="wp-image-41190 size-full" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/10/Kopke-Author.jpg" alt="" width="728" height="502" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/10/Kopke-Author.jpg 728w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/10/Kopke-Author-255x176.jpg 255w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/10/Kopke-Author-621x428.jpg 621w" sizes="(max-width: 728px) 100vw, 728px" /><p id="caption-attachment-41190" class="wp-caption-text"><em>João Kopke. Photo by White Flag Productions</em></p></div>
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		<title>David Luís e a lição de surf &#124; By João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/david-luis-e-a-licao-de-surf-by-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Aug 2017 11:23:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
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		<category><![CDATA[Ross Williams]]></category>
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					<description><![CDATA[Ross Williams, um havaino com um surf poderoso que brilhou na década de 90 no circuito mundial e hoje treinador do John John, estava na Praia Grande prestes a entrar no seu heat. Eu estava ali por ele, estava ali para confirmar que era verdade o que via nos filmes de surf. Queria medir a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ross Williams, um havaino com um surf poderoso que brilhou na década de 90 no circuito mundial e hoje treinador do John John, estava na Praia Grande prestes a entrar no seu heat. Eu estava ali por ele, estava ali para confirmar que era verdade o que via nos filmes de surf. Queria medir a altura dos seus leques de água e levar para casa registos de que o power havaiano existia.</p>
<p>O jovem David Luís era o seu adversário. Eu admirava-o, não só pelo seu surf mas por ser da Caparica onde comecei o caminho nas ondas. Mas deixem-me confessar-vos uma pequena maldade, agora com esta distância temporal de quase 20 anos. O meu coração batia pelas ilhas do Pacífico, traía a minha Pátria, eu sei. Jovem cobarde, geria a minha excitação em silêncio, querendo que o meu compatriota perdesse para o meu ídolo. A admiração que tinha pelo Ross Williams era doentia. Os filmes Momentum e Focus tinham sido responsáveis por esse fanatismo. Não me sentia culpado de nada. Estava ali para ver ganhar um dos melhores do mundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>https://www.youtube.com/watch?v=cdgUXbrn5eU</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O David perdeu a luta mas surfou com uma radicalidade impressionante, ao contrário do homem das ilhas que não arriscou e passou para a fase seguinte do campeonato com um surf apenas competitivo. Durante os cerca de 20 ou 25 minutos em que lutaram na arena de Sintra, o David foi o meu Ross Williams e eu senti-me verdadeiro. Estava ao lado de Portugal! O surf do jovem luso tinha-me conquistado.</p>
<p>Há pouco tempo numa conversa de teclado recordei-o dessa onda. Ficou surpreendido por eu me lembrar desse momento. Nas linhas em baixo podem ver a transcrição. Vou-me referenciar como o traidor da Pátria, porque de facto tinha essa intenção, trair o meu País.</p>
<p><strong>Traidor da Pátria: </strong>David<strong>,</strong> não me esqueço da tua onda no Campeonato da Praia Grande (1997) contra o Ross Williams, um <em>floater</em> arriscado, seguido de um<em> snap</em> e mais uma junção. Está na minha memória e tu estás na história do nosso surf. Fazes parte de um grupo que abriu a porta esta nova geração de surfistas. Acertei nos pormenores da onda?</p>
<p><strong>David:</strong> Obrigado. Nunca ninguém me disse isso e sabe bem ouvir! Aterrei de <em>tail</em> do <em>floater</em> e o <em>layback</em> foi bom e terminei seguro. É das que estão cá dentro.</p>
<p><strong>Traidor da Pátria:</strong> Estava naquele areal e foste o nosso herói. Exactamente,<em> layback</em> perfeito. Não passaste o heat mas brilhaste.</p>
<p><strong>David:</strong> Sim, o Ross depois aniquilou-me (risos). Mas lembro dele a olhar para mim depois dessa onda que abriu o heat. Cenas loucas…</p>
<p><strong>Traidor da Pátria:</strong> Não te aniquilou. Fez uma esquerda com uns rasgos e a ti faltava-te outra, só isso. O heat foi teu!</p>
<p><strong>David:</strong> Como é que te lembras?</p>
<p><strong>Traidor da Pátria:</strong> És responsável por eu não me esquecer. Foi uma onda linda. Não me esqueço dessas. Nunca!</p>
<p>E com este texto David, ficas a saber toda a verdade. No início estava ali por ele, no final saí de lá teu fã e com orgulho na nossa bandeira.</p>
<p>Um abraço</p>
<p>Flecha</p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Menses vista o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses| Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>António Silva &#124; Surf com verdade</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/antonio-silva-surf-com-verdade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jul 2017 13:02:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
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					<description><![CDATA[Um diálogo entre Surfistas...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este inverno encontrámo-nos algumas vezes na água e foi numa viagem que fizemos ao Alentejo em busca de um <em>swell</em>, que aproveitei para tentar perceber quem era este António Silva mais maduro. Fiquei alguns meses a reflectir as conversas que tivemos e só mais tarde percebi que estava na altura de um diálogo mais profundo. Esta entrevista é o resultado disso.</p>
<p>Convido-vos a viajar pela história deste big rider português que recebeu recentemente o convite para ingressar no <em>Big Wave Tour</em>. Vamos sentir velocidade e intensidade. Agarrem-se bem!</p>
