O Surf City El Salvador Surf Pro foi uma “lufada de ar fresco” para o Championship Tour, depois de vários anos a visitar quase sempre os mesmos spots. Mas será que foi tudo o que se esperava? Fica com os pontos altos e baixos da mais recente etapa do tour…

As ondas no penúltimo dia de prova estiveram épicas. O que é preciso para se ter super heats? Grandes confrontos e ondas perfeitas e foi mesmo isso que aconteceu no final do round de 16 e nos quartos de final. Direitas rápidas a rondar os dois metros nos sets, sem vento, proporcionaram heats memoráveis, entre os quais se destacam as batalhas entre Griffin Colapinto e Kanoa Igarashi, Ítalo Ferreira contra Ethan Ewing e as performances de Gabriel Medina e Filipe Toledo.

Pela negativa, os restantes dias de prova não fizeram justiça ao que se espera de uma prova deste “gabarito”, principalmente num local novo que procura posicionar-se como world class. Direitas com pouco potencial, com rochas pelo caminho, sem falar das entradas e saídas, onde a ex-líder do ranking se cortou, Brisa Hennessy levou 8 pontos no pé e acabou eliminada no round 2.

As vitórias de Griffin Colapinto e Stephanie Gilmore. A Califórnia finalmente tem um verdadeiro “contender” em Colapinto, depois de Andino ter ameaçado e Igarashi ter mudado de nacionalidade. O surfista de San Clemente quebrou o “feitiço” na etapa portuguesa e não olhou mais para trás vencendo novamente nesta etapa e lançando-se na disputa pelo título. Já Stephanie surfou com a sua harmonia e felicidade característica, garantindo uma vitória celebrada por todos, público e adversárias.

Pela negativa… Não há dúvida que Griffin tem surf e potencial de disputar o título mundial mas será que mereceu mesmo vencer esta etapa? É fácil compra a guerra “Brasil VS resto do mundo” já que os surfistas brasileiros têm dominado nos últimos anos no tour e recentemente têm perdido vários heats por muito pouco. Além das derrotas recentes de Medina e Toledo para Robinson em G-Land e Colapinto em El Salvador, também Ítalo e Pupo (Miguel) perderam heats ao longo do ano que poderiam ter sido vitórias, ficando tão próximas que as interpretações mais “bairristas” podem considerar os resultados como injustos. Mas, na realidade, é disso que se trata na maior parte dos casos, interpretações de heats muito próximos, com estilos de surf diferentes e ondas diferentes. No entanto, o resultado da final desta prova é difícil de engolir. Se os 9’s do início do heat foram bastante equilibrados, a segunda nota a contar de cada um, 8 de Griffin e 6.43 de Toledo, nunca poderiam ter tido o mais de ponto e meio de diferença que tiveram a favor do norte americano. Colapinto fez dois aéreos reverses, com um cutback pelo meio que não podemos chamar de carve. Numa onda de tamanho semelhante mas quase 10 minutos mais cedo Filipe fez um aéreo reverse muito mais alto e com rotação completa no ar seguido de várias rasgadas e um mini reverse para terminar, mostrando mais variedade e um melhor aproveitamento da onda. No entanto, o que interessa é o evento final, onde o título será disputado entre o top5, o que faz com que algumas destas disputas se tornem irrelevantes.

Os wildcards. Ou, no caso de Caroline Marks, a replacement surfer. Depois de vários meses a recuperar de uma lesão, Caroline mostrou que não ficou para trás, eliminando Brisa Hennesey e Carissa Moore, sendo eliminada apenas pela eventual vencedora da prova.

Pela negativa, no lado masculino foi o oposto. Carlos Munoz não pareceu estar de volta à sua melhor forma, depois de apenas duas semanas de surf ao fim mais de 6 meses de recuperação e Josh Burke, de Barbados, que entrou no evento como substituto de última hora de Kelly Slater, novamente lesionado, também não impressionou. Mas o hype estava todo com o vencedor dos trials Bryan Perez que, ao garantir uma vaga neste evento contratado pela Hurley e de imediato “vendido” pelos comentadores como estando para este point break como Fanning está para Snapper ou Florence para Pipe. E é caso para dizer que, apesar de ter surfado bem, “the hype was not real”. Perez teve os seus momentos mas ficou em terceiro contra Filipe Toledo e Nat Young no round 1 e foi eliminado no round 2 por Ethan Ewing.

O circuito segue agora para o Brasil, onde se realiza o Oi Rio Pro, entre 23 e 30 de Junho. Acompanha tudo em directo AQUI!

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