Antes de ser um dos melhores shapers do mundo, Jason Stevenson fez um percurso normal como qualquer outro surfista australiano. Tendo crescido em North Stradbroke Island, uma pequena ilha na Austrália conhecida por ter sido o “berço” de alguns dos melhores surfistas do mundo, como Bede Durbdige e Ethan Ewing, eventualmente Jason mudou-se para a Gold Coast, onde se baseia grande parte da indústria do surf. Algumas décadas mais tarde tornou-se num dos líderes do competitivo “mundo” do shape, com direito a uma das melhores equipas de patrocinados da actualidade. Jason esteve recentemente na Europa e, a convite da Despomar, desceu até Portugal para fazer uma sessão de Live Shapping na loja 58 Surf da Ericeira. No meio de muita solicitação do público e media, a ONFIRE falou com JS para ficar a conhecer um pouco do seu percurso e algumas novidades…

Como tudo começou para si como shaper?
No shape foi aos 23 anos, quando fui para a Gold Coast e comecei a trabalhar numa fábrica de pranchas. Murrey Bourton, da Pipe Dreams, fazia as minhas pranchas e comecei trabalhar para ele. Ao fim de um ano a trabalhar na fábrica peguei nuns blocos que haviam para ali e numa plaina e comecei a shapear. Comecei por ajudar a debastar um pouco os blocos para o Darren Handley e depois a fazer a curvatura e a cortar as pranchas dele e de outros, fui o ghost shaper dele por cerca de cinco anos até que comecei a fazer as minhas. Ele fazia pranchas para muitos dos talentos australianos e eu também comecei a fazer algumas para eles. O Dean Morrison foi o meu primeiro patrocinado. Ele usava pranchas da marca Nev, depois do Darren, e depois começou a pedir-me pranchas e gostou delas.

Como foi evolução do trabalho o Dean?
Quando comecei a minha marca, a JS Surfboards, ele veio comigo e qualificou-se para o Championship Tour a surfar com as minhas pranchas. Depois veio o Luke Egan, que vinha de uma disputa pelo título com o Andy Irons. Ele veio ter comigo para fazer umas pranchas e ficou na equipa. E da parte dele vieram surfistas como Andy Irons, Sunny Garcia, Occy e outros.

Fala-nos da equipa agora, quem são os principais patrocinados?
É uma equipa grande, temos o Julian Wilson, Adrian Buchan, Frederico Morais, Jeremy Flores, Ryan Callinan, Mikey Wright, Mateus Herdy, Sally Fitzgibbons e provavelmente estou a esquecer-me de alguns (risos). (Nota, esqueceu-se de Joel Parkinson, Occy, Hiroto Ohhara, Dusty Payne, entre outros)

Qual deles te dá o melhor feedback?
São todos muito bons. O Frederico e o Ryan, como trabalham com o Richard “Dog” Marsh dão-me muito feedback, a Sally também é muito boa, e o Julian… quase todos dão. Até o Mateus Herdy, que vive do outro lado do mundo, manda mensagens de voz muito detalhadas a falar sobre as pranchas.

Muitos deles estão a competir no CT, uns com os outros, é difícil lidar com a competitividade entre eles?
Às vezes é complicado, os patrocinados que agora competem entre eles sempre foram meus patrocinados. Eles não aceitariam que eu fizesse pranchas para alguém novo que estivesse a disputar títulos eles. Não se importam com os que já são da equipa, mas novos não. Com o Mateus Herdy não houve problema pois ele ainda é um grom, só se vão preocupar com ele quando chegar ao CT.

Sabemos que o Andy Irons era um surfista complicado como patrocinado, como foi trabalhar com ele?
O Andy era o pior (risos). Eu conto muitas vezes a história do dia em que fui surfar com ele e o Joel Parkinson num dia perfeito em Greenmount e tinha feito uma prancha muito boa para mim. Ele quis experimentar e ficou com ela (risos). Ele era incrível mas achava que as pranchas dos outros eram sempre as melhores. Estava a disputar títulos mundiais, queria o melhor. Queria ser o melhor e queria ter as melhores pranchas. Ele era o surfista favorito de todos nós, e era o nosso ser humano favorito também. Era muito boa pessoa.

Como começou a ligação com o Frederico Morais? Ele testou muitas pranchas e muitas marcas até ficar a surfar exclusivamente de JS…
Já lá vão alguns anos. Não me lembro exactamente como começou a nossa ligação mas por ser da Billabong e provavelmente através do Joel ou do pessoal na Billabong. As primeiras pranchas que fiz para ele eram cópias das pranchas favoritas do Joel Parkinson. Eles têm algumas semelhanças, a estatura, o surf de rail, e o trabalho com ele correu bem desde o início.

Como é a sua prancha do dia a dia?
Ele é um bocado diferente da maior parte dos team riders, ele usa muito o modelo “Forget Me Not 2”, que muitos surfam em ondas boas, mas a prancha funciona em todas as condições e o quiver dele é quase todo baseado nesse modelo. Se for para um campeonato no Japão, ou algum campeonato em que o mar está muito pequeno, usa uma “Monsta Box” em epoxy, ou a “Black Box”. No CT, onde a maior parte das ondas são muito boas, ele usa a “Forget Me Not 2”.

Quais são os modelos mais recentes, ou que estão a ter mais sucesso nesta altura, os best sellers?
O nosso best seller a nível mundial é a “Monster Box”. Eu acho que as suas dimensões servem para a maior parte das pessoas, e é uma prancha fácil de surfar, de 2 a 6 pés. É de longe a prancha que mais sai. E a nossa tecnologia, a HYFI, tem tido um sucesso incrível. Quando a comecei a desenvolver fiz a minha primeira e achei muito boa logo. A maior parte das pessoas não gostam de epoxy porque acham que, se estiver vento, ou aos saltos, não são boas. Mas a nossa tecnologia EPS está preparada para todas as condições. Estive agora em Fiji e estavam a surfar com elas em Cloudbreak de 6 a 8 pés, o que me surpreendeu. Não seria o que eu escolheria para surfar mas eles estavam lá e diziam-me que era as melhores pranchas que já usaram.

O que poderá estar para vir no mundo do shape? Já foi tudo feito? Será mais uma questão de aperfeiçoar o que já há ou ainda há espaço para grandes mudanças?
Eu tenho uma equipa de surfistas de alto nível, no CT, e colocando numa perspectiva de pranchas como se fossem carros, temos carros tipo formula 1 para esses surfistas, o Ferrari das pranchas, que é o que fazemos. Isso é uma direcção, mas quero que a marca faça também pranchas muito boas para o surfista “normal”. Algo fácil de surfar, que o surfista normal, que tem um trabalho, tem família, surfa menos vezes, eu quero fazer a prancha perfeita para esse surfista, além das pranchas F1 que já fazemos.

Para terminar, o que achou do nosso país?
É incrível. Tem sido muito divertido. Hoje foi a primeira vez na Ericeira. No outro dia fui a Peniche, vi Supertubos, que estava flat mas nunca tinha tido o privilégio de vir cá antes. Um dos meus principais patrocinados (Frederico Morais) vive cá e há o CT mas nunca tinha vindo cá. Desde que cheguei surfei todos os dias sozinho, sem ninguém na água, há tantos sítios para ir, tem sido muito bom!

 

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