O que torna uma pintura icónica? Será a criatividade do gráfico ou o impacto do surfista? Ou uma conjugação de ambas? Fica a conhecer algumas das mais marcantes pinturas de pranchas de surf (aka airbrush) dos anos 80 e 90…

O traço de Tom Carroll vem desde os seus dias de grom, quando surfava com as pranchas australianas Aloha. Eventualmente Carroll passou para a marca Byrne, onde esteve durante quase toda a sua carreira (excepto no Havai, onde usava pranchas shapeadas por Pat Rawson) e a pintura foi sendo ligeiramente melhorada com o passar dos anos. Consiste num traço no lado de cima da prancha, que começa no tail, atravessa a prancha quase toda e um pouco antes do nose faz um desvio para fora do rail. Havia versões em prancha branca com traço colorido mas a que realmente marcou era cor de rosa com o traço a branco, pintura que estava na sua prancha quando fez o famoso snap em Pipeline. Mais tarde Tom usou uma versão da mesma pintura na seu modelo Surf Tech e ainda hoje se vê algumas adaptações da mesma mas, seja qual for a versão, lembra sempre o 2x campeão mundial.

 

 

Martin Potter tinha duas pinturas icónicas que o acompanharam ao longo da sua carreira. Uma delas é talvez a pintura mais copiada de sempre, surgindo em pranchas de stock um pouco por todo o mundo. Esse airbrush ocupava ambos os rails do deck da prancha, com uma espécie de efeito de raios (há quem considere que são ondas) em alguns locais. A outra era uma pintura verde, por fora, com recortes amarelos e há bem pouco tempo foi copiada, em estilo de tributo, por Kolohe Andino que entretanto surgiu com ela na capa de uma revista Stab. Estas pinturas foram resgatadas por Potter e Nuno Matta quando relançaram a marca “Pottz” a partir de Portugal  e todos os modelos Pottz Surfboards têm uma das suas duas pinturas épicas. (Podes saber mais sobre esta marca produzida no nosso país AQUI!)

 

 

Tom Curren usou com regularidade uma pintura que, apesar de não ser original, ficou conhecida a nível mundial como “Black Beauty”. O californiano usava também uma versão vermelha mas foi quando surgiu em Bells Beach, em 1985, com a versão preta deste design e fez um dos melhores heats da história do surf, contra Mark Occhilipo, que a pintura ficou imortalizada para sempre. É uma pintura muito vulgar ainda nos dias de hoje e o modelo com o mesmo nome da Channel Islands tornou-se num best seller da marca.

 

 

O power surfer australiano Matt Hoy teve várias pinturas “sólidas”, mas nenhuma tão icónica como a cruz que ocupava a prancha praticamente toda. A versão mais conhecida era preta, uma cor invulgar em pranchas de surf. Apesar de ser bastante reconhecível, não se vê com regularidade esta pintura no line up. Auando se vê, não se esquece, como foi no caso de Gony Zubizarreta que há um par de anos fez um tributo a Hoy numa prancha Semente que se tornou bastante mediática.

 

 

O bad boy do North Shore, Johnny Boy Gomes, tinha uma das pinturas mais expressivas da sua época. Tons avermelhados do tail até mais de metade da prancha, passando para amarelo (ou verde) com uma divisão bastante acentuada. Conta a lenda que quem imitasse a pintura teria de ser “casca grossa” dentro e fora de água. Um dos poucos que tentou foi Makua Rothman, que fez vários quivers com a pintura de JBG, com algumas variações de cores, e Ezekiel Lau. Actualmente Johnny já não representa muito no meio do surf mas o seu airbrush continua a ser um dos mais memoráveis.

 

 

Quando Rob Machado se tornou um dos grandes nomes do surf mundial, ao lado de outras grandes estrelas como Kelly Slater e Shane Dorian, usava uma pintura bastante simples mas altamente reconhecível nas suas Channels Islands. Dois arcos verdes saídos de cada um dos rails foram o suficiente para fazer das suas pranchas entre as mais reconhecíveis da sua geração, provando que por vezes a qualidade dos surfistas pode ser mais importante que a “arte”. Rob deixou de usar a pintura ao fim de alguns anos, passando para os dégradées, algo que também foi bastante copiado um pouco por todo o mundo.

 

 

Na verdade as pranchas mais marcantes de Kelly Slater não tinham pintura, apenas uma tira de carbono de ponta a ponta da prancha de ambos os lados. Eram assim as pranchas de Kelly durante os seus 2 ou 3 primeiros anos no tour, altura em que se começou a destacar a caminho do estatuto de GOAT (greatest of all time). Esse design vendeu quilómetros de carbono um pouco por todo o planeta no início dos anos 90 e quando deixou de o usar Slater começou a pintar uma espécie de “pin up girls”, versão meio tosca, desenhada pelo próprio até que praticamente deixou de pintar as suas pranchas.

 

 

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