Por alguma razão todos os surfistas têm um certo fascínio por piscinas de ondas, mesmo sabendo que ainda não se equiparam às ondas “verdadeiras”.

Um dos factores que mais impulsionou o sonho de surfar numa piscina e o desejo de criar ondas tão boas como as que se encontram no oceano é creditado filme dos anos 80, North Shore (em português, Desafio no Havai). Nele, um surfista do Arizona, Rick Cane, era o grande destaque do seu “tanque de ondas” e ao vencer uma prova decidiu tentar a sua sorte no Havai, onde começou uma surpreendente aventura. O filme foi um sucesso global e fez uma geração sonhar com a possibilidade de fazer surf sem ser no mar.

Mas mesmo antes do lançamento do filme já havia algumas piscinas com ondas e a ASP/WSL já tinha homologado eventos especiais. Até que em 1988, o Marui Wave Pool, uma etapa realizada numa piscina no Japão (e vencida por Damien Hardman) chegou mesmo a pontuar para o ranking.

O registo mais antigo que existe da criação de ondas pela mão do homem remonta ao século XIX, quando Ludwig II, da Bavaria, electrificou o lago à volta do seu castelo e assim criou ondas. Em 1927 surgiu a primeira piscina de ondas, em Budapeste, Hungria, que serviu como atracção turística e pouco mais de 10 anos depois foi criada uma onda semelhante em Londres.

Nos anos 90 e 00 surgiram vários parques de ondas novos, alguns com ondas surfáveis onde se destacam a Typhoon Lagoon na DisneyLand (EUA), a Sunway Lagoon na Malásia e, as mais recentes, Wadi Adventure em Abu Dhabi e a Siam Park nas Canárias.. A essas juntam-se ainda duas ondas mais antigas, a Big Surf no Arizona, que foi construída em 1969 e serviu de cenário e inspiração para o filme acima referido, e a Point Mallard Park, no Alabama, que também apareceu na mesma época. Ambas piscinas que ainda existem até aos dias de hoje e são regularmente referenciadas como tendo sido as primeiras.

Nos últimos 10 anos apareceram novos conceitos, entre os quais se destacam o de Greg Webber e a Kelly Slater Wave Company, mas a que parece estar a vingar é a “onda” basca, WaveGarden. O seu protótipo foi construído perto de San Sebastian e não está aberto ao público mas é visitado regularmente por alguns dos melhores surfistas do mundo. Apesar do ser usada principalmente como local de testes e ferramenta de marketing, a WaveGarden basca é neste momento a melhor piscina de ondas do mundo.

Entretanto abriu outra piscina construída com a esta tecnologia em Gales, a Snowdonia, que já esteve aberta ao público, já avariou e já reabriu novamente . Outras estão projectadas para o Texas, a Austrália, a Holanda, e havia mesmo rumores de se estar a tentar lançar uma em Portugal.

O futuro parece promissor para as piscinas de ondas e é possível que em breve apareçam um pouco por todo o mundo. Mas, até à data, nada do que se projectou supera um bom dia de ondas boas no oceano…

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