António Rodrigues fala sobre o seu percurso nas ondas grandes | Mini-Entrevista

publicado há 2 anos por 0

Numa época em que o surf em ondas grandes já é uma realidade em Portugal, começam a aparecer cada vez mais surfistas a desafiar os seus limites. Nomes como João Macedo, Alex Botelho, António Silva, Hugo Vau e Nicolau Von Rupp, entre outros, já são falados até fora das nossas fronteiras e começam a influenciar as novas gerações. António Rodrigues é, sem qualquer dúvida, o nome mais em evidência da geração seguinte e tudo indica que poderá vir a ser uma referência nessa “disciplina” no futuro. A ONFIRE fez-lhe algumas perguntas para saber mais sobre o seu percurso e objectivos…

Há quantos anos fazes surf e onde aprendeste?
Faço surf há mais ou menos quatro anos, desde os 12. Aprendi a surfar principalmente em Espinho e nas praias aqui do norte.

Quando apareceu o gosto pelas ondas grandes?

Acho que apareceu de uma maneira natural. Ia surfar sempre com o meu pai, que é o meu treinador até hoje, e ele queria era surfar ondas boas independentemente do tamanho. Quando chegava o inverno e o mar subia e eu tinha de entrar naquelas condições se não queria ficar só a ver! Por isso desde cedo me fui acostumando a surfar ondas um bocado maiores nas quais eu não estava tão à vontade, e fui reparando que me saía sempre melhor nesse tipo de condições! O que eu realmente gostava era de toda essa emoção e era também onde me sentia melhor, e assim foi crescendo o gosto por ondas maiores.

Quais são os picos bons para treinar/surfar ondas grandes no norte?

Aqui no norte de Portugal penso que o melhor, e que vai sendo mais consistente, é um pico chamado “Ilha de Salgueiros”, é um sítio que quando está demasiado grande em todas as praias, lá está sempre a dar altas ondas. Também há uns “secrets” mais a norte e na Galiza.

Além de surfares no Porto, onde costumas surfar?
Neste momento tenho surfado um pouco por todo o país, tenho ido tanto à Ericeira como Peniche e mesmo Nazaré. Mas como vivo no Porto nem sempre é muito fácil sair tantas vezes daqui, apesar de neste momento terem-me ajudado muito nisso, principalmente o meu pai que me incentiva e a maioria das vezes me leva a onde as melhores ondas estão e vai tentando que eu apanhe ondas boas mais frequentemente.

Onde surfaste a tua maior onda e que tamanho tinha?
Acho que as maiores ondas foram ou em Peniche na última sessão na Papôa, enquanto estava a decorrer o campeonato mundial, ou então dois dias a seguir na Nazaré! Não consigo ter a certeza qual a maior mas penso que foi numa destas duas sessões. O tamanho não sei ao certo mas provavelmente devia rondar os quatro metros e meio talvez cinco.

Como foi estar na água com alguns dos maiores nomes do surf em ondas grandes, portugueses e estrangeiros?
Foi uma sensação única, eu estava muito contente por poder estar dentro de água a surfar aquelas condições tanto com surfistas nacionais reconhecidos como João Macedo, António Silva, João Guedes e Nic Von Rupp, como também alguns nomes do surf internacional como por exemplo o Pedro Scooby e o Carlos Burle que me acompanharam ao longo desses dias, e ainda o Garrett McNamara, Peter Mel e John John Florence. Foi uma sessão difícil para mim, procurei aprender tudo o que podia com todos eles, uma sessão com mais wipeouts que ondas surfadas! Parti três leashes e uma prancha, mas penso que no geral foi muito positivo e gostei muito de estar presente. Nada disto era possível sem a ajuda da Jet Resgate que me tem ensinado muito do que eu sei hoje. Naquele dia em particular não falhou em pormenor nenhum no que toca a segurança dentro de água, estou-lhes muito agradecido.

E logo no dia seguinte seguiste para a Nazaré para uma sessão de tow-in convidado pelo Carlos Burle e Pedro Scooby, como surgiu este convite e como foi a experiência?
Estive no Brasil no Verão deste ano e foi aí que conheci o Carlos. Ficámos com o contacto dele pois sabíamos que ele quereria voltar a Portugal e principalmente à Nazaré esta temporada. Quando já tinha viagem marcada para Portugal convidou-nos parar o acompanhar durante a sua estadia em Portugal. E foi assim que começou, depois de passar uns dias com ele juntamente com o Pedro Scooby, vimos pela previsão do mar que a Nazaré podia dar boas ondas e fomos até lá. O mar tinha um certo tamanho e optamos por fazer tow in. Foi uma experiência óptima e muito positiva, apanhei altas ondas e gostei de estar ali, espero voltar lá mais vezes e surfar lá talvez com ondas um bocado maiores. Queria também agradecer ao Carlos e ao Pedro pelo convite e por tudo que me ensinaram durante esses dias.

Fala-nos de resultados…
Até agora tenho entrado nos campeonatos regionais aqui no norte e no campeonato nacional esperanças, já tive alguns resultados nos campeonatos regionais mas acho que nunca me destaquei muito pelo meu surf nos campeonatos. No ano passado entrei pela primeira vez no concurso Moche Winter Waves na categoria “Maior Onda”, no qual a minha onda foi a mais votada pelo público e acabei por ficar em quarto lugar no final, fiquei muito contente e acho que foi bom para iniciar este caminho que eu gostaria de seguir. Há pouco tempo também ganhei uma bolsa da EDP Mar Sem Fim, que me vai ajudar a atingir alguns objectivos que eu tenha e fiquei muito contente por poder representar a nova geração de surfistas de ondas grandes.

Soubemos que também praticas Jiu-jitsu há alguns anos, com alguns resultados relevantes, conta como consegues conciliar os 2 desportos e como se complementam…
Sim, é verdade, pratico Jiu-Jitsu há cinco anos. Comecei com o professor Marcão aqui no Porto e estou com ele desde aí. Já consegui ser campeão nacional mais do que uma vez, e o ano passado fiquei em terceiro lugar no campeonato Europeu. Por vezes não é muito fácil conciliar os dois, quando tenho de passar alguns dias fora de casa por qualquer coisa relacionada ao surf tenho de faltar a treinos e depois também há os estudos! Mas tenho conseguido e tem corrido bem até agora, até porque eu acho que o facto de praticar Jiu Jitsu me ajuda muito no surf, tanto fisicamente como psicologicamente, penso que me dá muita confiança e calma em momentos decisivos e põe-me com uma boa forma físico sem ter de fazer treinos físicos para isso.

Quais são os teus patrocínios e apoios?
Neste momento tenho a O’Neill, Gonzo´s, Shapers Fins, Academia 77 e Billysurfboards. E tenho de agradecer mais é ao meu pai que foi onde tudo começou, e também à Jet Resgate Portugal, ao Ramon e ao António Silva que me têm dado um apoio enorme e ajudam-me desde o início também. Agradeço também muito à O´Neill e ao resto dos meus patrocinadores que sem dúvida contribuem de uma forma muito positiva para que tudo seja possível.

E objectivos?
Divertir-me! surfar ondas boas, aumentar pouco a pouco os meus limites do que toca ao tamanho das ondas, estar sempre nas sessões boas de tow-in e remada e conseguir viajar ao máximo…gostar do que faço.

Comentários