Ítalo Ferreira ocupa a 6º posição do ranking da WSL, o que o coloca na disputa pelo título mundial de 2019. Curiosamente, se o tour acabasse agora, Ferreira estaria fora dos jogos olímpicos de 2020, um objectivo que todos os competidores do Championship Tour têm neste momento. Isto porque só estão disponíveis duas vagas por nação e dois conterrâneos seus estão à frente, Filipe Toledo e Gabriel Medina, 1º e 4º do ranking. No entanto, com 4 etapas pela frente, tudo pode mudar e Ítalo ainda pode superar um ou dois dos seus concorrentes nesta disputa.

Para estar apto a disputar a vaga nos jogos olímpicos, Ítalo tinha que participar no ISA World Surfing Games que está a decorrer no Japão, algo que esteve muito perto de não acontecer. Foi uma autêntica odisseia, o percurso de Ferreira para este evento, tendo chegado a apenas 9 minutos do fim da sua bateria, o que não o impediu de a vencer mesmo surfando apenas 3 ondas. No seu instagram, Ítalo Ferreira contou a quase inacreditável história do seu percurso até ao Japão…

Se você tiver um minuto, leia o texto abaixo e reflita comigo sobre tudo o que aconteceu nos últimos dias. Você pode transformar essa história em algo positivo pra sua vida.

Fui roubado 4 dias atrás, nos Estados Unidos. Na minha mochila, que eles levaram, tinha alguns pertences pessoais e o documento mais importante para uma pessoa que está viajando e nem sabe falar perfeitamente a língua local: o passaporte. Este era eu. Sem saber pra onde ir, sendo que no mesmo dia eu tinha um voo marcado para o Japão, para competir em um evento mundial essencial na busca por uma vaga nas olimpíadas de 2020, em Tokyo.

No dia seguinte ao roubo, tive ajuda de algumas pessoas do Brasil, Estados Unidos e até mesmo do Japão. Tentaram me ajudar com um passaporte novo, um visto japonês e o mais difícil: o visto americano. Todas as informações diziam que o melhor era eu sair dos Estados Unidos para refazer tudo (marcar horário, agendar entrevista, etc) no consulado americano. Então saí dos Estados Unidos no dia 08 de setembro e embarquei para Tokyo, com entrevista marcada para o dia seguinte, 09.
Parecia tudo normal, mas MEU VOO ATRASOU POR CAUSA DE UM FURACÃO – inclusive, fiquei 18 horas dentro do avião. Ou seja, eu não teria como chegar a tempo para a entrevista no consulado no Japão. Então remarquei para as 8:30 do dia 10 de setembro, primeiro dia da competição, sem ter certeza de que o visto seria aprovado.

Eu estava confiante e feliz, mesmo depois de tudo, só por ter chegado até o Japão. O visto foi aprovado, deixei meu passaporte no consulado americano e comecei mais uma missão. Fui correndo para o Aeroporto de Tókio em busca do primeiro voo para a cidade onde eu iria competir. Minha bateria era a 6ª do Round 1, mas o evento atrasou 1 hora e isso me deu uma pequena chance de chegar a “tempo”. Quando pousei no aeroporto, saí correndo: larguei as malas e fui direto para o carro do comitê brasileiro que estava a minha espera. Minha bateria já tinha começado e demoramos 10 minutos do aeroporto até a praia.

Chegando ao palanque, faltavam 9 minutos pra acabar a minha bateria. Entrei na água com a última prioridade, prancha emprestada e precisando de uma combinação de 12 pontos pra avançar. Tudo até ali estava dando “CERTO”, porque eu “só” precisava de surfar e fazer o que eu mais amo em um tempo curto.

Analisando bem, tinha tudo pra dar errado com tanta coisa acontecendo, mas sempre tive a esperança até ao final. Isso pra mim foi uma história de superação, mesmo sendo um campeonato que não “vale” pra classificação das olimpíadas, pelo fato de eu estar buscando a minha classificação pelo ranking WSL. Eu tinha que estar no Japão senão perdia a minha a chance e poderia me tornar ilegível à vaga.

Eu amo o surf e dou o meu melhor para apresentar uma boa performance dentro d’água e mesmo nos momentos mais difíceis eu busco forças em Deus e vou pra cima.

Tem MUITA coisa pra rolar até lá, mass, pra mim, chegar até aqui já foi uma vitória.

Então se tiver um problema na sua vida, NÃO DESISTA. ACREDITE! No final vai dar tudo certo, basta acreditar que é possível.

 

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