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	<title>João Meneses &#8211; ONFIRE Surf | Portugal</title>
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		<title>O Mestre do Mergulho &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/o-mestre-do-mergulho-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jul 2022 06:53:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
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					<description><![CDATA[Olhos nos olhos]]></description>
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<p>Sempre tive curiosidade em saber quem foi a pessoa que se lembrou de chamar <em>duckdive</em> (bico de pato) à técnica de passar debaixo de uma onda com a prancha. Com toda a certeza foi uma expressão baseada em horas de observação e conhecimento desta espécie de ave aquática. Que ideia genial! Se há um animal que domina o mergulho nas ondas de uma forma sábia, é mesmo o pato que por ali anda, tantas vezes, junto à zona de rebentação. Sempre que vejo um, procuro não o perder de vista e tenho uma lição gratuita de como nos devemos comportar em situações menos confortáveis no mar. Observo a calma perante os quebra-cocos, o deslizar entre correntes, o mergulho perfeito e no <em>timing</em> certo. Já muitas vezes temi pela sua vida,<br><br>“este não se vai safar com as ondas que aí vêm.”<br><br>E é vê-lo a desaparecer e a surgir uns bons metros à frente, para mergulhar de seguida antes da explosão da onda mesmo em cima das rochas. É tudo tão suave, tão natural, ele segue o rio de água salgada, não o contraria. Eles são um só.<br><br>Ontem tive um encontro com essa espécie. Olhos nos olhos. Deu para sentir a sua alma. Eu conto-vos como foi, preciso desse desabafo.<br><br>Depois de uma grande caminhada pela falésia, quis dar um mergulho numa pequena enseada portuguesa, longe das multidões e que ganha aos pontos a algumas praias de postais do Caribe. Ele olhava para mim e para mais um grupo de pessoas que tentavam uma aproximação. Vi o medo no seu olhar. Medo de mim, medo deles, medo da situação de vulnerabilidade. Ali estava um Ser, parado, em cima de uma rocha, quem sabe a ganhar alguma energia e a pedir vida ao universo. Talvez em pânico ou, simplesmente, à espera da sua hora…<br><br>Tinha a asa direita totalmente presa por um anzol e uma pequena boia das redes de pesca. Percebi que dificilmente alguém daquele grupo de pessoas chegaria aquela rocha de arestas pontiagudas e de bivalves com unhas afiadas, que agora se transformava em ilha com a maré a encher. Trepei-a com a ajuda de todos anos de experiência por terrenos costeiros que só um marisqueiro ou um surfista pode ter. Sem vaidade perante o grupo de leigos e apenas com a missão de salvar o Mestre do Mergulho. Eu aproximava-me e ele afastava-se. Pedi uma camisola a uma senhora estrangeira que escalava com dificuldade mas com a coragem de quem queria salvar uma vida. Dei mais um passo e olhei os seus pés, de pato pois então, que máquinas de nadar, que pés de bodyboarder selvagem. Percebi nesse momento que ia lançar-se ao mar, a sua zona de conforto. Após uma descida em que os meus pés se rasgaram como manteiga amolecida perante uma faca de barrar, segui-o em natação suave por cerca de 100 metros. Chegámos à outra ponta da enseada, olhámo-nos uma vez mais, desta vez mais longe, não houve permissão para aproximações e, quase que o ouvi dizer,<br><br>Posso morrer aqui na minha casa, mas a mim não me apanhas.<br><br>Voltei a nado para o pequeno areal com algas, procurando encontrar optimismo na situação. É um pato de mar, não é uma gaivota, nada e mergulha como ninguém mesmo estando em sofrimento, pode caçar e quem sabe soltar-se daquele maldito anzol.<br><br>Enquanto limpava os meus pés com a toalha amarela, agora salpicada com sangue da caminhada inesperada, a senhora da camisola passou por mim e perguntou:<br><br><em>Are you a local?</em><br>Timidamente, respondi que sim.<br>Que resposta estúpida, pensei. Se havia alguém local, era ele.<br></p>



<p>Sobre o Autor:<br>João “Flecha” Meneses | Com três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul surfer&#8221;. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há duas décadas e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta foi mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</p>
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		<title>Arte &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/arte-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 May 2022 08:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Ishka Folkwell]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Torren Martyn]]></category>
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					<description><![CDATA[O surf é, acima de tudo, arte...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“E o que foi não volta a ser, mesmo que muito se queira.”</p>



<p>É bem verdade, o que foi não volta a ser, mas é possível continuar a acontecerem coisas bonitas, mágicas e com muito <em>feeling</em>, então no que se refere à arte, podemos sempre escrever numa página branca. Mas se essa página já tiver uns rabiscos de genialidade que nos inspirem, melhor ainda. Acrescentamos e damos continuidade a esse caminho livre.</p>



<p>O surf é, acima de tudo, arte. É isso que nos diferencia de outros desportos. Dançamos com a natureza. Quem não perceber isso nunca será um bom surfista, mesmo que seja atleta das 9 às 5 e sem comer carnes vermelhas.</p>



<p>Ultimamente tenho andado mergulhado no surf dos anos 70 e atribuo essa responsabilidade a 4 pessoas. A história é simples e mostra que a passagem de testemunhos entre gerações dá os seus resultados. O Simon foi falar com o Alby e o Alby disse que sim. O Simon foi falar com o Torren e o Torren disse que sim. O Ishka e o Torren falaram os dois e disseram em coro, embora lá! E a arte aconteceu.</p>



<p>Eu explico melhor. O Simon Jones, habilidoso shaper e crente em pranchas com alma, foi falar com uma das figuras mais marcantes do surf mundial, o Alby Falzon, realizador do filme Morning of the Earth (década de 70) e perguntou-lhe se podia dar o nome do filme às suas pranchas. O Alby disse que sim. E se as pranchas do Simon já eram mágicas, mais mágicas ficaram com o nome Morning of the Earth. Caraças, que ideia brilhante!</p>