<p><strong> António, quando é que percebeste que o surf faria parte da tua vida?</strong><br />
Eu acho que foi gradual. Dás um bom tubo, um bom aéreo e começas a ficar viciado. Comecei a surfar na Praia Grande sozinho. Conheci a malta de lá, como o Gonçalo Faria que foi uma referência importante, uma pessoa que me ajudou muito. Fizemos 3 temporadas Havaianas e ele marcou-me com a sua atitude nas ondas grandes.</p>
<p><strong>Estás a dar um exemplo de um dos maiores bodyboarders portugueses. Aprecio essa tua humildade de falares de alguém que não é surfista mas sim um verdadeiro <em>waterman</em>.</strong><br />
Aqui em Portugal os bodyboarders, na generalidade, sempre tiveram muito mais atitude que os surfistas. Sempre procuraram ondas de consequência. E os surfistas profissionais do passado sempre tiveram um surf muito banal, nada de extraordinário. Só há pouco tempo é que começaram a aparecer surfistas portugueses com nível internacional. Tivemos o Dapin que foi o único que conseguiu chegar lá. O Gonçalo Faria apesar de não ser surfista era homem do mar e passou-me aquela atitude <em>go for it</em>. Havia também o Macedo mas estava na Austrália na altura, era uma referência mas vivia longe, nunca dava para estar muito tempo com ele.</p>
<p><strong>Achas que a Praia Grande transforma meninos em homens? Falaste no Macedo, também tens o André Pedroso e outros…</strong><br />
O Nicolau, o João Pereira Caldas, grande big rider (que ganhou um dos históricos campeonatos na Ilha da Madeira, com ondas de respeito). O João vai caçar com mares enormes, ao lado dele a maioria do pessoal da caça são meninos de coro.<br />
Talvez hoje em dia a Praia Grande já não transforme tanto os surfistas. Sabes porquê? Na altura não tínhamos as <em>webcams</em>, os <em>windgurus</em>. Chegavas lá e entravas ou então tinhas que ir para Carcavelos. Ligavas para o serviço de informação de ondas por telefone (risos) … <em>dava cada martelada aos meus pais</em>… (era muito caro) eu acho que enriqueci esses gajos só com o dinheiro que gastei. Uma das outras opções era ir aos Coxos. Pegava na motinha e lá ia eu com nortadas e tudo, surfava aquele <em>inside.</em></p>
<p><strong>O surf é assunto para falares à mesa com um bom vinho?</strong><br />
Então não é? Mas prefiro falar com quem percebe de surf, que fale a mesma linguagem que eu. Por vezes não gosto de falar com pessoas que não sabem o que é o surf, especialmente de ondas grandes. Gosto de falar com homens do mar. Há muita gente a fazer surf mas há poucos surfistas. Há pouca cultura de surf.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/07/antonio-silva-5.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-38905 size-full" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/07/antonio-silva-5.jpg" alt="antonio-silva-5" width="728" height="428" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/07/antonio-silva-5.jpg 728w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/07/antonio-silva-5-300x176.jpg 300w" sizes="(max-width: 728px) 100vw, 728px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Se não fosses surfista qual era o teu caminho? Paraquedista, alpinista? </strong><br />
MotoGP.</p>
<p><strong>Também ias partir uns ossos? (O António já teve vários acidentes…) Precisas de adrenalina, certo?</strong><br />
Sim, preciso dessas descargas de adrenalina. Eu acho que todos precisamos, a diferentes níveis, mas todos precisamos.</p>
<p><strong>E as ondas grandes como é que surgiram? Fizeste competição, aquele percurso normal. Quando é que se deu o <em>click</em>? </strong><br />
Também foi gradual. O Havai deu-me uma grande experiência. Hoje em dia já podes adquirir experiência em ondas grandes sem ires lá, mas na altura foi uma aprendizagem. No Havai qualquer um surfa 4 ou 5 metros. Está um surfista mais velho, está uma mulher, estão famílias inteiras a curtir e a dropar as bombas. É uma cena natural. Mas o facto de ser água quente e ires de calções também ajuda.</p>
<p><strong>Aqui ao lado os bascos têm uma comunidade muito forte que surfa ondas grandes na remada. Porque é que achas que em Portugal só agora é que começaram a surgir alguns grupos de big riders? Antes eram apenas casos isolados.</strong><br />
Eu acho que os surfistas que na altura eram pagos para puxar os limites em Portugal não puxaram nada. Acomodaram-se por serem os maiores da zona e isso refletiu-se no panorama das ondas grandes.</p>
<p><strong>Ao nível mundial o </strong><em><strong>tow in</strong></em><strong> elevou o surf de ondas grandes a um outro patamar através das surfadas na famosa onda de </strong><em><strong>Jaws</strong></em><strong> (Peahi, no north shore da ilha de Maui), com surfistas como o Laird Hamilton, Darrick Doerner ou o David Kalama. Agora a geração mais nova como o Billy Kemper ou o Albee Layer e também o Shane Dorian deram início a uma nova era de surf de ondas grandes na remada, com altíssimo nível. Como vês esses feitos?</strong><br />
