António Silva fala sobre a sessão da Nazaré | Mini-Entrevista Exclusiva

publicado há 1 ano por 4

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A recente sessão de surf na Nazaré foi provavelmente a mais mediática dos últimos anos em Portugal. Garrett McNamara apanhou uma onda que muitos consideram que possa ser a maior alguma vez surfada e essa imagem já corre o mundo. Mas será que foi a maior, ou a mais pesada, do dia? O português António “Toni” Silva também andou por lá e apanhou uma onda ainda mais impressionante que a do havaiano. A ONFIRE “apanhou” o surfista da Praia Grande no dia seguinte para saber um pouco mais sobre a surfada histórica!

António, por onde andaste ontem (segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013)?
Fui até à Nazaré!

O que foste lá fazer?
Fui surfar, entrou alto swell e tinha combinado fazer uma surfada com os meus amigos bascos e marroquinos e fomos fazer tow-in à Nazaré.

Sabias que ia estar assim tão grande?
Eu sabia que ia estar gigante, mas não esperava que estivesse tão grande como na realidade estava.

Já tinhas surfado lá antes?
Nada que se parecesse, já tinha apanhado um dia grande na Praia Grande de tow-in, mas na Nazaré foi a primeira vez.

Quando chegaste, apercebestes-te do tamanho que estava?
Quando cheguei vi a onda do Garrett (McNamara), era gigante, nunca tinha visto nada assim na vida, nem em filmes! Fiquei logo com medo e quando cheguei ao porto, por onde se entra, comecei a ver a preparação do pessoal todo, com bombas de oxigénio e coletes especiais…

Em algum momento pensaste em não entrar?
Vi o Garrett na água e disse, ”eu vou”!

Quantas ondas apanhaste?
Para ser sincero, senti que só apanhei uma (imagem acima), foi a onda em que consegui chegar ao bottom e surfei-a mesmo. As ondas estavam muito ”gordas”, mal quebravam. Nessa senti que estava mesmo na onda, ela vinha atrás de mim, cobriu-me e consegui sair do meio da espuma.

Agora, modéstia à parte, tu viste a onda do Garrett e surfaste a tua, qual era maior?
Vi e fiquei impressionado! Agora… não quebrou…. mas a maior é a dele. Se a minha era maior ou não, pouco me interessa, eu não faço surf para a minha ser maior que a dele, ou para o meu tubo ser maior que o dos outros! Já fiz isso quando andava na competição. Hoje em dia quero curtir as minhas ondas é para isso que faço surf. Combinei uma surfada com uns amigos e curtimos à brava! Correu tudo bem e acho que foi um dia importante, passaram-se limites na Nazaré! Acho que foi o maior dia de sempre da Nazaré não estava tão ”clean” como se esperava, estava difícil de surfar!

Que tamanho dirias que tinha a tua onda?
Não sei, não sou bom em medições (risos).

Tenho ideia que tu procuras mais ondas tubulares do que propriamente ondas grandes, é verdade ou não?
É verdade, é a vertente que eu mais gosto no surf e que mais me dá prazer. Mas infelizmente em Portugal, se eu der uma surfada na Cave, por exemplo, quase ninguém vai falar. E o ”falar”, e o retorno para os meus patrocinadores é importante para mim! Esta surfada teve outra repercussão!

Foi uma das melhores surfadas da tua vida?
Foi uma surfada diferente, com repercussões importantes para a minha carreira sem dúvida. Se foi a surfada que me deu mais prazer da vida? Não! Para mim nada bate andar dentro de um tubo, de preferência num ”Slab”, é para isso que eu faço surf!

Muito depressa a notícia espalhou-se pelas redes sociais e daí para os websites e televisão. Em muitos meios o teu nome ficou esquecido, viu-se mesmo a tua onda a ser creditada como sendo de McNamara, o que achaste disso?
Sim, eu acompanhei, é bom, sou o Garrett, sou havaiano agora (risos)! Não vejo mal nenhum, é um erro e em muitos casos mau jornalismo. O surf está a crescer muito, toda a gente quer entrar no surf, mas tem que haver mais cuidado e mais respeito pela comunidade surfista!

Esta sessão deu-te pica para procurares mais esta vertente (ondas grandes), ou nem por isso?
O que eu gostava mesmo era de viajar pelo mundo todo atrás de ondas ”mutantes”, tubulares, sessões daquelas onde estão os melhores! Nós temos um grande fenómeno na Nazaré e não podemos ignorar, temos de estar lá. Somos portugueses, aquilo é nosso, e nós temos de dar valor ao que é nosso. Na Nazaré dá para puxar ao máximo os limites do surf, temos é que nos preparar para isso, porque ali realmente quebram as maiores ondas do mundo. Seja na remada ou no tow-in, é uma coisa que tem de ser explorada, mas para isso tem de haver apoios, investimento!

Há condições neste momento para seguir nessa direcção a sério, ou mesmo a carreira de free surfer que estás a fazer?
Neste momento não há, ou no meu caso, não tenho. Eu tenho um grande patrocinador, que é o Rico Moser com a DC, que é quem me tem apoiado incondicionalmente, a quem devo muito por ter sempre acreditado. Mas para poder passar ao próximo nível e evoluir, é preciso mais investimento, outros budgets, porque eu acredito em mim e sei que posso fazer o mesmo que os outros! Além do Rico, tenho um ”Anjo da Guarda” que é o Ramon Laureano, que é quem me põe sempre nas ondas. Faz por ser meu amigo mas isso devia ser valorizado, pago, como acontece em todo o mundo!

Só para terminar, os três surfistas que têm estado mais em evidência no que toca a ondas pesadas, tu, o João Macedo e o Nicolau, são todos da Praia Grande. É uma coincidência, ou não?
Eu comecei com o (João) Macedo e fiz viagens com ele quando era novo, ele é um “animal”, aquele gajo “go for it”, é “maluco” mas sabe o que está a fazer! Para mim é um dos melhores big wave riders do mundo e sempre puxou por mim! O Nicolau é capaz de ser, pelo que vi naquele vídeo, um dos melhores free surfers do mundo! Não tenho medo de dizer isso, e é um surfista que não vai surfar só quando está alguém a fotografar ou a filmar!

O Nicolau também treinou muito com o Macedo, achas que ele é que vos mandou nessa direcção?
Acho que sim, claro que sim, ele e outros como o André Pedroso, o Pecas, o Gonçalo Faria e João Pereira Caldas, todos do beach break!

 

Comentários

  1. Catarina Simões de Almeida diz:

    Parabéns! Sim sanhora!!!

  2. Sofia Serra diz:

    Parabéns António, é isso mesmo um português no nosso grande mar.

  3. Fernando diz:

    Clap, clap, clap.
    Muito bom e tanta humildade. Nunca surfaste na nazaré, não procuravas aquele género de onda mas não te importas que creditem tuas imagens a GMAC?
    Sabes muito!

  4. Parabéns António Silva pela coragem e pela humildade, a pergunta mais frequente é “how big?” e tu simplesmente entregas o credito ao GMAC ainda que o risco que correste tenha sido superior pelo facto da tua onde ter rebentado nas costas … para mim foste o herói deste dia épico, espero que com este feito alcances os potenciais patrocinadores e espero ver-te surfar Shipstern Bluff brevemente …