<p>Depois temos o Torren Martyn, surfista australiano de gabarito internacional e o seu amigo Ishka Folkwell, realizador e também surfista, ambos de Byron Bay, esse hub criativo Resumindo, o Simon fez as pranchas, o Torren mergulhou nas twins fins e lançou-se às ondas com um estilo e uma leveza que une passado com modernidade, o Ishka gravou tudo e acrescentou imagens e banda sonora de altíssima qualidade, e o Falzon, esse guru de 77 anos que ainda hoje surfa quase diariamente, esteve sempre presente de uma forma Kármica. No fundo ele foi a inspiração para os outros 3.</p>



<p>Não vou escrever mais. Têm que ver. Desliguem o telemóvel e sentem-se em frente a um bom ecrã. A magia vai acontecer.<br>Boa Viagem!</p>



<p>Sobre o Autor:<br>João “Flecha” Meneses | Com três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há quase duas décadas e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta foi mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</p>
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		<title>Expectativa / realidade &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/expectativa-realidade-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Mar 2022 08:24:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Mittermayer]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
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					<description><![CDATA[Encaixar 2 manobras bonitas em vez de tentar 3 de bengala...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tenho um assunto que ando a remoer há tempo demais. Tem a ver com expectativa/ realidade, e já agora, em jeito de letra de música, acrescento maturidade.<br><br>Estava aqui a reler uns textos antigos neste dia de chuva. Há quem opte por ir ao arquivo e fazer uns<em> posts</em> de dias de sol, mas a mim deu-me para isto, confrontar-me com o que escrevi há uns anos e perceber se ainda estou de acordo comigo. Fui parar, propositadamente, a um texto que escrevi sobre o estilo do surf português. Ao relê-lo, não mudava uma única palavra. O texto foi um claro elogio a alguns surfistas portugueses e uma chamada de atenção para algumas instituições. Apenas isso.<br><br>Passaram-se alguns anos e há um tema que é recorrente e mais do mesmo. Quem será o próximo surfista português na elite mundial? Parece aquela conversa de café ou de elevador, que anda ali à volta dos preços dos combustíveis ou da chuva que não aparece.<br><br>Em primeiro o tema é sempre discutível, o que é a elite mundial? Mas vamos partir do pressuposto que a conversa de café se refere à WSL. Para mim alguns dos melhores surfistas não estão no tour da WSL, mas admitamos que uma grande parte está lá. Agora vamos perceber como é que eles lá chegaram. Vieram numa nave espacial, quase sempre de países com uma grande tradição de surf e com muitas gerações no calendário solar. Pois bem, chegaram naturalmente, porque vêm de um planeta diferente do nosso. Eu diria que uma significante percentagem dos freesurfers desses países é melhor que qualquer surfista português que ande pelos pódios dos campeonatos regionais e nacionais. E era aí mesmo que eu queria chegar. A competição! Competir é das melhores formas para evoluir. É nessa arena das licras coloridas que a superação surge aos minutos e aos segundos, onde técnica, resistência e cabeça, precisam de se abraçar para poderem festejar a cada toque de buzina, anunciando o final da bateria. Acho que estamos todos de acordo em relação a isso. Mas se não estiverem, continuem a ler, é sempre bom percebermos através das palavras dos outros, o quão estamos certos e eles errados.<br><br>Estilo, fluidez, suavidade, sintonia com o mar e leitura de ondas. Como se consegue? Com dedicação, humildade, muitas horas dentro de água, experiência, visualização de filmes a babar a almofada no sofá numa tarde de chuva, mergulhos na cultura do surf nacional e mundial e também um pouco de sorte, pois o estilo não é para qualquer um. </p>



<p>E é precisamente nestas áreas que temos ainda muito por escalar. Vou ser mais específico, vou dar exemplos claros. Embora lá.<br>Tocou a buzina:<br>Voar com um simples aéreo, clean, em vez daqueles tiques com “reverses” automáticos de quem não sabe mandar um cutback;<br>Encaixar 2 manobras bonitas em vez de tentar 3 de bengala e já quase a mandar a toalha ao chão;<br>Saber ganhar velocidade e “atacar” a onda com bottoms eficazes, sem grandes interrupções da 2ª para 3ª mudança, para não estragar a caixa de velocidades. Fluidez na condução;<br>Deixar de surfar de forma robótica, sem personalidade, sem criatividade e imitando o inimitável;<br>Convidar o “treinador” para surfar, com o objectivo de perceber se ele é um Zulmiro ou é mesmo um surfista que sabe do que está a falar. É que a transmissão do capital cultural é tão ou mais importante que o talento natural;<br></p>



<p>Saber deslizar dentro de um tubo e usufruir do momento à surfista, saindo com um sorriso enquanto se é varrido pela “baforada” de espuma;<br></p>



<p>Surfar todo o tipo de mares e estar lá dentro porque sim.<br>E por fim, sem invejas e dores de cotovelo, observar o Francisco Mittermayer, que não sei o que será no futuro, se um grande competidor, um free surfer talentoso, ou apenas mais um gajo feliz dentro de água. Apenas sei, que por agora, é um puto que nos deve inspirar pela mestria, suavidade, técnica, estilo e sintonia com a onda. Tem cabelo loiro e não se veste de preto mas podia ser um Ninja a saltar do telhado.<br><br>E é isso que se quer para uma nação que tem como aspiração ter mais um surfista na elite mundial.</p>



<p></p>



<p>Sobre o Autor:<br>João “Flecha” Meneses | Com três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há quase duas décadas e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta foi mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</p>