<em>Big riders</em> há muitos, mas bons surfistas <em>big riders</em> há poucos. Daqueles que destroem uma onda de 1 metro como de 2 ou 10 metros. O Kay Lenny por exemplo. O Shane Dorian que provou que o facto de ter tantos <em>skills</em> como surfista só o favoreceu nas ondas grandes. Meteu ali todo o seu <em>knowledge</em> naqueles <em>drops</em> e naqueles tubos. É evidente que podes mandar-te a umas grandes bombas sem seres um excelente surfista, mas para mudares a história, para mudares o desporto como ele mudou, só pode ser alguém que tem que estar ao nível dos melhores. E ele esteve na primeira linha, ao nível de um Kelly quando correu o Circuito Mundial. Até podes fazer uma onda grande parecida com as que ele faz, mas a probabilidade é muito pequena.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/07/toni.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-38943 alignleft" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/07/toni.jpg" alt="toni" width="728" height="428" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/07/toni.jpg 728w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/07/toni-300x176.jpg 300w" sizes="(max-width: 728px) 100vw, 728px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Há determinado tipo de </strong><em><strong>slabs </strong></em><strong>(ondas muito rasas em fundo de rocha) que não são para o surf na remada. Achas que essa é umas razões para o </strong><em><strong>tow in</strong></em><strong> não acabar?</strong><br />
Eu acho que não. Acho que o <em>Tow in </em>vai acabar. Um dia vai ser possível remar para essas ondas. Mas requer tempo e material. Evolução.</p>
<p><strong>És crítico em relação a quem avança para o <em>Tow in</em> sem experiência na remada?</strong><br />
Não. Cada um quer enfrentar os seus medos, seja de <em>tow in</em>, de bodyboard, de SUP, seja como for. A mota e o cabo ajudaram-me imenso a estar em mares em que não era possível estares na remada e aprimorou os meus <em>skills</em>. Estás a surfar a onda como uma prancha diferente e é outro jogo, mas estás lá. Estás ali no meio. Agora é óbvio que o futuro não passa pelo <em>tow in</em>.</p>
<p><strong>“Quando a cabeça não tem juízo… o corpo é que paga” António Variações</strong><br />
(Risos) O gajo tinha razão. É sábio. Tinha mesmo razão… Aprendi muito nos últimos anos. Tu quereres ser sempre o mais maluco e tal… Não ganhas muito com isso. Tens que jogar bué com a cabeça. Um gajo magoa-se à séria e… o corpo é que paga. E também gastas dinheiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2016/07/antonio_silva_nazare_andre_carvalho.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-38940" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2016/07/antonio_silva_nazare_andre_carvalho.jpg" alt="antonio_silva_nazare_andre_carvalho" width="1920" height="1280" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2016/07/antonio_silva_nazare_andre_carvalho.jpg 1920w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2016/07/antonio_silva_nazare_andre_carvalho-264x176.jpg 264w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2016/07/antonio_silva_nazare_andre_carvalho-642x428.jpg 642w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Já pagaste mais em </strong><em><strong>slabs</strong></em><strong> ou ondas de </strong><em><strong>hold down</strong></em><strong> (mais massudas que requerem muito treino de apneia)? </strong><br />
É pá eu já paguei todo o tipo de faturas. Tenho a lista toda (risos). E muito caras para o número de ondas que surfei. Há muitos surfistas que ainda não pagaram e estão sempre a falar que estão à espera do <em>swell.</em> É uma boa atitude, mas… respeito. Muito respeito. O mar brinca contigo. Lembro-me no início da malta falar da Nazaré, que aquilo era uma onda mole. Ela provou-me que não. Levei um <em>tareão </em>que de mole não teve nada.</p>
<p><strong>Tiveste medo no campeonato da Nazaré?</strong><br />
Medo tenho sempre. Eu sei o que é que o mar pode fazer… Passei as piores situações e por isso tenho sempre medo. O mar é quem manda! Faz de ti o que ele quiser. Já passei as passas do Algarve e há que saber ser humilde. O mar é muito forte, ele tem muitas toneladas, ele rebenta-te todos os ossinhos do corpo, mesmo que trabalhes muito no ginásio. (7 meses antes do convite para o Nazaré Challenge o António teve um acidente grave a surfar. Recuperou bem da lesão na coluna graças ao excelente trabalho do médico Nuno Lança que o operou. Seguiu-se um longo caminho de recuperação com o fisioterapeuta Nuno Morais e o treinador de piscina João Pedro Parisot).</p>
<p><strong>O Kohl Christensen disse uma vez que não há nada comparável a remares com os teus braços e o coração sem saber se vais conseguir dropar a onda…</strong><br />
Sim, não há sensação igual a essa. É a magia das ondas grandes. Não vai acabar.</p>
<p><strong> E a tua preparação física? Há pouco tempo vi umas fotografias tuas na caça submarina. É para treinares ou é só para ires buscar o almoço?</strong><br />
Gosto de caçar. E depois trato o peixe e cozinho. Há pouco tempo disseram-me para cozinhar sem tirar as escamas. Preparado ao sal (para ser preparado ao sal o peixe não pode ser escamado, uma vez que são as escamas que previnem que o sal entre no peixe e este fique salgado). Mas sim, é sempre um treino, ainda ontem fiquei preso a uma linha e tive que a cortar. Debaixo de água não é o teu mundo, os peixes brincam contigo, é como as ondas. Também tenho os treinos na piscina. São treinos muito bons, já me salvaram a vida umas vezes.</p>
<p><strong>Tens um bom patrocínio de pranchas (ORG) mas falta-te um patrocinador principal. O surf de ondas grandes cria tanto impacto, como é que é possível que os </strong><em><strong>big wave riders</strong></em><strong> não possam viver confortavelmente do surf?</strong><br />
A Europa sempre foi um bom mercado para ter patrocínios. Por isso há coisas que não percebo. Toda a gente adora ver ondas grandes mas os apoios são muito poucos. Há surfistas que arriscam tudo, aleijam-se, representam os seus países e a troco de nada. Quando não há campeonatos, não há <em>prize money</em>, e eles vão surfar ondas grandes na mesma. Choca-me ver alguns surfistas patrocinados por marcas internacionais, que já não surfam nada e que ainda ganham balúrdios.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/07/antonio-silva-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-38909 size-full" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/07/antonio-silva-3.jpg" alt="antonio-silva-3" width="728" height="485" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/07/antonio-silva-3.jpg 728w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/07/antonio-silva-3-264x176.jpg 264w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2017/07/antonio-silva-3-642x428.jpg 642w" sizes="auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Parabéns pelo convite para o Big Wave Tour. Quero-te ver a surfar Jaws. Estás ansioso? Já surfaste a onda?</strong><br />
