Jéjé Vidal, Benedita Teixeira, Martim Paulino e Tomás Nunes sagraram-se este domingo campeões do Circuito ASCC Caparica Power 2021 sponsored by Almada Forum powered by Native Açaí cuja etapa única realizou-se com condições de gala na Praia do Marcelino, Costa de Caparica.

O segundo dia de competição foi de Primavera em pleno Outono e contou com muito público a assistir ao espetáculo com ondas épicas de 2,5m e vento offshore até ao início da tarde. As condições desafiantes puseram à prova os surfistas que proporcionaram vários momentos com surf de excelência, mas foram obrigados a uma prova de resistência física. A contraluz colocou dificuldades à organização a cargo da ASCC (Associação da Costa de Caparica) que teve um desafio logístico de colocar a equipa de juízes mais a sul na praia para que estivessem reunidas as condições de visibilidade.

Esta etapa contou com a presença de vários atletas que competiram em provas do circuito mundial de qualificação realizadas em Portugal como Francisco Almeida, Diogo Martins, Alan Saulo, Jéjé Vidal, Ian Costa, Cainã Souza, André Moi e Jaymes Triglone, entre outros.

Ao longo dos dois dias do campeonato foram vários os surfistas que realizaram ondas excelentes como foi o caso de Martim Paulino, Jéjé Vidal, Francisco Queimado, Alan Saulo e Francisco Mittermayer.

As finais realizaram-se já com a maré a vazar e com a mudança do vento para on-shore fraco o que afetou a formação das ondas colocando dificuldades aos surfistas em escolher as melhores. Tiveram, por vezes, de ativar o modo de sobrevivência tal o tamanho e intensidade do mar.

Na categoria Open, Alan Saulo começou melhor a final liderando-a quase até ao fim com uma onda de 7,17 pontos (em 10 pontos possíveis) a que juntou um backup de apenas 2,43. Jéjé Vidal acreditou até ao soar da buzina que era possível alcançar a vitória e reagiu com duas ondas de 5,73 e 4,77 perfazendo o score de 10,50 pontos (em 20 pontos possíveis) que foi suficiente para o levar para o 1º lugar e sagrar-se campeão da etapa e do circuito deste ano. Alan Saulo foi vice-campeão, Davi Neves ficou em 3º e André Moi em 4º.

“Foi uma final super difícil, mas foi bom competir com os meus amigos”, começou por referir Jéjé visivelmente esgotado de energia. “Já competi aqui três vezes e perdi sempre nas meias-finais. Mas hoje disse a mim mesmo que tinha de quebrar essa barreira e com o 9.17 nas meias-finais fiquei muito contente. A final foi complicada, demorei muito tempo a chegar lá fora e fiz apenas duas ondas. Levei com muitas ondas na cabeça e a segundos do fim é que descobri uma onda um bocado branca que reformou e deu para manobrar. Nunca vi ondas tão grandes na Caparica e surfei com uma prancha 5’11” que mais parecia um skate. Parabéns e obrigado à organização”, concluiu o surfista de São Tomé e Príncipe que reside em Portugal desde 2017 e cujo sonho é competir na Liga MEO.

No Feminino, as surfistas encheram-se de coragem para enfrentar condições que raramente surfam no dia-a-dia. Na luta contra a força do mar foi a local Benedita Teixeira quem se adaptou melhor levando para casa a vitória e o título de campeã. Maria Dias, que havia sido a surfista em destaque no primeiro dia de competição, terminou em 2º lugar, com Camila Cardoso em 3º e Sofia Matos em 4º.

“Este fim-de-semana foi muito desafiante”, afirmou a campeã. “Foi uma luta para todas nós e a meio da bateria lá consegui encontrar uma onda boa e com power. Não fiz o meu melhor surf, mas consegui fazer o suficiente para ganhar. Gosto de mar grande, mas até certos limites.  Vou continuar a treinar até final do ano e preparar-me para 2022 para competir na Liga MEO, no regional da Grande Lisboa para me apurar para a finalíssima nacional, nos eventos Pro Junior e lutar para estar na seleção nacional,” concluiu.

Nos Sub-21, o local Martim Paulino mostrou a consistência necessária de surf dando sequência ao domínio que havia mostrado no dia anterior em que tinha feito um tubo que valeu 9,70. O recentemente coroado campeão nacional de Sub-18 efetuou nas duas melhores ondas 7.67 e 7.43 pontos terminando com o score vencedor de 15,10 pontos. Francisco Queimado chegou ao patamar da excelência com uma onda de 8,00 pontos, mas não foi suficiente para vencer, deixando Guilherme Costa em 3º e Francisco Mittermayer em 4º.

“Foi bom estar de volta a competir na Costa que é um campeonato que adoro fazer”, referiu o campeão. “As ondas estavam de gala no sábado e hoje de manhã também. Agora à tarde o mar subiu e as condições ficaram desafiantes. Foi um ano complicado em termos de resultados, mas com estas vitórias em dois campeonatos consecutivos estou mais confiante com o meu surf. A novidade desta nova categoria é muito positiva porque há bons atletas e um grande nível de surf e assim podemos competir mais uns anos antes de entrar no Open,” salientou.

Nos Sub-16 a vitória sorriu a Tomás Nunes que mostrou uma solidez de surf notável tendo já sido o surfista em destaque no primeiro dia de prova com o melhor score e melhor onda do dia nesta categoria. O jovem atleta venceu todas as baterias que disputou fechando a final com a cereja no topo do bolo com a vitória e o título de campeão com um score de 12,07 pontos. Afonso Pinto ficou em 2º lugar, Henrique Gomes em 3º e Mário Leopoldo em 4º.

Terminou assim esta prova que conta já para a qualificação para um Special Event do circuito de 2022 que irá ter mais três etapas. Os três melhores resultados dos atletas no conjunto das quatro provas servirão para qualificarem-se para o Special Event. Este será a grande final do circuito do próximo ano com grandes novidades!

Os qualificados no somatório das três melhores etapas que darão acesso ao Special Event de acordo com as categorias são:
Open – Top 24 + 2 WC
Open Feminino – Top 12
Sub-21 – Top 3
Sub-16 – Top 3

“Após dois anos parados devido à pandemia, o balanço do regresso da ASCC aos campeonatos é muito positivo,” referiu o presidente da ASCC, Miguel Gomes. “A Costa de Caparica esteve com condições de gala e assistimos a um excelente nível de surf com a presença de vários atletas que competem no circuito mundial de qualificação. A novidade da categoria de Sub-21 é muito positiva porque permite aos surfistas juniores competirem mais uns anos com adversários do seu nível não tendo obrigação de entrar logo no Open. Continuamos a trabalhar para termos o melhor circuito de intersócios a nível nacional. Agradecemos aos nossos patrocinadores que se mantiveram connosco apesar da paragem destes dois anos e um agradecimento especial à Câmara Municipal de Almada e à Junta de Freguesia da Costa de Caparica”, rematou.

 

Comentários