Laird Hamilton é um nome que deveria dispensar apresentações, mas nos últimos anos tem estado um pouco mais apagado.

Desde muito jovem Laird mostrou-se um “espécime” impressionante, e muito jovem adotou o sobrenome do seu padrasto, o big wave rider Billy Hamilton. Mesmo fugindo do percurso “normal” perseguido por grande parte dos surfistas profissionais da época, acabou por se transformar numa referência no mundo das ondas grandes.

Considerado como o melhor big wave rider dos anos 90 e da década seguinte, Laird lançou o surf de tow-in no início dos anos 90, na companhia de Buzzy Kerbox e Darrick Doerner, inicialmente em pranchas grandes nos outer reefs de Oahu, mais tarde encurtando as pranchas e enfrentando ondas de tamanhos que até aí eram considerados impensáveis.

Outro contributo de Hamilton foi a utilização de pranchas com foil, uma invenção que não foi da sua autoria mas que Laird adotou cedo e acabou por divulgar a “modalidade” como nunca antes, sendo um dos grandes responsáveis pela sucesso deste estilo de surf.

Mas se houve algo que este havaiano fez que realmente marcou a história do surf mundial foi uma sessão de surf, em 17 de Agosto de 2000. Laird e os seus amigos perseguiram uma ondulação até Teahupoo, no Tahiti, e quando chegaram encontraram condições que nunca antes tinham sido captadas em vídeo. Ondas gigantes quebravam sobre a rasa bancada de coral, criando “lips” tão grossos como a altura da parede e a total ausência de vento só fez com que o dia parecesse algo de outro mundo. Até aí o tow-in era usado quase exclusivamente em ondas grandes e quando Hamilton e os amigos foram puxados para dentro de alguns dos mais pesados tubos alguma vez surfados, criou-se uma “tempestade perfeita” que faria desta uma das mais conhecidas sessões da sempre no nosso desporto. As filmagens encontraram o seu caminho não só para os filmes de surf da época como telejornais e peças documentais um pouco por todo o mundo e qualquer revista de surf que se prezasse usou as imagens na capa, e muitas páginas ao longo das edições. A partir daí o surf foi visto de outra maneira, com novas possibilidades de se fazer ondas que antes pareciam impossíveis.

Nos anos que se seguiram vários surfistas desafiaram Teahupoo em dias maiores, mas o impacto desta sessão nunca seria superado…

 

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