Nunca estive lá, mas quero muito surfar a onda. Quero ir com tempo. Quero namorar a onda, é muito importante. Tens que a conhecer bem, é exigente. Precisas de estar ali muitas horas, nos dias bons e nos dias maus. É como as mulheres (risos)</p>
<p><strong>E que pranchas vais levar contigo na bagagem?</strong><br />
Tenho uma 11&#8217;8, uma 10&#8217;6 e uma 9&#8217;0. Todas da ORG.</p>
<p><strong>Eddie Aikau. Já alguma vez sonhaste em estar na lista? </strong><br />
Claro que sim. Quem é que não sonha com isso?</p>
<p><em><strong>Eddie Would Go</strong></em><strong> é uma frase que é usada para incentivar alguém a ir numa onda ou a ultrapassar os seus medos. António </strong><em><strong>Would Go</strong></em><strong>! Gostavas de um dia seres lembrado assim? </strong><br />
(Risos) Lembrado como aquele que foi parar à direita na pedra do canhão da Nazaré. Acho que fui dos que passou mais tempo a nadar ali. Não me importo de como vou ser lembrado. Sabes que o meu ego já morreu há muito tempo.</p>
<p><strong>Eu acho que és um guerreiro!</strong><br />
Eu sou apaixonado por aquilo que faço. Não sou guerreiro…</p>
<p><em><strong>“Viajar! Perder países! </strong></em><br />
<em><strong>Ser outro constantemente,</strong></em><br />
<em><strong>Por a alma não ter raízes</strong></em><br />
<em><strong>De viver de ver somente!”</strong></em><br />
<em><strong>Fernando Pessoa</strong></em></p>
<p><em><strong> </strong></em><strong>O que é que aprendeste com as viagens?</strong><br />
Tanto…Se não tivesse viajado eu era outra pessoa. O surf é o desporto que eu faço e isso leva-me a viajar para destinos de ondas, mas o que eu gosto acima de tudo é interagir com os habitantes desses países, perceber a cultura local. Tenho amigos meus que vão para a Indonésia e ficam no <em>resort</em> ou no <em>charter boat</em> e dizem que foram à Indonésia. E de facto foram. Mas é diferente quando ficas em casa dos locais e vives a vida deles. Eu falo o bahasa. Ao fim de tantos anos… precisava de comer e era tudo por gestos que acabei por falar a língua deles. Gosto de interagir, de ver os costumes deles, de fazer amizades para a vida. Mas também já estive em sítios onde odiavam os portugueses por causa de Timor.<br />
De ano para ano vejo que as pessoas estão diferentes, a internet por exemplo veio mudar muito. Há mais cobiça e isso muda as pessoas. Eu acho que lá as pessoas não são assim tão pobres porque não passam fome. Têm peixe, têm fruta. Pobre é alguém sem dinheiro numa cidade. Isso é que é um pobre.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Expedition ONE * INDONESIA* António Silva" src="https://player.vimeo.com/video/183822252?dnt=1&amp;app_id=122963" width="500" height="281" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Para além do surf quem é o António Silva?</strong><br />
Sou um bandido (risos). Sou amigo do meu amigo. Quem gosta gosta, quem não gosta, não gosta. Não faço nada para agradar aos outros. Tens que ser como és, tens que ser correcto, amigo da tua família, dos teus. E praticares o bem. Tudo que fizeres de mal vais pagar caro.<br />
No futuro quero continuar a surfar, ter saúde e estar rodeado das pessoas que amo.</p>
<p><strong>Créditos <strong>(por ordem)</strong>:<br />
<strong>Photo 1</strong></strong> &#8211; Arquivo pessoal<br />
<strong>Photo 2 </strong>&#8211; Bruno Smith<br />
<strong>Photo 3 </strong>&#8211; Arquivo pessoal<br />
<strong>Photo 4</strong> &#8211; André Carvalho<br />
<strong>Photo 5</strong> &#8211; Pedro Mestre / WSL</p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Menses vista o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses| Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma excelente colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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		<title>O Comboio para Kelly Slater &#124; Blog Post &#124; By João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/o-comboio-para-kelly-slater-blog-post-by-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Jun 2017 09:40:38 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
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					<description><![CDATA[A madrugada estava fria. A estação de comboios gelava os corpos dos miúdos com correntes de ar vindas de todas as direcções. Slater, o atrasado do costume, tinha-se atrasado uma vez mais e perdera o avião para Lisboa. Enquanto aguardava pelo próximo voo ou dormia no quentinho da sua casa na Flórida, três cabeças loiras [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A madrugada estava fria. A estação de comboios gelava os corpos dos miúdos com correntes de ar vindas de todas as direcções. <span id="more-38399"></span>Slater, o atrasado do costume, tinha-se atrasado uma vez mais e perdera o avião para Lisboa. Enquanto aguardava pelo próximo voo ou dormia no quentinho da sua casa na Flórida, três cabeças loiras procuravam dormitar entre as cadeiras do átrio da estação e os bancos dos comboios que descansavam no apeadeiro.</p>
