Se estiveres a surfar no sul de Portugal e não estiver na água um estiloso goofy de twin fin ou outra prancha invulgar, podes assumir que em algum sítio as ondas devem estar muito melhores. Tomás Alcobia é um daqueles surfistas que consegue aproveitar o “melhor dos dois mundos” em muitos aspetos, seja dentro ou fora de água. Fica a conhecer um pouco melhor este que é um dos melhores surfistas do Algarve…

 

Mostraste muita promessa a nível competitivo quando eras júnior, o que te fez abandonar a competição?
Para ser sincero, nunca me senti uma promessa a nível competitivo, sempre fiquei atrás dos grandes nomes da minha idade, mas não foi isso que me fez parar de competir. Foi sim o facto de crescer e sentir que aquilo não me fazia feliz. Toda aquela pressão, ter 15/25 minutos para provares o que vales e ter que surfar ondas pequenas e moles não era de todo a razão porque faço surf. Por isso, na minha cabeça fez todo o sentido abandonar e hoje não me arrependo de nada!

O que te inspirou a começar a surfar com pranchas diferentes?
Penso que a história seja interessante. Em 2015 fui para a Indonésia durante um mês e lá conheci o Torren Martyn e mais uns amigos dele em Desert Point. Estavam altas ondas, metro e meio a dois metros e todos eles estavam a surfar de twin minúsculas, uns até sem leash e o que vi deles deu-me a volta a cabeça. Tinham um flow incrível, davam tubos mais deeps que todos e tinham o triplo da velocidade. Deram-me a oportunidade de ver e experimentar as pranchas e desde esse momento a minha visão de surf mudou. Quando cheguei a Portugal fui direto a OrgSurfboards falar com o Rabbit para contar-lhe esta experiência e ele acabou por me fazer a minha primeira twin que me fez ficar completamente viciado!

Conta-nos como é o teu quiver e, se tivesses que escolher uma só prancha para surfar o resto da vida, qual era?
Neste momento tenho um bocado de tudo, desde assimétricas, a twins de 5’7” a 6’0”, single fins, malibus e agora comecei novamente a voltar a por o pé em thrusters de todos os tamanhos. Gosto de experimentar um bocado de tudo e conforme o mar escolhi aquela prancha que eu acho que me vou divertir mais, mas se tivesse que escolher uma para o resto da minha vida, seria sem dúvida a minha twin 5’7” feita pela Org / Rabbit. Aquilo anda em todo o lado e o surf é sempre fun!

Mesmo afastado da competição continuas com vários patrocinadores, quais são e o que eles exigem de ti?
Mais do que patrocínios são amigos/família. A Orgsurfboards que são os maiores, sempre me ajudaram e apoiaram as minhas ideias malucas. Vazva, uma marca espanhola, mas fabricam em Portugal, sinceramente sinto que são a minha cara, Rock & Roll, mas ao mesmo tempo Eco-friendly. Wildsuits, uma marca de fatos francesa que entrou há uns anos no mercado português e os fatos são incríveis e com um mindset que me identifico bastante. Wasted Shoes que faz parte da Vazva e por isso tem as mesmas características, fabricados também em Portugal. Grato por todos eles e o objetivo principal é representa-las com o meu melhor surf e carisma no Algarve, fazendo alguns vídeos e fotos durante o processo.

Como é o teu dia a dia para além do surf?
Penso que muita gente não sabe isto, mas neste momento estou a acabar o mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundários no Piaget, em Almada. Estou no último ano por isso estou a estagiar em Lagos, numa secundária a dar aulas e a escrever a minha tese final. Para além disso, no verão trabalho sempre a dar aulas de surf aqui no Algarve e possuo também o nível 1 de Instrutor de Surf da Lusófona/FPS.

O que dirias que é a principal vantagem e a principal desvantagem de ser surfista no Algarve?
Eu sempre passei muito tempo em Lisboa porque tenho família lá, por isso sei bem quais são ahah. Vantagens são sem dúvida a paz, bom tempo, natureza imensa e vida simples. Desvantagens é o facto de estarmos longe de tudo e todos, infelizmente o Algarve sempre esteve no esquecimento de todos, exceto no verão, mas se formos a ver bem também pode ser uma vantagem…

Quem são as tuas referencias locais?
As minhas referências são simples, são todos os meus amigos. É claro que não posso deixar de referir nomes como o meu ex-treinador Sérgio Wu, os irmãos Mouzinhos, Alex Botelho e Marlon Lipke e até alguns bodyboards como Xico Pinheiro, Joana Schenker e Bajolo. Todos eles sempre me ajudaram a ser melhor surfista e pessoa.

Como têm sido os confinamentos no Algarve?
Confinamento? Não conheço bem essa palavra, ahah. Não, agora a sério, entre toda esta situação horrível, não me posso queixar. Se o Algarve já era calmo no Inverno, imaginem num inverno com pandemia, o tempo não passa, mas graças a Deus este deve ser um dos melhores lugares para fazer confinamento. Basicamente foi surfar, estudar, estar com amigos e desfrutar de cada momento.

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