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		<title>(RIP) Peter Cole, o Surfista Nadador &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/rip-peter-cole-o-surfista-nadador-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Feb 2022 08:39:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Peter Cole]]></category>
		<category><![CDATA[RIP]]></category>
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					<description><![CDATA[12.10.1930 - 07.02.2022 ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os verdadeiros homens do mar não procuram fama desmedida nem atenções forçadas. Fazem-no, em primeiro lugar, pela sensação de uma total sintonia com o Oceano. É nele que encontram energia para viverem as suas vidas <em>normais</em>. O reconhecimento da comunidade vem com o tempo, sem pressas e sem vaidades histéricas. Vem com os invernos, nos dias difíceis e nas sessões clássicas. O anonimato é uma realidade para muitos. Outros, mais expostos pela opção de viverem em Santuários de Surf, não têm escapatória às lentes das máquinas fotográficas que fazem o que só elas sabem fazer. Registar! As imagens amplificam os actos, mas serão sempre as palavras que, transmitidas de <em>boca em boca</em>, de geração em geração, transformam homens em lendas.</p>
<p>Já conhecia o Peter Cole através de imagens e de palavras. Conheci-o melhor através do livro de Stuart Holmes Coleman que fala sobre a vida (curta) do lendário Eddie Aikau, famoso <em>waterman</em> havaiano. Peter começa a surfar nos anos 40 em Malibu, Califórnia, e muda-se para o Havai para ensinar matemática no liceu. Corrijo, muda-se para as Ilhas para surfar as melhores ondas do mundo financiando-se com o seu emprego de professor. Esta figura mítica faz parte de um grupo de corajosos que surfavam dias de grandes ondulações no North shore da ilha de Oahu. Pioneiros na famosa onda de Waimea Bay e exímios surfistas de Sunset Beach. São heróis involuntários e famosos neste subgrupo da sociedade.</p>
<p>Peter Cole ainda surfou mares de meter medo até bem perto de completar 80 anos e sem recorrer ao leash. Excelente nadador, era comum vê-lo a dar aos braços entre as fortes correntes havaianas para resgatar a sua prancha e voltar a remar para o outside. Nos seus últimos anos já se tinha deixado dessas aventuras mas guarda em si uma caderneta de recordações que merece ser partilhada.</p>
<p>Rest in Peace Peter Cole &#8211; 12.10.1930 &#8211; 07.02.2022 &#8211; Artigo retirado e adaptado de <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/2017/12/29/peter-cole-o-surfista-nadador/" target="_blank" rel="noopener">https://cadernetademarblog.wordpress.com</a>&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com cerca de três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta foi mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="Peter Cole 2016 Rocky Point Interview Part 1" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/_5hxOHd-lPo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Rui Vasco Cruz “Ratos” &#8211; Um Senhor dos Tubos &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/rui-vasco-cruz-ratos-um-senhor-dos-tubos-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Dec 2021 12:55:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 90]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[Calhau]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Ratos]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma referência da Praia de Carcavelos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Quem faz surf descobre o ouro. Não precisas de ser bom, ganhas uma alegria que só depende ti.”</p>
<p>É impossível falar da Praia de Carcavelos sem falar na mítica onda do Calhau. E para falarmos dessa onda temos de falar de tubos. E para falarmos de tubos temos de falar do Rui Cruz, o Ratos. Arriscaria dizer que nas próximas linhas vão ficar a conhecer melhor o surfista que mais minutos passou naqueles salões mágicos. Uma lenda viva do surf português, com 54 anos de idade e mais de 40 dentro de água.</p>
<p><strong>De onde vem a alcunha Ratos? </strong><br />
Aconteceu por causa de uma música do Sérgio Godinho: &#8220;Tem ratos, tem ratos nos  sapatos&#8230; “ ao qual o grandíssimo surfista do Calhau já falecido, Lítri, começa a cantar &#8220;Tem ratos, tem ratos nos sapatos do Rui Vasco” e começa assim&#8230;</p>
<p><strong>Tempo de surf?</strong><br />
A minha primeira prancha foi em 1979 e desde aí foi dentro de água todo o dia até 2000/2005. Vivi só para o mar, de manhã à noite. O mais importante era ser um acérrimo defensor dos valores do Calhau: uma grande exclusividade, um espaço que era teu e um culto real desta atitude que nós tão bem conhecemos. Lembro-me de ir para a praia com 12,13 anos fazer surf, com 10, 20 amigos que se iam juntando só no caminho para a praia e em que no início havia uma ou duas pranchas para todos.</p>
<p><strong>Ondas preferidas</strong><strong>?</strong><br />
Esquerda Calhau /Outside Santo Amaro e todas as outras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-63204 alignleft" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/cartao.jpg" alt="" width="1500" height="963" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/cartao.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/cartao-274x176.jpg 274w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/cartao-768x493.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/cartao-667x428.jpg 667w" sizes="(max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Melhor memória de um tubo</strong><strong>?</strong><br />
1983.Melhor dia de surf da minha vida. final de dia em Carcavelos, 2,5/3 metros  offshore /glass, maré vazia, grande, perfeito, single-fin Gordon &amp; Smith branca, linda com um pin-line azul. Dentro de água estava o Kiko Rocha, o maior surfista de ondas grandes de Carcavelos. Aquele dia fica gravado na minha vida como um dia único. Na minha primeira onda&#8230; Calhau, mesmo Calhau, já mais perto do Moinho, drop, bottom e deslizar com os braços para trás até entrar num “túnel” durante metros e metros até decidir mergulhar&#8230;onda atrás de onda. Nunca na vida senti algo assim. Quando saí perguntei-me sem parar, <em>o que é que me aconteceu?</em><br />