<p>Os putos tinham comprado um bilhete de comboio Lisboa-Figueira ida e volta. Não havia margens para derrapagens financeiras de bolso. Não havia dormidas confortáveis, carrinha de escola de surf e monitor responsável. O plano era caminhar da estação até à praia do Cabedelo, ver os prós em acção e regressar a Lisboa no mesmo dia. O calendário marcava 1996 e Slater iria conhecer Portugal pela primeira vez e lutar por mais um título mundial. Os putos iriam conhecer a famosa onda da Figueira e os encantos de mais uma cidade do seu País. Eram surfistas, destas vez sem pranchas. Slater, Powell ou Padaratz, estavam lá para lhes mostrar as potencialidades da onda. Eles sabiam que havia dias assim, de pura aprendizagem fora de água. As pranchas descansavam em Lisboa.</p>
<p>A voz do speaker do evento anuncia que Slater não vai chegar a tempo do heat. <em>Só no dia seguinte</em>, diz. Regressar a Lisboa sem ver o menino-prodígio era uma opção. A outra seria multiplicar as poucas moedas de bolso nas máquinas do Casino. Com as receitas desse rasgo empreendedor podiam pagar a dormida. Não preciso dizer qual o caminho que escolheram.</p>
<p>&#8211; <em>Dormíamos em grande naquele hotel central, tomávamos o pequeno-almoço com vista para Buarcos e com sorte ainda comprávamos umas pranchas americanas.</em></p>
<p>Aprenderam cedo que o vício do jogo não compensa. Em poucos minutos o mealheiro foi engolido pelas máquinas reluzentes que rolavam desenhos de fruta. Nas mochilas restavam umas maçãs verdadeiras, uns frutos secos e a revista para ser autografada. Voltaram à Estação, não para apanhar o comboio de regresso a casa mas para dividir o frio e o sono com um intrigante vagabundo que falava francês. Voltar a Lisboa? Ainda não.</p>
<p>No dia seguinte a praia do Cabedelo estava mais brilhante com a presença do americano de olhos verdes. Bruno Charneca compete bem e faz história ao vencer o ídolo adormecido. Slater sai da água e os três jovens estão de camarote em primeira fila, como caranguejos entre a areia e o mar. Com os joelhos molhados, num inglês tímido e a gaguejar, talvez ainda recuperar do frio da madrugada e com a bochecha direita marcada pelo cadeirão do comboio, um dos putos em representação dos três, avança:</p>
<p><em>Kelly, you lost your heat but you still the best!</em></p>
<p>O comboio chega a Lisboa, a estação de Santa Apolónia está quase vazia. Ninguém os aclama. A febre enrosca-se nos seus corpos. E a cabeça, essa caderneta de recordações, completa-se com a aventura de final de verão.</p>
<p>Para ler mais textos de João &#8220;Flecha&#8221; Menses vista o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank">&#8220;Caderneta de Mar&#8221;</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses| Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma excelente colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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		<title>Jardim do Mar &#124; Blog Post &#124; By João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/jardim-do-mar-blog-post-by-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jun 2017 09:54:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A onda do meu jardim emprestado está viva! Ainda é criança e não perdeu a inocência! Por vezes é fria e feia escondendo-se na maré enchente. Revoltada! Há uns anos diagnosticaram-lhe autismo e desde então tem vivido fechada num mundo só seu. Sente-se presa com o cachecol de pedras e betão que agora agasalha os [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A onda do meu jardim emprestado está viva! Ainda é criança e não perdeu a inocência!<span id="more-38232"></span></p>
<p>Por vezes é fria e feia escondendo-se na maré enchente. Revoltada! Há uns anos diagnosticaram-lhe autismo e desde então tem vivido fechada num mundo só seu. Sente-se presa com o cachecol de pedras e betão que agora agasalha os seus pés, ela que até nem gosta de agasalhos, tendo como uma das suas paixões percorrer nua as pedras naturais da fajã. Outra paixão é sentir os surfistas no seu corpo.</p>
<p>Podia chamar lhe cínica! Troça de mim e de algumas viagens que faço em vão, das noites em que acordo para a olhar adormecida, das manhãs em que adormeço perdendo-a na maré vazia. Não tenho o direito de adjectivá-la de forma ofensiva, se não acorda é porque não pode&#8230;Se não acorda é porque alguém é responsável pelo seu sono.</p>
<p>A onda do meu jardim emprestado conhece de cor todos os homens que lhe deram e continuam a dar-lhe prazer, descendo as suas paredes azuis com sorrisos loucos. Uma paixão sem grandes exigências! Ela promete que aparece de quando em quando e eles prometem que estarão com ela até à última energia de ondulação. Prometem que todos os músculos de um corpo se sintonizam na velocidade do oceano.</p>
<p>A onda do meu jardim emprestado também conhece de cor os homens que a tornaram menos perfeita, aqueles que vivem na ilusão do prazer, que pensam ser importantes atacando a natureza em troca de euros e de marisco importado. Mesmo assim ela não os odeia, mas em alguns momentos de raiva aproveita os dias de tempestade para os salpicar em lágrimas de sal, tendo vontade de os engolir, fazendo-os sentir a dor que tem quando tropeça no cachecol de pedras em cimento.</p>
<p>A aldeia do meu jardim emprestado não viu a onda nascer mas quase que a viu morrer. A onda viu a aldeia crescer e acompanha-a no seu viver! Na sua memória retém toda a história deste pedaço de terra. Conhece as várias gerações de famílias, conhece por ordem todas as casas ali construídas, todas as árvores plantadas, as ruas calcetadas. Sabe de cor os litros de água que descem por segundo das montanhas, o número de alunos da escola primária, os copos de vinho dos jogadores de cartas, os estrangeiros que por ali passaram. Sabe de cor os jovens da terra que vão regressar pelo natal vindos de Lisboa e de outras cidades universitárias do continente. Sente, ri e chora. A onda encarna todos os sentimentos do povo do Jardim do Mar. Ela é mãe dos habitantes, é mãe que os vê crescer, viver e morrer. Ela que até já conheceu a morte de perto e que vai lutando pela vida perpétua. Ela que reza todas as noites à Nossa Senhora do Rosário, padroeira deste jardim.</p>
