Paulo do Bairro é um nome que dispensa apresentações, mas nem por isso vamos deixar de “gabar” os seus feitos como surfista profissional. Durante mais de uma década este local de São João do Estoril esteve sempre perto do topo do ranking do surf português e em 2000 foi campeão nacional no competitivo circuito ANS (actual Liga MEO Surf). Também a nível europeu foi destaque, marcando presença no já extinto mas (na época) ultra competitivo circuito EPSA e sagrando-se ainda campeão Europeu da categoria Master e por selecções. Outro ponto forte de “do Bairro”, que entretanto se tornou residente da Ericeira, foi o surf em ondas pesadas, tendo sido inclusivamente um dos pioneiros do tow in no nosso país. Paulo sempre foi, e continua a ser, um dos destaques nas ondas tubulares dos Coxos e é lá que ainda o vemos com regularidade. Até que recentemente nos “cruzamos” novamente com o PB, num anúncio da cadeia de supermercados Lidl. Não podíamos deixar passar esta oportunidade de saber mais sobre a sua participação num anúncio de uma multinacional e aproveitamos também para meter a conversa em dia e saber o que um dos melhores surfistas de sempre do nosso país anda a fazer.

Acabamos de descobrir o segredo do teu sucesso competitivo ao longo dos anos (ser uma alface do Lidl)?
É verdade, está revelado o meu segredo, a força do alface!

Ao longo dos anos vimos diversos anúncios com a tua imagem, quase todos ligados ao surf. Como foste parar a uma campanha de uma multinacional como o Lidl?
Eu conhecia o realizador, era um amigo de infância (risos). Agora a sério, eles queriam um surfista que estivesse à vontade na mota de água e que tivesse as características físicas que eu tenho. Um ar mais sério, com alguma presença e foi assim, fiz um casting e fui escolhido!

Tens estado a esconder uma carreira de actor profissional que não saibamos?
Não, mas já fiz outros castings e há muitos anos participei num episódio piloto de uma série de televisão. Já não me lembro bem mas fazia parte de um gang de surfistas tipo black trunks e até tinha algumas falas, mas não deu em nada.

Como foi a experiência de filmar o anuncio?
Foi interessante, é sempre uma boa experiência mas é sempre um bocado cansativa, já que tens que fazer muitos takes, muitas repetições e envolve muitas horas. É preciso ter um certo estofo para fazer este tipo de coisas.

(Paulo do Bairro a ser uma alface nos tubos dos Coxos)

 

Desde que largaste o surf profissional temos ouvido falar menos de ti. Conta-nos o que tens feito…
Tenho estado a apreciar a vida de não ter o stress das competições. Tenho me dedicado ao coaching, que é uma área que tenho desenvolvido bastante e em que me tenho procurado educar e saber mais. Nunca fui uma pessoa de estar muito tempo parada, tenho me dedicado também à minha marca de pranchas, a Divine, que tenho desenvolvido bastante mas essencialmente tenho dedicado muito tempo à família, que é o mais importante. Continuo a estar um pouco activo no cenário competitivo, marcando algumas presenças pois gosto de acompanhar e perceber como tem sido o desenvolvimento, além de seguir online pois é uma coisa que ainda me está no sangue.

Que lugar ocupa o surf actualmente na tua vida?
Continua a ter um grande papel, nunca vou deixar de fazer surf, todo a minha vida está organizada para que eu possa fazer surf e coisas relacionada com o surf.

O que contribuiu a tua carreira como surfista profissional para o teu trabalho do dia a dia?
Contribuiu muito. A competição ajudou-me a perceber as diferentes fases da evolução do surfista, fez-me perceber que tens de ter uma mentalidade de superação e são tudo coisas que eu aplico no meu dia a dia. Tento passar um bocadinho dessas coisas que aprendi para a minha vida quotidiana. Posso dar um exemplo, na minha vida como surfista profissional sempre me tentei rodear por surfistas de nível superior a mim, ou que tivessem os mesmos objectivos e drive que eu, fui bem sucedido, rodeei-me de pessoas como o (José) Gregório e o Marcos Anastácio, que me ajudaram muito na minha carreira e tento fazer a mesma coisa como pai de família. Tento que os meus filhos estejam rodeados de bons exemplos, que contribuam para o desenvolvimento deles como seres humanos, e é essa ligação que faço entre o meio dia a dia actual e a minha vida competitiva.

 

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