Algo se passou. Foi provavelmente o dia mais especial no que ao surf diz respeito e o surf tem muitos dias. Estava enorme e eu lidava com a força do mar com uma naturalidade que procurei e continuo a procurar passados estes anos todos. Como aquele dia nunca mais vivi, mas acredito que tamanha revelação pode sempre acontecer, mas é difícil.</p>
<p><strong>Cheguei a ver-te a no Calhau a entubar, tinhas um estilo em total sintonia com a onda. Até hoje elogiam a tua habilidade para os tubos. Queres falar de alguns surfistas que te inspiravam ao nível internacional?</strong><br />
O estilo do Mark Richards, os tubos do Shaun Tomson e do Gerry Lopez, Qual é a diferença entre um grande tubo dessa altura e agora? É apenas nas pranchas, que se comportam de forma diferente.<br />
O tubo é um espaço no tempo, tu paras no tempo. Eu comecei-me a aperceber que dentro do tubo não levava porrada nenhuma. Eu na prática cultivei o oposto do Dapin. Passei anos a cair e a adorar. A treinar a técnica de cair. O meu culto era o da linha, cortar e ficar dentro do tubo. Eu entrava no Calhau e quanto mais <em>close out</em> mais eu gostava.</p>
<p><strong>Que pranchas usavas?</strong><br />
Surfei muitos anos de single fin. Também me lembro de dias incríveis de twin fin. Os primeiros 6 anos andei com pranchas portuguesas feitas pelo João Lopes, as I&amp;L (Inocentes e Lopes), depois mais tarde as Semente e as Star Model, entre outras, como as Gordon &amp; Smith e as Town &amp; Country.</p>
<p><strong>É verdade que o Rodrigo Herédia aprendeu a entubar com a tua influência?</strong><br />
Penso que ele disse isso numa revista. Já muitos anos tinham passado e apareceu a geração do Rodrigo. Com dedicação transformou-se num super surfista com power e mentalidade forte. O Rodrigo é um bom homem, cresceu no estatuto mas é um gajo fixe!</p>
<p><strong>E memórias de momentos com grandes surfistas estrangeiros que apareceram em Carcavelos?</strong><br />
O primeiro campeonato em Carcavelos que terminou na Praia da Torre com a vitória do Nigel Semmens, na altura campeão inglês. Ainda tive a prancha dele, amarela single-fin. A vinda do Team Safari, com manobras de outro mundo e bicos de pato? Bicos de pato que ninguém fazia&#8230;<br />
A chegada do Rory Russell à praia com outro excelente goofy &#8211; Peter McCabe. O Rory era tubo atrás de tubo. Também me lembro de um brasileiro filho de um Cônsul, Eraldo Gueiros e o seu surf super evoluído. O grandíssimo Picuruta Salazar e o irmão Almir que foi campeão em 1991 e causou alguma polémica junto dos surfistas portugueses.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img decoding="async" class="size-full wp-image-63206 alignleft" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/onda.jpg" alt="" width="1500" height="1049" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/onda.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/onda-252x176.jpg 252w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/onda-768x537.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/onda-612x428.jpg 612w" sizes="(max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Descreve-me a mítica onda do Calhau&#8230;</strong><br />
A Nazaré tem a “Big Mama”. Essa onda no Calhau é em frente do Bar dos Gémeos, com swell de noroeste, linda na formação e tubular com secções atrás de secções até em frente ao Narciso. A Maior onda da praia de Carcavelos enviada pelo Cachopo Sul (baixio existente em frente á praia do Moinho a cerca de 2 Km para Sul), directamente para a praia do Moinho que pela profundidade na entrada da foz do rio, faz com que as maiores esquerdas comecem aí e depois com vários picos, Calhau, Narciso, Windsurf Café, e por último o Veleiro, façam parte da mesma onda.</p>
<p><strong>Quem eram os surfistas que dominavam o pico?</strong><br />
A fotografia da memória é situada num dia de 1980: primeira e segunda gerações na água, o domínio é uma palavra forte. Os maiores e nomes mais fortes e que dominavam pelo arrojo e coragem e depois pela perícia, são os Rocha com o Kiko Rocha à cabeça, o Topê e o João Rocha, O Paulo Inocentes, os irmãos Portas, o Chori, o Tó Banheiro, o Peixe (embaixador do surf que recebia centenas de australianos e ingleses que aportaram por estas bandas) o Asterix, o Paulinho do Baleal e, num surf de evolução o genial Luís Narciso. Volto a frisar, domínio é uma palavra forte, na altura não se disputavam ondas mas coragem.</p>
<p><strong>Alguma vez pensaste em dedicar-te ao surf de uma forma profissional?</strong><br />
O meu culto era o free surf, até me assustava só de ouvir o nome no altifalante. Cheguei a dar dois ou três nomes possíveis que conseguimos formar com o nosso nome só para ouvir diferente. Quase que era negativo falares num campeonato, em suma, sempre na paródia! E perguntas, e se? E eu respondo: o tempo falou e na altura o meu foco era mesmo o anti-herói, como continua a ser.</p>
<p><strong>Se tivesses 20 anos imaginavas-te a ter uma carreira de free surfer?</strong><br />
Sem dúvida, quem não?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-63211 alignleft" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/carrapateira.jpg" alt="" width="1500" height="1000" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/carrapateira.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/carrapateira-264x176.jpg 264w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/carrapateira-768x512.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/carrapateira-642x428.jpg 642w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Fala-me do triângulo mágico&#8230;</strong><br />
Triângulo mágico é São Julião da Barra é Santo Amaro de Oeiras, Praia da Torre e Carcavelos. Estas são as três praias que constituem este espaço, com realidades distintas e bem definidas pela geografia natural deste promontório que alberga o maior forte setecentista, o Forte de São Julião da Barra, que separa o mar do rio.</p>
<p><strong>Fala de localismo&#8230;</strong><br />
