A Praia do Guincho é um dos locais de treino mais regulares para muitos dos melhores surfistas de Portugal. Ninguém entre os que treinam e/ou surfam com regularidade nessa praia ficou indiferente ao surf de um novo “habitué” do Guincho, o brasileiro Pedro Henrique. O seu surf é veloz e radical e o seu curriculum fala por si. Pedro já foi campeão mundial júnior da ASP e top do WCT e o seu surf continua de ponta! A ONFIRE foi saber um pouco mais sobre este surfista e a sua ligação com o nosso país!

Há quanto tempo vives em Portugal?
Eu e minha família mudámos a meio do ano passado, próximo a Agosto.

Porquê Portugal?
Bom, sempre fui muito bem recebido em Portugal e eu e minha esposa tivemos muitos momentos bons aqui, além de termos avós portugueses! Mas o que mais levámos em consideração foi o facto de aqui podermos dar uma vida com mais qualidade para nossas filhas, mais tranquila e com a possibilidade de trabalharmos com o desporto. Aqui na Europa o surf e o kitesurf são desportos fortes. Uma coisa importante também é que no Brasil não temos a cultura do waterman, do atleta praticar dois desportos e isso estava me dificultando muito em termos de patrocínio, ao contrario da América e Europa onde esses atletas são bem valorizados.

Porque deixaste de competir profissionalmente no surf?
Essa é uma pergunta que durante todo esse último ano tenho me acostumado a responder. Nunca parei de competir no surf profissional, porém a falta de patrocínios que acreditassem no meu potencial como surfista e kitesurfista me impediu financeiramente de estar presente nas competições do mundial. Como meu actual patrocinador (BEST Kiteboarding) é do mercado do kite, tenho competido a primeira divisão do kitewave mundial. Mas meus planos sempre foram competir nas duas modalidades e buscar algo inédito, que seria me classificar para a primeira divisão do surf mundial e do kite mundial!

Como foi a transição para o kite?
Minha iniciação no kite foi rápida, sempre me inspirei nos saltos do freestyle e nos giros, e durante uma etapa do circuito brasileiro de surf tive a oportunidade de fazer o curso em Recife. No segundo dia fiquei de pé e sai andando, mas devo admitir que o facto de surfar me facilitou demais.

Qual te dá mais prazer entre os dois?
Os dois são incríveis e cada um com as suas características, mas em ambos tenho a mesma sensação a deslizar nas ondas, fazer manobras, realmente ter a liberdade de estar no mar.

Quais foram os teus pontos altos como profissional de surf?
Minha carreira teve um início forte no amador, onde tive alguns títulos e resultados importantes em mundiais. Mas o que me lançou realmente foi o título mundial Pro Junior, em 2000 no Havai. Alguns anos tive um excelente ano no WQS. Fiquei em 5º, se não me engano e estive no WCT em 2006. Mais tarde fui 3º no brasileiro profissional e campeão em outro.

Quem memórias tens da final do WQS que fizeste em Portugal (Buondi Billabong Pro – WQS de 6 estrelas vencido por Tiago Pires)?
Boas, foi um campeonato em que me dediquei muito, passava horas treinando para me adaptar nas ondas de Ribeira e tive um bom retorno, foram pontos fundamentais na minha classificação.

Onde tens surfado e qual é a tua onda preferida por cá?
Moro muito próximo ao Guincho, e tem sido as melhores ondas que surfei ultimamente. Mas vou constantemente à Linha, Caparica e Ericeira, mas ainda quero explorar o sul e o norte do pais pois ainda não conheço.

O que tens achado do nível dos surfistas por cá?
Muitos não conhecia e tenho gostado de ver, principalmente a nova geração, outros já conhecia pois competimos durante muitos anos no circuito mundial e claro são excelentes atletas. Tenho gostado muito de ver que a maioria dos atletas se importa com a imagem que passam ao público, produzindo sempre vídeos e fotos.

Sei que estás a desenvolver um trabalho com a Polen, podes falar um pouco disso?
Nosso trabalho já vem de alguns anos atrás. Sempre que vinha a Portugal competir o meu shaper Joca Secco fazia esse trabalho com a Polen, e preparávamos parte do meu quiver aqui. Hoje  vivendo em Portugal, temos muito mais tempo para desenvolvermos esse trabalho. Ultimamente eu e o Nuno “Surdo” criámos uma prancha que a principio foquei para funcionar em alta performance pelas linhas de fundo e curvas fortes e funcionou incrivelmente bem.

(Vídeo sobre o modelo que Pedro Henrique desenvolveu com Nuno “Surdo” Cardoso)

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