Um português na equipe de previsão internacional do Surfline | Parte II

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Bruno Lampreia é o seu nome e esta é a segunda parte da sua mini-entrevista.

Depois de nos falar como conseguiu ser contrato para trabalhar no maior site de surf do mundo, o Surfline.com, nesta segunda parte da sua entrevista o português irá falar-nos um pouco de como se processa a previsão de ondas.

Bruno, ao certo como se processa a previsão das ondas?
É um processo complexo e envolve bastante conhecimento de Meteorologia e local. O que acontece nos oceanos é uma consequência direta dos processos físicos da atmosfera, como tal é essa análise que fazemos para indiretamente tentar definir seus os efeitos no mar e mais ainda, projetá-los no futuro. Relativamente às previsões na Surfline faço minhas as palavras do Chefe de Meteorologia da Surfline, Mark Willis: “A previsão de ondas começa com os vento a soprarem por cima do oceano. Claro que esse vento têm de acontece numa zona de interesse. O tamanho das ondas no oceano e o surf que produzem é dependente da velocidade do vento, do tamanho e da movimentação dessa tempestade.

E relativamente a Portugal, quais as condições para bons sweis?
“As tempestades que produzem swell para Portugal podem acontecer em qualquer lado do Norte Atlântico mas têm de ter ventos suficientes “apontados” para o país. Adicionalmente, a batimetria local, os ventos locais e as marés também são extremamente importantes para determinar se o surf será bom ou mau. Há toda uma grande complexidade de variáveis para analisar para sabermos se vai haver bom surf. O Surfline tem um equipe treinada de meteorolistas para fazer toda essa análise exactamente para que não tenhas de ser tu a fazer esse processo complicado. Ao mesmo tempo temos uma equipe de cientistas que trabalham com o nosso modelo próprio de ondas e ventos e que os nosso clientes podem utilizar, modelo esse que tem várias ferramentas para que os nossos previsores possa melhorar as suas previsões.”, concluiu Mark Willis.

The storms that produce swells for Portugal can really be anywhere in the North Atlantic as long as they have sufficient winds aimed at us. In addition, the local bathymetry, local winds, and tides are also incredibly important in determining how good or how bad the surf may or may not be. There are a lot of complex variables to deal with when predicting good surf. Surfline has a team of trained meteorologists to do all of this for you so you don’t have to. In addition, we also have a team of scientists that run our own wave and wind models that our customers can utilize, and a lot of fancy tools behind the scenes that our forecasters have access to improve their forecasts.

A “sabedoria popular” diz que na realidade a previsão só é mesmo certeira para os próximos três dias. Verdade ou mito?
A sabedoria popular tem sempre um fundo de verdade. Antes de mais é preciso entender que uma previsão será sempre uma previsão, isto é, a melhor garantia que se pode dar é sempre de 50%, porque se eu vos disser que amanhã chove, daqui só podem ocorrer dois acontecimentos, ou chove ou não chove. E isto não tem a ver com uma boa previsão ou má, tem a ver com os modelos e cartas analisadas que tentam titanicamente englobar todas as variáveis e projetá-las no futuro, por vezes um pequeno factor muda e tudo se altera. Desta forma é um trabalho contínuo em que temos de estar sempre a analisar os últimos updates, para não falhar nenhuma alteração e não haver surpresas.
No entanto, quanto mais prolongarmos as previsões no tempo maiores são as probabilidades de termos diferentes resultados, pois se houver a mais pequena alteração numa fase inicial, todo o restante período temporal estará comprometido. Portanto os “próximos 3 dias” é o limite entre o quase certo e o reino das probabilidades, onde já temos várias hipóteses que temos de ponderar. E quando se quer saber mais que 3 dias, temos de acompanhar todos os desenvolvimentos para ver se essa tendência se confirma.
Assim desmistifique-se este mito! É verdade!

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