Foi durante o Maui And Sons Pichilemu Women’s Pro, uma prova do circuito de qualificação feminino da WSL que conta para o ranking de 2020, que Camilla Kemp, que até aí foi uma das melhores representantes do nosso país no circuito mundial, passou a representar o país de origem da sua mãe, a Alemanha.

Não são invulgares as mudanças de nacionalidade no nosso desporto e o nosso país já usufruiu de grandes resultados da parte de atletas que nos passaram a representar. Entre eles destacam-se surfistas como Guga Gouveia, Justin Mujica, Eduardo Fernandes e Pedro e Carol Henrique, entre outros, que nasceram e cresceram como surfistas em outros países e eventualmente mudaram-se para o nosso país e passaram a representar Portugal. Há também os exemplos de Marlon Lipke e Nicolau Von Rupp, que cresceram em Portugal e representaram a Alemanha durante uma parte das suas carreiras, até assumirem a nacionalidade portuguesa mais tarde.

Já Camilla enquadra-se numa tendência mais recente, a mesma de surfistas como Tatiana Weston-Webb, Mahina Maeda e Brisa Hennessey, três competidoras de destaque do Havai que passaram a competir sob as nacionalidades brasileira, japonesa e costa-riquenha respectivamente, dos seus pais, nesses casos devido às suas ambições olímpicas.

Kemp comunicou via instagram esta mudança com o seguinte post: “A minha temporada está a começar! Excitada de anunciar que o QS aqui do Chile vai ser o primeiro onde estarei a representar a Alemanha. Muito agradecida pelo apoio dos meus patrocinadores com esta decisão. Novas oportunidades e desafios estão a caminho para esta nova jornada!

Entretanto, em entrevista à ONFIRE, Camilla detalhou um pouco mais as suas razões: “Surgiu uma proposta muito boa da selecção alemã. Eles estão a apoiar bastante os atletas. Oferecem uma estrutura muito boa agora que o Surf é um desporto olímpico e eu estou numa fase da minha carreira que isto faz toda a diferença nos campeonatos internacionais.

Ainda estou no início deste processo mas quis representar a Alemanha no QS do Chile porque este campeonato já conta para o ranking de 2020, mas espero e acho que podem surgir novas parcerias. Os meus patrocinadores apoiaram me a 100% e isto deu me bastante confiança de que estava a tomar a decisão certa para a minha carreira. O mercado alemão é grande e eu espero poder representar bem os meus patrocinadores agora também na Alemanha.

Queria agradecer a todo apoio e as mensagens bonitas que tenho recebido de muita gente! Foi uma decisão difícil porque eu adoro Portugal e foi onde comecei a minha carreira mas espero que 2020 seja um ano cheio de oportunidades novas!”

A sua mudança representa uma perda para o surf português mas é uma decisão que seguramente foi bem ponderada e é correcta para o seu percurso. A carreira de surfista profissional nos dias de hoje oferece cada vez menos oportunidades, especialmente no surf feminino, e o facto de ter esta optado por esta direcção seguramente lhe irá proporcionar condições de continuar a perseguir os seus objectivos.

 

Comentários

Os comentários estão fechados.