A temporada de 2018 da WSL está a chegar ao fim mas ainda há muito por decidir. Nos próximos dois dias ficarão definidos a grande maioria dos novos nomes do Championship Tour via QS, uma disputa onde ainda há um português a lutar pelo seu lugar na elite do surf mundial, Vasco Ribeiro.

Depois segue-se o Billabong Pipe Masters, outro evento com um português, Frederico Morais, na disputa para se manter no tour. Nessa mesma prova será ainda decidido o título mundial, uma disputa que está entre Gabriel Medina, Filipe Toledo e Julian Wilson. Todas estas “batalhas” dependem apenas dos próprios surfistas e das ondas mas, no final, a World Surf League terá possivelmente nas mãos uma das decisões mais difíceis e potencialmente polémicas dos últimos anos, a atribuição dos season wildcards

Os três nomes em contenção para as duas vagas disponíveis são John John Florence, Kelly Slater e Caio Ibelli e todos têm histórias diferentes. Florence lesionou o joelho durante uma sessão de free surf em Bali, depois de ser eliminado no Corona Bali Protected. A rotura parcial do ligamento cruzado anterior “hipotecou” as suas hipóteses de repetir o feito de um dos seus ídolos, Andy Irons, que venceu três títulos consecutivos, algo que apenas mais dois surfistas conseguiram concretizar na história do surf profissional, Mark Richards e “Ke11y” Slater.

Caio partiu o pé mais cedo no ano, enquanto treinava para competir no evento de Margaret River, uma lesão que o deixou o resto do ano a recuperar. Antes disso ainda foi Kelly Slater que, em Junho de 2017, partiu o pé de uma forma mais “complexa” que o brasileiro durante uma sessão de free surf do Corona J-Bay Open . KS tinha apontado o ano de 2017 como o seu último no tour mas a lesão deixou esse “projecto” ficou em “stand by”.

Os critérios de atribuição destes wildcards são poucos e ao mesmo tempo bastante subjectivos. A gravidade da lesão é analisada, tal como o número de eventos que os candidatos faltaram. Caso se encontrem em pé de igualdade, como acontece este ano já que todos se lesionaram com gravidade e ficaram fora do circuito tempo o suficiente para a requalificação não ser viável, entra o critério “resultados do passado” o que deixa claro quem ficará de fora, o único dos três sem um título mundial (sem ser júnior), Caio Ibelli.

Mas é aí que a história se complica já que a lesão de Kelly Slater foi bastante “selectiva”. O norte-americano aparentemente esteve em condições de competir em algumas etapas, curiosamente as que mais gosta, o Pipe Masters (2017 e aparentemente 2018), duas provas na sua piscina realizadas em 2018, o Founder’s Cup e o Surf Ranch Pro, e ainda o Corona Open J-Bay. Além disso não esteve apto para competir no Corona Bali Protected mas nas mesmas datas foi captado (ou “catado”) a surfar um swell gigante em Fiji. Sendo o mestre estratega que é, Kelly tem deixado no ar em diversos “outlets” que o facto de não se ter conseguido conter e de ter competido e surfado várias vezes arrastou a recuperação do seu pé.

Segundo informações partilhadas pela Stab, Caio reuniu-se com a CEO da WSL e foi-lhe proposto competir em alguns eventos, algo que ele não concordou, optando por manter a sua posição e potencialmente receber tudo o que acha que tem direito.

A atribuição destes wildcards é polémica desde o início. Alguém se lembra em que circunstâncias Rob Machado saiu do tour? No ano 2000 o californiano foi quem venceu mais etapas no CT (3) mas, à semelhança de Ítalo Ferreira este ano, não chegou a Pipe na disputa pelo título. No ano seguinte aconteceram os atentados de 11 de Setembro e o circuito acabou por ser reduzido a 5 etapas e Machado teve alguns azares ao longo do ano como um braço partido e complicações na gravidez da sua esposa, o que o deixou fora do top28*. Talvez por ter sido pai há pouco tempo, Rob optou por não ir à reunião que se realizou no Havai entre surfistas e ASP (actual WSL) para decidir os substitutos para o ano seguinte, tendo enviado apenas uma carta que foi lida durante esse evento. Aparentemente quem esteve no local conseguiu exprimir-se melhor que o ex vice-campeão mundial que, quando chegou às ilhas semanas mais tarde, foi informado do que se passou. Rob era um dos melhores surfistas dessa geração e, desiludido com os acontecimentos, optou por nunca mais competir a tempo inteiro no tour, deixando assim passar um potencial (e muito merecido) título mundial. Também Tiago Pires esteve envolvido numa disputa por um season wildcard, contra o actual treinador Owen e Tyler Wright, Matt Wilkinson e Conner Coffin, Glen Hall. Nessa ocasião o português conseguiu ficar com a vaga mas havia dúvidas de como os critérios seriam interpretados.
*no ano 2000 o “World Championship Tour” tinha 44 surfistas e o “cut” era na 28ª posição.

Ainda existe, no entanto, uma possibilidade de não se deixar qualquer um dos três de fora. Se John John Florence vencer em Pipeline pode ficar entre 22 primeiros do ranking mas é pouco provável que isso aconteça e mesmo a vitória poderá não ser suficiente. Dentro de poucas semanas a WSL terá que fazer a comunicação oficial de quem serão os seleccionados, será que nos surpreendem?

 

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