Da tua casa ao Calhau é um caminho que é teu, os campos são teus e a praia é tua. Era assim. Eu lembro-me de entrar e as pessoas afastarem-se. E eu pensava, deixa-me cá tirar partido disto, mas se fosse preciso seria a primeira pessoa a ajudar-te na água. Nunca fui agressivo. Era normal baterem-me à porta. E às vezes era o gajo que tinha sido roubado e lá ia eu fazer a ponte, tentar resolver o problema.</p>
<p><strong>Mas havia cavalaria na praia?</strong><br />
Havia cavalaria, havia infantaria, havia brigada de minas e armadilhas e eu tirava partido dessa má imagem de alguns dos meus amigos. O bairro da Medrosa mandava no Calhau, de uma forma natural.</p>
<p><strong>E para além das ondas, havia festas na praia à “Big Wednesday”?</strong><br />
Passei anos a acabar os dias na praia a tocar congas. Fogueira e chouriço, que noites alucinantes. Tudo a dançar e a cantar. O surf foi um meio social fortíssimo.</p>
<p><strong>Aventuras fora do triângulo.</strong><br />
Uma vez na Praia azul estávamos a surfar e assistimos à queda de uma avioneta. Eu, o Pinóquio, o Canelas e mais um bodyboarder da zona resgatámos os tripulantes. Houve uma senhora que morreu no embate. Mais tarde saiu um anúncio no jornal à procura das pessoas que tinham feito o salvamento e fomos à Câmara Municipal de Torres Vedras receber uma medalha de mérito, com um salão nobre cheio de Vereadores, Presidente, etc.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-63205" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Backside-com-prancha-semente.jpg" alt="" width="1500" height="1082" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Backside-com-prancha-semente.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Backside-com-prancha-semente-244x176.jpg 244w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Backside-com-prancha-semente-768x554.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/Backside-com-prancha-semente-593x428.jpg 593w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Durante a nossa conversa o Ratos contou-me tantas histórias, que o difícil mesmo foi ter que escolher as que ficavam nesta entrevista. Os Verões em Peniche onde foi nadador salvador no meio da baía, entre 1988 e 1990, as temporadas no sul em Vale da Telha, surfando as ondas da região, Amoreira, Monte Clérigo, Arrifana.</p>
<p>Faltava-me uma pergunta e fi-la de uma forma rápida.</p>
<p><strong>E hoje, ainda vais ao mar?</strong><br />
Neste momento não tenho muito tempo, mas quando vou ao mar levo um Malibu. Mas mandei fazer uma prancha ao Lacrau, exactamente como eu queria, amarela e vermelhinha com um pin line, tri fin 6.7, só que o surf é <em>paddling</em> e não tenho tido actividade suficiente para estar lá com ela. O surf é o momento em que tu tens braços para remar à velocidade da onda e tens o momento em que te pões em pé e que te permite dropar. Se não tens esse momento estás sempre a cair.</p>
<p>Impossível não ter a sensação de que esta lenda do surf português tem uma sensibilidade rara e está sempre pronto para um elogio ao próximo. Encontra facilmente adjectivos que engrandecem os homenageados. Foi para o Dapin, para o Saca, para o Narciso, para o Paulo Inocentes, para o Peixe, para os Rocha e até para o Pecas, que apelidou carinhosamente de “Pequinhas”. Foi preciso dizer-lhe, constantemente, que eu estava ali para escrever sobre ele, pois o seu discurso era um elogio permanente aos outros surfistas.</p>
<p>Fiquei, ainda, com a certeza de que estava perante um soul surfer mas também de um filósofo.</p>
<p>O Surf somos nós e estas histórias, não são só as marcas e estes interesses (também são, mas depois das pessoas).</p>
<p>O surf muda a vida de uma pessoa.</p>
<p>O surf é como o relógio estar parado. É como se fosse sempre a primeira vez.</p>
<p>Quem faz surf descobre o ouro. Não precisas de ser bom, ganhas uma alegria que só depende ti.</p>
<p>Aloha Rui!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-63207" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/IMG_20211221_100243-1.jpg" alt="" width="1500" height="1010" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/IMG_20211221_100243-1.jpg 1500w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/IMG_20211221_100243-1-261x176.jpg 261w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/IMG_20211221_100243-1-768x517.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/IMG_20211221_100243-1-636x428.jpg 636w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Trabalha esse paddling, pois queremos ver-te de novo nos tubos de Carcavelos!</p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog “Caderneta de Mar”.</p>
<p>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com cerca de três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</p>
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		<title>Carrossel &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/exclusivos/carrossel-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Dec 2021 08:22:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[António Neto]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
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					<description><![CDATA[Um surfista que mergulha e outro que rema...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há muito tempo que duas fotografias não me diziam tanto. Um surfista que mergulha e outro que rema, separados por alguns metros. A onda serve como tela para uma pintura e cabem no seu corpo todas as cores e sensações. Estes momentos, registados por um artista e aqui colocados num quadro sequencial, servem para tantas analogias nas nossas vidas. No surf, como em tantas áreas, já se vai sentindo falta de música de qualidade ou de silêncio. De honestidade e de amor à causa. De poesia e de humildade. Falta tanta coisa. Ir! Ir pelo chamamento, sem dinheiro e sem fama. E voltar! Voltar apenas com um sorriso.</p>
