Tiago Pires não apareceu “de repente” no surf internacional. Os maiores feitos da sua carreira foram nos circuitos QS e CT da WSL mas, para ter a oportunidade de dar o salto para esse patamar, Saca teve que quebrar muitas barreiras enquanto júnior. Fica a conhecer alguns dos resultados esquecidos que colocaram este super talento no mapa…

 

O título Europeu de Sub14
Saca conquistou o seu primeiro título nacional em 1994 no circuito de esperanças, categoria de sub14. A sua prestação dominante nesse circuito garantiu-lhe uma vaga na selecção nacional para o Eurosurf, um campeonato que até aí era dominado por franceses, bascos e ingleses. Tiago sagrou-se campeão europeu nesse evento o que fez com que fosse reconhecido pelo seu patrocinador, a Quiksilver, sendo a partir daí convidado a participar nos “camps” da marca, eventos exclusivos para os team riders europeus de topo, e alguns internacionais. Aí Pires começou a conviver (e a mostrar o seu potencial) no meio de muitos surfistas que mais tarde seriam destaque a nível mundial, além de ícones do desporto como Tom Carroll.

 

Domínio no Circuito Lightning Bolt de Esperanças
Apesar de ter mantido um olho no sonho de ser surfista profissional desde muito novo, Pires fez o percurso “normal” disponível no nosso país, até ele deixar de fazer sentido por estar tão à frente na concorrência. Esse facto tornou-se visível ainda no circuito esperanças e, depois de “limpar” os sub14 em 94 e os sub16 em 95, no ano seguinte, ainda com 16 anos pediu autorização para competir numa das categorias etárias acima, algo que foi negado. A sua última passagem pelo circuito esperanças foi numa etapa em Ribeira D’Ilhas, onde surfou num patamar muito superior a todos os outros. E quando os seus colegas se deslocaram a Vila do Conde para competir na finalíssima do circuito, Saca arrancou para Peniche onde competiu numa etapa do circuito EPSA, o competitivo circuito profissional europeu, onde garantiu um impressionante 5º lugar nos Supertubos.

 

2º lugar no Nacional Open
Poucas semanas depois de competir na etapa do circuito esperanças em Ribeira D’Ilhas, o futuro “GOAT” do surf português quase venceu uma prova do circuito nacional Open no mesmo local, sendo superado por muito pouco pelo surfista mais dominante da época, João Antunes. O ano não acabava sem outro segundo lugar e no ano seguinte veio a primeira vitória e a disputa pelo título. Na altura o circuito era dominado por uma geração muito forte, que via assim um surfista de apenas 16 anos a mostrar um nível de surf semelhante aos melhores e um potencial de chegar onde nenhum outro português até aí tinha tido hipóteses realísticas de alcançar.

 

A prova da Chiemsee na Holanda
No mesmo ano em que se despediu no circuito esperanças e começou a dar cartas no circuito nacional e EPSA, Saca competiu numa prova de surf na Holanda. O patrocinador desse evento era a Chiemsee, uma marca que também patrocinava o Pipeline Masters, e teoricamente estava em jogo uma vaga nos trials de Pipe. Tiago venceu a prova, ganhou uma viagem à “meca do surf” mas quando chegou ao North Shore rapidamente percebeu que os organizadores do evento tinham sido ingénuos ao achar que conseguiriam colocar um grom europeu num evento que era dominado por surfistas locais e por grandes nomes internacionais. O jovem português não fez caso e aproveitou da melhor forma a que seria a primeira de quase duas décadas de “peregrinações” anuais ao Havai, algo que se tornaria muito relevante pouco mais tarde na sua carreira.

 

 

A vitória no Billabong júnior Challenge Europeu
A Billabong lançou o formato Challenge no surf nos anos 90, criando special events com os maiores talentos da época em ondas acima da qualidade que se encontrava no tour, aproveitando para transformar esse produto num conteúdo muito forte para as revistas e até filmes promocionais em VHS. Surgiu entretanto o Billabonng Júnior Challenge na Austrália, que teve a presença de surfistas como Andy Irons, Taj Burrow e CJ Hobgood, entre outros. Já os representantes da África do Sul, Japão, Europa, Indonésia e Brasil, seriam apurados em eventos locais. A “selectiva” europeia aconteceu em Hossegor e teve dois representantes de cada país, França, Espanha/País Basco, Inglaterra e Portugal. Tendo em conta o avanço que teoricamente tinham sobre o resto da Europa, os surfistas franceses e bascos eram os claros favoritos mas Saca não se deixou intimidar. O português qualificou-se para a final e abusou dos seus skills como tube rider, batendo a dupla francesa Patrick Beven e Miky Picon e garantindo uma vaga no evento final. Uma vez lá tratou de bater Andy Irons no seu primeiro heat e mostrou o seu surf ao lado dos melhores da sua geração, muitos dos quais seriam mais tarde seus colegas no Championship Tour. O evento deu origem ao filme “Wide Open”, produzido por Jack Mccoy para a Billabong e vendido em VHS em todo o mundo.

 

 

2º lugar no ISA WSG
Em 1998 o ex-mundial amador, então ISA World Surfing Games, passou por Portugal e Tiago Pires era já o grande destaque da selecção júnior portuguesa. O evento trouxe ao nosso país alguns dos grandes nomes daquela geração, de onde se destacava as fortíssimas equipas brasileira e australiana. Entre Carcavelos e o Guincho, Saca foi limpando as suas baterias para alegria do publico português, que não arredava o pé da praia nas suas baterias. Depois de uma longa semana Dean Morrison venceu a categoria mas Tiago ficou num muito próximo segundo lugar, um resultado que tinha superado qualquer outra prestação lusa, ou mesmo europeia, na história da categoria júnior da ISA por várias fases. A partir desse momento não havia mais como negar que este seria o surfista que iria lançar o surf português para patamares onde este nunca tinha estado. Assim acabou o seu percurso nos sub18, mas ainda havia estragos para fazer nos Pro Juniors da WSL (sub20). Depois de vencer o circuito Europeu Pro Junior, Pires continuou a crescer e dois anos depois foi novamente vice-campeão mundial, no Pro Junior da WSL no Havai. Essa temporada não acabou sem o seu mítico 2º lugar na prova de 6 estrelas em Sunset, ficando pela primeira vez muito perto do Championship Tour…

A partir daí Tiago Pires dedicou-se ao circuito QS, onde batalhou muito para chegar ao Championship Tour, colocando pela primeira vez a bandeira portuguesa no circuito de surf mais importante do mundo.

Fica a conhecer 12 grandes momentos de Saca no CT AQUI!

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