Dias antes de arrancar para Anglet, França, para um etapa QS em que ficou em segundo lugar, Vasco Ribeiro disponibilizou algum tempo para falar com a ONFIRE sobre temas actuais, como a disputa pelo título nacional e a qualificação para o Championship Tour. O surfista de São João do Estoril atravessa uma fase muito forte da sua carreira e muito em breve poderá colocar-se numa boa posição no tour de qualificação. Fica a saber mais sobre prioridades e objectivos do ex-campeão mundial júnior…

Estás na liderança da disputa pelo título nacional, sabes o que precisas para te sagrares campeão?
Não faço ideia do que é preciso, sei que há várias pessoas que podem ganhar o título mas só eu, o Pedro Henrique e o “Zanguito” (João Kopke) dependemos apenas de nós próprios para sermos campeões.

Este ano poderá haver novamente uma separação entre campeão da Liga e campeão nacional. O que achas desta divisão? Achas que o título poderá perder visibilidade com esta divisão?
Acho bem haver esta divisão porque realmente o Gony (Zubizarreta) não é português e acho que não faz sentido ser campeão nacional apesar de estar a fazer um grande circuito. Já vai ser difícil passá-lo pois ele começou muito bem, mas acho bem pois o wildcard e as vantagens de ser campeão nacional fazem sentido ser para quem é português.

O que achaste do circuito até agora?
Achei que o circuito está cada vez melhor, com cada vez mais nível e os miúdos mais novos cada vez a dar mais cartas, portanto acho que é óptimo. É um óptimo treino, bom para manter o ritmo e treinarmos ao mesmo tempo, fazer simulações para o que realmente interessa, que são os QSs lá fora. Acho que até agora tem sido muito bom, a organização e a ANS têm feito um óptimo trabalho.

Como se enquadra esta disputa nas tuas prioridades neste momento?
Enquadra-se completamente em segundo plano, o meu objectivo principal é o QS, e qualificação para o Championship Tour. A Liga MEO está em segundo plano, é um treino para mim, quero muito não tanto o título nacional mas sim o wildcard para o CT de Peniche.

Tens já um resultado sólido no QS, como achas que estão as tuas hipóteses e conseguires a qualificação para o CT de 2019?
Acho que as minhas hipóteses estão muito boas. No início do ano lesionei-me e tive mais de dois meses parado, perdi imensos campeonatos e foi uma altura um bocado complicada. Mas ter conseguido voltar com um 9º lugar no Japão, de seguida fazer outro 9º num QS 10.000, em Ballito, foi óptimo. O US Open agora não me correu muito bem mas é um sítio onde, sinceramente, nunca vou com muitas expectativas. É uma onda horrível que eu não gosto nada mas acho as minhas hipóteses estão muito boas porque agora vêm os três campeonatos que eu adoro. Ao mudarem o QS 10.000 de Cascais para Ribeira D’Ihas, que é uma das ondas que eu melhor conheço, e com os dois últimos eventos no Havai acho que está tudo em aberto e vou lutar para lá chegar.

Sentes-te pronto para as ondas do Championship Tour?
Sinto-me muito mais pronto para as ondas do CT que as do QS, devido às ondas que temos em Portugal e à nossa base de treinos. São ondas muito mais parecidas com as ondas do CT que as do QS, mas primeiro temos que passar este teste, que é o QS, e depois de alcançar o objectivo logo pensamos nas ondas do CT.

Como tem sido o trabalho desenvolvido com o Tiago Pires e Zé Seabra nos últimos anos?
O trabalho com o Zé Seabra e com o Tiago Pires tem sido espectacular. Sinto que tenho evoluído muito a nível psicológico e competitivo. Eles abriram-me os olhos para algumas coisas e toda a experiência que eles têm, por tudo o que já passaram, por terem estado muitos anos no QS, muitos anos no CT, muitos anos a ver surf… Acho que tem sido uma grande mais-valia para mim e para o meu surf. O Tiago mais na vertente de manager e de mentor tem feito um excelente trabalho a tratar das minhas coisas todas. O Zé está um bocadinho mais no terreno, a trabalhar comigo diariamente na praia também tem sido espectacular nos campeonatos. E não só eles os dois, também há o Zé Carvalho, meu preparador físico, a nutricionista, Mónica, a minha osteopata… só tenho que agradecer a esta equipa pelo apoio.

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