Francisco Alves fala sobre o regresso ao QS | Mini-Entrevista

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Depois de uma promissora carreira competitiva nas categorias júnior, Francisco Alves mudou o seu rumo em 2015, tornando-se free surfer. Até recentemente esse foi o seu percurso mas, para 2017, o surfista da Caparica regressa às origens e prepara-se para voltar ao mundo da competição, onde já teve muito sucesso. A ONFIRE falou um pouco com este carismático surfista para ficar a saber todas as novidades.

Francisco, sabemos que, depois de dois anos praticamente sem competir, estás a pensar em fazer um regresso ao circuito mundial. Conta-nos o teu mindset
É verdade, eu tenho sentido imensa falta de competir. Acho que é uma componente muito forte na carreira de um atleta e nos últimos dois anos tinha decidido não competir. O facto de ver o Kikas a alcançar objectivos tão altos também nos faz acreditar e este ano e o próximo quero me dedicar a 100% aos QS e provar que faço parte desta geração que está entre os melhores.

Que provas vais fazer?
Eu não tenho seeding, por isso vou fazer tudo o que sejam etapas de 1.000 e 1.500 pontos na Europa. Vou começar o ano na Costa da Caparica, em Abril, e depois provas em Anglet, Coruna, Zarautz, Lacanau, Santa Cruz e Casablanca para tentar ganhar pontos para competir nas etapa 6.000 em Florianópolis e Açores. O objectivo é escalar um bocado o ranking para conseguir fazer essas etapas e passar para as 10.000. Sei que está ao meu alcance, se me focar, portanto quero alcançar pelo menos essa meta no final do ano.

Sentes-te física e psicologicamente preparado para enfrentar as condições, muitas vezes fracas, dos QSs mais pequenos?
Sinto, acho que já competi anos suficientes e ganhei experiência suficiente para perceber que o surf é um trabalho espetacular e temos de aproveitar o facto de podermos fazer aquilo que mais gostamos sejam quais forem as condições. Demorei um pouco a perceber isso mas acho que faz parte do crescimento de um atleta. Hoje em dia estou muito grato por ser surfista profissional e por ter tudo o que já tive, e tenho, e por ter viajado para os sítios que viajei.

A Liga MOCHE é um circuito onde mantiveste a tua presença, continua a fazer parte dos planos?
Sim, até porque como não vou estar a fazer as provas mais importantes do QS posso continuar a competir no circuito, pois as etapas não coincidem. É um sítio bom para treinar, o nível é altíssimo, o campeonato é muito bem organizado e tem o sistema man-on-man. É um circuito que adoro fazer. No meu melhor ano lesionei-me a meio e mesmo assim acabei em 3º ou 4º. Sinto falta de estar a lutar pelos lugares cimeiros da Liga MOCHE.

O título da Liga é um objectivo para 2017?
Sem dúvida, se treinar e se me focar, está ao meu alcance. Ter um título nacional é algo que gostaria muito de ter e vou treinar para isso.

Como está a ser a tua preparação para este regresso à competição?
A minha preparação neste momento passa por treinar no ginásio os 5 dias da semana. Estou a fazer aulas de cycling, que são incríveis porque é em grupos grandes e é bom ver pessoas bem mais velhas que eu, cada um com o seu próprio objectivo a dar tudo por tudo naquela hora e um quarto. Estou a adorar estar a fazer aquilo e às terças e quintas estou a fazer piscina e treino funcional, para complementar com a bicicleta, mas onde me estou a focar mais é no cardio.

Falando de equipamento, estás a trabalhar num quiver especifico para o tipo de ondas que vais encontrar no QS?
Neste último ano tenho vindo a desenvolver um trabalho muito bom com a Torq Surfboards e estou a adorar as pranchas. Sinto-me confiante para apanhar qualquer tipo de condições pois sinto que retiro delas a performance que procuro, e em Abril já vou ter o quiver 100% preparado para este desafio.

Este fim de Inverno vais estar mais à procura de ondas perfeitas na Ericeira e Peniche ou vais procurar ondas mais parecidas às do QS, que muitas vezes são pequenas e moles?
Sem dúvida que o nosso Inverno dá ondas melhores que no resto da Europa mas este ano quero me focar em surfar esse tipo de ondas, parecidas às dos campeonatos, lá vou ter que surfar o que estiver à frente e quero estar preparado!

(O filme “There’s Always Tomorrow” foi um dos grandes projectos de Francisco Alves durante a sua “reforma” da campetição)

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