A página do facebook criada pelos alunos de Zulmiro tinha sido um sucesso. Já ultrapassava os 1.000 seguidores e continuavam a pingar likes salgados e comentários com muita tinta. O pior é que no decorrer dos conteúdos postados, a ingenuidade dos administradores da página foi diminuindo. O intuito do lançamento deste tema tinha como propósito convencer o professor a participar numa sessão de free surf. Queriam vê-lo em acção, sem ser apenas no aplauso e no empurrão. Viam-no como um ídolo, como um lobo-do-mar, um homem de coragem! Mas surgiam comentários que contrariavam essa tese e eram quase todos proferidos por ex alunos. Paralelamente a comunidade de surfistas começou a questionar o nível de alguns instrutores e, de conversa em conversa, no tema corriqueiro do conheces este ou aquele, onde surfa e como surfa, chegava-se à conclusão que Zulmiro era uma farsa, um paraquedista no meio aquático. Havia um ou outro elogio ao seu nível de surf, mas deixem-me confessar-vos… tratava-se do próprio Zulmiro que tentava salvar a sua pele, criando perfis de falsos alunos.

Desistir era uma palavra que este artista não conhecia. Bem… desistira de aprender a surfar, mas não iria desistir de ser professor. Fez uma pesquisa de filmes de surf hollywoodescos e encontrou o Point Break (Ruptura explosiva). Identificou-se com Bodhi (personagem interpretada por Patrick Swayze), surfista e líder de um grupo que assaltava bancos para financiar o seu lifestyle. Zulmiro não assaltava bancos, limitava-se a assaltar a carteira dos seus alunos. Viu o filme vezes sem conta e apercebeu-se que o ator era substituído por duplos nas cenas dentro de água. Aí estava a solução! Era preciso encontrar um duplo e figurantes para substituir os seus alunos, de seguida contratar uma equipa de filmagens para produzir as imagens e depois era só divulgá-las de forma certeira nas redes sociais e na Associação de WaxNhurfers, onde tinha um amigo que era especialista no ensino de saltos acrobáticos em piscina a celebridades de revistas cor-de-rosa. Um contacto importante nos dias de hoje! Em simultâneo criava uma lista de espera para os seus alunos.

Uma espera eterna… pois nunca iriam ser premiados. Esses, só mesmo empurrados!

Para ler mais textos de João “Flecha” Meneses visita o seu blog “Caderneta de Mar”.

Sobre o Autor:
João “Flecha” Meneses| Com quase três décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma excelente colaboração com a ONFIRE.

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