Arran Strong é um dos surfistas que mais tem evoluído em Portugal nos últimos anos. O seu surf de linhas bonitas e manobras progressivas tem dado que falar mas é nas ondas mais pesadas que realmente se tem destacado. Fica a conhecer melhor Arran “The Strong Man”…

Conta-nos um pouco de teu percurso?
Nasci e vivi em Cádis, Espanha, até aos 9 anos e depois mudei-me para Portugal com a minha mãe para continuar a minha carreira de surf e estudos.

O surf foi o primeiro desporto a que te dedicaste a sério?
Desde a minha infância tive uma conexão incrível com o mar, sempre gostei bastante de fazer surf e skate. Houve uma altura em que estava indeciso entre os dois, mas acabei por pôr sempre mais energia e competitividade na água.

Sabemos que tens uma doença rara. Podes contar o que é, quais são os problemas que te causa ou pode causar e como descobriste que tinhas?
Pouco menos de um mês depois de ter nascido fui analisado pelos médicos que detetaram uma interrupção no meu estômago. Tive que adotar desde cedo uma dieta específica, medicamentos para o fígado e estilo de vida especifico pois esta doença pode afetar tanto o fígado como o sistema respiratório. Alpha-1 é uma proteína que se produz para proteger o fígado, basicamente eu sofro de uma insuficiência de reprodução dessa proteína, que faz com que o meu fígado não trabalhe como o de uma pessoa normal.

Além de fazeres surf, também competes em triatlos, é mais uma componente para evoluíres como surfista ou é algo que gostas de fazer pelo desporto em si?
Sempre gostei de desportos extremos, mas o que me levou a participar num 70.3 Iron Man foi devido a um ataque de epilepsia que me deixou fora da água durante 7 meses. Durante este tempo decidi comprometer-me a esta prova, treinando as três disciplinas, natação, bicicleta e corrida, todos os dias para me superar e ter um objetivo definido. Acho que também me abriu uma nova perspectiva para extrair os benefícios do triatlo para o surf e analisar quais seriam maneiras de fazer essa conexão.

Quem são as tuas influências no surf?
Sempre tive a visão de surfar como Kelly Slater, Andy Irons e Julian Wilson. Quando vim para Ericeira, conheci atletas de elite que seguiam o tour, como Marlon Lipke, Gony Zubizarreta e Tiago Pires.

Conta como foi a sessão recente nos Coxos onde foste um dos destaques num dia perfeito e pesado…
Este Inverno acabei por partir as minhas guns e já estava e com poucas pranchas para este swell. Entrei duas vezes com uma 6’0” Happy que estava no pé e aguentei bastante bem nestas condições. Acompanhado pelo Tiago Oliveira, uma grande inspiração nestes dias, consegui apanhar umas das últimas bombas do dia. O que me motivou mais foi quando vi os jets skis a chegarem a Cave, e pensar “Eles vão apanhar umas bombas?”, eu também quero, hahahah, siga. Sem dúvida que o Lucas Silveira também esteve em topo de forma neste dia.

Já estiveste no Havai, como foi a adaptação a ondas tão poderosas?
Em 2019 acabei o Iron Man, e senti que não podia estar de melhor forma interior e fisicamente. Para acabar este ano decidi fazer uma segunda temporada, que talvez foi a melhor viagem até agora. Senti-me bastante preparado para aguentar condições pesadas e logo segundo dia tive uma experiência incrível em Waimea.

Tens outra actividade profissional além do surf?
Já estou certificado com o Grau 1 de treinador de surf. Sou embaixador de uma plataforma digital de saúde Happyair Community, criada pela Fundação Lovexair. E o ano passado abri uma empresa junto com a minha mãe Live.Breathe.Smiles, com bastantes projetos pela frente.

Como estás de patrocínios e quais são os teus objetivos?
Este filme, “The Strong Man”, foi criado não só para mostrar as barreiras que ultrapassei e continuei a seguir o meu sonho, mas também para atrair apoio para continuar a lutar para alcançar os meus objetivos. Estou a tentar Jogos Olímpicos de Surf em 2024 e qualificar para o Top 10 de Europa na liga WSL. Mas o meu objetivo principal é continuar a ser feliz a competir e confiar no processo todos os dias!

 

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