As revistas australianas são conhecidas pelo seu humor muito próprio, muito típico dos próprios “aussies”. A revista Stab é talvez o maior exemplo e as suas brincadeiras já levaram vários surfistas a boicotá-la. No entanto a qualidade do produto é inegável e ao longo dos anos tem se estabelecido como a principal revista australiana.

Mas as outras revistas também têm essa linha e a Surfing Life regularmente produz conteúdos também arrojados e controversos. E, apesar de já se esperar este tipo de artigos desta publicação, um deles parece ter ido longe demais.

Num artigo chamado “Poetry Night with Mermaid Killer” (qualquer coisa como, noite de poesia do assassino de sereias), escrito por Nathan Myers, encontrava-se a a seguinte passagem, “With his apeish face and cowering hair-curtains, I expect little more than Cro-Magnon grunts from his mouth. I am caught off guard by the clarity and eloquence of his speech.” (Qualquer coisa como, “Com o rosto “amacacado” e de cabelo com cortinas encolhidas, esperava pouco mais do que grunhidos de Cro-Magnon de sua boca. Mas fui apanhado de surpresa pela clareza e eloquência de seu discurso.”

Esta passagem referia-se a Otis Carey, um surfista australiano conhecido pela sua maneira “relaxada” de ser e surf progressivo. Otis é descendente de aborígenes, o povo nativo da Austrália que hoje em dia são uma minoria com costumes próprios e muito protegida contra preconceitos. Não é o caso de Carey, mas por norma este povo tem uma pele mais escura e talvez por isso muitos tenham considerado a passagem de racista. De imediato a notícia tornou-se viral e foi “captada” pelos maiores jornais do país e pela “pesada” social media.

A revista fez um pedido de desculpa formal, esclarecendo que não tinha tido intenções racistas, mas era tarde demais. A família de Otis optou mesmo por processar a revista, citando danos morais por “difamação de carácter”, pedindo uma compensação de 200.000 dólares australianos.

Será agora uma questão de interpretação dos tribunais australianos, que terão de definir onde está o limite da liberdade de expressão!

(Otis Carey em vídeo)

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