O julgamento de surf, como o de praticamente qualquer outro desporto, tem a sua dose subjectividade o que dá margem para discórdia. Em cada heat de 4 surfistas 2 passam e 2 perdem, tal como no man-on-man, um segue em frente e outro pode fazer as malas.

São muitos os casos em que não há dúvida sobre os resultados mas por uma questão de ego do próprio competidor, muitas vezes aliado a algum “bairrismo” dos amigos, treinadores e família, o “processo” é posto em causa.

No entanto há ocasiões (pontuais) em que fica muito difícil de aceitar o resultado devido à diferenciação entre a prestação dos competidores. Fica com uma selecção de mais 2 resultados “difíceis de engolir”.

Gabriel Medina VS Tanner Gudauskas – Round 3 do Hurley Pro at Trestles | 2016

Um heat depois de uma derrota que poderia ter custado o primeiro título a John John Florence, Gabriel Medina defrontava o wildcard Tanner Gudauskas, em mais uma grande batalha goofy vs goofy. Gudauskas surfou apenas 4 ondas, a mais baixa delas um 8.40. A contar ficou um par de notas de 8.67, ambas para a direita, uma com três manobras no lip antes da onda fechar e outra muito semelhante. Medina surfou 9 ondas, incluindo um 8.83 de backside cedo na bateria. No final o brasileiro precisava de 8.34 e encheu mais uma direita com um número absurdo de manobras explosivas para potencialmente quebrar a barreira dos 9 pontos mas… não! “Gabe” apenas recebeu 8.30 e depois Tanner igualou o seu melhor score, vencendo assim uma das baterias mais controversas de que há memória. Medina, depois desta prova, não voltou a entrar no ritmo que já o tinha levado ao título e Florence, poucas etapas mais tarde, sagrou-se campeão mundial.

 

 

Julian Wilson VS Jadson André – Round 3 do MEO Rip Curl Pro Portugal | 2016

Quando o MEO Rip Curl Pro Portugal saiu dos Supertubos pela primeira vez em vários anos, os melhores surfistas do planeta foram recompensados com esquerdas incríveis no Point Fabril. Atrás deles foram os milhares de fãs, que assistiram a dois dos melhores dias de prova de todo o ano. Um dos confrontos era Julian Wilson contra Jadson André, uma batalha em que o australiano era claro favorito. Mas “Jaddy”, um autêntico guerreiro do tour, abriu com uma onda muito bem surfada, com vários carves e batidas. Logo de seguida Julian respondeu também com uma onda bem surfada com o seu típico surf top to bottom, que lhe garantiu um generoso 8.50 contra o 7.67 do André. O brasileiro logo de seguida surfou mais uma onda até ao limite, recebendo uma nota de 7.23 e uma liderança que só perderia depois do heat acabar. Foi a menos de 20 segundos do fim que “Jules” apanhou a sua última onda, a precisar de uma nota de 6.7. Uma boa batida e um snap foi o que conseguiu antes da onda começar a fechar, mas Wilson ainda encaixou um pequeno floater e não seguiu da última subida ao lip. Jadson estava na areia quando percebeu que o seu adversário tinha feito o requisito por uma diferença de apenas 0.07, para sua desilusão e da maior parte dos que assistiram à bateria. JD no final do ano acabaria por sair do Championship Tour, mas foi temporário…

 

 

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