<p>Se nunca encontrasse a onda do meu jardim emprestado, provavelmente não teria na minha lista de bons amigos o Pedro e o Adriano. Um é citadino do Funchal e o outro jardineiro de gema. Estamos distantes mas estamos tão perto. Eu tenho a distância de um voo de avião, o Pedro de alguns kms em estradas com túneis e montanhas e o Adriano, bem, esse sortudo sorridente, tem a distância de uma descida na rua da sua infância. E ela lá está! Perfeita e imperfeita, dependendo dos picos de autismo.</p>
<p>Hoje, esqueço-me que sou um eterno saudosista e que vejo sempre no passado o prazer do presente. Hoje, depois de sentir que percorri uma das ondas mais perfeitas da minha vida de surfista, começo a acreditar que de quando em quando a onda do meu jardim emprestado é de novo criança, é de novo inocente.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses| Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma excelente colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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		<title>Praia da Barra &#124; By Catarina Moura &#124; Blog Post</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/blog/praia-da-barra-by-catarina-moura-blog-post/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Feb 2017 11:36:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Catarina Moura]]></category>
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					<description><![CDATA[A sensação salgada na ponta da língua nunca caberá na boca de nenhuma palavra. Não dá para descrever o later do coração quando pisas aquela areia molhada, quando o teu arrepio é caloroso e quanto mais, o exacto segundo em que todo o teu corpo entra em total sintonia com a praia da Barra. Aquele [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A sensação salgada na ponta da língua nunca caberá na boca de nenhuma palavra.<span id="more-36061"></span></p>
<p>Não dá para descrever o later do coração quando pisas aquela areia molhada, quando o teu arrepio é caloroso e quanto mais, o exacto segundo em que todo o teu corpo entra em total sintonia com a praia da Barra.</p>
<p>Aquele lugar, apesar de menos grandioso que um tubo na Praia da Areia Branca, dá lugar a um espetáculo inusitado. Um habitat que se torna mais teu do que o teu próprio quarto. Ali acontecem todos os amores que uma vida poderia pedir. Por onde hei-de começar?</p>
<p>Saber que aquela tua direita entra de manhã pela fresquinha e que, por vezes, tens a sorte de ter o sol como teu pequeno almoço. E as cores, as cores não cabem na tua mão. Atravessam o paredão como tu vives o teu dia. Aliás, o mar ganha o dia quando o vermelho do céu toca o azul escuro do mar. Quando o acinzentado das nuvens deixa realçar a claridade do ar. E tu, corres que nem um louco porque a tua corrida está dentro de água, junto a todos os cardumes de peixe, a todas as conchas no fundo do mar.</p>
<p>Surfar na Praia da Barra é, também, tudo aquilo que não deu para o olhar falar, para escrever a tempo de não fazer a mala e partir.</p>
<p><em>Sobre o autor:</em><br />
<em> Naquele mar recíproco de ondas felizes, encontrou-se. Uma vimaranense de gema que vive da água salgada e das madrugadas na estrada à procura da onda perfeita. É estudante do mestrado em Turismo e desde cedo que leva consigo uma bagagem europeia cheia de singelas histórias para contar. A vida ensinou-lhe que é preciso saber voar sem medo de não voltar, agarrar cada lufada de ar fresco como quem agarra o tempo. Porque se a vida fossem rosas, seriamos todos um jardim. E no meio dessa banalidade, quem o plantaria?</em></p>
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		<title>Guns, braços e abraços &#124; Blog Post &#124; By João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/blog/guns-bracos-e-abracos-blog-post-by-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Dec 2016 14:49:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Nazaré Challenge]]></category>
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					<description><![CDATA[Ainda em estado de choque com o que se passou no dia 20 de Dezembro na Nazaré, começo esta curta crónica com a tentativa de citar uma frase que registei na memória, proferida por Kohl Christiensen, reputado big wave rider Havaiano: “Há algo de especial quando remamos para uma onda gigante com os braços e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda em estado de choque com o que se passou no dia 20 de Dezembro na Nazaré<span id="more-35433"></span>, começo esta curta crónica com a tentativa de citar uma frase que registei na memória, proferida por Kohl Christiensen, reputado big wave rider Havaiano:</p>
<p>“Há algo de especial quando remamos para uma onda gigante com os braços e o coração sem saber se vamos conseguir… Nada pode bater isso”</p>
<p>É este o espírito do surf de ondas grandes na remada. O tow-in deu a conhecer a Nazaré ao Mundo, mas era preciso uma mudança de paradigma naquelas massas de água. O sensacionalismo de registar ondas gigantes, algumas a que podemos chamar apenas vagas, que nem sequer quebravam e onde deslizavam alguns corajosos, por vezes medíocres tecnicamente, foi factor determinante para que a Nazaré, durante os últimos anos, fosse olhada com algum cepticismo por parte dos media especializados e dos surfistas de todo o Mundo. Era preciso mudar, era preciso provar que aquele sítio especial tinha mais a oferecer do que apenas espectáculos de snowboard em água para uma plateia de milhares de pessoas, que desconheciam a importância de um bottom turn. Era preciso provar que o Canhão da Nazaré estava ao mesmo nível do armamento Havaiano, Mexicano ou Chileno.</p>
