A terceira etapa da Liga MEO Surf de 2024, o Allianz Ericeira Pro, foi uma das provas mais desafiantes dos últimos anos, mas acabou por ter muita acção do início ao fim.

Os dois primeiros dias tiveram ondas muito pequenas, sendo inclusivamente obrigados a parar por várias horas entre marés. O primeiro dia de prova começou às 6:20 da manhã, e ainda bem cedo viu-se muito bom surf da parte de Guilherme Fonseca, Tomás Fernandes, Martim Paulino e Guilherme Ribeiro. Eventualmente a maré cheia não perdoou e os heats só voltaram à água por volta das 18 horas, fazendo deste um dos dias mais longos de sempre neste circuito. Nesta fase da tarde, Afonso Antunes mostrou que é sempre um sério candidato à vitória mas um dos heats mais empolgantes deste dia foi entre o líder do circuito Tomás Fernandes, Jaime Veselko, Ivo Cação e Manuel Pirujinho, lembrando também um momento de grande emoção de 2023 quando Joaquim Chaves, depois de vencer duas etapas, esteve muito perto de perder em ondas muito pequenas numa das primeiras fases na prova seguinte, nos Açores. Em Ribeira, já em 2024, Fernandes vinha com o embalo também de duas vitórias mas a minutos do fim encontrava-se fora de uma posição de qualificação. O local acabou por dar a volta ao resultado, aproveitando o facto de Cação não ter encontrado uma segunda nota sólida, passando em segundo atrás de Veselko, com uma diferença de apenas 0.15 pontos para o terceiro lugar.

Tomás Fernandes acabaria por perder o seu primeiro heat do ano nos quartos de final man on man, para outro surfista que passa muito tempo em Ribeira D’Ilhas, Arran Strong, que conseguiu encontrar secções um pouco mais verticais, aproveitando para soltar o tail em muitas manobras para avançar para as meias finais. Depois foi a vez de Afonso Antunes “sofrer” um pouco às mãos no supergrom Jaime Veselko, que liderou o heat todo mas perdeu para duas ondas brilhantemente surfadas por Afonso nos minutos finais. Entretanto Guilherme Ribeiro eliminou outro local, Henrique Pyrrait, que mesmo assim mostra ter voltado aos resultados que já teve no passado e o campeão nacional em título, Joaquim Chaves, bateu mais uma das revelações do evento, Daniel Nóbrega. A final foi a repetição da final da Figueira da Foz em 2023, com os dois maiores nomes de uma geração, Guilherme Ribeiro contra Afonso Antunes. O resultado repetiu-se e Guilherme garantiu a sua quarta vitória neste circuito, encostando-se à liderança de Tomás Fernandes. A duas etapas do fim, a disputa pelo título parece já estar reduzido a estes dois surfistas mas Antunes e mesmo Tiago Stock, que esteve ausente nesta prova, pode ter algo a dizer sobre este tema se chegarem às fases finais na próxima etapa.

A categoria feminina tem mostrado menos surpresas, com o topo sempre muito bem definido entre as principais surfistas deste circuito. Não foi surpreendente que, na ausência Yolanda Hopkins, as outras duas surfistas que competem no circuito Challenger Series, Teresa Bonvalot e Francisca Veselko, tenham chegado à final. Apesar de outras competidoras, como Carolina Mendes e Mafalda Lopes, que chegaram às meias finais de duas surfistas, terem mostrado bom surf, mais uma vez a dupla mostrou estar acima da média e, depois de uma final disputada, Teresa saiu com a segunda vitória em três etapas. Neste momento, com dois 1ºs e um 2º, Bonvalot é a clara favorita à vitória caso tenha calendário para competir nas próximas provas, mas Veselko ainda está completamente dentro da disputa, e poderá fazer o papel de spoiler com um par de vitórias nas etapas seguintes.

O circuito agora segue para os Açores, onde de realiza o Allianz Ribeira Grande Pro, na Ilha de São Miguel entre 21 e 23 de Junho.

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