<p>Nestas imagens, perpetuadas num ficheiro informático e que irão certamente passar a papel de fotografia, vejo as perspectivas todas. Vejo o querer ir e vejo a vontade. Vejo um mergulho fundo e uma remada forte. Vejo uma descida!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-63137" src="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/António-Neto-1.jpg" alt="" width="1140" height="731" srcset="https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/António-Neto-1.jpg 1140w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/António-Neto-1-274x176.jpg 274w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/António-Neto-1-768x492.jpg 768w, https://www.onfiresurfmag.com/wp-content/uploads/2021/12/António-Neto-1-667x428.jpg 667w" sizes="auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O António Neto é o surfista que se levanta na prancha e desce a onda. Simples! Remar, levantar e descer. Mas há tanta história antes deste momento. Tanta superação. Tantos mergulhos e braçadas. É assim o caminho, feito de curvas e subidas para se encontrar a descida. Um esforço permanente que dá mais sentido à vida.</p>
<p>É assim neste carrossel!</p>
<p>Surfista: António Neto<br />
@antonioneto901</p>
<p>Fotografia: Chris Saunders<br />
@chrissaundersart<br />
“Collector of life experiences”</p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog “Caderneta de Mar”.</p>
<p>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com cerca de três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</p>
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		<title>O melhor surfista português de todos os tempos &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/exclusivos/o-melhor-surfista-portugues-de-todos-os-tempos-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Sep 2021 23:18:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[João Alexandre "Dapin"]]></category>
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					<description><![CDATA[Da best?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Lembro-me, como se fosse hoje, de uma conversa que tive há 20 anos no Panamá, com o Felipe Silveira, um ex-surfista profissional brasileiro e que já por essa altura tinha transitado para uma carreira de gestor na indústria do mar.</p>
<p>O Filipe dizia-me,</p>
<p><em>Viajei durante uma temporada pela Austrália, onde competi, apanhei altas ondas e conheci um surfista português fora de série que se chamava…</em></p>
<p>Esperem aí por mais umas linhas. Queriam já saber o nome?</p>
<p>Deixem-me mudar de assunto. Há uma frase que sempre me fez confusão e que era usada de forma recorrente. “ O melhor surfista português de todos os tempos.” Nunca gostei dessa expressão. Expliquem-me o que é ser o melhor surfista? É o que ganha mais campeonatos? O que entra na elite mundial? O mais radical? O melhor em freesurf? O mais consistente? O que tem mais estilo? O mais completo? O melhor tube rider?</p>
<p>E o que é ser o melhor de todos os tempos”? Aquele que foi muito bom no passado? Aquele que foi muito bom no passado e continua a ser bom no presente? Ou aquele que foi tudo isso e, pelo andar da carruagem, continuará a ser bom no futuro? “Todos os tempos” também pode significar a projecção de um futuro, com todas as condicionantes do tempo, como a idade e as dores nas costas, mas a vontade intrínseca de continuar a ser bom e o prazer genuíno de fazer o que se gosta, apenas porque sim. Pode, não pode?</p>
<p>Desculpem-me, mas este sobressalto linguístico sempre me inquietou, porque para mim se houvesse um surfista que fosse considerado o melhor de todos os tempos era precisamente esse que viajou pela Austrália com Filipe e que se destacou no mundo dos melhores. E chamava-se…</p>
<p>Embora lá, será que é desta que vou escrever? Aqui vai, respirem fundo, tomem balanço. Partida! Velocidade, velocidade e zzzzzzzzzzzzzzzzzááássss, ataque de Samurai.</p>
<p>João Alexandre.</p>
<p><em>Dapin</em>!!!</p>
<p>Não me digam que nunca ouviram falar dele? Se não ouviram, é como se fossem surfistas australianos sem saberem quem foi o Michael Peterson, ou sul-africanos e não conhecerem o Shaun Tomson. E não se desculpem porque começaram a fazer surf há pouco tempo ou ainda são novinhos. Vá lá, deixem-se de merdas.</p>
<p>O Dapin foi durante muitos anos o melhor surfista português! Por tudo! Pela radicalidade, pela irreverência, pelo estilo e pela visão progressista de como abordar uma onda. vvshhhhhhhhhhhh velocidade e arte. Podia ser um sniper, um fotógrafo de guerra um especialista em artes marciais ou um guitarrista sem fronteiras. Era um surfista rock star, com uma legião de fãs que se sentava na praia para vê-lo surfar. Poucos surfistas portugueses conseguiram esse feito. Parar a praia fora de uma competição! Até o gajo das bolas de Berlim parava. Imagino a malta no restaurante Narciso a entornar vinho nas camisas e a engasgarem-se a cada tubo ou tail slide do homem.</p>
<p>Perdoem-me a honestidade e a liberdade de dizer alguma coisa com que podem até não concordar, mas acabaram de me enviar um vídeo do mestre a surfar em 2021 com a energia de antigamente, por isso vou escrever mas vocês podem exclamar.</p>
<p>O Dapin é “o melhor surfista português de todos os tempos”.</p>
<p>(Vídeo de 2016)</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Dapin" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/WNIcHnOtb6s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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		<title>Nollismo &#8211; Um tributo a Greg Noll &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/nollismo-um-tributo-a-greg-noll-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jun 2021 09:57:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[Greg Noll]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
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					<description><![CDATA[RIP]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Morreu um grande homem, morreu um grande surfista. Mas não morreu uma lenda! Greg Noll será lembrado para sempre e os seus actos de coragem serão transmitidos às próximas gerações através da escrita, das imagens e das palavras de boca em boca. Assim se fazem heróis!</p>
