A WSL dos dias de hoje é uma entidade com um nível de organização muito elevado, mas no passado a ASP não tinha o mesmo controle sobre o tour, dando muitas vezes prioridade a interesses comerciais dos seus patrocinadores. O resultado era que muitas provas acabavam por se realizar não nas melhores épocas em termos de ondas, mas sim de publico.

Um bom exemplo eram as três provas do Championship Tour realizadas no verão em França, muitas delas com a praia cheia mas ondas muito pequenas. Fica a conhecer a história das 4 etapas do tour que não tiveram vencedores…

Quiksilver SurfMasters – Biarritz, França – 1992

No primeiro ano da divisão Championship Tour/Qualifying Series dois nomes da nova geração, Kelly Slater e Shane Herring, disputavam a pole position do circuito. Depois de um segundo e um primeiro lugar consecutivos de Slater nas outras provas francesas, Herring já começava a “derrapar” seriamente nesta disputa e em Biarritz voltou a perder terreno. As ondas estiveram muito pequenas ao longo dos dias de prova e Shane perdeu nos oitavos de final para Luke Egan enquanto que Slater parecia estar a caminho de mais um grande resultado quando as ondas desapareceram por completo e os 8 competidores ainda em prova foram obrigados a dividir pontos. No entanto esta disputa nem chegava ao Havai já que Slater garantiu o seu primeiro título mundial na penúltima etapa do ano, o Alternativa Surf International, realizada na Barra da Tijuca, Brasil.

KanaBeach Lacanau Pro – Lacanau, França – 1998

Esta prova começou com ondas incríveis mas a partir daí foi sempre a piorar. No terceiro dia as ondas já estavam tão pequenas que a prova avançou pouco e a partir do quarto dia de um período de total de apenas seis dias as ondas não voltaram a quebrar. Este foi o ano em que Kelly Slater esteve mais perto de perder o título mundial antes da sua primeira reforma, tendo passado o ano todo a correr atrás de Danny Wills e Mick Campbell. Os três estavam em prova nos oitavos de final, fase em que o campeonato parou, e a disputa manteve-se igual até à prova seguinte, quando Campbell passou para a frente com uma final no Brasil. Mas, claro, no final foi Slater que garantiu mais um título mundial, o seu 6º.

Figueira Pro – Figueira da Foz, Portugal – 2002

Depois de dois lay days a prova a avançou com dois dias de condições decentes. O round 3 já aconteceu em condições críticas no Molhe Norte, até ficar demasiado pequeno para avançar. Esta seria a última vez que uma prova do CT não terminava por falta de ondas e foi também a última vez que a Figueira da Foz efectivamente recebeu uma prova deste gabarito. No ano seguinte a Figueira ainda estava no calendário mas, devido aos atentados de 11 de Setembro, os surfistas norte-americanos optaram por não viajar para a Europa e a consequência de mais um ano desastroso para este evento foi ter desaparecido do tour, deixando o nosso país sem presença dos melhores surfistas do planeta até 2009.

J-Bay Open – Jeffreys Bay, África do Sul – 2015

Diversas provas ao longo dos anos foram temporariamente suspensas devido à presença de tubarões no line up mas em 2015, durante uma final entre Mick Fanning e Julian Wilson, o 3x campeão mundial parecia estar em vias de ser abocanhado por um enorme tubarão branco. Mick escapou sem qualquer ferimento mas era impossível voltar a meter a prova na água depois de tamanho susto. No entanto, para surpresa de muitos, o evento voltou no ano seguinte e justiça foi feita, Fanning venceu a prova.

Menção Honrosa
Drug Aware Pro – Margaret River, Austrália – 2018

Desta vez nenhum surfista do tour esteve em perigo de ser atacado mas, durante um lay day, dois free surfers foram atacados em praias próximas de Margaret. Optando, muito bem, por salvaguardar os competidores, a prova não avançou mais no Oeste da Austrália, sendo terminada uns meses mais tarde em Uluwatu, Bali, Indonésia.

 

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