O mar é de todos mas, infelizmente, muitos surfistas não sabem partilhar. O localismo é algo que infelizmente faz parte do surf mas nem sempre é tão negativo como o nome indica. Alguns (poucos) locais sabem ser equilibrados e manter um bom ambiente na água, mas o mais normal é um territorialismo abusivo e quase infantil. Em Portugal há diversos spots em que o localismo abusado é uma realidade, tal como em qualquer outro país com ondas. O North Shore do Havai é claramente a “mecca” do localismo mas há spots específicos pelo mundo onde os locais conseguem ser ainda piores. Fica com 3 das mais “localizadas” ondas de nível mundial.

Saint Leu – Ilha Reunião

A esquerda de Saint Leu é de longe a melhor onda da ilha Reunião e já foi uma das mais mediáticas do mundo. Grandes eventos, como os (já extintos) EPSA, Pro-Junior, QS e CTs foram realizados lá e muitos filmes de surf da era do VHS, como o Pump, da Billabong, o filme de assinatura de Rob Machado e muitos outros, tinham algumas das suas mais fortes secções nesse local. Até que os “nativos” começaram a tornar-se cada vez mais agressivos, agredindo e expulsando visitantes sem qualquer razão. No entanto até esses locais acabaram por ser expulsos do pico já que um mau planeamento local fez com que a ilha ficasse infestada de tubarões. Claro que ainda há quem ainda se “aventure” nas incríveis ondas de Saint Leu, mas quem manda no pico é mesmo a “mãe natureza” e quem surfa sabe que está constantemente em perigo de vida.

 

 

Lunada Bay – Califórnia

Um dos mais antigos e mais mediáticos casos de localismo de sempre. Situada numa zona considerada “abastada”, Palos Verdes, este pico, uma direita que é claramente inferior aos nossos Coxos, tem sido dominada por “meninos ricos” ao longo de gerações, numa tradição que aparentemente passou de pais para filhos. Quem não é local e tentar surfar neste pico corre o risco de ser insultado, agredido, dropinado e de ter os seus carros vandalizados. Durante décadas muitos californianos tentaram contornar esta situação com acções como manifestações e queixas crime e apesar de já ter havido detenções de alguns locais, a situação nunca se resolveu totalmente. Recentemente foi destruída uma construção que havia perto do pico, que servia de “clube” para os mauzões locais, mas nem por isso esta onda se tornou 100% acessível a todos os surfistas.

 

 

Tamarin Bay – Madagascar

A esquerda de Tamarin Bay pode não ser muito conhecida como outras, mas é claramente uma onda de nível mundial. Nos anos 70 a revista SURFER fez um artigo sobre este local, “The Forgotten Island of Santosha” e apesar não ter revelado o local não era difícil descobrir de onde se tratava. Mas Madagascar não é um destino tão vulgar como se seria de esperar e a onda nunca se tornou muito conhecida. Mesmo assim um grupo de locais extremamente agressivos fazem o que podem para espantar os poucos surfistas visitantes pela violência. Recentemente houve mais um caso de agressão mas, graças à social media, só contribuiu para que a onda ficasse mais conhecida.

 

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Comentários

Um comentário a “Três ondas de nível mundial que são “proibidas”…”

  1. Yo Momma diz:

    Conheço: Carcavelos, Guincho, São Pedro, Santo Amaro, Poça, Ribeira d’ilhas, Coxos, São Lourenço, Praia Grande, Praia Pequena, Leça da Palmeira, Matosinhos, e todos os sítios em Portugal em que há “locais” que se acham campeões de bairro e tentam dominar o pico como se fosse tudo deles. Ou todos os picos em Portugal (aparentemente de norte a sul) em que há tanta gente que é impossível surfar. É um pau de dois bicos pq se por um lado o localismo é uma estupidez quando levado ao extremo, por outro a quantidade de malta a surfar rouba a vontade toda a qualquer um…