Os últimos anos não têm sido fáceis para a indústria do surf. As maiores marcas ainda estão a recuperar da grande quebra nas vendas que sofreram com a crise e há quem diga que a totalidade dos “estragos” ainda não é visível.

Isso obrigou a uma reorganização e optimização das suas estruturas e gastos e, em muitos casos, diminuíu drasticamente o número de funcionários e patrocinados. Como consequência o número de surfistas profissionais de topo sem patrocínios nunca foi tão alto e, aparentemente, continua a aumentar. Em 2015 surgiram mais três nomes no grupo de surfistas sem auto-colante no bico, todos eles profissionais com muitos anos de “casa”.

O mais visível, no início do ano, foi Mateia Hiquily. O tahitiano fazia parte do team Billabong há muitos anos mas tinha contra si a sua localização. Isto porque o mercado do surfwear no seu país é muito pequeno e para ser interessante para uma marca este surfista precisava de garantir visibilidade fora das suas fronteiras. Apesar de ser conhecido na Europa, na Austrália e até nos EUA, Hiquily não conseguiu garantir bem a sua internacionalização e no fim do ano passado ficou sem patrocínio. Só “de vingança” chegou à final da primeira etapa em que participou este ano, o Hurley Australian Open, e mesmo tendo perdido cedo na etapa seguinte encontra-se no top10 do QS.

Outro surfista também da Billabong, Peterson Crisanto, passou mais despercebido já que não competiu em qualquer etapa do QS em 2015. Este pequeno brasileiro fazia parte do grom team da marca juntamente com Mateia e outros como Frederico Morais e Ryan Callinan, todos acompanhados pelo treinador da Billabong, Richard “Dog” Marsh. Apesar de já ter ficado muito perto da qualificação para o WCT o seu contrato não foi renovado e Peterson ainda não saiu do Brasil este ano.

Mais recentemente foi o havaiano Ezekiel Lau quem teve de tirar os auto-colantes da Volcom do seu quiver. “Zeke” é um dos surfistas mais atléticos do tour e esperava-se que neste momento já fizesse parte do WCT. Uma lesão e alguns resultados abaixo do que se esperava fizeram com que caísse bastante no ranking, e neste momento além de estar sem patrocínio, tem um seeding muito baixo, o que o obrigou a competir nos trials do Oakley Lowers Pro.

Poderá haver outras razões para além de limitações de budgets que justifiquem a não renovação dos contratos destes três surfistas, mas o que é certo é que são mais três grandes nomes que se juntam ao “sponsorless club”!

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