O que têm a icónica marca de roupa norte americana, Ralph Lauren, e a icónica marca portuguesa de pranchas em comum? À primeira vista, além do estatuto (a primeira a nível global e a segunda a nível nacional no meio do surf), pouco.

No entanto, Ralph, o criador da marca, gosta da ideia de estender a sua gama a produtos de grande qualidade em edições limitadas. Inspirado pelos materiais usados no seu raríssimo McLaren F1 LM de 1996, Lauren já tinha criado alguns produtos de edição limitada mas em 2016/17 inspirou-se no interior de um Bugatti 57SC para desenvolver uma linha de desporto onde se incluía um capacete, skis, snowboards e claro, pranchas de surf!

Por sua vez a Polen Surfboards tem o hábito de produzir alguns dos melhores “foguetes de surf” do planeta por isso não foi de estranhar que a Ralph Lauren tenha recorrido à marca portuguesa (que já tinha desenvolvido pranchas para marcas como, por exemplo, a Mercedes-Benz).

A produção desta linha de pranchas, que segundo consta estará no mercado à venda por cerca 10.000 dólares, foi um dos projectos mais complexos que a Polen já abraçou e para saber mais detalhes a ONFIRE falou com Bernardo Sodre, o shaper que esteve por detrás deste “quebra cabeças”.

A Ralph Lauren olha sempre para o lado mais clássico e para este projecto instruiu-se sobre o que era realmente uma prancha de surf clássica. A madeira que eles queriam usar era a burl, juntamente com fibra de carbono, como se vê nos carros de corrida clássicos. No entanto não só nós nunca tínhamos usado a burl numa prancha de surf como, possivelmente, ninguém tinha.”

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A fibra carbono não foi grande desafio pois usamos muitas vezes mas a madeira foi extremamente difícil de usar. A burl, não é um tipo de madeira mas sim uma anomalia. A árvore tem que sofrer um determinado stress, seja por um movimento de terra ou uma pedra na frente, ela tem que fazer uma contorção no seu caule e essa torção faz com que as fibras se desalinhem lá dentro. É uma madeira muito rara porque não tem como se controlar esse stress, e muito cara.”

A burl é muito dura e pelo facto de não ter as fibras orientadas criou uma dificuldade enorme para manter a madeira lisa. A prancha não foi feita inteira do nose ao tail, pois dificilmente se encontram folhas de burl dessa dimensão, pelo que foram escolhidos 4 painéis que foram intercalados. Esta burl veio de Itália e era muito enrugada por isso foi um grande desafio deixa-la lisa de novo, num prazo muito curto. Foram noites e noites na fábrica, primeiro para descobrir um processo que deixasse ela flat o mais rápido possível e depois para conseguir juntar esses 4 painéis, fazer um desenho do burl e aplicar na prancha.”

O processo de aplicação na prancha foi dentro de um vacuum bag. Era laminada, inclusive com carbono, e depois eu cortava o outline, aplicava. O vacuum bag é uma bolsa de ar em que se insere a prancha lá dentro e ela sela e prensa de uma forma por igual. Essa fase do processo é muito rápida e a prancha fica praticamente pronta, mas não te permite qualquer margem de erro. Qualquer erro ali a prancha “já era”, não tem como voltar atrás.”

As pranchas, por requisito da Ralph Lauren, foram todas shapeadas à mão e eram todas iguais. Deu certo, foi um “aprendizado” enorme para mim e para a toda a equipa e ficaram super bonitas. A primeira demorou um mês a fazer e depois tivemos mais um mês para fazer mais 5 ou 6. Embora existisse um grande foco neste projecto em criar uma peça de arte, independentemente de ser folheada a ouro ou diamantes, teria de ser sempre uma prancha funcional, que desse para passar wax e levar para a água, apesar dos materiais e requisitos bem próprios da RL.

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