<p>Este homem que nos deixa, fisicamente, aos 84 anos, não se vai embora sem nos deixar uma mala de viagem com um legado de coragem, de audácia e de perseverança, numa época em que nunca precisámos tanto de alicerces sólidos para seguirmos um caminho honesto, respeitando as nossas paixões e o nosso chamamento para um percurso de vida em sintonia com os nossos sonhos. Vivemos numa fase que nos contentamos com a felicidade dos outros, ou que simulamos essa fazedora de sonhos numa qualquer rede social com uma foto estática que queria ser movimento. Vivemos sem querer esfolar joelhos e sem subir às árvores para apanhar frutos. Vivemos com medo de tudo. Vivemos com medo de viver.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Talk Story: Greg Noll" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/5XDxYVSY4SQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Greg Noll viveu! Greg Noll vive! Será lembrado como um dos pioneiros em Waimea e Makaha nos anos 50 e em Pipeline, já nos anos 60, desbravando o desconhecido do North Shore Havaiano. Será lembrado como um shaper experiente, um patriarca e um homem de negócios, mas sobretudo, será lembrado como um jovem que saiu do continente americano para procurar mais qualquer coisa nas ilhas… E o resto é história. História do surf e história de uma vida preenchida, cheia de aventuras e de ondas na sua caderneta de recordações.</p>
<p>Aloha Noll. Precisamos de mais gajos como tu.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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		<item>
		<title>Conrad Canha &#124; Por João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/destaques/conrad-canha-por-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Mar 2021 10:13:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[Conrad Canha]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Pioneiro]]></category>
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					<description><![CDATA[Um campeão havaiano com sangue lusitano...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ó Canha, não sei se o teu bisavô ou o teu avô alguma vez conheceram a perfeição das ondas da Madeira, ali em frente ao engenho da cana-de-açúcar que pertencia ao Morgado do Jardim do Mar. Não sei se endureceram as mãos a trabalhar neste ou noutro cultivo da terra, mas com toda a certeza sabiam tudo sobre essa profissão antiga. Sabes melhor do que eu que há séculos que os madeirenses percebem dessa arte como ninguém. Imagino os festejos dos economistas do reino sempre que saía um barquinho cheio do nosso produto docinho. Equilibrava a balança comercial, era exportar para todo o lado. Bons tempos, bons tempos!</p>
<p>Também deves saber melhor do que eu, que no final do século XIX a concorrência mundial era forte. Os americanos já nos estavam a passar a perna. A Indústria do açúcar entrou em declínio na Madeira, mas a sabedoria iria ser exportada para outras ilhas a milhares de quilómetros de distância. E eram os homens e as mulheres que levavam essa sabedoria. Ó Canha, então a malta pensava que só levávamos o cavaquinho (braguinha da Madeira) para o Havai? Ai Jesus! Pensavam que íamos para lá tocar o bailinho, sem suar e sem fazer crescer a economia das Ilhas?</p>
<p>Tenho aqui algumas curiosidades que me intrigam. Gostava de saber se o teu avô fez a viagem de barco que durava mais de três meses ali entre 1878 e 1887. Esse período de 10 anos foi forte na emigração para o Havai. Na tua biografia percebo que ele foi com os seus pais. Ainda devia ser um rapazinho pequeno, será que já tinha trabalhado nos campos da Madeira? Já estou a querer saber muito da tua família, mas fiquei curioso. Desculpa Canha, mas é que a tua história agarrou-me a sério. Mas vamos lá à grande viagem. Primeiro foram vocês, depois os açorianos e só depois a malta aqui do continente, mas esses só abalaram no início do séc. XX. Vocês foram os primeiros. Rijos, corajosos e sedentos de uma vida melhor. Quem conhece a ilha dos teus antepassados rapidamente percebe que aquelas paisagens são bonitas de se ver, mas para trabalhar nos campos a coisa dói. Imagino os músculos para construir aquelas levadas, era a abrir caminho por ali adentro e só paravam para atacar o farnel. A força está-vos nos genes!</p>
<p>Mas ó Canha, estamos aqui para falar de ti. Quero partilhar com os surfistas portugueses as tuas performances nas ondas do Pacífico. Em relação à nossa história, tão fascinante e cheia de aventuras, tenho a certeza que irão encontrar estudos muito interessantes de historiadores, sobre a vossa (nossa) chegada às ilhas e os vossos (nossos) contributos para a sociedade havaiana. Sabes que 10 % da população é luso-descendente? O teu pai já nasceu no Havai e chamava-se Louis Canha, mas vou escrever Luís, deixemo-nos de americanismos, por essa altura as ilhas ainda não eram um Estado Americano. O Luís Canha casou com a Rose Ventura da ilha de Maui e nasceste tu, em 1932, o único dos 4 filhos do casal que se apaixonou a sério pelo mar. Ó Canha, como eu gostava de te ter mostrado as ondas da Madeira e que tu me guiasses pelas ondas das tuas ilhas do pacífico! Contigo ao meu lado tenho a certeza que era só Aloha na nossa direcção.</p>
<p>Vou tratar-te por Tio Canha. Sei que é um termo carinhoso no Havai. A experiência e a idade encarnam a palavra Uncle. É uma questão de respeito. Aqui a palavra tio sem ser em contexto familiar, tem outro significado. Mas isso era outra conversa. Estive aqui a ler a tua biografia escrita pela Francine Park Palama, que acabou por ser a tua mulher e deixa-me dizer-te que fiquei tão orgulho de ti. Em 1956 ganhas a Makaha International Surfing Competiton e depois ganhas o campeonato mundial em Lima, no Peru. Eram três categorias. Ondas pequenas, ondas grandes e remada. E tu vais lá e limpas as duas primeiras. Imagino o melão dos peruanos, já experientes nessas andanças.</p>
<p>Voltando um bocado atrás, cresces em Maui e tens uma infância cheia de liberdade nas plantações de cana-de-açúcar. Um pouco depois do final da II Guerra Mundial foste com a tua família para a Ilha de Oahu à procura de melhores condições de vida e é por ali, na praia de Waikiki, que começas a pescar, a fazer bodysurf e a nadar que nem um peixe. Só mais tarde começas a deslizar nas ondas de pranchão. Antes de seres surfista já eras um waterman, está-se mesmo a ver. É assim mesmo!</p>
