Um português na equipe de previsão internacional do Surfline | Parte I

publicado há 3 anos por 0

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O seu nome é Bruno Lampreia e trabalha no maior site de surf do mundo!

É mais do que conhecido que o Surfline.com é o maior site de surf do mundo, e que baseia a sua actividade online entre previsões, conteúdos e cameras nas praias. No capítulo das previsões, o Surfline.com é muitas vezes parceiro de várias etapas do WCT, fornecendo a sua equipe os dados para se tomar a mais importante decisão de todas, quando é que o evento vai arrancar.

Inserido nesta equipe está um português, Bruno Lampreia, que assumiu recentemente a tarefa de previsor da Surfline.com em Portugal. Natural de Lisboa, este também surfista é um meteorologista aeronáutico experiente e que trabalha também com o governo português. Há uns anos atrás, Bruno construiu o seu próprio projeto, o Meteoceansurf, de modo a responder às exigências e volume de trabalho que lhe era pedido. Fez previsões para campeonatos, publicou artigos e ensina meteorologia e oceanografia numa escola de surf, tudo isto vem da vontade de proporcionar o melhor desta área à comunidade de surf Portuguesa.

Empenhado em adicionar conhecimento local às previsões do Surfline, bem como em expandir a cobertura e o detalhe às previsões, a recente contratação de Bruno estende o compromisso da Surfline em melhorar a cobertura de Portugal – compromisso esse que conta inclusive com 12 câmaras HD pelas nossas praias do norete ao centro do país, bem como modelos regionais de vento HD.

Esta é mais uma forma de um português representar o nosso país internacionalmente, afinal não são muitos os que consegue trabalhar no maior site de surf do mundo, e por isso decidimos fazer-lhe umas perguntas. Esta é a primeira parte (de duas) da mini-entrevista que lhe dizemos.

Bruno, fundaste o meteoceansurf há uns anos atrás e que neste momento, devido às tuas função no Surfline encontra-se “suspenso”. Este projecto vai ficar por aqui?
O projeto foi uma maneira que arranjei para responder às solicitações diárias e servir a comunidade de surf Portuguesa, foram anos de trabalho para puder responder às necessidades de um público maior, do que o meu inicial grupo de amigos. Teve momentos altos e baixos, sempre deu resultados positivos, pois foi uma evolução permanente, no entanto as contrapartidas foram muitas noites por dormir e muito investimento. A dada altura tive inclusive de vender a prancha para pagar um servidor para puder enviar os meus modelos online, entre outras… Tornou-se um hobby caro e trabalhoso, mas como se diz, quem corre por gosto não cansa!
Neste momento o projeto está suspenso, pois estou vinculado com contrato na Surfline, no entanto não fugi à minha missão inicial que é servir a comunidade Portuguesa de surfistas, na medida em que agora não estou sozinho, somos uma equipa inteira de profissionais de olhos postos em Portugal. Desta forma diria que o intuito do projeto continua, mas desta vez com outro nome e toda uma equipa de excelência.

No fundo a tua aposta e dedicação ao meteoceansurf abriu-te a porta para esta grande oportunidade de trabalho na Surfline certo?
Creio que esta oportunidade foi o culminar de muito esforço, que ao ser projetado para comunidade Portuguesa, com o intuito de melhorar os serviços de previsões, acabou por ser recompensado. Foram anos a lutar e com resultados a aparecer, trabalho não faltava, houve imensa procura para o meu trabalho e tentei responder a todas, inicialmente começou como um hobbie, pois fazia previsões para o meu círculo de amigos e posteriormente estendeu-se a Portugal em todas as vertentes, desde artigos, aulas (que tenciono continuar a dar em Portugal), previsões, campeonatos etc, etc… Eventualmente acabei por dar nas vistas e como tal a proposta surgiu, por parte de Filipe Falcão que entretanto assumiu funções na Surfline, pela mesma altura em que a Surfline se expandia para Portugal e procurava um previsor local.

(…) quando concluí a primeira fase do projeto o ano passado e o Mark (Willis – chefe de meteorologia do Surfine) me falou da nova contratação que tinha feito de um meteorologista para o Brasil e também estava a pensar ter um em Portugal, disse-lhe logo que tinha a pessoa indicada para dar referência. Esta proposta só a lancei quando tive algo concreto, pois não queria de todo fazer mais do mesmo, como o Bruno ja tinha feito com outros sites sem contrapartidas financeiras.”, contou Filipe Falcão, coordenador das Operações do Surfline na Europa.

Desta forma fui apresentado e reencaminhado para uma série de entrevistas e questões para aferir as minhas competências…

“O Bruno veio para o Surfline através da sua óptima reputação em Portugal como alguém que entende os ventos locais, as ondas e o clima e a sua aplicação ao surf. O nosso correspondente português, Filipe Falcaõ, apresentou-nos o Bruno como um previsor respeitado dentro da comunidade de surf e que também tinha a educação universitária para o suportar. É sem dúvida uma relação para continar a crescer”,  disse Mark Willis sobre a contratação de Bruno Lampreia.

Qual o teu envolvimento com a restante equipe de previsão do Surfline?
O envolvimento é espetacular, estamos em permanente contato onde trocamos ideias e está sempre alguém disponível caso queiramos trocar impressões. Todos eles são excelentes profissionais em meteorologia, sendo assim para mim o segundo passo evolutivo, onde neste momento consigo analisar as propriedades de uma baixa-pressão, os efeitos nefastos de uma frente a incidir no swell, ou da tentativa de discernir as transformações da onda neste ou naquele pico, com profissionais que falam a mesma língua meteorológica que eu.

Amanhã colocaremos a segunda parte da entrevista a Bruno Lampreia e onde ele nos contará um pouco sobre previsões de surf!

 

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