O MEO Rip Curl Pro Portugal foi um grande sucesso por muitas razões. Estes são apenas 8 momentos ou factos que se destacaram durante o evento…

O título mundial de John John Florence. O ano de 2016 foi apenas o terceiro em que o título máximo da WSL foi decidido em Portugal na categoria masculina. O primeiro foi o ano de estreia do CT em Portugal, em 1996. Aí Kelly Slater apenas teve de entrar na água e mesmo tendo perdido para Bruno Charneca, sagrou-se tetra-campeão mundial. No ano seguinte a história repetiu-se e em 2014 Gabriel Medina chegou a Portugal com boas hipóteses de garantir o primeiro título mundial para o Brasil, mas perdeu cedo e hipotecou o seu destino até Pipe. Este ano parecia improvável que acontecesse em águas portuguesas, mas os adversários de John John foram caindo no limite do que precisavam para adiar a disputa e o havaiano sagrou-se campeão da etapa e do circuito. O facto de ser o surfista mais popular da actualidade a conseguir o título só acrescentou à mediatização do evento e do nosso país.

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A mudança de pico. A etapa do Championship Tour não saía de Supertubos desde 2010, muito devido às condições épicas que estiveram no ano seguinte, em que a prova foi considerada como a melhor do ano, batendo locais como Cloudbreak (Fiji), Pipeline (Havai) e Jeffreys Bay (África do Sul). No passado o evento parecia um pouco preso demais a este pico mas este ano voltou a ser móvel. A mudança para o Point Fabril poderá ter custado caro à WSL, já que a transmissão teve de ser feita via satélite, mas foi uma lufada de ar fresco para o campeonato. As ondas estavam incríveis e os surfistas compararam com algumas das melhores do mundo como, no caso de Jeremy Flores, Saint Leu, na Ilha Reunião (mas sem tubarões). Isso lembrou novamente ao público internacional que a nossa costa está cheia de “tesourinhos” e permitiu que a prova avançasse o suficiente antes de voltar aos Supertubos para terminar o campeonato em ondas boas.

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A organização. On point, esteve a WSL e a organização local. Todos os dias o mar esteve diferente do que se previa mas nem por isso se perderam oportunidades. A prova andou quando tinha de andar, aguardou quando tinha de aguardar e parou quando tinha de parar. É uma grande evolução desde os tempos em que as marcas pareciam mais donas dos eventos que a ASP/WSL e a consolidação e privatização desta entidade mudou tudo isso. Junta-se a experiência que a Ocean Events tem em 8 anos de eventos e o MEO Rip Curl Pro Portugal foi mais uma vez um grande sucesso.

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A derrota de Jadson André. De tempos em tempos acontece, mas este ano está a acontecer com mais regularidade. Em Trestles foi Medina quem foi prejudicado pelo julgamento, algo que teve grandes implicações na disputa pelo título. Em Peniche foi Jadson André quem perdeu injustamente. O brasileiro surfou muito no seu heat contra Julian Wilson e logo na primeira troca de ondas ficou a perder quando deveria ter ganho. No fim o australiano ficou a precisar de uma nota de 6.41 e, devido a um “vacilo” de Jadson, ganhou a prioridade e fez uma onda nos últimos segundos. A nota saiu quando ambos já estavam fora de água e foi o equivalente a um balde de água fria a quem assistiu. Julian recebeu a nota de 6.47, eliminando Jadson por 0.06, e a derrota terá grandes implicações na sua carreira uma vez que se torna muito difícil a requalificação para o ano que vem.

A presença de Kelly Slater. KS não gosta Portugal? O 11x campeão do mundo não está no tour para fazer número, pois é o rei dos números e recordes por isso algo o motivou a vir. Depois de ameaçar saltar directamente de França para o Havai o melhor surfista de todos os tempos chegou a Portugal em grande forma e, apesar de ter perdido cedo, ficou por cá. Kelly surfou nos Supertubos no fim do penúltimo dia, nos Coxos num dia anterior e não saiu do país sem ter confirmado a sua presença no tour para 2017. #portugalwilldothattoyou.

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A resistência de Jordy Smith. À chegada a Portugal eram 9 os candidatos ao título mas no penúltimo dia de prova só sobravam dois, Jordy e John John. As hipóteses para o sul-africano eram remotas, mas Smith não desistiu. Nos quartos de final estava a precisar de uma combinação contra Sebastian Zietz mas com uma onda boa e uma excelente, o único 10 do evento, virou o resultado e “viveu para lutar mais um dia”. A fasquia era alta para mas o vencedor da etapa de Trestles esteve quase a adiar a disputa, pelo menos mais um heat. No fim Conner Coffin conseguiu batê-lo nas meias finais e entregou o título a Florence, mas Jordy foi responsável por acrescentar “drama” e interesse nestas fases finais.

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A visibilidade de Portugal como destino. O nosso país já é muito bem referenciado como destino de surf e durante esta etapa só aumentou. Os speakers da WSL não pouparam elogios, sobre o evento, as ondas, as pessoas, comida e tudo mais. A mensagem foi bem passada e Portugal torna-se assim num dos países mais “surf” do mundo!

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Os surfistas portugueses. Apesar de não terem feito o “brilharete” do ano passado, ambos mostraram muito bom surf. Miguel Blanco foi quem ficou mais perto de eliminar o número 1 do mundo pois apenas precisava de uma onda de 5.67 e com um pouco mais de consistência na ondulação poderia tê-lo feito enquanto que todos os outros adversários ficaram a precisar de 8s, 9s ou combinações. Frederico Morais bateu Gabriel Medina no round 1 e foi seguramente um dos adversário mais perigosos que Florence apanhou nesta prova. Para terminar em grande, Tiago Pires venceu a expression session e subiu pela primeira vez ao pódio numa etapa do Championsip Tour em Portugal.

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