<p>Gostei de uma frase que o teu pai te disse quando desististe da escola:</p>
<p>“Filho, não envergonhes o nome da família e vê lá se trazes algum peixe para casa.”</p>
<p>Essa frase foi de homem e de bom chefe de família. O nome é para ser honrado e fica a saber que na minha opinião não envergonhaste ninguém. E assim seguiste a tua paixão pelas ondas, conheceste os surfistas do King Surf Club, que eram os Beach boys de Waikiki. Fogo Tio Canha, conheceste o Duke Kahanamoku! Ouvi dizer que ele foi um dos responsáveis por arranjar financiamento para a tua viagem ao Peru. E tu lá foste representar o Havai, a tua terra. Que orgulho pá.</p>
<p>Gostavas das ondas fortes de Makaha, mas eras rei em Ala Moana. Um beach boy tinha que dominar aquela zona. Diziam que dropavas bem lá atrás, davas aquele toque de magia com o tail/rail, que eu gosto de chamar, em linguagem tosca, o “cutback de atraso” para entrar no tubo. E depois andavas lá dentro como água que desce em torpedo pela levada e que dá energia ao moinho para esmagar a cana-de-açúcar.</p>
<p>Quem te viu, dizia que esbanjavas estilo! Viajavas numa espiral no tempo e no espaço, onde o Havai e a Madeira se uniam na tua linha de surf.</p>
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<p>Devia ser bonito de se ver!</p>
<p>Aloha, Tio Canha.</p>
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<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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		<title>&#8220;Angel&#8221; &#124; By João “Flecha” Meneses</title>
		<link>https://www.onfiresurfmag.com/exclusivos/angel-by-joao-flecha-meneses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Meneses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Feb 2021 09:57:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exclusivos]]></category>
		<category><![CDATA[Caderneta de Mar]]></category>
		<category><![CDATA[João "Flecha" Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Jose Angel]]></category>
		<category><![CDATA[Pioneiro]]></category>
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					<description><![CDATA[O maior waterman de todos os tempos...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Vou falar-vos do maior <em>waterman</em> de todos os tempos. Um homem que nasceu para nos ensinar que há actos de bravura que não podem ser explicados de forma racional. Vou falar-vos de um homem que se tornou lenda no Havai. Vou falar-vos de um professor, de um mergulhador, de um trapezista das ondas. Vou falar-vos de Jose Angel!</p>
<p>A sua história daria um filme de aventura, de drama, de romance. A vida de Jose Angel, tal como ela foi, curta mas intensa. Filho de pai filipino e mãe canadiana, desde cedo que percebeu que o seu caminho seria com desafios permanentes e que a vida é uma encruzilhada de viagens, com encontros e desencontros e sangue de todos os mundos.</p>
<p>Cresceu em São Francisco e durante o liceu praticou natação, pólo aquático e tantas outras actividades físicas que o moldaram por dentro e por fora. Chegou ao Havai na década de 50 com a sua namorada para um ano de sonho, tendo como colchão um barco ancorado e como teto o céu do pacífico. Surfaram, pescaram e pensaram num futuro nas ilhas. E foi por lá que Jose se licenciou em educação física e decidiu criar raízes. Família, amigos, trabalho, impostos ao Estado e ondas. Muitas e grandes!</p>
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<p><iframe loading="lazy" title="Jose Angel Legendary Surfer at Waimea Bay North Shore - Oahu in Hawaii" src="https://player.vimeo.com/video/307929558?dnt=1&amp;app_id=122963" width="500" height="281" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write"></iframe></p>
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<p>Jose fazia parte de um grupo de audazes e privilegiados surfistas que largaram a vida no continente americano e rumaram à Meca do surf. Um grupo pequeno e unido de exímios nadadores que não viravam costas a uma grande ondulação. Peter Cole, Buzzy Trent e Greg Noll eram alguns dos nomes mais sonantes em Waimea e Sunset, mas era Jose Angel o mais ambicioso quando se tratava de dropar no sítio mais difícil. Entre descidas vertiginosas de <em>backside</em> ou cambalhotas propositadas onde ninguém desejava cair, foi construindo ao longo do tempo uma reputação de guerreiro. Era admirado pela comunidade havaiana não só no mar, mas também em terra, como professor e director de uma escola no North Shore de Oahu. Imaginem os seus alunos (alguns deles tornaram-se sufistas profissionais) ao verem o seu professor nas primeiras páginas dos jornais locais, a descer ondas gigantes. Um verdadeiro professor! Em 1960 faz a capa da primeira edição da Surfer Magazine.</p>
<p>Uma das outras paixões de Jose Angel era o mergulho. Mais tarde seria a segunda forma de sustentar a sua família, através das suas incursões às ilhas de Maui e de Kauai em busca de coral negro. Um mergulho mal sucedido deixou-o com problemas de mobilidade numa perna. Continuou a surfar, mas entraria numa fase depressiva, ao perceber que já não tinha as mesmas capacidades físicas. Dois anos depois do acidente, desapareceu ao largo da Ilha de Maui, numa descida que dizia ser a última da sua carreira de mergulhador.</p>
<p>Viveu a vida de forma intensa e deixa-nos um legado de purismo e de honestidade.</p>
<p>Aloha Jose</p>
<p>*Stuart Holmes Coleman, no livro Eddie Would Go, investiga com alguma profundidade uma parte da vida de Jose Angel. Uma leitura obrigatória para quem quiser conhecer melhor este waterman.</p>
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<p>Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog <a href="https://cadernetademarblog.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">“Caderneta de Mar”</a>.</p>
<p><em>Sobre o Autor:<br />
João “Flecha” Meneses | Com três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma grande colaboração com a ONFIRE.</em></p>
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