
Foi no Couran Cove Pro Junior que Frederico "Kikas" Morais fez um 10 (um vídeo exclusivo que podes ver aqui) e foi também neste que entraram os portugueses Filipe Jervis e Vasco Ribeiro, assim como o luso-germânico Nicolau Von Rupp. Jervis, que se encontra na Austrália à mais tempo do que nos conseguímos lembrar a treinar num centro de alta performance, conta-nos como lhe correu este campeonato e como, depois de perder, foi com o seu trinador surfar um secret spot parecido com a nossa Cave.
Austrália - Competição & Secret Spot
O swell finalmente chegou... mas infelizmente veio com muito vento e muita chuva.
Começou a nossa caminhada para Couran Cove, para mais um Pro Junior. A pedido de um brasileiro que vive aqui na Austrália, tivemos que apanhar dois brasileiros e dar-lhes boleia ate ao ferry. Eu adormeci na viagem, por isso não faço ideia de quanto tempo demorámos atá lá chegar. Chegámos e parecia um aeroporto. O check-in na ilha era feito como nos aeroportos, tirando a parte de pagar excesso de peso. Com uma viagem de mais 40 min. ate à ilha, lá chegámos. Fomos muito bem recebidos e reunimo-nos todos para ouvir umas regras em relação ao hotel e para falar de como ia funcionar o campeonato.
Ainda era cedo e o mar estava muita mau, pelo que decidimos ir ver o que havia para fazer na ilha, visto que nos primeiros dois dias já se via a possibilidade de não haver campeonato. Pode-se dizer que a ilha tinha muitas coisas para fazer, só que havia um problema, a maior parte delas tinha que se pagar e não era pouco... o resort é muito bom mas tudo caríssimo. A praia era bastante longe do sítio onde se dormia, a pé demorava-se 45 min., pelo que decidimos alugar umas bicicletas para ser mais fácil.
Nos primeiros dois dias não houve mesmo competição, então passámos os dias a visitar a ilha, cruzando-nos com kangurus, ver filmes e eu ainda surfei uma vez, mas estava mau demais...
Finalmente começa a competição, e eu juntamente com o resto dos tugas estávamos prontos. Começou bem para todos excepto para o Nicolau que perdeu no primeiro heat. O meu heat no round seguinte foi um muito complicado pois ia com o Kikas e com dois australianos (um deles cabeça de série). O mar estava muito difícil, vinham ondas de todos os lados e fechava muito, mas temos que nos adaptar às condições por mais difíceis que elas estejam. Passavam 10 minutos do heat e eu tinha apenas um 1 e um 2... andava maluco à procura de uma onda para entrar no heat outra vez, mas ela simplesmente não vinha ter comigo. Lá apareceu uma esquerda a 4 min. do fim e eu esmifrei-a como pude e consegui um 6 qualquer coisa. Estava no heat outra vez e só precisava dum 3 para passar para 2º. Estava muito complicado de passar a rebentação e quando cheguei ao outside faltavam 2 min para acabar. Andei maluco à procura de uma onda e ainda tinha o australiano que estava em segundo em cima de mim a marcar-me. Acabei por não apanhar a onda que precisava nem ela apareceu. Foi complicado mas tirei coisas bem positivas deste heat.
O campeonato tinha acabado para mim, então eu e o meu treinador Josh decidimos voltar para a Gold Coast, visto que havia ondas boas à nossa espera. No dia seguinte de manhã, fizemos a viagem de volta ate chegarmos a casa. O Josh estava maluco porque tinham-lhe dito que havia uma onda, de onde ele é local, que estava a bombar. Parecia um puto de 10 anos pronto para ir surfar. Chegámos à onda e o vento já tinha levantado, mas isso não nos impediu de ir. A onda é muito hardcore, acreditem em mim... é uma onda que eles comparam normalmente a Shark Island. A onda é um autêntico mutante, rebenta em cima dum recife em alto mar e faz um degrau gigante. Estava metro e meio nos sets, uma brisa onshore e 6 locais completamente malucos da cabeça. Eu ia ganhando confiança ao longo da surfada, mas não foi nada fácil, a onda intimida muito e cada vez que dropas parece que vais acabar a “eat sh#t”. Em duas horas apanhei 10 ondas no máximo, mas ainda consegui dar um bom tubo.
Agora vou me mudar para a casa dos tugas e passar a minha última semana na Austrália com eles...
FJ