Apesar de ser conhecido há muito tempo na indústria do surf, o nome Jon Pyzel ganhou visibilidade nos últimos anos por ser o shaper do surfista que muitos consideram o melhor da actualidade, John John Florence. Mas as suas pranchas têm andado nos pés de muitos outros surfistas de topo e a prova disso é que o vencedor do recente Drug Aware Margaret River Pro, Michel Bourez, estava a usar um dos seus shapes. Para saber um pouco mais sobre esta e outras pranchas de Jon Pyzel aproveitámos a sua presença na fábrica portuguesa de pranchas, Polen, para lhe fazer algumas perguntas.

Quais eram as dimensões da prancha que o Michel Bourez estava a usar?
Ele estava a usar uma 6’0” x 18 5/8 x 2 1/2, Firewire. Equivale ao modelo “Flash” nas pranchas “normais”, são medidas normais para um surfista com as características dele, como estariam numa prancha de prancha de stock. A diferença com a Firewire é que tenho de lhes enviar um ficheiro com as medidas refinadas com maior pormenor possível.

Há quanto tempo estás envolvido com a Firewire e o que achas da tecnologia?
Estamos a trabalhar juntos há alguns meses, estou a desenvolver dois modelos para eles, a “PyzAlian”, que sai em Junho e a “Slab” que está pronta para produção. No início da temporada havaiana desenvolvi algumas pranchas para o Michel Bourez, Filipe Toledo e Sally Fitzgibbons e correu bem por isso pediram-me para lhes fazer um quiver. Com a empresa em si estou muito contente, acho que é a melhor opção que existe para produção de pranchas em massa. Primeiro experimentei as pranchas e gostei mas estava hesitante até perceber bem o tipo de empresa que é. Fui conhecer melhor e gostei, a fábrica deles é na Tailândia e produz cerca de 85 pranchas por dia. Eles usam os materiais mais amigos do ambiente possíveis,  como resina biológica, e não usam acetona para limpar os materiais mas sim uma mistura com produtos à base de cítrico. E como têm de empacotar todas as pranchas usam muito material para embalar mas optaram por gastar 10 vezes mais num material mais biodegradável. Eu identifico-me com este tipo de escolhas e estou contente de estar a trabalhar com eles.

Como te sentes por ter outra prancha desenhada por ti a vencer uma etapa do WCT?
É incrível, estou muito contente. Se estivesse com dúvidas se as pranchas iam funcionar bem, ou não, iria deixar de as ter. Não sabia se ele as ia usar então foi uma surpresa muito agradável.

Além do John John, Michel, Filipe e Sally Fitzggibons, para que surfistas tens estado a fazer pranchas?
Ao longo dos anos tenho feito para vários, do WCT tenho feito pranchas para o Jadson André e Raoni Monteiro. Tenho uma excelente relação com o Ricardo Martins, shaper principal deles, e ele manda os team riders à minha fábrica quando vão ao Havai. Além disso tenho uma fábrica de pranchas na Austrália e o Jay “Bottle” Thompson que agora é team rider exclusivo. O também Nathan Hedge usa muitas pranchas Pyzel, além dos havaianos Kai Barger, Koa e Alex Smith, Mark Heally, Koa Rothman, Eli Olsen e o Nathan Florence, que voltou para o a equipa. O Frederico Morais também faz algumas pranchas comigo e o Tiago Pires está a fazer um pequeno quiver de 6 pranchas para as próximas etapas do WCT.

Por onde tens estado a shapear recentemente?
Estive na fábrica australiana durante o Quiksilver Pro, agora estou pela Polen e nos próximos meses vou estar em Bali, Japão e Chile.

Que pranchas tem o John John usado e quais são as principais diferenças para o que estava a usar num passado recente?
Ele tem usado muito a “Flash” nos últimos 3 anos, que é um modelo que temos refinado mas sem mudar a essência da prancha. Também tem usado a “Bastard” e foi nela que conseguiu a nota de 9.87 no round 1 do WCT de Margaret River. Outra prancha que ele gosta é a “Slab”, mas não a usa em competição.

Há alguma razão especifica para não a usar?
Sim, como é uma prancha muito pequena ele acha que os júris poderão não achar as manobras tão expressivas, que é algo que achamos que tem acontecido, pois ele tem um tipo de surf que faz as manobras parecem mais fáceis do que são.

Como tem sido a tua estadia no nossa país?
Estou a gostar muito, a temperatura está muito boa e tenho surfado um pouco na Cresmina (Praia ao lado do Guincho, perto da fábrica da Polen).

Para terminar, a outra vez que uma prancha tua venceu um WCT também estavas por cá, isso quer dizer que nos vais visitar mais vezes?
Sim, aqui estou rodeado de boa energia, foi bom acordar e ver que ele tinha ganho. A primeira coisa que vi foram algumas mensagens pelo skype a dar-me os parabéns, depois vi no site da ASP e no facebook também!

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