Num passado não muito distante Miguel Ximenez era um dos surfistas mais regulares das páginas da ONFIRE. Capas de revista e resultados competitivos era algo que conseguia com facilidade e parecia ser um daqueles nomes que iria dar que falar durante muitos anos. No entanto, alguns anos depois de ter começado a competir no WQS, Miguel mudou completamente o seu percurso, passando o surf para segundo plano. Para trás ficou um título europeu na categoria Open e um surf dos mais modernos alguma vez praticados no nosso país. A ONFIRE foi descobrir o que faz e como é o dia a dia deste talentoso surfista!

Não te temos visto no line up, tens surfado?
Já não me reconhecem!?! Basicamente, faço surf uma ou duas vezes por fim de semana. Durante a semana tenho sempre a prancha no carro e todos os domingos penso que vou fazer um surf mas este Inverno na maioria das vezes, acabei por abortar essa missão. Como estou a viver em Lisboa comecei a ir aos pontões da Costa da Caparica. Sabem que tenho uma boa relação com estas praias, além disso é muito prático. Mas não se enganem, o Guincho continua a ser a primeira opção.

O que fazes actualmente?
Neste momento estou responsável pelo mercado nacional, espanhol e do Benelux no Vivamarinha Hotel & Suites e a fazer um mestrado em Ciências Empresariais no ISEG depois de ter finalizado a licenciatura na ESHTE.

Quando e porque decidiste deixar de ser surfista profissional?
O meu percurso no surf nunca foi claro, houve momentos em que realmente tentei adoptar uma atitude profissional e encarar o surf como um trabalho em que teria de “desenhar” uma carreira. Resumidamente, tinha um plano – Acabava o liceu e fazia uma abordagem ao circuito mundial WQS até aos 23 anos e depois decidiria se continuava ou parava. Durante esse período, avaliava se deveria continuar no final de cada ano. Aos 21 já sabia que não iria continuar a fazer competição para sempre e que voltaria à faculdade. Acabei por tentar fazer uma abordagem diferente a partir desse momento, mais descontraída. Eu era muito inconsistente, tinha de me aplicar muito mesmo apenas para contornar esse factor mais ainda em relação aos outros pontos. Aos 22 fiz uma viagem com a Lightning Bolt à Costa Rica, mais concretamente Pavones (um destino de sonho) e no primeiro dia rompi o músculo da perna e tive de ficar 6 meses fora de água. Nesse mesmo ano já tinha ficado 3 meses fora de água com uma ruptura dos ligamentos do calcanhar. Ou seja, foram 9 meses fora de água em 1 ano. Esta situação influenciou-me a tomar uma decisão definitiva e não foi difícil escolher com base em resultados, performance, margem de progressão, entre outros.

A “mudança de vida” foi difícil?
Assumi um piloto automático que não me deixa muito espaço para pensar no que já fiz ou como fiz. E sinceramente, foram muitas vezes a perder, o que acabou por não me deixar dúvidas na opção. Mas é sempre difícil…

Sentes falta dos tempos em que vivias do surf?
Sinto a maior falta, visitei destinos de topo e tive situações hilariantes. Foram tempos de liberdade.

Quais são os melhores momentos que guardas da tua carreira no surf?
As vitórias, os amigos e os sítios!

Continuas a acompanhar o que se passa no surf?
Finalmente uma pergunta em que me sinto à vontade. Acompanho todos os campeonatos, sites e noticias relacionadas. Gostava de prestar a maior consideração e orgulho pela nação do surf em Portugal, actualmente existem atletas de topo internacional, grandes atletas de ondas grandes, excelentes técnicos, empresas bem geridas e excelentes meios de comunicação especializados. As figuras e apenas que representam hoje o surf nacional são a razão do sucesso e do crescimento do desporto nos últimos anos. Particularmente e em relação às performances, é incrível o nível de alguns fantásticos, Frederico, Nicolau, Zé, Vasco, Filipe, entre outros, fico incrédulo com os mini clips deles! Espero que eles e muitos outros consigam ter a paciência e confiança no trabalho e posterior sucesso.

(Miguel Ximenez em free surf, no Peru, em 2009)

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