<p>Esse dia chegou! Houve emoção, medo, desafio e coragem. E a Lusofonia mostrou que tem braços fortes.</p>
<p>O Nazaré Challenge foi o início de um caminho que vai levar os surfistas portugueses ao mais alto nível do surf nas ondas grandes.</p>
<p>É tempo de olhar para a frente, tal como disse Laird Hamilton, “Não deixes que os teus feitos sejam maiores que os teus sonhos”!</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
<em>João “Flecha” Meneses|</em><em> Com mais de duas décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma excelente colaboração com a ONFIRE.</em></em></p>
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		<title>Qual vale mais, o mensageiro ou a mensagem? &#124; By Pedro Soeiro Dias &#124; Blog Post</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/blog/qual-vale-mais-o-mensageiro-ou-a-mensagem-by-pedro-soeiro-dias-blog-post/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ONFIRE Surf]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Dec 2016 00:55:15 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Almada]]></category>
		<category><![CDATA[Garrett McNamara]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Soeiro Dias]]></category>
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					<description><![CDATA[Recentemente ficámos a saber que Garrett McNamara &#8220;apoia&#8221; a candidatura de Almada a “Cidade Europeia do Desporto 2018”. Rapidamente choveram manifestações positivas e negativas acerca desta opção de representação, sendo natural, até porque Garrett McNamara não é português, o que desafia desde logo a condição patriota dos portugueses, é também lógica, afinal já representou a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente ficámos a saber que Garrett McNamara &#8220;apoia&#8221; a candidatura de Almada a “Cidade Europeia do Desporto 2018”. <span id="more-35211"></span>Rapidamente choveram manifestações positivas e negativas acerca desta opção de representação, sendo natural, até porque Garrett McNamara não é português, o que desafia desde logo a condição patriota dos portugueses, é também lógica, afinal já representou a Nazaré, Portugal, pelo meio marcas e agora Almada.</p>
<p>Já há algum tempo que tinha vontade de escrever acerca deste fenómeno, agora penso ter chegado a altura certa. Desde já, por questões profissionais, sendo marketer e tendo colegas a tomar estas decisões (de escolhas sobre endorsement), apraz-me perceber que todos fizeram excelentes opções ao escolher McNamara como representante daquilo que queriam comunicar. O alcance que conseguiram foi excepcional e por si só, sendo que estamos a falar de bens de consumo (café) ou locais (país, cidade e vila), o critério de segmentação predefinido é bastante alargado, logo os resultados só podem ter sido mais do que conseguidos.</p>
<p>Recuando um pouco no tempo, e de forma a sustentar esta opinião (não querendo entrar em pormenores técnicos de surf), quando a Câmara Municipal da Nazaré procurou explorar a especificidade da Praia do Norte, recorrendo a um surfista estrangeiro disponível para desbravar as condições únicas desta zona, de forma a dar a conhecer, logo explorar economicamente, esta vantagem (reforço a exclusão da questão técnica de surf), essa escolha provou ter sido perfeita. Os intentos da autarquia, na minha opinião, foram mais do que conseguidos. A Nazaré beneficiou de um alcance sem igual, de extensão mundial, percorrendo todo o tipo de meios e de reconhecimento autêntico, já que a zona apresentava-se como tendo ondas específicas e o surfista explorou essa especificidade no seu expoente máximo. Assim, podemos concluir que o objectivo era claro e o resultado superou esse objectivo. Hoje a Nazaré está no mapa (reconhecimento) e evoluiu economicamente no sector privado.</p>
<p>Pegando nos percursores (CMN) e levando esta estratégia para todas as outras relações representativas &#8211; Portugal, Café Boundi, Lion of Porches e agora Almada, podemos assumir que foram opções válidas, até porque os valores de representatividade (é publico) são interessantes e os resultados imediatos &#8211; a constante opção pelo mesmo personagem faz com que o reconhecimento se mantenha em alta, foram também bastante inteligentes já que todas estas marcas tentavam ir buscar algo aspiracional ao &#8220;Surf&#8221; &#8211; com reconhecimento evidente e duradouro. Portanto, parece não haver espaço para grandes críticas negativas às ligações das marcas com este indivíduo, não me parece sequer discutível que as estratégias acima descritas fossem erradas, os resultados provaram ser certeiros.</p>
<p>Todavia, há efeitos colaterais neste tipo de estratégias longas no tempo e comuns na génese. A médio prazo e quando a temática exposta é especifica, neste caso &#8211; Surf e Ondas, o alcance per si, sem critério e sem sustentação, não só não converte, como o investimento fica disperso. Senão vejamos, a Nazaré neste momento ficou conhecida, mas, além de projectos privados de imobiliário (não hotelaria), o investimento que aparece, aparece para investir no Garrett McNamara e não na Nazaré. O que me parece natural, já que o reconhecimento está no indivíduo e não a marca/produto/serviço. Este fenómeno está de facto a acontecer, tendo a Câmara local voltado a investir no reconhecimento da zona por outras vias, não no surf actividade, mas na zona turística como um todo.</p>
