Haverá algum surfista no Championship Tour que, a alguma altura da sua carreira, não tenha usado pranchas de Matt Biolos? Este carismático shaper da marca …Lost tem estado na vanguarda do shape há décadas e recentemente passou novamente pelo nosso país para acompanhar o crescimento do surf em Portugal e dar apoio à sua equipa numa das provas mais importantes do ano. A ONFIRE falou com ele para ficar a par das novidades deste que é o shaper de uma das maiores marcas de pranchas da actualidade…

Matt, o que te trouxe a Portugal?
Vim visitar a nova loja 58 na Ericeira, apoiar o nosso team que compete na prova QS 10.000, surfar um pouco e ver o mercado do surf aqui.

O que te pareceu até agora?
Acho que é um país que se vê que está a crescer, não vinha cá há 6 anos, as lojas estão a ficar maiores e há mais pessoas, mais turistas. Estou impressionado com a quantidade de iniciantes e de escolas de surf. Obviamente as ondas sempre estiveram cá e continuam a “bombar”. A comida é óptima, o tempo é óptimo, estamos a divertir-nos.

Fala-nos dos teus modelos mais recentes…
O nosso modelo mais recente, que estamos a fazer muito, é o “Driver 2.0”. A nossa equipa tem estado a adorar pois é uma das pranchas mais high performance do momento, baseada muito nas pranchas do Griffin (Colapinto), Kolohe (Andino), e ainda nas da Carissa Moore e o resto da equipa.

Que modelo dirias que funciona melhor numa onda como Ribeira D’Ilhas?
Num dia como hoje, em que o mar está grande, os surfistas estão a usar pranchas maiores, como a “Whiplash” com pin tail, e o Yago Dora usou o modelo “Sabo Taj” no seu heat e disse que adorou-o, apanhou umas bombas. Mais estreita, com round pin, pouco concave, uma prancha bastante neutra que tem boa remada e aguenta bem o tamanho das ondas.

Recentemente, numa entrevista à ONFIRE, o Taj Burrow comentou que tem estado a usar pranchas diferentes de quando estava no tour, quando precisava sempre de algo muito familiar e de confiança. O que anda a usar agora?
Agora o Taj está só a divertir-se. Pode surfar com pranchas diferentes em ondas diferentes, sem pressão. É bom porque ele está cá (em Portugal), e na festa na loja da 58 disse-me que tem adorado a “Retro Ripper”, que é uma tri fin ao estilo dos anos 90, com wings, deck mais flat e rails grossos. Diz que a levou numa viagem e fez boas fotos e vídeos com ela. Ele soltou-se um pouco, abriu a mente e surfa com o que é divertido, em vez de estar preocupado com pontos.

Há pouco tempo lançaste um modelo assimétrico. Como foi o feedback e que potencial vês nesse tipo de shapes?
Eu adoro pranchas assimétricas! Fiz a primeira em 1998 e tive uma das melhores pranchas da minha vida no ano 2000, que era um shape assimétrico que usei na Indonésia. No ano passado finalmente lançamos esse modelo em que temos estado a trabalhar há 3 ou 4 anos, chamado o “Maysym”, que é uma prancha para ondas pequenas, com pouca curvatura e um tail bem largo. Colocámos o round pin no calcanhar para ser mais fácil de controlar numa onda pequena, principalmente se for mais gorda e com secções. Acho que há um enorme potencial nos shapes assimétricos e acho que muitos surfistas profissionais podiam estar a usá-los. Na piscina de ondas de Leemore (Surf Ranch) acho que ia funcionar muito bem. A parte difícil é convencer os surfistas a tentar. Eu fiz uma para a Carissa mas ela não gostou o suficiente para usar na prova.

Quais são os teus principais patrocinados e o que estão a usar mais?
Os meus principais são surfistas como Kolohe Andino, que está a usar várias versões da “Driver”. A Carissa Moore é a nossa surfista mais bem classificada no tour feminino e usa a “Driver 2.0”, enquanto que o Griffin Colapinto usa o mesmo modelo, o Yago e o Joan Duru andam entre as “Pocket Rocket” e as “Driver 2.0” e todos usam “Whiplash” e “Sabo Taj” quando o mar sobe.

O que achas que está para vir no mundo do shape? Ainda há espaço para algo revolucionário?
As mudanças vão ser muito pequenas, pequenos refinamentos mas se olhares para uma prancha de há 2 ou 3 anos atrás, já começam a parecer diferentes. As pranchas vão sempre evoluir mas não vejo mudanças radicais como quando foi das pranchas grandes para as shortboards, ou de twin fins para thrusters.

 

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