<p>A credibilidade também fica beliscada a médio prazo, ou seja, se o objectivo foi apenas alcance/reconhecimento (awareness) o proveito é total a curto prazo, porem a médio prazo a mensagem global de curta duração, torna-se de média duração pelo target conhecedor, o que define como negativa a mensagem se esta for inócua. O que é o caso, já que o mensageiro neste caso não transporta apenas a mensagem, ele próprio representa-a.</p>
<p>Volto à primeira frase e de lançamento deste tema &#8211; Almada, na minha humilde opinião, escolheu muito bem se o objectivo é angariar votos no exterior, o que me parece lógico. Todavia, não geriu pelos vistos o target conhecedor e detentor de opinião qualificada, o que em casos como este são fundamentais ter em conta. Não só pela relação social com a edilidade, mas também pela relevância que o target &#8220;core&#8221; tem a longo prazo numa zona tão especifica e tão importante para Almada como a Costa de Caparica.</p>
<p>Em jeito de conclusão, deixando uma opinião menos mercantilista mas largamente mais eficiente &#8211; Algo de muito errado se passa quando se continua a achar que é dinheiro bem gasto disparar &#8220;cartuchos&#8221; indiscriminadamente de forma a acertar em alguém, sem ter a mínima capacidade de analisar e apontar ao alvo certo para o produto certo. Já não é nesse tempo em que vivemos.</p>
<p>As administrações já não podem ficar contentes apenas com cadernos de valorização hiperbolizados, a conversão real de tal investimento tem que ser tangível e de preferência deixando um legado de credibilidade e reputação gerível. Será sempre fácil de apresentar resultados inócuos, mas cobertos de um valor imenso percepcionado (o alcance e reconhecimento).</p>
<p>Pedro Soeiro Dias</p>
<p>Sobre o Autor:<br />
<em>Pedro Soeiro Dias | Individualista, enigmático, muito atento e crítico em relação a tudo o que rodeia. A convicção e a solidez com que defende os seus pontos de vista transmitem muitas vezes a ideia de arrogância.</em><br />
<em> Tem 38 anos e desde os 16 que tem prancha.</em><br />
<em> É realizador de formação e no início do século ainda explorou a indústria, mas a celeuma do mercado, fez com que se dedicasse à escrita.</em><br />
<em> As viagens marcaram o seu processo de maturação e, recentemente, viajou até ao Havai, cumprindo um dos seus sonhos.</em><br />
<em> Vive, trabalha e surfa na Ericeira.</em><br />
<em> A paixão por “marcas” aliada a traços de personalidade que lhe conferem extrema sensibilidade para o marketing redesenharam o seu percurso profissional. Hoje é um marketeer apaixonado.</em></p>
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		<title>A Febre do Pinguim &#124; Blog Post &#124; By João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/blog/a-febre-do-pinguim-blog-post-by-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 May 2016 09:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Christian Fletcher]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Shane Herring]]></category>
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					<description><![CDATA[Aceito o presente e acredito que o futuro será melhor. E lá vou afastando a cabeça do Velho do Restelo. Mas ainda não deixei de acreditar num concerto do Jack Johnson só para quem já tirou ouriços dos pés, ou que os Bad religion e os Pennywise vão voltar a dar som a imagens de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Aceito o presente e acredito que o futuro será melhor. E lá vou afastando a cabeça do Velho do Restelo.<span id="more-31413"></span></p>
<p>Mas ainda não deixei de acreditar num concerto do Jack Johnson só para quem já tirou ouriços dos pés, ou que os Bad religion e os Pennywise vão voltar a dar som a imagens de surfistas criativos. Mas começo a deixar de acreditar que as entidades dos assuntos do mar em Portugal vão analisar criteriosamente o nível de surf e a capacidade física dos professores da europa central e de alguns portugueses que leccionam a arte nas ondas. Mas descansem, não pretendo exigir que conheçam as bandas de culto ou filmes como Bunyp Dreaming, Focus ou Momentum. Mas deviam!</p>
<p>Gostava de acreditar que o Shane Herring, um dos melhores surfistas do mundo na década de 90, irá receber uma prancha esculpida por um Mayor australiano, não para premiar o seu passado de álcool e de drogas, mas pela criatividade que teve num curto espaço de tempo, rasgando sem filtros os mares do mundo.</p>
<p>Gostava, ainda, de ver o Christian Fletcher com a sua caveira tatuada na nuca a ensinar o Obama a descer um mini half pipe na Casa Branca e de ver o Shaun Tomson como Presidente da África do Sul.</p>
<p>Não gosto de ver pinguins da cidade a dar medalhas a surfistas. Dizem que o metal das mesmas, ouro, prata ou bronze, em contacto com a pele salgada é transmissor da febre da Antártida, um misto de hipotermia e discurso de papagaio, que torna o homem do mar menos puro e mais macio face ao cinismo da sociedade.</p>
<p>Em Portugal, gostava de ver tanta coisa. Mais surfistas-treinadores como o Pyrrait, o João Antunes, o Telmo e o Raimundo, e outros tantos que do Algarve ao Minho vão formando surfistas e só depois atletas. Gostava de ver o prestigiado Tiago Pires a lutar por causas ambientais e nomeado embaixador das reservas de surf. Não gostava de voltar a ver o Miguel Blanco sem patrocínio, porque se o miúdo não acreditasse no seu valor, podia ter ido por outro caminho e hoje seriamos mais pobres.</p>
<p>Não nos esqueçamos que em terra ou no mar, a riqueza de um País cresce ao potenciar o seu capital humano em equilíbrio com a natureza. Estudando o passado e acreditando que o futuro é motivo para um sorriso.</p>
<p>Sobre o Autor:<br />
<em>João “Flecha” Meneses|</em><em> Com mais de duas décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma excelente colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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